Receita perigosa

Publicada por José Manuel Dias


A receita é simples e o resultado garantido. Junta-se um crédito à habitação, de preferência indexado a uma taxa instável, a um crédito para o carro e a um empréstimo para as férias. Vai ao lume numa altura de contracção económica e tempera-se com um novo crédito para ajudar a pagar os anteriores. O resultado pode ser apreciado mensalmente nas estatísticas do Banco de Portugal, que ontem avaliou o crédito malparado nos níveis mais elevados desde que há registo, Dezembro de 1997. Segundo o Boletim Estatístico de Junho, atingiu-se em Abril o valor recorde de 3,38 mil milhões de euros cuja cobrança é duvidosa, o que significa um acréscimo impressionante de 34% face ao homólogo. Feitas as contas, 2,54% do total de crédito concedido pelos bancos a particulares não está a ser pago. Mais de metade desta dívida (1,75 mil milhões) corresponde a crédito contratado para a compra de casa, que é normalmente a última prestação a ser abandonada em caso de dificuldades.
Fonte: i, aqui.
A conjuntura explica muito do incumprimento (aumento do desemprego...) mas a tomada de riscos por parte dos bancos parece não ter tido em devida conta o risco geral e o risco profissional. Agora, imaginem o que seria se a Euribor se tivesse mantido aos níveis de Setembro de 2008. A situação seria "bem mais negra", em particular para aqueles que estão habituados a transformar "os desejos em realidade" com base exclusivamente no crédito.

1 comentários:

  1. Liliana disse...

    Uma receita que muitos de nós não gostariam de experimentar.. As poupanças não são eternamente duráveis, logo deve ser tida em conta a possibilidade de ocorrência de situações imprevistas, como a subida das taxas de juro. Há, ainda, que comprar e consumir conforme as nossas possibilidades e não conforme as expectativas e preferências dos outros.