A Regra do Jogo

Publicada por José Manuel Dias


É um novo blogue que aborda temas de política interna e internacional e onde escrevem, entre outros, o Carlos Santos, a Sofia Loureiro dos Santos, a Ana Paula Fitas, o Luís Novaes Tito, o Eduardo Graça e o Porfírio Silva. Merece a visita regular. Para conhecer basta clicar aqui: A Regra do Jogo.

Sucateiros

Publicada por José Manuel Dias


Os resíduos sólidos costumam atrair gente com costumes não tão sólidos assim. Lixo atrai lixo. Basta ver a série televisiva Os Sopranos. Os amigos mafiosos de Tony Soprano, e ele próprio, dedicam-se a várias traficâncias - da falsificação de cartões telefónicos à prostituição - que pontuam este ou aquele dos 86 episódios. Mas só um negócio atravessa toda a série da Máfia de Nova Jérsia: o negócio do lixo (na sua vasta gama, recolha e tratamento do lixo, aterros sanitários, incineração, sucatas...). Outro exemplo, e desta vez sem recorrer à ficção: o mais lucrativo negócio da Camorra, a Máfia de Napóles, é o lixo. Não conheço as razões que relacionam os homens do lixo e os homens de negócios sem escrúpulos. Mas que se atraem, atraem. Talvez o compadrio venha do convencimento comum de que o dinheiro não tem cheiro. Uns porque já têm a pituitária destruída pela matéria orgânica em putrefacção, outros porque são podres eles próprios. Em todo o caso, o facto é esse: a gente venal adora o lixo. E o país que se lixe.
Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias, aqui.

MARK LANEGAN - I'll Take Care Of You

Publicada por José Manuel Dias

Aviso à navegação

Publicada por José Manuel Dias


A Moody's, uma das três agências internacionais de notação de dívida pública, colocou ontem o ‘rating' de Portugal sob pressão negativa. A agência explica que os sucessivos governos têm mostrado "falta de vontade" para adoptar mudanças estruturais e duvida que um Governo de minoria tenha capacidade para inverter a tendência. A oposição garante que será responsável e que vai forçar o Governo a produzir melhores resultados do que o anterior Governo de maioria.
Fonte: Diário Económico, aqui.
Este apreciação tem o seu lado positivo. Constitui um alerta sério para o governo e para as oposições. Não basta propôr medidas de apoio às empresas e às famílias e exigir melhores salários para a função pública, é preciso saber onde ser vão buscar as receitas para suportarem o acréscimo de despesas. E, como é consabido, num cenário de anemia económica, como o que se vive, as receitas provenientes da arrecadação de impostos tendem a diminuir. O governo tem de ter coragem para fazer o que é preciso fazer e as oposições devem ser responsáveis. Para bem de todos.

Repensar a economia

Publicada por José Manuel Dias


"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."
Versão traduzida de uma petição que circula na auto-estrada da informação, picada aqui, apresentada na sequência deste artigo de Paul Krugman, Nobel da Economia. São cada vez mais os questionam a forma como se vem olhando para a Economia. Se quiser subscrever tem de clicar aqui.

Histórias de vida

Publicada por José Manuel Dias


Eis a história: o padre Fernando Guerra, 74 anos, foi detido anteontem no fim da missa na aldeia de Covas do Barroso, Boticas, por suspeita de posse ilegal e tráfico de armas. À chuva, militares da GNR esperaram pelo fim da eucaristia das 7 horas de domingo. Aguardaram que os 40 fiéis saíssem e surpreenderem o padre na sacristia, enquanto despia os paramentos e se preparava para seguir para a paróquia vizinha. Depois das buscas à igreja e à casa do padre, a GNR encontrou munições e seis armas ilegais - três pistolas e três caçadeiras - e o padre foi detido. Foram detidas outras três pessoas, com idades entre os 50 e os 54 anos. Os fiéis das aldeias de Cerdedo, Vilar e Videiro, já não tiveram direito a missa. Ontem, à hora do fecho desta edição, o padre continuava a ser ouvido pelo juíz no Tribunal de Boticas.
Para continuar a ler, clicar aqui, site do Jornal i.

Temos Governo!

Publicada por José Manuel Dias


José Sócrates estabeleceu hoje três objectivos centrais para o seu Governo – combate à crise, modernização da economia e da sociedade e justiça social. O primeiro-ministro definiu com objectivo central da governação a recuperação da economia, através do apoio ao investimento privado e às empresas, mas também “promovendo o investimento público” e defendendo o emprego. Para conhecer o discurso do Primeiro Ministro clicar aqui.

Nada de euforias

Publicada por José Manuel Dias


O membro do conselho do BCE Christian Noyer afirmou hoje que os bancos devem continuar a fazer reformas e a reforçar as bases de capital, tendo recomendado cautela nos dividendos e bónus pagos. Os esforços para reforçar a regulação e o capital da indústria financeira global continuam a ser uma prioridade e devem ser mantidos, mesmo numa altura em que os bancos apresentam “lucros trimestrais impressionantes”, afirmou Noyer num discurso em Singapura, citado pela Bloomberg.
Fonte: Diário Económico, aqui.

Agradecimentos

Publicada por José Manuel Dias

O Carlos Santos, professor de Economia e autor do blogue O Valor das ideias, teve a amabilidade de distinguir este espaço com o prémio "Esse blog é VIP, just perfect". É uma apreciação que nos enche de orgulho por ter ser feita por quem foi. Obrigado.

As reformas e as conquistas irreversíveis

Publicada por José Manuel Dias


The Economist abordou recentemente o problema do peso das reformas dos idosos no conjunto da população. No artigo ficámos a saber que nos países desenvolvidos, existem em média 4 pessoas com idade para trabalhar [20-64 anos] por cada pessoa com mais de 65 anos. Porém, daqui a 40 anos, a relação descerá para apenas dois trabalhadores por cada pensionista. O peso das reformas será insuportável. Daqui se conclui que as pensões terão de ser menos generosas e a maioria das pessoas terá de trabalhar para além dos 65 anos. Nada que nos surpreenda. Por cá o problema já foi diagnosticado e, com a reforma da Segurança Social, aplicada uma primeira terapêutica. Se atentarmos num estudo da APS, ver em detalhe aqui, apresenta-se uma previsão, para Portugal, de duplicação até 2050 do "fardo da segurança social". Com 20,8% do PIB ficaríamos a ser o país que mais investiria no apoio aos idosos... Logo não há volta a dar, como na maioria dos países da OCDE de resto, as reformas terão de ser "menos menos generosas e a maioria das pessoas terá de trabalhar para além dos 65 anos". Não há conquistas irreversíveis que nos valham. Será bom que se vá interiorizando esta ideia. Não nos vai custar tanto.

Acertemos os relógios

Publicada por José Manuel Dias



Os relógios vão recuar uma hora na madrugada do próximo domingo, dando início ao horário de Inverno, que se prolongará até Março de 2010, altura em que se regressa à hora de Verão. Este recuo nos ponteiros dos relógios vai fazer com que se acorde com mais luminosidade. As noite vão, entretanto, cair mais cedo. Uma horinha mais, até que sabe bem.

Palavras avisadas

Publicada por José Manuel Dias



Segundo Vítor Constâncio, que falou no 3º Congresso Internacional dos Economistas, no Funchal, a fraca posição competitiva da economia portuguesa desaconselha aumentos nominais acima de 1,5% para o próximo ano. "Para 2010 nós prevemos uma inflação de 1,3% e algum aumento da produtividade", disse o Governador. "Por outro lado as previsões internacionais para aumentos dos salários nominais na área do euro são de 1,5%. Portanto, aumentos até este valor no sector produtivo são razoáveis para mantermos a desinflação competitiva que temos vindo a realizar desde 2007, com inflação mais baixa que na área do euro", concluiu.
Fonte: Diário Económico, aqui.
Só é pena que não dê o exemplo, congelando os salários dos administradores do Banco de Portugal, por forma a que não se diga que "bem prega frei Tomás".

Fazer contas à vida

Publicada por José Manuel Dias


Antes de a crise financeira rebentar, em Agosto de 2007, o volume de novos empréstimos para compra de casa contratados em Portugal, nos primeiros oito meses do ano, ascendia a 12,6 mil milhões de euros. Este ano, tomando como referência igual período, o valor em crédito à habitação caiu para metade. Culturalmente, as famílias portuguesas sempre desejaram ter casa própria. A crise veio pôr uma pausa nessa preferência, obrigando muitos a refazerem as contas à vida.
Para uma economia dependente do financiamento bancário para crescer, este fenómeno é particularmente grave pois, em muitos casos, congela a actividade empresarial e empurra as famílias para um patamar de menor riqueza. Era o ajustamento que faltava, defendem vários economistas que leram esse endividamento excessivo como um dos males estruturais da economias. Porém, foi esse dinheiro do endividamento (que nas famílias equivale a quase 130% do seu rendimento disponível) que permitiu comprar casa própria e consumir produtos e serviços estrangeiros, melhorando de forma significativa os níveis de conforto dos lares portugueses. No crédito à habitação, o malparado está mais controlado, mas também sobe. O rácio de incumprimento neste último segmento vale quase 2,8% dos empréstimos totais. É bem menor do que os quase 7% do segmento de consumo, embora caminhe perigosamente para o máximo da série fornecida pelo Banco de Portugal.
Fonte: Jornal i, aqui.

Christina Aguilera - Back In The Day

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As mulheres na AP

Publicada por José Manuel Dias


Apesar de o Estado recorrer cada vez mais a serviços de outsourcing, Portugal continua a ser o quarto país da OCDE com o maior peso de salários dos funcionários no total de custos de produção do Estado.
Os dados, que constam de um estudo ontem divulgado, referem-se a 2007, altura em que os custos com os funcionários correspondiam a 56% do total dos custos de produção do Estado. A percentagem é apenas superada pelo México, Grécia e Dinamarca.
O relatório Government at Glance, baseado em dados que na maioria dos casos se referem a 2005, retrata uma administração pública portuguesa centralizada, com forte presença de mulheres, mas menos envelhecida do que na generalidade dos países da OCDE.
Num conjunto de 22 Estados analisados, Portugal é, aliás, o segundo país com a maior percentagem de mulheres na administração pública central. A Polónia é o único país que supera a proporção de 61% registada em Portugal.
Fonte: Diário de Notícias,
aqui.

Coisas positivas (13)

Publicada por José Manuel Dias


"As escolas profissionais estiveram estagnadas durante muitos anos com 30 mil alunos, mas, neste últimos três anos, o número de estudantes subiu para 40 mil", disse o presidente da Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO), José Luís Presa.
Este crescimento, segundo José Luís Presa, deveu-se, em parte, à política seguida pelo Governo, que "definiu como meta colocar 50 por cento dos alunos do Ensino Secundário em percursos de formação profissional".O número de alunos deve continuar a aumentar porque os países mais desenvolvidos da Europa são aqueles que mais apostam na formação profissional", sustentou. O responsável assegurou que "os 20 anos de experiência das escolas profissionais foram muito positivos" e considerou que "o facto de as escolas públicas terem vindo a importar o modelo de funcionamento profissionais é a prova dessa qualidade".
Fonte: Público, aqui.
Este tipo oferta formativa tem crescido de forma significativa - 33% e não 25%, como erradamente se refere no artigo. Razões? Poderão ser apontadas várias mas, de entre elas, podem destacar-se, a nosso ver, a obtenção de competencias facilitadoras da integração no mercado de trabalho e a possibilidade de prosseguimento de estudos a nível superior.

Coisas positivas (12)

Publicada por José Manuel Dias


De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat, o sector da construção teve no mês de Agosto um aumento de 2% na produção, enquanto a média europeia caiu 0,5%. Em termos anuais a diferença também é bastante expressiva: Portugal baixa 3%, bem melhor que os -11,1% europeus.

Empresas do passado versus empresas do futuro

Publicada por José Manuel Dias



Para além "deste trabalho de casa" de falar com Basílio Horta, "há sectores consensuais na sociedade portuguesa que merecem uma grande atenção" do Governo. Ulrich citou-os: "O da energia (para reduzir a dependência de Portugal do petróleo), as telecomunicações (para facilitar ao acesso das empresas e particulares à internet, ao conhecimento e à informação), o turismo (em que não sofremos a concorrência directa e esmagadora da China; pelo contrário a China pode alimentar o nosso turismo), o mar (em que temos grandes recursos que devemos desenvolver)".
Mas "acima de tudo", prosseguiu Fernando Ulrich, "temos de dedicar cada vez mais atenção às empresas e aos empresários que mostram que sabem criar riqueza, inovar e construir soluções de futuro." "Em alguns casos estamos a discutir e a canalizar recursos públicos para salvar empresas do passado. Se calhar esses recursos trariam mais riqueza ao País se fossem dados em apoios a empresas modernas, competitivas, que inovam."
Um artigo a propósito do Prós e Contras de ontem com leitura integral no Jornal de Negócios,
aqui.
Temos de concordar com a opinião de Ulrich. Muitas vezes os apoios apenas adiam o inevitável. As empresas têm de estar atentas à realidade envolvente e ajustarem-se. Colocar dinheiro em empresas do passado é penalizar o futuro.

Cadernos do Banco de Portugal

Publicada por José Manuel Dias



Pode consultar aqui os Cadernos do Banco de Portugal, escritos pelo Banco de Portugal com a finalidade exclusiva de informar e esclarecer os consumidores. A informação apresentada é exclusiva do Banco de Portugal. Débitos directos, Central de Responsabilidades de Crédito, Central de Balanços, Transferências a Crédito, Cartões Bancários, Cheques restrição ao uso, Notas e Moedas de Euro, Abertura e movimentação de contas, são alguns dos cadernos publicados. Muita coisa que um consumidor informado deve saber.

Cat Power - House Of The Rising Sun

Publicada por José Manuel Dias