Tempos perdidos?

Publicada por José Manuel Dias


Esta breve inspecção trouxe bastantes elementos para reflexão. As recentes condições internacionais, excelentes para os pobres, não favoreceram os abastados, grupo a que, sem darmos por isso, já pertencemos. É irónico constatar que o mal está em sermos demasiado prósperos. Portugal cresceu menos que os pobres porque é rico, e menos que os ricos porque é novo-rico.
A nossa falta de dinamismo sócio- -económico vem na cultura de parasitismo, direitos adquiridos, requintes, imposições e exigências, tudo pago pela tributação dos que produzem. Como novos-ricos, ganhámos hábitos refinados sem saber lidar com eles. Não se pensa em produzir como rico, mas em consumir como rico. Imitamos os europeus no centro comercial, não no emprego. Temos defesa do consumidor, ambiente, cultura, emprego, sexo. Só não há defesa do trabalho, empresa, produtor, desenvolvimento. Impomos muitas reivindicações, poucas realizações.
João César das Neves analisa, em artigo de opinião no Diário de Notícias, muitos dos problemas com que nos debatemos. Uma reflexão a não perder, com leitura integral aqui.

Poupar, poupar...

Publicada por José Manuel Dias


A crise fez as famílias aumentarem o aforro - um termo que caiu em desuso depois do ‘boom' consumista dos últimos anos - mas, apesar de o período de maior turbulência nos mercados financeiros já ter passado, a tendência ganhou raízes e os portugueses estão a apostar em produtos de maturidades cada vez mais longas.
A nova ‘moda' é confirmada pelo Banco de Portugal: de acordo com o boletim estatístico, os depósitos com prazos mais longos (mais de dois anos), que estavam praticamente estagnados durante a maior parte do ano, tornaram-se subitamente atractivos nos últimos três meses e chegaram mesmo a registar um crescimento de 173% em Agosto.
Fonte: Diário Económico, aqui.
A crise tem destas coisas. Faz pensar no futuro. E se muita gente andava a viver acima das suas possibilidades, agora faz bem em reformular as suas prioridades e fazer o aforro que pode ser necessário para os tempos de dificuldades que o futuro pode trazer.

Coisas positivas (15)

Publicada por José Manuel Dias



A economia portuguesa continuou em Setembro a registar uma forte recuperação, segundos os indicadores económicos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), acumulando já seis meses consecutivos a melhorar.
Segundo os dados divulgados hoje, os indicadores avançados relativos a Portugal apresentam uma melhoria para os 98 pontos em Setembro, uma subida de 6,1 pontos desde Março, altura em que atingiu o mais baixo valor da série apresentada, que remonta a Novembro de 2007.
Fonte: Expresso,
aqui.

Diana Krall - Devil May Care

Publicada por José Manuel Dias

Qual é o nosso plano?

Publicada por José Manuel Dias



A Comissão Europeia quer que Portugal acabe com a situação de défice excessivo até 2013, um dos prazos mais dilatados no contexto da zona euro, a par da Irlanda. A recomendação de Bruxelas - que será apresentada na próxima quarta-feira, juntamente com os prazos para mais oito países com défice orçamental acima de 3% do PIB - implicará alguma margem de tolerância para o governo português na elaboração do Orçamento do Estado para 2010, apontando 2011 como o início da correcção do défice.
O governo terá de entregar à Comissão um novo Programa de Estabilidade e Crescimento - após a apresentação e discussão do Orçamento do Estado, em Janeiro - no qual terá de explicar como pensa reequilibrar as finanças públicas. As palavras do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, sugerem que o Orçamento do Estado para 2010 deverá dar sinais de contenção na despesa, embora mantenha os apoios à economia e não assuma o défice como prioridade. Não há detalhes sobre como irá o governo corrigir as contas no contexto esperado de estagnação económica.
Fonte: Jornal i, aqui.
O Governo ( e as oposições) não têm muitos graus de liberdade. A despesa pública tem de ser contida. Não há volta a dar.

Combater a corrupção

Publicada por José Manuel Dias


Podemos falar da criação de Códigos de ética nas empresas, como aqui, em copiar as boas práticas, aqui, definir um novo estatuto para o gestor público, mais rigoroso e transparente, aqui, mas a corrupção continua a corroer a democracia, como se explica aqui, e pode até o Governo definir um Guia para combater a corrupção, numa publicação feita em 2007, da responsabilidade o Ministério da Justiça, mas o problema persiste, como bem demonstra o Diário de Notícias, aqui. Um sujeito que "antigamente andava numa motorizada, com um atrelado, pelas ruas a recolher sucata" conseguiu "construir um império do qual fazem parte diversas empresas sedeadas em Ovar, Feira, Aveiro, Canas de Senhorim e no Barreiro". Um sujeito que conseguiu " estruturar um projecto delituoso ao longo do tempo, para que as empresas de que era dono ou tinha participações maioritárias vencessem os concursos públicos ou tivessem primazia nas adjudicações directas feitas por grandes empresas". Funcionários públicos, quadros superiores de grandes empresas, políticos, agentes de forças de segurança, são referenciados no processo em investigação. Pasma-se como se chegou tão alto e, ao mesmo tempo, tão baixo. Neste enquadramento só pode haver um caminho, investigar com toda em extensão e profundidade e julgar, condenando que deve ser condenado. Muitos dirão que a corrupção é um problema universal. De facto, assim é, na teoria da escolha pública o "rent-seeking"é um fenómeno estudado. Benefícios, privilégios, concorrem para a obtenção de rendas artificiais superiores aos custos em que se incorre para a sua compra. Como é que se combate esta situação? Pela exigência de um comportamento ético irrepreensível para os detentores de cargos de nomeação política, pela diminuição do peso do Estado, pela definição de regras claras de concursos públicos, pela condenação severa de quem prevarica e, ainda, pela forte censura social destas situações. Só assim conseguiremos atenuar este mal que nos vai fazendo perder o respeito por quem tem funções de responsabilidade, como bem disse Fernando Ulrich.

Making of

Publicada por José Manuel Dias



Já não é necessário imaginar um futuro em que toda a informação se confunde com publicidade, porque esse futuro chegou. A promoção de marcas e produtos está hoje presente em muita da informação jornalística e noutros conteúdos mediáticos. A nova campanha do BES com Cristiano Ronaldo teve direito a dezenas de inserções indirectas nos noticiários, através do seu making of, um género de publicidade sem custos conhecidos e que se mantém no espaço mediático para além do tempo de vida dos próprios anúncios.
O caso de Cristiano Ronaldo no espaço informativo e comercial português é especial, dada a notoriedade mundial do jogador, mas serve como ponto de partida para uma reflexão sobre o lugar dos making of na comunicação empresarial.
Eduardo Cintra Torres no Jornal de Negócios. Para ler o artigo na íntegra, clicar
aqui.

Jon Bon Jovi & Pavarotti - Let it Rain

Publicada por José Manuel Dias

Coisas positivas (14)

Publicada por José Manuel Dias


O INE acaba de divulgar o inquérito anual à utilização de tecnologias da informação e da comunicação nas empresas relativo a 2009, no âmbito das estatísticas sobre a Sociedade da Informação e Conhecimento. Segundo este inquérito, “82% das empresas com dez e mais pessoas ao serviço acederam à internet através de banda larga“.

Conduril empresa do ano

Publicada por José Manuel Dias


Quando o presidente do conselho de administração da Conduril relata um episódio passado no século iii a. C, percebe-se que tanto nos negócios como na guerra os bons resultados alcançam-se tendo em atenção o mais pequeno pormenor. Aníbal, general cartaginês é uma das referências de António Amorim Martins. Numa batalha durante a Segunda Guerra Púnica contra Roma, aquele estratego militar mandou atear fogo às suas próprias embarcações para que os seus soldados não tivessem sequer hipótese de fugir. Eram obrigados a lutar.
Não sendo "tão exigente" quando Aníbal, António Amorim Martins desde cedo soube que um dos factores para o sucesso da sua construtora passava pelos soldados que estão no terreno. "É em momentos difíceis e menos confortáveis que os melhores mostram as suas potencialidades", explica. Na realidade, a boa performance dos colaboradores na hora de tomar decisões, em especial quando estão a abrir novos mercados internacionais, demonstra que a confiança e a delegação de responsabilidades os leva a querer fazer melhor e a "mostrar o que realmente valem". Também por isso este empresário considera que quem está a trabalhar nas filiais da Conduril (até agora concentradas no continente africano) "tem de receber uma melhor remuneração".
Fonte: Expresso, aqui.
O sucesso não se alcança sem uma boa estratégia. Esta empresa pode bem constituir um exemplo para muitas outras. As crises arrastam excelentes oportunidades. Basta saber agarrá-las.

U2 40 Live From Chicago

Publicada por José Manuel Dias

Nas costas dos outros

Publicada por José Manuel Dias


A Otto von Bismarck crear un sistema de pensiones y contrarrestar la influencia del movimiento obrero alemán le resultó más sencillo de lo que parece. En 1889, cuando la esperanza de vida no llegaba a los 40 años, el Gobierno del dirigente prusiano fijó la edad de jubiliación... ¡en 70 años! Si el canciller de hierro levantara la cabeza se quedaría pasmado: ahora vivir más de 70 años, al menos en Europa, es de lo más corriente. La idea de garantizar una renta a las personas mayores, además de generalizarse, se ha complicado sobremanera. Más ahora, cuando el reciente colapso financiero ha golpeado (y muy duro) a los fondos privados de pensiones, la solución que ganaba terreno en los últimos años. El siguiente golpe se lo pueden llevar los sistemas públicos de reparto, como el español: si el paro se enquista, los problemas derivados del envejecimiento de la población estarán aquí en un futuro demasiado próximo. Y todo se viene encima de una generación que ahora soporta las pensiones de sus padres y abuelos, pero que, con los mecanismos actuales, no tienen certeza de acceder a una jubilación digna cuando lleguen a viejos.
Fonte: El País, aqui.

A Regra do Jogo

Publicada por José Manuel Dias


É um novo blogue que aborda temas de política interna e internacional e onde escrevem, entre outros, o Carlos Santos, a Sofia Loureiro dos Santos, a Ana Paula Fitas, o Luís Novaes Tito, o Eduardo Graça e o Porfírio Silva. Merece a visita regular. Para conhecer basta clicar aqui: A Regra do Jogo.

Sucateiros

Publicada por José Manuel Dias


Os resíduos sólidos costumam atrair gente com costumes não tão sólidos assim. Lixo atrai lixo. Basta ver a série televisiva Os Sopranos. Os amigos mafiosos de Tony Soprano, e ele próprio, dedicam-se a várias traficâncias - da falsificação de cartões telefónicos à prostituição - que pontuam este ou aquele dos 86 episódios. Mas só um negócio atravessa toda a série da Máfia de Nova Jérsia: o negócio do lixo (na sua vasta gama, recolha e tratamento do lixo, aterros sanitários, incineração, sucatas...). Outro exemplo, e desta vez sem recorrer à ficção: o mais lucrativo negócio da Camorra, a Máfia de Napóles, é o lixo. Não conheço as razões que relacionam os homens do lixo e os homens de negócios sem escrúpulos. Mas que se atraem, atraem. Talvez o compadrio venha do convencimento comum de que o dinheiro não tem cheiro. Uns porque já têm a pituitária destruída pela matéria orgânica em putrefacção, outros porque são podres eles próprios. Em todo o caso, o facto é esse: a gente venal adora o lixo. E o país que se lixe.
Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias, aqui.

MARK LANEGAN - I'll Take Care Of You

Publicada por José Manuel Dias

Aviso à navegação

Publicada por José Manuel Dias


A Moody's, uma das três agências internacionais de notação de dívida pública, colocou ontem o ‘rating' de Portugal sob pressão negativa. A agência explica que os sucessivos governos têm mostrado "falta de vontade" para adoptar mudanças estruturais e duvida que um Governo de minoria tenha capacidade para inverter a tendência. A oposição garante que será responsável e que vai forçar o Governo a produzir melhores resultados do que o anterior Governo de maioria.
Fonte: Diário Económico, aqui.
Este apreciação tem o seu lado positivo. Constitui um alerta sério para o governo e para as oposições. Não basta propôr medidas de apoio às empresas e às famílias e exigir melhores salários para a função pública, é preciso saber onde ser vão buscar as receitas para suportarem o acréscimo de despesas. E, como é consabido, num cenário de anemia económica, como o que se vive, as receitas provenientes da arrecadação de impostos tendem a diminuir. O governo tem de ter coragem para fazer o que é preciso fazer e as oposições devem ser responsáveis. Para bem de todos.

Repensar a economia

Publicada por José Manuel Dias


"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."
Versão traduzida de uma petição que circula na auto-estrada da informação, picada aqui, apresentada na sequência deste artigo de Paul Krugman, Nobel da Economia. São cada vez mais os questionam a forma como se vem olhando para a Economia. Se quiser subscrever tem de clicar aqui.

Histórias de vida

Publicada por José Manuel Dias


Eis a história: o padre Fernando Guerra, 74 anos, foi detido anteontem no fim da missa na aldeia de Covas do Barroso, Boticas, por suspeita de posse ilegal e tráfico de armas. À chuva, militares da GNR esperaram pelo fim da eucaristia das 7 horas de domingo. Aguardaram que os 40 fiéis saíssem e surpreenderem o padre na sacristia, enquanto despia os paramentos e se preparava para seguir para a paróquia vizinha. Depois das buscas à igreja e à casa do padre, a GNR encontrou munições e seis armas ilegais - três pistolas e três caçadeiras - e o padre foi detido. Foram detidas outras três pessoas, com idades entre os 50 e os 54 anos. Os fiéis das aldeias de Cerdedo, Vilar e Videiro, já não tiveram direito a missa. Ontem, à hora do fecho desta edição, o padre continuava a ser ouvido pelo juíz no Tribunal de Boticas.
Para continuar a ler, clicar aqui, site do Jornal i.

Temos Governo!

Publicada por José Manuel Dias


José Sócrates estabeleceu hoje três objectivos centrais para o seu Governo – combate à crise, modernização da economia e da sociedade e justiça social. O primeiro-ministro definiu com objectivo central da governação a recuperação da economia, através do apoio ao investimento privado e às empresas, mas também “promovendo o investimento público” e defendendo o emprego. Para conhecer o discurso do Primeiro Ministro clicar aqui.

Nada de euforias

Publicada por José Manuel Dias


O membro do conselho do BCE Christian Noyer afirmou hoje que os bancos devem continuar a fazer reformas e a reforçar as bases de capital, tendo recomendado cautela nos dividendos e bónus pagos. Os esforços para reforçar a regulação e o capital da indústria financeira global continuam a ser uma prioridade e devem ser mantidos, mesmo numa altura em que os bancos apresentam “lucros trimestrais impressionantes”, afirmou Noyer num discurso em Singapura, citado pela Bloomberg.
Fonte: Diário Económico, aqui.