Miguel Torga

Publicada por José Manuel Dias


Assinala-se hoje o centenário do nascimento de Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia Rocha. Poeta, ensaísta, dramaturgo, romancista e contista, foi proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978).

Segredo

Sei um ninho
e o ninho tem um ovo;
e o ovo, redondinho,
tem lá dentro um passarinho novo.
Mas escusas de me tentar:
nem o tiro nem o ensino;
quero ser um bom menino,
e guardar este segredo comigo,
e ter depois um amigo
que faça o pino a voar.

10 comentários:

  1. Vanda Baltazar disse...

    Zé Manel, ainda há tres dias deixei o Geres Transmontano e ja hoje o recordo...aqui! :)


    Tudo bem contigo? Espero que sim!


    Beijo

    Vanda

  2. hfm disse...

    Torga inteiro do "antes quebrar que torcer"; como gosto dele!

  3. veritas disse...

    Viva a eternidade, há homens que a conquistam...

    Bjs. Boa semana.

  4. david santos disse...

    Olá, José Manuel!
    Passei para me solidarizar nesta homenagem a Torag e para te desejar umas boas férias e que sejam na linda linda Praia da Barra.

  5. Menina_marota disse...

    "Também eu quero abrir-te e semear
    Um grão de poesia no teu seio!
    Anda tudo a lavrar,
    A abrir leques de sonho e de centeio,
    E são horas de eu pôr a germinar
    A semente dos versos que granjeio.

    Na seara madura de amanhã
    Sem fronteiras nem dono,
    Há de existir a praga da milhã,
    A volúpia do sono
    Da papoila vermelha e temporã,
    E o alegre abandono
    De uma cigarra vã.

    Mas das asas que agite,
    O poema que cante
    Será graça e limite
    Do pendão que levante
    A fé que a tua força ressuscite!

    Casou-nos Deus, o mito!
    E cada imagem que me vem
    É um gomo teu, ou um grito
    Que eu apenas repito
    Na melodia que o poema tem.

    Terra, minha aliada
    Na criação!
    Seja funda a vessada,
    Seja à tona do chão,
    Nada fecundas, nada,
    Que eu não fermente também de inspiração!

    E por isso te rasgo de magia
    E te lanço nos braços a colheita
    Que hás-de parir depois...
    Poesia desfeita,
    Fruto futuro de nós dois.

    Terra, minha mulher!
    Um amor é o aceno,
    Outro a quentura que se quer
    Dentro dum corpo nu, moreno!

    A charrua das leivas não concebe
    Uma bolota que não dê carvalhos;
    A minha, planta orvalhos...
    Água que a manhã bebe
    No pudor dos atalhos.

    Terra, minha canção!
    Ode de pólo a pólo erguida
    Pela beleza que não sabe a pão
    Mas ao gosto da vida!"

    (Ode à Terra, Miguel Torga, in "Odes", 1946)



    Um Homem que nos deixou o seu "retrato" nas suas palavras...

    Um abraço ;))

    http://portuguesapoesia.blogspot.com/

  6. Doutroladodomar disse...

    ..de nenhum fruto queiras só a metade... minha frase preferida desse grande poeta.Boas férias!

  7. Joanne disse...

    Vim agradecer-te o comentário no meu blog, mas agora quero dizer a mesma coisa: Existem coisas intemporais! Sim, é verdade, o tempo passa e muitas coisas não lhe resistem, mas neste caso a arte mantem-se sempre na mesma! O papel gasta-se e as músicas saem dos ouvidos, mas a intenção continua lá, sempre! Felizmente...


    Beijos
    Boa semana

  8. GK disse...

    Admito que só li "Os Bichos" e... destestei... :(
    Tenho de tentar outra vez. Afinal, sou de Coimbra, onde se RESPIRA Miguel Torga!

  9. Naty disse...

    Olá gostei bem do que li.voltarei
    bjs naty

  10. CarpeDiemBeHappy disse...

    Miguel Torga, um Senhor digno de se ler.