A equação da mudança

Publicada por José Manuel Dias


O "mundo é composto de mudança...", diz o refrão, de uma cantiga bem conhecida. Sucede que a maioria de nós, é, em maior ou menor grau, avessa à mudança. Não vale a pena iludir esta realidade. A nossa educação prepara-nos, quase sempre, para quadros de estabilidade, em que o domínio da maior parte das variáveis está ao nosso alcance. O acelerar da evolução tecnológica, a crescente partilha de informação, a queda de sucessivos dogmas, deixam-nos sem o quadro de referências que durante anos suportou a nossa actuação. Ter noção desta realidade é criar condições para ultrapassar mais facilmente os constrangimentos ditados pelas mudanças.
Existe uma equação que explica o processo de mudança:
M = N - R
Em que Mudança M - Mudança, N - Necessidade e R - Resistência.
A leitura desta equação permite-nos tirar as seguintes conclusões:
a) A mudança implica a percepção da necessidade (que motiva de mudança) e tem de ser maior que a resistência ( a que corresponde o receio de perder)
b) Não haverá mudança se a resistência for igual ou maior do que a necessidade.
Existem resistências porque existe receio. Resistir tem como propósito manter a situação existente. Resistir à mudança é recear o próprio crescimento, negando a necessidade de crescer para assumir novos desafios. Resistir é procurar esconder fragilidades e limitações.
As coisas não são fáceis para quem aceita as mudanças mas são, por regra, muito piores, para quem teima em ficar como está, ignorando a necessidade de mudança. Estas pessoas penalizam-se a si próprias e, por efeito da sua inércia, acabam, também, por prejudicar aqueles que partilham o seu tempo e o seu espaço e desejam aderir às mudanças. Neste enquadramento importa focalizarmo-nos nas mudanças que desejamos efectivamente concretizar, ignorando as apreciações e julgamentos dos resistentes à mudança.
Portugal vive um tempo de muitas mudanças. A larga maioria dos portugueses está consciente da necessidade das mudanças. Temos, no entanto, alguns resistentes, em particular nos sectores em que a " zona de conforto" é mais mais expressiva, que tentam obstaculizar as mudanças. Não há, no entanto, volta a dar. As mudanças reclamadas são ditadas pela exigência de um futuro melhor para todos, ou mudam ou, então, o tempo reservar-lhes-á, o futuro que os dinossauros tiveram...

14 comentários:

  1. Esther disse...

    Oi, José Manuel.. Fantástica colocação - deste-me um mote pra próxima aula de empreendedorismo. Realmente é difícil sair da zona de conforto, mas posso jurar : é altamente compensador...E como crescemos! Digo sempre que só há duas maneirasde aprendermos : pelo amor e pela dor... a segunda opção é , de longe, a mais rápida e definitiva!! Grande beijo!

  2. Cleopatra disse...

    Isto aplica-se a tudo na vida.
    E a todos sem excepção, não é assim?
    É que há mudanças e mudanças ;)

  3. Ricardo Rayol disse...

    Texto interessantissimo. Isso se aplica em qualquer país ou [área de trabalho. Achamos que temos uma estabilidade e vivemos buscando mudanças .. uma situação meio incoerente.

  4. Fausta Paixão disse...

    Livra!
    deves ser do clube dos profs de matemática, com fórmulas à mistura e tanta lógica.
    deixa-me bazar daqui...

  5. GK disse...

    Grande texto. Às vezes é bom parar para racionalizar os processos. Sinto-me mais preparada para mudar... ;) Será que Portugal me acompanha?...

    Bj.

  6. Migas (miguel araújo) disse...

    Viva caro José Manuel.
    Não discordando do interessante post, há algo que preocupa nessas mudanças.
    Não se trata muitas vezes da resistência.
    Nós temos sempre o mau hábito de que somos aversos a tudo o que nos desinstale, inquiete, nos faça mudar. Isso é um facto.
    Mas também sabemos a realidade dos dias de hoje em que tudo gira e muda com uma velocidade estonteante.
    Mas muitas vezes essas mudanças aparecem mais por capricho, por estratégias comerciais e financeiras.
    Mas muitas vezes sem o tal factor necessidade.
    Muitas vezes muda-se por mudar, sem objectivos concretos, sem planeamentos precisos, sem qualquer fundamento.
    Mesmo sem resistência, temos o "caldo" entornado.
    Um Abraço

  7. Memória transparente disse...

    Um texto de resistência de mudança. Gostei de ler.

    Obrigada pela visita.

  8. GUIA DO APOSTADOR disse...

    É na capacidade de "mudança" que se vê a evolução de uma sociedade. E aqui no nosso cantinho, mudança ainda é uma palavra que mete medo a muita gente. Belissimo artigo este. Boa semana.

  9. CarpeDiemBeHappy disse...

    Olá!
    Este texto está muito bom, muito elucidativo à realidade dos tempos de hoje.

    São muitas as pessoas que na sua vida são avessas às mudanças...infelizmente!...podendo-se aplicar a tudo na vida.

    Fórmula interessante....detesto a inércia.
    bj

  10. José Pires F. disse...

    Meu caro José Manuel Dias!

    Em comentário ao seu post, permita que responda com partes de uma postagem que fiz em tempo e com o titulo “O apetite pela mudança”.

    "Tive oportunidade de ler um artigo de Christopher Grey na World Business que consolida o meu pensamento, não quis deixar de partilhar uma parte do que ele escreve e também algumas buchas pessoais.

    Começa Christopher Grey por dizer que o apetite insaciável dos gestores pela mudança, ignora os custos com a fadiga do pessoal e a falta de inovação que a acompanham, e eu concordo em pleno com esta análise. É a loucura da mudança a uma velocidade sem precedentes e sem sinais de abrandamento.
    Hoje é uma afirmação generalizada a ideia de que vivemos num mundo de mudanças extremamente rápidas e o que é que isto significa? Muito pouco e é aí que reside o problema, porque estas palavras, ou semelhantes, fazem já parte do léxico empresarial e quase nem reparamos nelas.

    Hoje em dia, a maioria dos gestores e dirigentes tem pouco interesse numa das suas principais capacidades: a gestão da estabilidade, que feita com eficiência lhes permite atingir objectivos estratégicos. A arte da organização centra-se na resistência, na gestão quer da continuidade quer da mudança, e perdem a primeira parte se comprarem invadidos pela histeria da compra e enfrentam nesse caso, um clássico erro de lógica. A mudança é necessária. Isto é mudança e, por isso, é necessário.
    A ideia de que qualquer alteração é boa causa danos enormes, leva-os a violar princípios racionais de gestão como por exemplo a análise custos/benefícios. É fácil ser seduzido pelos benefícios, mas será que se contabilizam os custos? Será possível contabilizá-los, tendo em conta como é comum embarcar numa nova série de mudanças antes de deixar que os esforços anteriores se instalem e sejam avaliados?

    E a “fadiga da mudança” um dos fenómenos mais perturbadores, menos quantificáveis das organizações e familiar a muitos mercados.
    Outra mudança? Mais reorganizações? Desmoraliza num abrir e fechar de olhos e provoca movimentação do pessoal, desilusões e perda de empenho.
    Os executivos aprendem que as pessoas “resistem à mudança de forma irracional” e que isto deve ser ultrapassado em vez de resolverem a sua causa fundamental que pode passar até, pela solução de não fazer essa modificação.

    É possível que as mudanças devam ser frequentemente efectuadas pelo bem da organização, mesmo que ameacem interesses individuais, mas a taxa de insucesso em processos de gestão de mudança é bem conhecida e sugere que nem sempre as transformações são efectuadas no interesse da organização. A resistência dos empregados provém muitas vezes do facto de saberem mais da empresa do que o escritório principal e por maioria de razão, mais que aquele gestor contratado só para fazer a mudança.

    Qualquer líder inteligente sabe que pode existir uma clivagem entre os melhores planos e a realidade no terreno. A mudança continua não causa apenas fadiga, está também associada a outros problemas organizacionais, por quebrar quase inevitavelmente o “contrato psicológico” com os empregados, a relação não verbal e não documentada, mas assumida entre o indivíduo e a organização, conduz muitas vezes à erosão da confiança e alimenta a “síndrome do sobrevivente”, em que os que viram os colegas serem seleccionados se tornam desconfiados e se enchem de ressentimento face ao patronato. A ligação psicológica das pessoas, não apenas ao seu local de trabalho mas também, o que é muitas vezes mais importante, aos seus colegas não deve ser subestimada. As empresas não podem simplesmente cortar uma parte do “capital humano” e imaginar que os que ficam continuarão como dantes, estas estratégias criam ressentimentos e minam a identificação entre o colaborador e a organização.

    Concluindo:
    A diferença para uma gestão eficaz é que esta desenvolve estratégias inventivas de forma a ultrapassar limitações reais ou imaginárias, desenvolve e age de acordo com estratégias de longo prazo, controlando as tarefas e as expectativas do “capital humano” de forma pró-activa, o que lhe permite atingir objectivos estratégicos em vez de apagar fogos.
    O contrário subverte o significado da “palavra assumida”, corrompe e substitui-a por matéria descartável. São necessários novos métodos que sustentem as ideias primordiais para daí partirmos para o combate à crise do sistema de valores capitalista que não constituem de forma alguma, um “ambiente estável” para as empresas."

    PS: Um pouco longo para uma caixa de comentários, mas espero que aprecie este outro lado da questão.

    Um abraço.

  11. João Carlos Carranca disse...

    JMDias:
    não sei se os portugueses estão conscientes da necessidade de mudança.
    Há necessidade urgente de mudar, porém todas as mudanças recebem um franzir de olhos quando toca no Eu de cada um.

  12. O Lápis disse...

    Mudar sempre.

    Para melhor.

    Custe o que custar, é que sem mudança não há evolução...

    ... acabamos por envelhecer precocemente.

    Bom post!

  13. Carlos Martins disse...

    Entao é mais:

    se N maior que R então M=N-R
    se N= ou menor que R entao M=0

    o problema é quando N maior que R mas há M maior que 0...

    Nem todo o M ou N é bom, e nem todo o R é mau...Ate pq tirando o R, teriamos M=N, e convenhamos, M=N é muito redutor e insuficiente.

    Eu não querendo abusar da paciencia do leitor deste comment, diria que

    M=aN+bI-cR+e, com I=inovação e e=factor aleatorio

  14. A Professorinha disse...

    O problema é que o país não quer mudar. Eu, por mim, estava sempre em mudança. Para melhor, claro!