Yes, we can

Publicada por José Manuel Dias


A avaliação de professores está na ordem do dia e paira actualmente como uma nuvem negra sobre a estabilidade do sistema de ensino português.
Tomando como boas as críticas de muitos professores, em causa está o modelo de avaliação aprovado pelo Ministério, com as queixas a incidirem sobre a burocracia associada ao processo de avaliação e potenciais situações de injustiça, com as inerentes repercussões ao nível do concurso de colocação e da progressão na carreira. O Ministério, por sua vez, defende-se acusando os críticos de não proporem um modelo de avaliação alternativo.

Estão assim criadas as condições para um extremar de posições, que em nada contribuirá, muito pelo contrário, para a serenidade que a função educativa exige.
Não admira, pois, que, na Conferência do Fórum para a Liberdade de Educação que teve lugar ontem (quarta-feira, 12/11/2008) na Fundação Gulbenkian sobre “A Reforma do Sistema de Ensino da Nova Zelândia”, a avaliação de professores merecesse uma atenção especial por parte dos presentes.
Se a razão de ser das perguntas era óbvia, a simplicidade das respostas desarmou a assistência. É que na Nova Zelândia não existe um sistema de avaliação centralizado.
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Soa a utopia, e sem dúvida que vem dos antípodas, mas o sistema de ensino neozelandês nem sempre foi assim. Simplesmente, há 20 anos, este país teve a coragem de fazer a reforma que verdadeiramente importava: acabou com a maior parte das direcções centrais e todas as direcções regionais de educação e devolveu as escolas às comunidades locais. Se dúvidas houvessem, os dados do PISA-OCDE colocam a Nova Zelândia no topo, quer no que concerne a literacia quer no que concerne a numeracia. E claro, é escusado gritar contra o ministério da educação, este ou qualquer outro, pois este foi quem mais perdeu poder com a reforma: o poder passou para as escolas e o conselho de administração das escolas é maioritariamente composto por personalidades eleitas pelos pais dos alunos. De uma simplicidade desconcertante, mas que explica a qualidade do ensino neozelandês.
Se eles conseguiram, porque é que nós não conseguimos também? Creio que podemos e devemos dizer “Yes, we can!”
Fernando Adão da Fonseca, dá-nos nota das reformas promovidas pelo governo neozelandês em ordem a melhorar a qualidade do seu ensino. Um artigo imperdível que poder ser lido na íntegra no site da Sedes, aqui. Uma reforma que, a ser aplicada no nosso país, pacificaria rapidamente o sector.

2 comentários:

  1. Duarte Enes disse...

    Professor, gostaria de saber qual a sua opinião sobre esta matéria?
    Eu acho que a avaliação dos professores é absolutamente necessaria para melhorar o ensino em Portugal.
    Penso também que este modelo de avaliação não vai ter segundas consequências nos alunos, como a maioria dos professores e pais dizem.
    Discordo da forma como a plataforma sindical dos professores quis resolver os problemas: primeiro a suspensão do modelo, e depois as negociações para um novo. Se não se chegava a um consenso, trabalhava-se com o modelo actual até se criar um novo modelo que, na medida do possivel, satisfizesse ambas as partes.
    Só com bons professores, é que é possivel formar bons alunos. Só desta forma é que podemos criar um país mais forte e competitivo.

  2. José Manuel Dias disse...

    Caro Duarte,

    Agradeço a questão colocada. Avaliar desempenhos deve fazer parte da cultura de uma qualquer organização. Aceitar como válido este princípio implica reconhecer que o esforço e o mérito devem ser premiados, rejeitando o facilitismo da progressão com base na antiguidade. Daqui se pode concluir que, em bom rigor, nunca houve uma avaliação séria ao nível dos docentes. O modelo que o Ministério apresentou é, a meu ver,um modelo interessante, pecando, no entanto, por ser muito pesado, a nível operativo. Neste enquadramento algumas críticas produzidas fazem todo o sentido. Havia que simplificar. As alterações já produzidas facilitam a operacionalização do modelo. A maioria das escolas estará em condições de o implementar. Sucede, entretanto, que todas as mudanças geram inquietações e a inquietação é tanto maior quanto mais instalado se está. Daí os protestos. Por outro lado, os Sindicatos aproveitam este estado de espírito para retirar dividendos políticos, levando a que professores tenham comportamentos pouco condizentes com a sua função. Negociar implica cedência das duas partes. Os problemas das escola não dizem apenas respeito aos professores. A Escola deve prestar contas a vários stakeholders: Governo, autarquias, encarregados de educação, alunos, sociedade em geral...Os sindicatos devem saber que os interesses particulares não se devem sobrepôr aos interesses públicos. O Governo deve ter noção que não vale a pena insistir em operativas de difícil aplicação. Se houver flexibilidade negocial e sentido da responsabilidade parte a parte, o acordo será conseguido brevemente. Ganharão todos, até os que agora não querem acordo. O futuro é de exigência. Diferenciar desempenhos é essencial. Como dizemos com frequência devemos ter em conta que "só o excelente é suficiente".
    Cumps