Foco no cliente

Publicada por José Manuel Dias


1. Um vendedor, qualquer que seja, não é mais que um servidor do público, ou de um público;
2. E recebe uma paga, a que chama o seu lucro, pela prestação desse serviço;
3. Ora toda a gente que serve deve, parece-nos, querer agradar a quem serve;
4. Para isso é preciso estudar a quem se serve, mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações;
5. Partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós, mas do princípo que, se queremos servir os outros, nós é que devemos pensar como eles;
6. O que temos que ver é como eles efectivamente pensam e, não com seria agradável ou conveniente que eles pensassem.
Palavras escritas pela primeira vez no final dos anos 20 do século passado por um português que nos dá uma notável lição de marketing. Qualquer estratégia de qualquer empresa não pode negligenciar o cliente, razão primeira da sua existência, como ilustra, de modo exemplar, este talentoso "correspondente estrangeiro em casas comerciais", para usar a definição do próprio. O autor desta lição é Fernando Pessoa. Nascido em Lisboa a 13 de Junho de 1888, faleceu prematuramente em 30 de Novembro de 1935.

5 comentários:

  1. crt disse...

    Não deixa de ser uma perspectiva de análise do cliente interessante.
    Contudo, devo acrescentar que quem presta o serviço deve tb colocar algo de seu no serviço que presta. Aliás, em minha opinião, uma coisa é indissociável da outra. Eu não consigo prestar um serviço sem mitigar o que eu penso com o que o interesse do cliente e como o que este pensa ou pretende.

  2. Tacitus disse...

    Para a altura em que foi pensado e escrito, está um mimo. Fernando Pessoa pensava muito para além da realidade da época. Bom resto de semana.

  3. sub rosa disse...

    Caro José Manuel , já está entre os meus favoritos.

    Gostava que me dissesse onde, em que obra de Pessoa, está essa lição, sim?
    Um abraço
    Meg

  4. José Manuel Dias disse...

    Olá Maria Elisa

    Sinto-me gratificado pela decisão. O artigo em causa foi publicado na Revista de Contabilidade e Comércio, Março de 1926 e aparece referenciado em programas de várias escolas de gestão de Portugal, designadamente ao nível de mestrado.
    Cumps

  5. Cris disse...

    Ele era mesmo um visionário, não?? hoje , nós , prestadores de serviços ,não podemos abrir mão dessa lição ... Bj!:)