Ranking das Escolas

Publicada por José Manuel Dias


Estamos de acordo:
"Com nove nas dez primeiras, a liderança das escolas privadas no ranking 2007 é inquestionável. Mas é abusiva qualquer leitura apressada que coloque as escolas privadas como naturalmente melhores que as públicas. As primeiras tendem a lidar com elites, tanto económicas como culturais, e são as segundas que enfrentam o desafio do país real."
Mas não podemos deixar de referir que uma escola é uma organização e, como tal, não escapa às leis da gestão. A qualidade da sua liderança é decisiva para os resultados que os seus alunos conseguem. Defendemos, por isso, que as escolas públicas devem avançar no sentido da sua crescente autonomia, responsabilizando-as pelas resultados que alcançam.
Somos, assim, favoráveis à divulgação dos Rankings. Pode ver aqui o ranking do ano lectivo anterior.
Parece não haver dúvida que existem Escolas com desempenhos diferenciados. Escolas que têm resultados excelentes e outras que apresentam resultados sofríveis. Indagar das razões porque nuns lados se alcançam melhores resultados do que noutros, é mais do que necessário, é uma tarefa vital. Repensar modelos, aprender com quem faz melhor, partilhar saberes, controlar resultados, monitorizar desenvolvimento de acções, são passos essenciais para a mudança. O Benchmarking pode ser um excelente instrumento para melhorar o desempenho das escolas. Haverá dificuldades? Claro, nada se faz sem esforço e, como bem nos lembra José Manuel Moreira, Professor na UA, " não há qualidade humana sem qualidade profissional e , na verdade, as virtudes – que efectivamente todo o homem deve viver – se concretizam e especificam na profissão”.
Não há que ter receio da competição...

10 comentários:

  1. Decepcionada disse...

    Realmente é importante avaliar e analisar os resultados. Nós os professores fazemo-lo constantemente, mas como deve compreender, há que repensar muito do que se passa na educação.
    No ranking encontramos nos primeiros lugares escolas privadas que podem seleccionar os alunos, enquanto que as oficiais são simplesmente obrigadas a aceitar todos os que as procuram. Temos alunos desmotivados, para quem a escola não é a sua saída profissional, alunos que vivem num meio socio-cultural e económico lastimável, alunos que aproveitam a escola para bramir toda a sua raiva pela negligência com que são tratados.
    Temos depois a falta de autoridade dos professores e a sua permanente desautorização pelas entidades supeiores. Muitas vezes, a escola é um castigo quer para os alunos quer para os professores.
    Acresce ainda o factor localização que muito conta na espectativa dos que frequentam a escola.
    Pelo que me toca fiquei bem triste por ver a minha escola num lugar que não me agradou, é certo que muito há ainda a fazer para melhorar a qualidade, mas eu acredito que enquanto neste país não se der o devido valor à cultura,enquanto não deixarmos de dar subsídios em vez de darmos meios para melhorar a qualidade de vida dos que, a cada dia vivem em piores circunstâncias, as escolas continuarão a ser o espelho desta sociedade, cada dia mais doente, consumista e falha de valores.
    Penso que eu estou demasiado decepcionada com o estado da educação. Todas as reformas que têm feito não trouxeram melhoria nenhuma e ISSO É MESMO TRISTE!
    Mas é importante não perder a esperança.
    Maria Manuel Seiça Neves

  2. A.J.Faria disse...

    É importante a avaliação, só assim poderemos melhorar a qualidade de ensino nas nossas escolas.
    De qualquer modo, há um aspecto importante a ter em consideração:
    as realidades diferentes que a pública e privada trabalham.
    Só se podem efectuar verdadeiras comparações quando as realidades são semelhantes, quando assim não acontecer poderemos correr o risco de estar apenas a criar estigmas em algumas escolas.
    E isto então será muito negativo.
    Um grande abraço!

  3. José Manuel Dias disse...

    Com a devida vénia do Blogue Causa Nossa:
    "O problema com os "rankings" escolares é que provavelmente as melhores escolas são feitas pelos melhores alunos, ou seja, os oriundos das elites sociais, com melhores condições de sucesso escolar, e que, muitas vezes, ainda seleccionam os seus alunos. A correlação inversa, entre as escolas menos bem classificadas e a origem social menos favorável dos alunos, também é em geral verdadeira. A escola que ficou mais bem classificada seguramente ficaria longe dos primeiros lugares, se tivesse os alunos da pior; e a escola com piores resultados daria uma grande salto na classificação, se tivesse os alunos da melhor.
    Como habitualmente sucede, os comentadores puseram em relevo o domínio das escolas privadas no "top ten"; deveriam também assinalar a larga representação de escolas privadas entre as piores. Ao contrário do que pretendeu insinuar, não existe uma equação biunívoca entre escola de qualidade e escola privada."
    De Vital Moreira

  4. José Manuel Dias disse...

    Vital Moreira não deixa de ter alguma razão no que escreve.Importa, no entanto, ter a noção que existem processos de esbater os inconvenientes que refere. Por exemplo, ponderando os resultados de acordo com o IDS.
    De qualquer modo, existe uma vantagem na construção dos Rankings que ninguém nega: podemos comparar a mesma Escola de ano para ano. Melhorou? Piorou? Que factores explicativos para as mudanças?
    Só medindo se pode avaliar desempenhos. Só fixando metas ambiciosas se impulsionam melhorias de desempenho.

  5. José António disse...

    Concordo mas... há muito conceito a afinar. Competição? Até onde? Falamos de corrida fundo? Será de velocidade? Sendo uma ou outra é preciso não esquecer que alguns partem do fundo da pista e outros já levam 3 voltas de avanço. Avaliamos produtos sem que seja obrigatório explicitar, nos regulamentos de escola, quais os critérios a ter em conta para a constituição de turmas? Enfim... Muitas dúvidas... muitas interrogações? Valorizamos o facto de o professor ter dado a matéria toda? Para certas turmas dar a matéria toda pode represntar uma enorme insensatez e um erro profissional. É mais ou menos o mesmo que dar uma cerveja a um recém-nascido. Dar até se dá, o destinatário é que a não toma!
    Obrigado pela visita!

  6. Rosario Andrade disse...

    BOM DIA!
    Já há uns tempos que não tinha a oportunidade de passar por aqui... Gosto do novo template! E permite-me ler o blog mesmo no meu mac, o que não acontecia com o anterior.
    O ranking das escolas é uma falsa questão. O pessoal entretem-se a comparar as escolas dentro do pais, quando talvez se devesse comparar o ensino que temos com o ensino no resto dos paises europeus. Vivo em Inglaterra e posso afirmar com toda a certeza que o ensino em Portugal não tem comparação (Apesar da desvantagem de ser muito caro). E não falo só da qualidade, falo também da estrutura. Se não houver reformas urgentes, num futuro muito próximo, o pais não poderá competir com o resto da Europa. Alias, creio que a crise actual advém já do tipo de ensino que temos.

    Cptos

  7. Professorinha disse...

    Quanto aos rankings, recuso-me a analisá-los como algo sério. Isto porque nas escolas públicas somos obrigados a receber todos os alunos que decidam fazer exames (havia uma escola que teve como proposto a exame um aluno com 84 anos) enquanto que a provada vai fazendo, ao longo dos anos, uma escolha dos seus alunos, acabando por exluir os mais fracos de uma forma natural e não recebendo todo e qualquer aluno (externos) para realizar exames. E não me digam que os colégios não fazem a escolha natural dos melhores - há colégios em que os alunos que reprovam pela 2º vez são convidados, gentilmente, a sair da organização.

    Não há que recear a competição, mas há que dar meios às escolas para que essa competição seja justa!

  8. Elipse disse...

    há muito tempo que se caminha no sentido da privatização do ensino e os rankings não visam outro objectivo.
    Revolta-me que tão grande propaganda se faça assim à descarada; e sei de cada vez mais pais a optarem pelo sector privado como garantia de ser dada na escola aquilo que eles em casa não podem nem têm para dar.
    triste!

  9. José Manuel Dias disse...

    Existem escolas públicas de referência. Escolas que desenvolveram processos de auto-avaliação e que sujeitam a avaliações externas. Escolas que praticam o Benchmarking.
    Avaliar é essencial. Ensino privado e ensino público devem coexistir. Competirá a cada um de nós fazer as suas escolhas. Agora, o ensino público tem mais responsabilidades é o o dinheiro dos contribuintes que está em jogo. Eficiência, economia e resultados, devem ser exigências permanentes.

  10. José Manuel Dias disse...

    Helena Matos no Público "Portugal gasta 4025 euros anualmente com cada aluno que frequenta o ensino básico. No secundário esse valor sobe para 5655 euros. Digamos que este valor dividido por 12 corresponde à mensalidade de muitos colégios. Tendo em conta que o ensino é obrigatório, por que não poderá o Estado afectar à escola pública ou privada escolhida pelas famílias o valor que vai gastar com cada aluno?" (Público, 31.10.2007).
    Questões que nos confrontam com a necessidade de gerir os recrsos públicos com grande rigor e eficiência.