Nuvens no horizonte

Publicada por José Manuel Dias


A crise que se vive desde 9 de Agosto, no mercado de crédito não pode deixar de suscitar preocupação por parte de todos nós, por ser indiciadora de alguma fragilidade do sistema financeiro internacional. Hoje ninguém sabe dizer, com rigor, qual é a amplitude dos riscos em que incorremos, tal é a teia de ligações entre os Bancos dos vários países (1). Uma coisa parece, no entanto, certa: alguns Bancos tomaram riscos que não deviam e, agora, os Bancos Centrais são chamados a intervir porque "os bancos não podem falir".
Tudo indica que esta crise conduzirá ao reforço da análise do risco dos clientes e à incorporção de um "prémio de risco" superior na definição do "pricing" do crédito. É de esperar, assim, que os 'spreads' se alarguem ajustando-se ao perfil de risco do respectivo utilizador, na linha,de resto, do preconizado por Basileia II.
Silva Lopes, antigo Governador do Banco de Portugal , é de opinião que "Esta é a maior crise financeira dos último anos". A entrevista concedida hoje ao Diário Económico pode ser lida aqui.
(1) Os efeitos do aumento do crédito malparado no segmento de 'subprime' - clientes de alto risco - nos Estados Unidos está aparentemente a desestabilizar mais o mercado do crédito na área do euro. A lista de instituições que vêm a terreiro afirmar que estão expostas ao crédito hipotecário norte-americano de alto risco não pára de crescer.

1 comentários:

  1. José Alberto Mostardinha disse...

    Viva:

    Isto é o que acontece quando, por um lado, se quer ganhar dinheiro sem olhar a riscos (do lado da banca) e, por outro, se quer gastar dinheiro sem primeiro o ter ganho, ou seja, viver a crédito (do lado do consumidor).

    Essa coisa do crédito verdadeiramente já me dá nauzeas.
    É preciso trabalhar, poupar e viver á medida das possibilidades.

    "Armar aos cucos" é no que dá.

    Um abraço,