Não há volta a dar: temos que mudar de vida!

Publicada por José Manuel Dias


No Governo, os políticos são optimistas profissionais; na oposição, pessimistas encartados. Não admira, portanto, que o Presidente da República e o primeiro-ministro tentem desdramatizar a situação difícil que estamos a atravessar, passando a mensagem que mais ano menos ano a economia vai recuperar e as coisas vão melhorar, como aconteceu invariavelmente no passado
Com efeito, primeira tendência, o aumento do preço dos combustíveis fósseis não é conjuntural - é estrutural. Há cinco anos ninguém consideraria que o preço do barril do petróleo pudesse ultrapassar os 100 dólares. Hoje já se coloca a hipótese de um dia destes termos o barril acima dos 200 dólares. Preparem-se, portanto: o transporte privado vai diminuir dramaticamente, as viagens de avião vão tornar-se um luxo.
Segunda tendência: o aumento do preço da electricidade nas nossas casas também vai passar a ser constante, devido à subida de todos os factores que contribuem para a sua produção. Recorrer a produção própria por via solar vai tornar-se inevitável.
Terceira tendência: a água vai ser mais escassa, logo o seu preço também vai subir exponencialmente. Esqueçam as piscinas privadas, fontes públicas, campos de golfe e banhos de imersão e comecemos a habituar-nos a cortes sistemáticos nos fornecimentos de água aos domicílios e a multas pesadas para quem desperdiçar o precioso líquido.
Quarta tendência: o preço dos bens alimentares explodiu e não volta para trás, mesmo com o aumento da produção, porque há milhões de pessoas que passaram a ter acesso a esses produtos.
Nicolau Santos, em artigo de opinião no Jornal Expresso de Sábado passado.
Uma leitura oportuna sobre a nossa realidade. Vale a pena reflectirmos sobre estas tendências, procurando identificar as suas causas e perspectivando as suas consequências. Este opinion-maker oferece-nos a sua posição. Não nos assustemos. Confiemos na capacidade do homem em superar os obstáculos e encontrar novas soluções para estes problemas.

2 comentários:

  1. Joana Dalila Santos disse...

    É difícil não assustar...

  2. kakauzinha disse...

    Dá a sensação de que vamos viver "no dia depois".

    Bem, eu já vivo com pouco e sei que cada vez vou ter menos. Mas não cruzo os braços e faço o que tem de ser feito, poupança, reciclagem, 99% de vegetarismo. Quem sabe esta insanidade geral um dia acalma e o petróleo que se lixe. Até gostava que o ouro negro acabasse só para ver aqueles inúteis todos de pano de cozinha na tola a falar com os camelos: "Já viste esta gaita, pá? Acabou-se a mama!". Pensamento do camelo: "É muita bem feita, ó troll do caraças, já era tempo de vos f...piiii! os cornos!".

    Beijinho azul(*)