Crise do "Subprime": réplicas

Publicada por José Manuel Dias



Os cinco maiores bancos portugueses restringiram os critérios de concessão de crédito a empresas e particulares e aumentaram o 'spread' que o mesmo é dizer o preço do crédito subiu, conforme revela o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito divulgado pelo Banco de Portugal.
Este cenário já tinha sido equacionado aqui.
Efeitos da crise no mercado de crédito "Subprime", dizem os especialistas. Dificuldades acrescidas no acesso ao financiamento confessam os Bancos. As operações de titularização já não são o que eram. Mais rigor, maior selectividade conduzem a uma natural restrição de crédito. A apreciação do Euro concorre, de igual modo, para a implementação de uma política monetária ainda mais restritiva. Em síntese: menos crédito e mais caro. Esta realidade suscita novos desafios para as empresas. Os Bancos precisam de avaliar com rigor o risco dos seus clientes e terão de ter informação detalhada, actualizada e com maior qualidade. As empresas que souberem responder a estas exigências tenderão a ter uma melhor notação de risco , obtendo taxas mais atractivas.

6 comentários:

  1. adrianeites disse...

    á tatica dos spreads parece ser ameaçar o banco de transferência para outro banco... costumam baixar imediatamente...

    cp's

  2. migas (miguel araújo) disse...

    Caro José Dias
    Inteiramente de acordo na abordagem que faz em relação à obrigatoridade que a Banca deveria ter na avaliação correcta do risco dos clientes.
    Mas igualemente, devria ter a Banca um papel mais moralizador e social nesta área, nomeadamente no correcto aconselhamento e não apenas visar o lucro, já por si garantido nas taxas e spreads cobrados à custa do cliente.
    É que hoje, face á dificuldade do custo de vida, a problemática do endividamento das famílias portuguesas é preocupante.
    E nem tudo pode ser metido no mesmo saco. Nem tudo é crédito igual. Isto é, uma habitação é um bem essencial. Uma viatura já muito dificilmente deve ser considerada um luxo (face à realidade dos transportes públicos disponíveis), embora haja viaturas de luxo. Porque a mobilidade das pessoas hoje é cada vez maior.
    Em contrapartida, um televisão plasma ou não plasma, um frigorífico XPTO ou uma máquina de lavar roupa que também seque, passe a ferro e dobre, são aquisições que deveriam ser mais contidas e melhor analisadas do ponto de vista do tal risco pelas entidades financiadoras.
    Cumprimentos

  3. Joana Dalila Santos disse...

    Achei lindo receber em casa um folheto para convidar amigos a fazer credito e a oferecerem-me 0,4% de cada credito que eu "angariasse". Fosse qual fosse o valor!

  4. Doutroladodomar disse...

    Os bancos nunca perdem...esse assunto é deveras ácido para uma brasileira . Nossos juros são astronomicamente altos, como vc deve saber! Beijo e saudades da tua presença.

  5. BaD disse...

    Caro Jose Dias, Caro Migas,

    Lamento, mas estou completamente em desacordo com o Migas.

    Os bancos não são e nunca serão a santa casa da misericordia. "não apenas visar o lucro" é uma utopia. Mas nem sequer iria pegar neste nivel de pragmatismo para formular o meu argumento.

    Pelo contrário. Usaria precisamento o que disse o meu caro amigo Migas para explicar porque os bancos ja vão é tarde em estreitar o acesso ao crédito. É precisamente pelo consumo ser generalizado e pelo acesso ao credito demasiado facil (seja ele qual for) que o tightening deve aparecer. E o ECB deveria ser o primeiro a faze-lo. Claro que Portugal não está no mesmo nivel do ciclo economico que a Alemanha, pelo que a politica do ECB pouco olhará para o nosso País para tomar a sua decisão.

    De qualquer forma, o grau de endividamento resulta também da entrada no euro (com taxas de juro extraordinariamente baixas) em ciclo diferente do do resto da Europa que levou a este problema especifico em Portugal.

    E há mais um pormenor, esse da teorica economica mais elementar: mais procura de crédito, maior taxa de juro, o preço do bem em causa: dinheiro. Não fosse o Euro, e era isto que aconteceria. Certamente já estariamos nos 10%. Ou mais. Cumprimentos

  6. migas (miguel araújo) disse...

    Amigo Carlos (BaD)
    Vamos lá desmistificar esse teu discurso (à boa maneira da gestão e economia).
    Não espero que os bancos sejam a santa casa da misericórdia, pelo mesno para o comum dos mortais (já para o filho de Jardim Gonçalves - é outra "estória").
    O não visar apenas o lucro tem a ver com o facto de os bancos serem desonestos para com os seus clientes, enganarem-nos e aliciarem-nos sem qualquer cuidado ou até mesmo escrúpulos. Tanto é que acabas por afirmar que já vão tarde no que respeita ao estreitamento do acesso ao crédito.
    Além disso, acabas por me dar razão quando dizes que "mais procura de crédito, maior taxa de juro". Pois é meu caro amigo. Por isso é que para os bancos qaunto maior for a procura de crédito melhor (mais liquidez e lucro).
    Vê também o que é referido no comentário da Joana Dalila Santos. Se isto não é aliciar os clientes sem qualquer cuidado, ou até mesmo, com "vontade" em colaborar para a crise financeira familiar, não sei o que será?! Obra do Diabo!
    Outro exemplo... face à situação conhecida, aos números, à realidade do nível de vida da maioria dos portugueses, como é que se justifica e se dá razão a uma instituição bancária que, no acto de celebração de um contrato de crédito para habitação (não vejo outra forma da maioria dos portugueses adquirirem um tecto para morar)uma das condições é o uso de um cartão de crédito (com a obrigatoriedade de ser activado) ou o pagamento de uma taxa anual pelo seu não uso?!
    Isto é dar o empurrãozinho à beira do abismo, meu caro.
    É enganar os clientes.
    Já para não falar da publicidade enganosa.
    É que não estamos a falar de mim ou de ti. Estamos a falar de milhares de Portugueses enganados.