E a cenoura?

Publicada por José Manuel Dias


É muito. Está acima da média da OCDE. É demais para um país que se quer desenvolvido. Não estão em causa apenas os esquemas de fuga ao fisco ou à Segurança Social, é mais do que isso. São todos os estratagemas usados para fintar as regras de funcionamento da economia, nos licenciamentos, na protecção do ambiente, na segurança no trabalho. É o pior do ‘nacional porreirismo’. Esta é uma das principais causas do atraso do país relativamente às médias internacionais, uma vez que permite a sobrevivência de empresas sem futuro nem razão de existir. Como conseguem escapar às obrigações com o Estado e a sociedade, estas empresas têm custos inferiores e continuam a operar, apesar de mal geridas e de muitas vezes não serem competitivas. Ainda assim, acabam por roubar clientes aos cumpridores, que são penalizados por seguirem as regras. As consequências são óbvias. Primeiro, há um nivelamento por baixo, o que resulta numa evolução da produtividade abaixo do que é necessário para a expansão da economia. Segundo, há a questão moral: nenhuma sociedade pode ter um futuro risonho se tolerar níveis elevados de desrespeito pelas leis. Portanto, a questão é: como se resolve a chaga da economia informal? Com muito pau e cenoura.
Bruno Proença no Diário Económico desta data, aqui.
A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) vai colocar inspectores tributários e funcionários dos serviços de Finanças a visitar pessoalmente contribuintes com dívidas em processos de execução de forma a identificar o património que estes possuam e que pode ser penhorado. Se não existir património, no caso das empresas, é iniciado um processo de reversão, passando as dívidas a ser exigidas aos responsáveis das empresas devedoras.
Jornal Público, aqui.
Simplificar processos, reforçar o controlo, penalizar os incumpridores são medidas necessárias à diminuição da economia paralel. Convirá, no entanto, perguntar: e a cenoura onde está?

1 comentários:

  1. mariam disse...

    bom post. boa pergunta... a cenoura!

    embora perceba pouco de economia (só a de minha casa rsrs)

    não sei como deu comigo...voltarei com mais tempo.

    boa semana
    um sorriso :)