Reengenharia

Publicada por José Manuel Dias


A ideia de reengenharia foi apresentada pela primeira fez num artigo da Harvard Business Review de Julho/Agosto de 1990, por Michael Hammer. Enunciava-se uma nova abordagem à mudança nas empresas que implicaria um redesenho radical dos processos de negócio com o objectivo de obter melhorias em três áreas: nos custos, nos serviços e no tempo.
A técnica consiste na análise dos processos centrais de uma empresa e o seu redesenho de uma forma mais eficiente. Quem faz, quem controla, quem dirige, como se faz, porque se faz, que informação se disponibiliza, que recursos são precisos, que competências são requeridas, que resultados se desejam...são questões para as quais se procura resposta com uma intenção: que ajustamentos a fazer, para termos uma organização mais simples e mais eficiente?
Hammer referia que " Num mundo em que há tanta gente desprovida, é um pecado ser-se ineficiente".
O trabalho de reengenharia tem sido adoptado por muitas empresas no nosso país, que procuram, por essa via, tornar-se mais competitivas. Eliminaram-se muitas funções, generalizaram-se as novas tecnlogias de informação, requalificaram-se colaboradores, dispensaram-se os menos capazes, redefiniram-se procedimentos, clarificaram-se objectivos...
Numa ideia simples : as empresas emagreceram e orientaram-se para os resultados. A maior parte das organizações só pode lucrar com a implementação deste método que, a ser aplicado nas autarquias locais, traria benefícios para todos nós, cidadãos contribuintes.

26 comentários:

  1. Hipatia disse...

    A Banca é um dos grandes exemplos, não é? E, por mais críticas que sejam feitas ao sector (a maioria até merecidas), é provavelmente dos mais competitivos e dinâmicos. Há uns anos, com o advento das novas tecnologias - em especial o homebanking - supôs-se que a rede de balcões dos bancos passaria a ser obsoleta. E, no entanto, hoje vemos que continuam a abrir "lojas" - que o são cada vez mais, enquanto espaço de venda de produtos, virados para o cliente e com funcionários empenhados (às vezes em excesso) no cumprimento de objectivos - e aumentando lucros ano após ano. Os CTT têm seguido uma política semelhante, bem mais atrasada ainda, mas para lá caminham. E, na verdade, nota-se um forte emagrecimento do quadro de pessoal, quer nuns quer noutros. Mas, para o público, não me parece que se tenha perdido qualidade: os tempos de espera não aumentaram e, no caso da banca, parecem ter até diminuido e, onde antes havia dezenas de funcionários, vemos agora 4 ou 5. Não se pode dizer o mesmo de muitos outros serviços e, apesar de algumas melhorias, ir a uma qualquer repartição pública continua a ser uma dor de cabeça, demasiado burocratizada, com funcionários que, a mais das vezes, atendem quem por lá aparece com um valente ar de frete. Por outro lado, serviços como a EDP e a PT parecem-me antes minados "por dentro", como se apenas a cosmética tenha mudado. Para quem paga os serviços, continuam caros e, de cada vez que surge um problema, é uma dor de cabeça tentar encontrar solução. Talvez precisem de uma dieta séria a nível dos seus quadros intermédios e superiores. Como a Função Pública, aliás. Será que avança a ideia da avaliação séria dos gestores públicos em função do cumprimento de um mapa de objectivos?

  2. Isabel Magalhães disse...

    Confesso que vim movida pela curiosidade de ver quem me comentou... :)

    e gostaria de citar Hammer referia que " Num mundo em que há tanta gente desprovida, é um pecado ser-se ineficiente".

    É que em pleno sec XXI e face aos recursos existentes a ineficiência não se pode aceitar... de todo!

    o que me leva também a subscrever o comentário acima. :)

    Deixo um []

  3. LUA DE LOBOS disse...

    esta é matéria que nem me atrevo a aflorar:)
    xi
    maria de são pedro
    obrigada pela visita

  4. Saramar disse...

    Olá, amigo José Manuel
    Apesar de ser leiga em administração de empresas particulares, sei que a idéia da reengenharia é boa desde que não se limite a eliminar cargos e empregos, como ocorreu no Brasil.
    Já li por aí que o próprio idealizador desta concepção ficou sumamente preocupado com as distorções que viu, da sua teoria.
    Porém, é o que sempre ocorre: na prática, as coisas são bem diferentes.
    Excelente o seu blog. Para mim, foi um prazer conhecê-lo.
    Voltarei sempre.

    Beijos e uma excelente semana para você e os seus.

  5. Passarim disse...

    José Manoel,

    Obrigado pela visita no APARTE. A reengenharia dos serviços públicos é altamente interessante. Otimiza a autarquia, melhora a qualidade dos serviços prestados e ainda reduz os custos para o estado e consequentemente para o cidadão. Gosto deste tema. Abs. Jarbas do Aparte.

  6. Silvio Vasconcellos disse...

    Obrigado pela visita.

    Apesar de escrever contos no "Contos & Encontros" e poesia no "Uni-vero In-verso", minha formação é em Administração, habilitado em Comércio Exterior. Por isso, senti grande empatia no seu blog.

    Um abraço,

    Sílvio

  7. Janaina Staciarini disse...

    Sabe o que sempre me deixa na dúvida? Se é melhor especializar-se ou ser multi-tarefa. Nunca se sabe o que as empresas preferem...

  8. espartako disse...

    gracias por su comentario amigo, yo ahora estoy de viaje por el cusco, pero cuando regrese espero visitarlo más a menudo.

    Saludos.

  9. sem-comentarios disse...

    É uma excelente idéia, sem duvida :)

    :)***

  10. Kafé Roceiro disse...

    Acho que tudo que é positivo para as empresas deve ser logo colocado em prática.

  11. Luiz Carlos Reis disse...

    Na administração moderna o conceito denomina-se gestão de negócios, obviamente que uma forma de gerir produção, tecnologia, especialização e tecnologia da informação focando em resultados plenamente satisfatórios. Quando associado ao marketing e a publicidade, temos o conjunto completo, portanto, vejo que o darwinismo social,conceito adaptado para tratar o grau de ascensão e desenvolvimento frente ao mundo globalizado e competitivo de hoje, se faz necessário e quase imprescíndivel atrelar-se aos novos conceitos do mercado.
    Pretendo especializar-me na área mercadológica com ênfase para marketing, área que trata específicamente dessa relação entre mercado, rede de negócios, publicidade e projeção de capital futuro.
    Abraços e obrigado pelos comentários. Está linkado!

  12. Biranta disse...

    Tudo bem desde que... aplicado, em primeiríssimo lugar, ao exercício das funções governamentais e do aparelho de estado...
    Nas Autarquias? Sem dúvida! Desde que se alterem os critérios e se contemplem TODAS, mas mesmo TODAS, as necessidades e carências de todos e cada um dos cidadãos... É que, como eu estou a pensar "a coisa", acabava-se com o desemprego... ou quase.
    E agora? Grande desafio! Ou será que esta área também estava contemplada? Se não, faço notar que é aí que começam e acabam os maiores entraves, os definitivos, ao essencial da eficiência (a da sociedade como um todo) e, em última análise a toda e qualquer eficiência...

  13. veritas disse...

    Olá José Manuel!

    Passo sempre por aqui na ávida ânsia de mais conhecimento sobre assuntos que fogem ao meu domínio, pois careço de formação nesse sentido.Obrigada pela motivação!

    Bjs.

  14. migas (miguel araújo) disse...

    Caro José Dias
    Óbviamente não estou em condições técnicas de o contrariar, até porque, mesmo que leigamente, ao analisar o seu post, parece-me lógioc e recomendável tal perspectiva. Melhora a competitividade, melhora os recursos e os processos, quer internos, quer externos, de uma empresa, seja ela privada ou pública.
    Mas... como já sabe, comigo há sempre um mas!
    Há outro aspecto que me preocupa: não sei se tecnicamente é assim que se denomia, mas onde caberá aqui a "engenharia financeira"?!
    É que em relação a esta parece-me que os princípios, fundamentos e objectivos são os mesmos. No entanto, normalmente tal processo é usado para formas menos lícitas e legais de procedimentos contabilísticos.
    Um abraço

  15. José Manuel Dias disse...

    Caro Miguel
    A sua questão é pertinenente e carece, a meu ver, de uma abordagem aprofundada pela implicações associadas. Justifica-se, por isso, um post específico sobre "Engenharia Financeira". A tratar proximamente.
    Abraço

  16. José Manuel Dias disse...

    Olá Veritas!

    O comentário que produziu é um estímulo muito grande para continuar a tratar destas temáticas neste modesto espaço de partilha de saberes.

    Bjs

  17. José Manuel Dias disse...

    Olá Biranta!

    De acordo com a proposta. Em todos os sectores e em todas as actividades podemos aplicar esta técnica. Eficiência e eficácia são os objectivos pretendidos. Quanto a dar resposta a TODAS as carências e necessidades de TODOS, esbarramos com uma dificuldade : os recursos são escassos. Para termos umas coisas temos que renunciar a outras. Em todo o lado é assim...até nos países mais ricos. E na nossa casa acontece o mesmo. Se compramos um Plasma ( ou escolhemos as Caraíbas como destino de férias) esse dinheiro já não pode ser destinado à compra da mobília para o quarto do filho ( ou ao reforço do PPR).
    Abraço

  18. José Manuel Dias disse...

    Luiz Carlos Reis

    Obrigado pelo qualificado comentário. Vou retribuir o Link.

    Cumps

  19. José Manuel Dias disse...

    Kafé Roceiro

    Visita habitual do Blogue...Brasileiro inquieto com vontade de mudar. Se mudarmos o que está ao nosso alcance, poderemos exigir que os outros façam o mesmo.
    Volte sempre!
    Abraço

  20. José Manuel Dias disse...

    Hipatia

    Grato pelo comentário que exemplifica bem a materialização desta técnica. Comungo da ideia que a Admnistração Pública só tem a ganhar com sua implementação. Julgo que existe esse propósito mas, como sabemos, as resistências são muitas porque a "cultura do mérito" não está enraizada. Por outro lado, como refere, e bem, importará que a avaliação do desempenho não seja um ritual mas tenha consequência a nível das próprias condições de remuneração em ligação com o grau de concretização dos objectivos.
    Volte sempre. Os seus comentários serão apreciados.
    Cumprimentos

  21. José Manuel Dias disse...

    Isabel Magalhães

    Grato pela visita e pelo comentário. Estamos sintonizados : importa combater a ineficiência.
    Abraço

  22. José Manuel Dias disse...

    Passarim

    A motivação existe...só é preciso agora passar das palavras à acção. O Brasil dentre de vinte anos vai ser a quinta maior economia do Mundo ( China, EUA, Índia, CE e Brasil) mas para "andar mais depressa" tem de ser mais eficiente, designadamente na gestão pública.
    Abraço

  23. José Manuel Dias disse...

    Sílvio

    Temos em comum o gosto pela gestão...Vou visitar mais vezes o seu Blogue.
    Cumps

  24. José Manuel Dias disse...

    Lua de Lobos, Sem Comentários, Espartako e Saramar

    Muito obrigado pelos comentários.

  25. [ CJT ] disse...

    Caro JMD: a reengenharia, como a esclareces, porque necessária, é uma inevitabilidade. Olhando em volta pelas empresas nacionais, com claro défice competitivo à escala global [exemplos não me faltam na área em que trabalho], vemos claramente que a génese de tal défice passa claramente pelo péssimo aproveitamento dos recursos [entre outros motivos] que, escassos, não conseguem, ainda assim, eficiência.
    No entanto, devo apontar que o caminho que está a ser criado actualmente não é o melhor. Assiste-se simplesmente à "horizontalização" das estruturas e ao "downsizing", esquece-se a formação contínua dos efectivos, especialmente as reciclagens dos mais velhos.
    Passamos assim a um país de tradição de trabalho precário e temporário e de abuso no "outsorcing", coisa que a meu ver não leva a nada.
    É, no entanto, necessária a reengenharia e urgente é começar pelo topo: o Estado [conforme aponta o "enfant terrible" Biranta, e muito a propósito] que tem ainda efectivos em demasia para o serviço que apresenta.
    Mas, como disse, é inevitável.
    Lamentavelmente, tenho a impressão que, um dia que as nossas empresas tenham, finalmente, feito as transformações necessárias, estas já não se enquadrem no mercado actual.
    Isso e o deficiente acompanhamento do Estado em termos de legalidade e fiscalidade, direitos dos trabalhadores e afins...
    A ver vamos.

    Um abraço,
    CT

  26. [ CJT ] disse...

    Por outro lado... creio ser necessário um aditamento ao que escrevi: o que está a ser realmente necessário é uma "reengenharia social" que permita o usofruto das mais valias por todos os intervenientes e ao mesmo tempo os coloque em situação de igualdade no que à responsabilidade social concerne, isto é, que por um lado se responsabilizem as direcções e administrações pelos planeamentos e gestão e, por outro, se responsabilize o trabalhador pela consecussão dos objectivos traçados.
    Sistemas de incentivos diferenciados por um lado, opções estratégicas que englobem o reforço de formação, aquisição de tecnologias, etc.
    Não podemos continuar a travalhar das 08:00 Às 18:00 como se nada se passasse em torno de nós e demorar o tempo que demoramos a produzir algo que, em termos de qualidade relativa, fica ao nível de outra qualquer produção, duas vezes mais rápida.
    Enfim, vago, eu sei, mas este não é o espaço apropriado a uma tão abrangente discussão...