A locomotiva

Publicada por José Manuel Dias


Segundo o Financial Times (FT) de ontem, o Índice de Preços no Consumidor na Alemanha teve uma evolução negativa pela primeira vez em vinte anos “alimentando os receios de uma queda dos preços no conjunto da Zona Euro, o que reforçaria as pressões a que o Banco Central Europeu está sujeito ao lidar com a mais grave recessão ocorrida na Europa.
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Como já aqui disse, a Alemanha tem a chave do próximo futuro da Zona Euro, e talvez mesmo da própria UE. Mas não parece estar a ser muito pressionada a abrir a porta ao crescimento do mercado interno, um futuro em que todos ganhariam. No entanto, com uma crise destas, quem sabe?
Jorge Bateira, no Ladrões de Bicicletas, aqui, coloca o dedo na ferida: a Alemanha precisa da Europa mas a Europa precisa, ainda mais, da Alemanha, considerada por muitos como a locomotiva da Europa. O futuro da Europa vai depender da Alemanha...

João Gilberto e Caetano Veloso - O Pato

Publicada por José Manuel Dias

Medalha de ouro para Ministra

Publicada por José Manuel Dias


Ministra da Educação desde 12 de Março de 2005, se terminar o seu mandato vai bater o tempo de permanência no cargo de José Veiga Simão (15 de Janeiro de 1970 a 25 de Abril de 1974), tendo já ultrapassado por dois dias Roberto Carneiro (17 de Agosto de 1987 a 31 de Outubro de 1991), sendo estes os dois ministros que mais tempo permaneceram no cargo nos últimos 40 anos. Para conseguir este record a Ministra teve de enfrentar " oito greves e a sete manifestações de professores".
Fonte: Jornal Público, aqui.
Não é fácil fazer mudanças. Os instalados rejeitam-nas. Os que podem ganhar com as mudanças, receiam-nas. Antes do conforto, vem sempre o desconforto. Daí que seja difícil fazer reformas. A actual Ministra da Educação operou uma grande mudança na educação. Nem tudo o que fez, fez bem mas o balanço é, a meu ver, muito positivo. O abandono escolar é menor, os alunos alcançam melhores resultados, o absentismo dos professores diminuiu e estão mais envolvidos na vida na escola. A meritocracia foi reintroduzida na carreira docente. Os vários stakeholders da escola são chamados a dar o seu contributo através da participação no Conselho Geral que elege o Director da Escola, nos termos do Decreto Lei nº 75/2008. Foi preciso resistir para bater um recorde velho de 4 décadas. Compreende-se, agora, porque é que em 35 anos de democracia tivemos 27 Ministros da Educação. O caminho mais fácil é sempre o da cedência. Agrada-se aos mais barulhentos mas penaliza-se o país. Perseguir objectivos, com coragem e determinação, é apanágio de poucos. A Ministra bem merece a medalha de ouro pelo contributo dado para a melhoria da Escola Pública.

Friedman, responsabilidade, caridade e faz-de-conta

Publicada por José Manuel Dias


Milton Friedman afirmou repetidas vezes que a única responsabilidade social das empresas é a maximização do lucro. Recordá-lo nos tempos que correm em nada contribui para melhorar a sua já muito abalada reputação. Ou não será bem assim?A responsabilidade social ameaça tornar-se numa exigência incontornável a que nenhum gestor civilizado pode furtar-se sob pena de proscrição. As empresas contemporâneas, diz-se, não devem refugiar-se na preocupação com a rentabilização dos seus negócios, fechando os olhos aos problemas que ameaçam a humanidade e o planeta, entre eles a degradação ambiental e a persistência de desigualdades gritantes neste mundo que partilhamos.
Para continuar a ler este artigo do João Pinto e Castro, no Jornal de Negócios, clicar aqui.

A revolução silenciosa

Publicada por José Manuel Dias


As entregas das declarações de IRS referentes a 2008 através da internet, relativas à segunda fase, registaram "uma elevada adesão", subindo 10 por cento face ao ano passado, anunciou hoje o Ministério das Finanças.
Em comunicado, o ministério de Teixeira dos Santos precisou terem sido recebidas via Internet 1.272.373 declarações modelo 3.2 de 2008.
Fonte: Jornal de Notícias,
aqui.
A identificação dos portugueses com as TIC é inquestionável. O seu uso quotidiano é um dado adquirido. Melhoramos, por esta via, a produtividade dos serviços públicos.

David Bowie - Remembering Marie A.

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Notícias da crise

Publicada por José Manuel Dias


Os valores coligidos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) apontam para uma quebra de 2,1% para o conjunto dos países da Organização. A maior redução da actividade económica desde os anos 60. Nestas avaliações da evolução do PIB Portugal aparece como dos menos castigados pela crise. Assim sendo, o rendimento português poderá aproximar-se da média comunitária não porque subiu mas porque está a descer menos menos que os seus parceiros. Portugal a convergir, como bem diz a Helena Garrido.

Casas para vender

Publicada por José Manuel Dias


As zonas suburbanas de Vila Nova de Gaia, Gondomar, Guimarães, Valongo, Pombal, Leiria, Carregado, Marinha Grande e Setúbal já estão a sentir quebras de preços da ordem dos 50%.
"Tenho a certeza de que este efeito se vai fazer sentir em mais zonas do país. Nós que andamos todos os dias no terreno - pois temos perto de sete mil casas para vender - sabemos que é exactamente assim. Quanto a isso não tenho a mínima dúvida. O mercado vai continuar a cair", refere João Costa Reis, presidente da Domusvenda.
Desde há alguns anos que a sua empresa se dedica à compra de imobiliário malparado à banca - casas adquiridas com recurso a empréstimo, cujas prestações mensais os clientes deixaram de poder pagar. Essas casas ficam na posse dos bancos que, por sua vez, as negoceiam com empresas de recuperação de crédito, como a Domusvenda, que tem 80% do mercado.
Fonte: Expresso, aqui.
Os Bancos não querem casas. Os Bancos querem dinheiro. Se os clientes incumprem e não querem ser executados, acordam, não raras vezes, a entrega do bem hipotecado aos Bancos. Estas casas, bem como as que ingressam no património do Bancos em resultado de execuções hipotecárias não podem permanecer muito tempo de posse do Banco. Razões legais e necessidade de liquidez exigem a sua alienação. É o que os Bancos têm feito. Só esta empresa tem 7.000 casas para venda. É obra.

Apaga-se com uma borracha

Publicada por José Manuel Dias


Em entrevista à Antena 1, o presidente da CIP afirmou que a empresa do grupo Volkswagen (VW) está a falar a sério até porque “estes carros que são feitos aqui podem ser facilmente feitos em outras empresas. Eu sei que as outras fábricas estão a mendigar carga para não entrar numa situação de ruptura se aqui lhes fazem a vida difícil: não mandam mais cargas para cá e vão deixar isto morrer lentamente” adiantou o responsável. Van Zeller disse que é injusta a situação porque “trata-se de centenas e centenas de trabalhadores que acabam de ficar sem trabalho porque alguns querem ser pagos com algumas percentagens e ao sábado”. O presidente da CIP elogiou a produção da Autoeuropa mas deixou um alerta. “Em tempos bons tudo funciona bem. A produtividade é muito alta. A qualidade é elevadíssima o que faz com que aquela fábrica seja uma jóia no grupo VW. Se perdem esta característica passam a ser uma fábrica vulgar. E como fábrica vulgar representa 1,3% das vendas da VW. Apaga-se com uma borracha”.
Uma entrevista com um alerta oportuníssimo, com leitura integral aqui. Van Zeller sabe do que fala. A VW tem muitas alternativas, se não conseguimos ser dos melhores em ordem a superar o custo do transporte dos carros para os grandes centros de distribuição, perdemos competitividade. 1,3% do volume de negócios é pouco. Apaga-se como uma borracha e escolhe-se uma das muitas fábricas, espalhadas por todo o Mundo, onde "segurar o emprego" parece mais importante.

Eleições importantes

Publicada por José Manuel Dias


Cada vez mais a UE e o que se passa em “Bruxelas” é importante para cada um de nós. Legislação, regras, compromissos colectivos partem de Bruxelas e tornam-se lei para toda a União Euopeia. O que, para mim, é positivo como europeísta convicto. O que me preocupa realmente é a pouca participação do cidadão português (ou francês, ou checo…). Estamos (?) a construir uma Europa nova com muito pouca mão-de-obra. Mas este afastamento do cidadão em relação às coisas da EU não é caso isolado. Cá por casa (em matéria de assuntos e eleições nacionais ou locais), o afastamento do cidadão é notório.
Vamos a votos com mais ou menos participação, mas na realidade pouco participamos. O envolvimento do cidadão para fortalecimento de uma democracia participativa é cada vez menor. Voltamos, de certo modo, aos tempos da ditadura: isso é com eles, eles é que sabem, eu cá não me meto em políticas, etc., etc.
A participação a nível europeu não pode desenvolver-se fora do contexto de cada país, temos que começar por fazer o trabalho de casa para depois fazermos o trabalho europeu.
André Correia, em artigo de opinião no DN, com leitura integral aqui
, enfatiza a importância das eleições para o parlamento europeu e dá sugestões em ordem a melhorarmos a qualidade da nossa participação cívica.

Katie Melua & Eva Cassidy - What A Wonderful World

Publicada por José Manuel Dias

O dedo na ferida

Publicada por José Manuel Dias


P: Tem 100% de engenheiros portugueses nos centros de I&D, e defende que não há motivos para fazermos pior que os outros. O que justifica o atraso de Portugal em matéria de inovação e desenvolvimento?
R: Grande parte das nossas PME não se adaptou ainda à idade do conhecimento, nem à globalização. Muitas são exportadoras, mas exportam segundo um modelo de baix criação de valor, passando a concorrer directamente com a China e a Índia. Por outro lado, algum IDE de índole fabrilusava Portugal como plataforma de baixo custo, e o Euro transformou-nos num país de relativo alto custo. Temos também problemas estruturais que subsistem, como a educação. A enorme percentagem de pessoas que não completam sequer o secundário, que futuro têm? Como se enquadram na sociedade do conhecimento? Não se pode dizer que é falta de investimento do estado. A República Checa paga tanto como nós, mas só 10% dos alunos não terminaram o secundário. O problema é a ineficácia do sistema e uma grande resist~encia às reformas. Os interesses corporativos não permitem que isto avance. a educação e a inovação deviam ser os desígnios futuros.
Excerto da entrevista de João Picoito, CEO da Siemens Communications Portugal, ao Diário Económico desta data.

A verdade do azeite

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O grupo Esporão lançou uma nova identidade dos azeites Herdade do Esporão. Um reposicionamento pensado ao pormenor para levar a marca além fronteiras e destaca-la no mercado português como marca ‘premium' de qualidade, potenciando o seu património e tornando-a mais próxima dos consumidores. O investimento total foi de 800 mil euros e é a grande novidade do grupo para 2009.
A verdade do azeite" é a nova assinatura e o conceito que sustenta toda reformulação de imagem. O ‘design' ficou a cargo de Eduardo Aires, ‘designer' responsável por toda a reformulação de identidade do grupo e das marcas que o compõem.
Fonte: Diário Económico, aqui.

Jimi Hendrix - All Along The Watchtower

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Quem (quase) tudo quer, acaba por tudo perder...

Publicada por José Manuel Dias


A reunião desta manhã entre a administração e a comissão de trabalhadores da Autoeuropa correu mal e a empresa terminou as negociações, noticiou o "site" da Rádio Renascença. Em causa terão estado as divergências relativamente à forma de pagamento do trabalho ao sábado.
Segundo do "site" do "Diário Económico", o director da fábrica de Palmela, Andreas Hinrichs, enviou uma carta aos funcionários a informar que “não foi possível alcançar um consenso” e que, assim sendo "a empresa irá tomar as decisões que melhor se ajustem à situação actual".
Fonte: Público, aqui.
É conhecida a crise mundial do sector automóvel. As vendas caíram em todo o mundo. A capacidade instalada é muito superior às actuais necessidades. Manter a laboração é um quase privilégio. São muitas as empresas deste sector que têm recorrido ao "lay off". Romper negociações por questões económicas é, neste contexto, "brincar com o fogo". Sem garantia de adequada flexiblidade, os custos de produção aumentam e a competitividade é perdida. A Administração da empresa sabe que, por outros paragens, há trabalhadores que conhecem o verdadeiro significado da palavra flexibilidade e que ao reclamarem direitos, pensam, também, nas obrigações.

Luz ao fundo do túnel?

Publicada por José Manuel Dias


O ritmo decontracção económica da Zona Euro voltou a reduzir-se no mês de Maio, dando mais evidências de uma forte recuperação desde a quebra recorde no primeiro trimestre, segundo os dados revelados hoje.
"Os dados do Purchasing Managers Index sugerem que o PIB da Zona Euro terá caído, numa taxa trimestral, cerca de 0,5 por cento nos primeiros dois meses do segundo trimestre”, disse Chris Williamson, economista-chefe do Markit.O produto interno bruto da Zona Euro caiu 2,5 por cento no primeiro trimestre de 2009, face aos três meses precedentes, e 4,6 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
A taxa de novas encomendas no sector da indústria transformadora, um indicador útil da produção futura, também subiu para o valor mais alto dos últimos 15 meses. São sinais de que é provável que haja mais melhorias nos resultados dos próximos meses.
Fonte: Público, aqui.
Não tomemos o desejo por realidade. Deixemos que o tempo flua, esperando que os agentes económicos façam o que têm que fazer. Aguardemos, pois.

Comparar-nos com os melhores

Publicada por José Manuel Dias



Segundo o IMD, em 2007 Portugal estava no 39º posto da tabela da competitividade. No ano seguinte subiu para o 37º, e este ano para o 34º. É bom sinal? Sim. Motivo de euforia? Não. Porque a luta por um lugar ao sol (a competividade é a medida da riqueza de um país) faz-se de apostas no longo prazo. É por isso que não devíamos dar pulos de contentes porque passámos a Espanha, a Itália e a Grécia. Essa é a II Liga europeia, nós temos de lutar pela Liga dos Campeões. E isso implica compararmo-nos com os melhores.
Camilo Lourenço, am artigo de opinião no Jornal de Negócios, com leitura integral
aqui.

Peter Gabriel & Cocteau Twins

Publicada por José Manuel Dias

O mais competitivo (*)

Publicada por José Manuel Dias


O World Competiteveness Yearbook é um relatório onde são posicionadas em termos de competitividade, as economias de 57 países de todo a mundo, da responsabilidadedo do IMD, International Institute for Management Development , com sede em Lausanne, na Suíça. O estudo deste ano, publicado pelo 20º ano consecutivo, revela que Portugal aumentou a competitividade da sua economia nos 3 últimos anos. chegando em 2009 à 34.ª posição - em 2008 era 37.º e em 2007 39.º. Este ranking pretende responder à questão de como é que os países e as empresas estão a gerir a totalidade das suas competências para atingir uma maior prosperidade, e é calculado através da análise de quatro factores de competitividade distintos: desempenho económico, nível de infra-estruturas, eficiência empresarial e eficiência do Governo.
Fonte: Público, aqui.
Apesar de muitas críticas ao desempenho dos portugueses vindas de alguns "velhos do restelo" os dados estão aí para o demonstrar: Portugal é hoje um país mais competitivo. É mesmo o país mais competitivo do sul da Europa. O director do IMD, responsável pelo estudo, não acredita que esteja em curso uma grande depressão e admite mesmo que os primeiros sinais de retoma podem aparecer já em 2010. Deixa-nos, entretanto, um aviso de amigo "são as nações mais pequenas, orientadas para as exportações e com um ambiente sociopolítico estável que poderão beneficiar de uma forma mais imediata duma recuperação económica". Depois não se diga que não fomos avisados.
(*) do sul da Europa

O endividamento dos Portugueses

Publicada por José Manuel Dias


O endividamento das famílias portuguesas é o segundo mais elevado da Zona Euro, apenas superado pela Holanda, revela o Relatório de Estabilidade Financeira referente a 2008, divulgado hoje pelo Banco de Portugal. O relatório refere que "o nível de endividamento dos particulares continua a ser dos mais elevados no contexto da área do euro", só superado pelo verificado na Holanda. De acordo com o relatório, cerca de “75% do endividamento dos particulares corresponde a crédito bancário para aquisição de habitação”, o que “implica uma grande sensibilidade dos encargos com a dívida à evolução das taxas de juro do mercado monetário”.
Fonte: Jornal de Negócios,
aqui.
Com é consabido as taxas do BCE só iniciaram a baixa em Outubro p.p., o implica que as quedas ainda não se reflectiram com toda a amplitude nas taxas de juro dos particulares que detêm crédito habitação, pois processam com o habitual gradualismo. Um coisa é, no entanto, certa: as prestações já baixaram e vão continuar a baixar, aumentando o rendimento disponível das famílias. Será uma boa altura para se pensar na poupança. As taxas não vão estar sempre baixas e quem sabe se o aforro conseguido não vai dar jeito um dia destes, mais ou menos próximo.