Paradoxo de Abilene

Publicada por José Manuel Dias


Trata-se de um paradoxo que foi mencionado pela primeira vez pelo psicólogo americano Jerry Harvey.
Harvey reparou que os grupos ( família, colegas de trabalho...) tomam, por vezes, decisões que os seus membros, enquanto seres individuais, considerariam insensatas.
O grupo concorda em fazer uma coisa porque cada indivíduo sabe que pode recusar qualquer responsabilidade pela iniciativa do grupo. Nas organizações, não raras vezes, são implementadas acções sob a capa do consenso que traduzem o contrário do sentir da larga maioria dos seus membros. Tomam-se decisões erradas e ineficazes porque o nível de comunicação entre os membros é ineficiente e, muitos deles, não exprimem, de modo aberto, os seus pontos de vista com receio da censura e do eventual conflito com os respectivos líderes.
Quem já não vivenciou uma situação desta natureza? Quem não conhece organizações em que estas situações ocorrem com frequência excessiva?

10 comentários:

  1. migas (miguel araújo) disse...

    Viva caro José Dias
    Há algo aqui que não consegui acompanhar. Desculpe a ignorância.
    Mas se as decisões são tomadas em grupo, a opção tomada deverá ser a da maioria. Caso contrário é uma imposição, sem direito a contraditório, ou sem que, quem decide, tenha em consideração o que individualmente for apresentado e estudado.
    E aqui, sim, meu caro.Tanto dia-a-dia passado.
    Por outro lado o seu último parágrafo, faz-me recordar um comentário que neste seu excelente espaço deixei sobre a dicotomia ética-liberdade de expressão.
    Cumprimentos

  2. Saramar disse...

    Meu amigo, boa noite.
    Eu desconhecia a teoria, porém vivencio, no momento esse problema em meu trabalho. E de forma agudíssima.
    Os resultados, você deve conhecer bem: frustrações, mal-entendidos e até conspirações.
    O que fazer? Quem sabe, em próximo post, você pode sugerir alguns caminhos?
    Obrigada.

    beijos e boa semana para você.

  3. Isabel disse...

    Eu tenho de facto essa vivência diária.
    De facto cada vez existem mais reuniões sem razão de ser uma vez que o valor das opiniões não é o mesmo, e muitas vezes as opiniões não são sequer dadas por enumeras razões entre elas o medo, e esse existe em todas as formas e feitios por todas as razões e mais algumas.
    É lamentável que na maioria as reuniões e a criação de grupos de trabalho seja quase inutil e se traduza num aumento crescente da produtividade por tempo perdido.
    São dias de trabalho perdidos em reuniões e criação de grupos inuteis.
    Há no no ser humano mediano, uma falta de coragem em ser diferente em dar opiniões diferentes quando acredita serem contra a da maioria, ou a do mais forte, o lider.
    Há no no ser humano mediano, uma falta de coragem em assumir as consequencias do que pensa.
    Há no no ser humano mediano, uma falta de coragem em assumir responsabilidade pelas decisões e dai esconder-se atrás das decisões de grupo.
    Ora o propósito da criação de um grupo é o oposto, é criar uma mais valia de opiniões, esforços, e responsabilização.
    No fundo o que se passa nas empresas passasse a todos os níveis na vida de hoje... o homem perdeu a coragem para defender os seus principios... em casos mais graves perdeu a coragem de ter principios.
    Triste...
    O meu pai ensinou-me a defender o que penso desde a escola primária, e ensinou-me que se a consequência fosse chumbar a enfrentasse, se tivesse que ir defender a conselho directivo ou onde fosse o que penso,que fosse, falasse e não me calasse.
    Assim fiz a vida inteira. Assim continuo a fazer. Talvez fosse mais rica se tivesse feito de outra forma mas o orgulho em mim mesma e outras riquezas compensam bem por isso. E quem sabe um dia a força de um opinião volte ater o valor que merece.

    Gostei muito do teu post.
    E de facto essa a realidade.

    Isabel

  4. Guilherme Roesler disse...

    Muito inrteressante. Talvez seja por isso que os governos autoritários dão vazão ao coletivo, seja as massas ou mesmo ou partido. Somente estes grupos podem fazer os absurdos que tantos querem. Realmente, bem interessante. Abração, Guilherme

  5. Valéria disse...

    Eu acredito q muitas vezes isso ocorre por q as pessoas ou tem preguiça de se expressar ou medo de se impor , e acomodam, se contentando em serem coadjuvantes .
    Grande abraço .

  6. Nucha disse...

    Sem lhe saber o nome, já o vivi, sim!...

  7. Kafé Roceiro disse...

    Acho que todas as empresas passam por esses problemas. Onde tem ser humano tem problema!

  8. José Manuel Dias disse...

    Muito obrigado pelos comentários.

  9. o lápis disse...

    Também conheci a situação oposta, isto é, quando dava a conhecer a minha opinião, porque estava habituada a abertura nos diversos mecanismos e metodos de trabalho, os novos lideres julgavam-me conflituosa e nunca perceberam que era de trabalho que eu falava...
    egocentricos, sentiam-se postos em causa, sem qualquer razão para tal e criando um clima desfavorável ao sucesso dos nossos objectivos (cumprimento de prazos e respostas eficientes aos nossos clientes, quer internos, quer externos)

    Um beijo e votos de um bom feriado!

    Van

  10. crt disse...

    É, efectivamente, muitas vezes assim.
    Aliás, essa é uma das causas do insucesso no trabalho em equipe.
    Muitos acabam por concordar por manifesta incapcidade para discordar e explicar porque discordam. Outros, por acentuada capacidade de liderança, acabam por avocar a si todas as decisões..
    Em suma, nem sempre temos o consenso colectivo que a decisão parece revelar mas, sim, uma decisão imposta por circunstâncias várias, como a personalidade de cada individuo que compõe a equipe.