A Administração Pública funciona mal

Publicada por José Manuel Dias


É o que revela um estudo, encomendado pelo Instituto Nacional de Administração, apresentado esta manhã no 5.º Congresso Nacional da Administração Pública. Este trabalho realizado por Roberto Carneiro da Universidade Católica, revela que, para os portugueses, a administração pública funciona pior do que os serviços privados. Três em cada quatro pessoas inquiridas (75%) consideram que a administração pública funciona «pior» ou «muito pior» do que o sector privado. A notícia desenvolvida pode ser lida aqui.
Claro que haverá serviços que funcionam melhores do que outros, tal como existirão funcionários públicos excelentes a par de outros que serão medíocres. Importará, por isso, avaliar com rigor a prestação dos Serviços e o desempenho dos funcionários. Mudando o que se justificar e premiando os mais competentes. Aplaudimos, assim, a a decisão de atribuição de prémios de desempenho a 10% dos funcionários, decidida pelo Governo.

6 comentários:

  1. Porfirio Silva disse...

    Sublinho o seguinte passo do teu texto:"(...) para os portugueses, a administração pública funciona pior do que os serviços privados. Três em cada quatro pessoas inquiridas (75%) consideram que (...)".
    Atenção: há, muitas vezes, uma (grande) diferença entre percepção e realidade. A percepção que as pessoas têm das coisas é influenciada pelo chuveiro de ideologia com que todos somos bombardeados todos os dias. Neste caso, também: a permanente campanha contra a administração pública "obriga" as pessoas a aproximar o seu discurso do que oensam ser "a ideia de todos".
    Na realidade, as pessoas têm, depois no concreto, opiniões diversas consoante o que encontram pela frente. E as pessoas sabem que há serviços públicos que funcionam mal e outros serviços públicos que funcionam bem. E que isso depende muitas vezes do empenho concreto dos que trabalham lá e não de grandes "teorias" acerca do funcionalismo.
    E, e este é o meu ponto, o mesmo se passa com as empresas privadas. Não há tantas empresas privadas que tratam de forma deficiente, e incompetente, os seus clientes? Mas não há nenhuma campanha para "dar uma varridela" nas empresas privadas, para "matar" as que não prestam e deixar apenas as que fornecem bens e serviços de qualidade aos seus clientes.
    É que os mesmos que fazem e pagam campanhas contra "o funcionalismo" são, muitas vezes, excessivamente complacentes com as suas próprias ineficiências. Para mal dos nossos pecados. E, por isso, essa mensagem não chega a influenciar os estudos de opinião.

  2. Miguel Sousa disse...

    como funcionário publico trocava esse prémio por um real incentivo que me fizesse sentir acarinhado pela tutela, que me fizesse sentir que o que faço na escola não é estragado por uma tutela esteril e inconsequente nas suas medidas (exceptuando, claro está, o ECD, aí foi bem consequente e deu-me argumentos para acusá-la da completa destruição de uma classe que já vivia as suas dificuldades). Dizia eu trocava o prémio, por uma gestão de recursos humanos Humana, que fizesse me sentir parte integrante de um processo educativo no qual aceito as minhas responsabilidade...enfim, muito a dizer sobre um tema interessantíssimo.

    Quanto ao estudo achei curioso, porque chegou a conclusões brilhantes, entrivestando trezentas e tal pessoas, o que, deve ter obrigado a uma ginástica estatística fantástica para poder generalizar....acho digno de um prémio nobel

  3. José Manuel Dias disse...

    Vivemos numa democracia em que existe um excesso de garantismo. Todos (quase todos) falam em direitos e poucos falam em obrigações. Se é verdade que que no sector privado existem muitas empresas ineficientes e com mau serviço, também é verdade que o próprio mercado se encarrega de as fazer desaparecer pela matural insolvência (falência). Quem perde nestas circunstâncias? Os detentores do capital e os demais credores. Se o mesmo ocorre num serviço público o que sucede? Quem suporta as ineficiências e os desperdícios? Os cidadãos contribuintes, através do OGE. Para usar as palavras de Torga, parece que "o que é comum é de nenhum". Poucos se importam com o desperdícios do sector público. Introduzir critérios de exigência e racionalidade, como no presente está a acontecer, não é apenas necessário, é urgente, pela míngua de recursos.

  4. GK disse...

    E novidades? LOL
    ;)
    Bjs.

  5. Pedro Link disse...

    Caro José Manuel
    Todos nós sabemos que a Administração Pública presta um mau serviço a todos os cidadãos.
    Todos nos sabemos também que, como em tudo na vida, existem os funcionários bons e os menos bons.
    Contudo, continuo a pensar que na maior parte das vezes o que falta a alguns é brio profissional, e falta, porque na generalidade a maioria pensou que aquele sector era intocável, e todos nos sabemos o quanto é bom trabalhar na santa paz do senhor.

    Há muito para fazer ainda na Administração Pública???
    Claro que há, e uma das metas em que se deveria apostar era precisamente mudar todo o aparelho estrutural, fazendo assim com que dessa forma as pessoas certas fossem colocadas nos lugares certos consoante o seu perfil, passando, claro está, pela gestão dos recursos humanos.
    Para terminar, porque não se vulgarizar o estudo feito só em trezentas pessoas…
    Será que se fosse feito num milhão o estado das coisas seria outro???
    Abraço

  6. sofialisboa disse...

    eu não percebo porque falam em prémios e não em despedimentos. desculpem a minha franqueza mas nenhum emprego é seguro e eu que trabalho no privado sei bem que se trabalhasse e me comportasse com os funcionarios publicos( a grande maioria) seria despedida...desculpem mesmo mas a vida é dura mesmo e saber á partida que o emprego é para toda a vida cria situações destas.pago impostos e acredito que sustento muitas pessoas que deviam mesmo era ser avaliadas em função daquilo que fazem e não de prémios se trabalharem bem. o principio está errado logo de inicio. sofialisboa
    PS: e por favor se for funcionário publico não vanha para o meu blog insultar. Seja civilizado e pense um pouco naquilo que eu escrevi. um bom feriado sofialisboa