A capacidade creditícia

Publicada por José Manuel Dias


«A Ciência progride por tentativa e erro. Porém, enquanto os sucessos são amplamente apregoados, os erros são frequentemente encarados com embaraço pelas gerações subsequentes e relegados para os sótãos da memória, tal como os familiares loucos de uma novela vitoriana. Normalmente ficam esquecidos por lá, como fantasmas. A craniologia, a frenologia e a eugenia, que em tempos foram respeitáveis áreas de estudo e passaram depois a ser encaradas com sobressalto, reaparecem de tempos a tempos, mas poucas pessoas sãs lhes prestam atenção. Um desses fantasmas, contudo, reapareceu mais uma vez, e tenta a sua reabilitação. Durante anos, a fisiognomia — a ideia de que o rosto de uma pessoa reflecte o seu carácter — tem sido encarada com desprezo. Mas ressurgiu uma vez mais. «Certamente que as aparências contam. As mulheres, por exemplo, avaliam os homens pelos seus rostos. Os níveis de testosterona são reflectidos no rosto, e ser visto como uma companhia apenas para uma noite ou como um potencial marido, depende em parte do aspecto físico. Do mesmo modo, o rosto de um macho revela a agressividade subjacente do dono e até mesmo a sua perspicácia para o negócio. A beleza facial, em ambos os sexos, é também associada a rendimentos elevados. A investigação mais recente, contudo, vai direita ao aspecto moral. Jefferson Duarte, da Rice University (Houston), e os seus colegas sugerem que uma das características morais mais reveladoras, a capacidade creditícia [creditworthiness], também é revelada pelos rostos.»
The Economist, aqui.

O lado bom da crise

Publicada por José Manuel Dias


Como não sou daqueles tipos que olham para os dois lados antes de atravessar uma rua de sentido único, tenho descoberto sinais bastante encorajadores em muitas notícias da crise.
Fiquei muito satisfeito em saber que há menos 30 mil carros a circularem diariamente nas ruas de Lisboa, o que corresponde a uma diminuição de 7% no trânsito. A queda de 9% no movimento na A1 (menos 8500 automóveis por dia) é uma má notícia para a Brisa, mas uma boa notícia para quem está preocupado com o futuro do planeta. Quero acreditar que, quando a noite passar, as pessoas que agora estão a deixar o carro na garagem continuarão a usar os transportes públicos.
Fiquei muito satisfeito em saber que as restrições ao crédito à habitação estão a fomentar o mercado de arrendamento. Ou seja, que a crise está a ser mais eficaz que a Lei das Rendas na urgente tarefa de devolver ao mercado habitacional português a racionalidade e equilíbrio perdidos.
Fiquei muito satisfeito em saber que, pela primeira vez, caiu a venda de telemóveis e que a poupança dos portugueses aumentou 14%. Parece-me que 14,5 milhões de telemóveis são suficientes para dez milhões de portugueses e sonho com o dia em que voltarão a haver mais escovas de dentes nos copos da casa de banho do que telemóveis nos bolsos.
Um artigo imperdível de Jorge Fiel para ler na íntegra no DN, aqui.

Alargar horizontes

Publicada por José Manuel Dias


“(…) A ligação universidades/necessidades do mercado de trabalho também mereceu críticas por parte de Miguel Portela e Luís Reis nas «conversas ao pequeno-almoço», organizadas pelo IPAM. O CEO da Sonae.com sublinhou que as escolas «deviam pôr as pessoas a pensar, a saber reagir ao desconforto, à diferença». Os cursos superiores, acrescentou, «são demasiado fáceis. As pessoas só sabem até onde podem ir se forem levadas ao seu limite».
«A muitos licenciados falta o mundo. Para muitos, o mundo acaba no fim da rua da aldeia dele». Esta imagem fornecida por Luís Reis serviu para demonstrar como os portugueses se «agarram desesperadamente ao seu cantinho».
O CEO da Sonae.com deu um exemplo: «Num processo de recrutamento, perante a «ameaça» de que podem ser colocados em qualquer ponto do país, metade desiste. À metade que fica, dizemos que podem ser colocados em qualquer ponto do mundo e metade vai embora. Dos candidatos iniciais restam-nos normalmente 25 por cento». Daí o desabafo: «Devia ser proibido aos recém-licenciados namorar ou casar nos próximos dez anos». (…)”
Fonte: Agência Financeira, aqui.


Bob Marley & The Wailers 'Rastaman Vibration'

Publicada por José Manuel Dias

Toca a todos

Publicada por José Manuel Dias


Os docentes do Ensino Superior vão passar a ser avaliados de três em três anos. A alteração foi hoje aprovada em Conselho de Ministros. O governo aprovou hoje em Conselho de Ministros as alterações ao estatutos de Carreira Docente Universitária e da Carreira Docente do Ensino Superior Politécnico. O documento prevê que a entrada na carreira passe a ser feita com um doutoramento.
Fonte: Diário Económico, aqui.
O Govermo acaba com progressões automáticas no Superior. Parece-me bem.

Desceu, não desceu?

Publicada por José Manuel Dias


O BCE decidiu baixar as taxas de juro em apenas 0,25 pontos percentuais. Foi uma decisão acertada. Primeiro, porque uma baixa de 0,5 pontos faria esgotar a arma das taxas de juro como meio de combate à recessão. Não apenas porque o BCE está a fazer finca-pé no patamar de um por cento como valor mínimo para as taxas, mas porque na actual conjuntura é irrelevante ter taxas a um por cento… ou a zero por cento. Não é por essa diferença que as empresas recomeçam a investir e os consumidores a gastar. A economia não mexe por falta de confiança no sistema financeiro e não pelas taxas de juro.
Camilo Lourenço, em artigo de opinião mo Jornal de Negócios, aqui.

A caminho da regulação global

Publicada por José Manuel Dias


Uma das medidas da cimeira do G20 em Londres foi o reforço da regulação financeira internacional, mediante a criação de uma nova instituição internacional -- o Financial Stability Board --, a partir do já existente Financial Stability Forum, criado em 1999 pelo G7, mas agora com uma composição alargada - incluindo todos os G20, mais a Espanha e a Comissão Europeia (o que reforça o peso da UE) - e sobretudo com poderes mais extensos e mais efectivos.

Diana Krall - A Case of You

Publicada por José Manuel Dias

O diagnóstico da crise

Publicada por José Manuel Dias


Ao nível mundial, o colapso financeiro produziu uma brutal destruição de riqueza que, mesmo artificial, ajudava a sustentar decisões de consumo e investimento. Tal destruição, juntamente com as expectativas pessimistas que alimenta e com as interacções económicas que desencadeia, está a provocar uma enorme contracção da procura, que ameaça tornar excedentária uma boa parte da capacidade produtiva instalada. Daí que as autoridades económicas - governos e bancos centrais - se apliquem, e bem, em criar procura por parte do Estado e em estimular a procura privada, para que o excesso de capacidade não tenha que ser destruído, gerando um massivo desemprego.
Vítor Bento, em artigo de opinião no Diário Económico, faz o diagnóstico da presente crise mundial mas argumenta que o problema de Portugal é diferente, uma vez que desde 1997 que o país vive em excesso de procura, face à sua capacidade produtiva. Para este economista o problema da economia não está, portanto, no lado da procura, mas sim no lado da oferta, que se encontra bloqueada, por perda de competitividade (a produtividade não compensa os custos).
Vale a pena conhecer a sua proposta para saída da crise aqui.

Sempre a cair...

Publicada por José Manuel Dias


As Euribor mantêm a tendência de queda com a taxa a três meses cada vez mais perto de igualar a taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE). Esta semana, o Banco Central Europeu (BCE) deverá reduzir novamente os juros, segundo as previsões do mercado. A taxa a seis meses recuou hoje para os 1,670%, um novo mínimo histórico, e a Euribor a três meses desceu para os 1,510%, aproximando-se mais do preço do dinheiro definido pelo BCE, que se encontra nos 1,50%.
Fonte: Jornal de Negócios, aqui.
São boas notícias para todos os que têm empréstimos em curso. São boas notícias para o Estado atento o endividamento público existente. São boas notícias para quem quer investir.

Défices excessivos

Publicada por José Manuel Dias


Nos termos dos Regulamentos comunitários, o INE já enviou para o Eurostat a primeira notificação de 2009 relativa ao exercício do Procedimento dos Défices Excessivos.
Rácio Capacidade/necessidade líquida de financiamento no PIBpm: 2,6% em 2008, para 2009 o previsto é 3,9%.
Para ver a evolução verificada entre 2005 a 2009, clicar aqui.

Preparemo-nos ....

Publicada por José Manuel Dias

A ilha Quimonda

Publicada por José Manuel Dias


Empresas que montam uma unidade em Portugal para produzir a partir de tecnologia concebida e comercializada exclusivamente pela casa-mãe, a qual envia todos os componentes a integrar na produção, a qual é depois toda reenviada de volta para a sede. Funcionam como uma ilha isolada que pouco ou nada interage com o país envolvente. Vêm para cá apenas para se aproveitar de engenharia e demais mão-de-obra barata e de qualidade. O valor acrescentado fica todo no país de origem, uma vez que esse resulta da concepção e comercialização dos produtos, não da respectiva fabricação. E quando a vantagem da mão-de-obra barata é anulada por um país asiático qualquer, deslocalizam ou fecham.
Para ler na íntegra este artido de opinião de Paulo Soares de Pinho, Professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, clicar aqui.

O ovo faz-me pensar...

Publicada por José Manuel Dias


O corpo da galinha sabe muito de geometria. Foi o ovo que me contou. Porque o ovo é um objeto geométrico construído segundo rigorosas relações matemáticas. A galinha nada sabe sobre geometria, na cabeça. Mas o corpo dela sabe. Prova disso é que ela bota esses assombros geométricos.Sabe muito também sobre anatomia. O ovo não é uma esfera. Ele tem uma parte mais grossa e uma parte mais fina. Há uma razão físico-anatômica para isso. É a mesma razão por que os pregos têm uma ponta fina: para entrar melhor no buraco.
[.../...]
O nosso corpo é assim: ele sabe muitas coisas que a nossa cabeça não sabe. Se dependêssemos, para viver, dos conhecimentos que temos na nossa cabeça, há muito teríamos desaparecido da terra. O corpo é muito sábio. Acham que estou doido? Vocês já ouviram falar em Guimarães Rosa, o escritor? Pois ele disse: “O corpo não traslada, mas muito sabe, adivinha se não entende...“ Com o que, Nietzsche, o filósofo que mais amo, concorda: “Há mais razão no seu corpo que na sua melhor sabedoria“...Os gregos antigos, filósofos, diziam que a gente começa a pensar quando a gente fica abobalhado diante de um fato corriqueiro. Haverá coisa mais corriqueira que um ovo? Pois o ovo me faz pensar...
Texto delicioso, escrito por Rubem Alves, a ser lido na íntegra aqui, descoberto via A Matemática anda por aí.

Pois...E o prémio?!!

Publicada por José Manuel Dias


As taxas de juro nos contratos de crédito à habitação estão a descer desde Dezembro, acompanhando a queda das Euribor. Uma redução que não chega a quem está agora a comprar casa, devido ao aumento dos "spreads" pela banca. Desde Outubro de 2007, a diferença entre os juros praticados nos contratos e a taxa Euribor já aumentou 300%.
Apesar das descidas registadas nos últimos meses, este valor está mais de 1,7 pontos percentuais acima da média das taxas Euribor nos três meses correspondentes (média entre Outubro de Janeiro).
Fonte: Jornal de Negócios desta data, aqui.
As taxas de juro incorporam um prémio de risco. Se o nível de incumprimento do Crédito Habitação tem subido em resultado de riscos diversos, nos quais se incluem os denominados 3 D´s, mas em que sobreleva o desemprego, parece ter sentido que o prémio de risco incorporado no pricing seja objecto de agravamento. Levar mais caro, neste caso, não quer dizer que os Bancos tenham margem de lucro superior.

Morangos de luxo

Publicada por José Manuel Dias



No Algarve, os morangos que nascem, não na terra, mas em prateleiras com água, escapam à crise económica mundial, porque os agricultores vendem toda a produção ao Norte da Europa.
A chave do sucesso está na elevada qualidade da fruta, apreciada por pessoas que não se importam de pagar mais caro, explica Humberto Teixeira, produtor de morangos no Algarve. "Ainda não sentimos a crise, porque temos garantida a venda dos morangos e framboesas. Quando produzimos a fruta, já a temos toda vendido aos países nórdicos", dizem Pedro Vaquinhas e Célia Bento, engenheiros agrónomos, que se candidataram ao Proder, investiram um 1,2 milhões de euros na criação da "Agrivabe" e contam produzir até Maio cerca de 70 toneladas de morangos.
Fonte: Diário de Notícias, aqui.
Há que encontrar novos clientes. Explorar novos mercados. Descobrir nichos que valorizem o que somos capazes de fazer melhor que os outros.

The Eagles - Take It Easy

Publicada por José Manuel Dias

Aprender com os melhores

Publicada por José Manuel Dias


Apenas cinco das 397 escolas sujeitas a avaliação externa nos últimos três anos lectivos obtiveram nota máxima, um requisito obrigatório para atribuírem as percentagens mais elevadas das classificações de ‘Muito Bom’ e ‘Excelente’ da avaliação de desempenho do docente.
As secundárias das Palmeiras (Covilhã), Alberto Sampaio (Braga), Leal da Câmara (Rio de Mouro) e os agrupamentos de Santa Catarina (Caldas da Rainha) e Gualdim Pais (Santarém) foram as eleitas.
Fonte: Correio da Manhã, aqui.
Todos concordam que é preciso melhorar a qualidade do ensino. Todos subscrevem a necessidade de mudanças. Muitos procuram melhorar mas nem todos conseguem atingir níveis de desempenho superiores. Aprender com quem faz melhor pode ser um bom caminho.

Confiança precisa-se

Publicada por José Manuel Dias


A chanceler alemã Angela Merkel afirmou hoje, numa entrevista ao jornal "Financial Times", que a injecção de demasiado dinheiro para relançamento da economia mundial pode provocar o risco de criar uma retoma não durável. Na mesma entrevista, Merkel rejeitou os apelos ao desbloqueio de mais fundos públicos na Alemanha no quadro de um esforço de relançamento económico coordenado a nível internacional. "Se queremos tirar lições [da crise], a resposta não passa por repetir os erros do passado", referiu.
Fonte: Público, aqui.
Todos concordam que as grandes empresas devem "continuar de pé" em ordem a garantir os respectivos postos de trabalho e manter a necessária operacionalização para responderem prontamente à esperada (e desejada) retoma. A questão é, no entanto, mais complexa: faltam clientes. Muitos dos que poderiam comprar, sabem que no passado se excederam. Endividaram-se. Viveram acima das possibilidades. Agora o "susto" está a reformular padrões de comportamento e determinados sectores e actividades ressentem-se mais do que os outros. A recalibração é inevitável. Só assim retomaremos a confiança necessária ao normal funcionamento do sistema.

Dá que pensar...

Publicada por José Manuel Dias


O que nos falta – a nós, portugueses – é eficácia. Capacidade de concretização. Pragmatismo. Temos muito jogo, muita conversa, muito floreado; muita parra, mas pouca uva. Isto é verdade no futebol, na política, nas empresas. Não é por acaso que a Suécia está, há muitos anos, nos cinco países com maior índice de produtividade do mundo. Não é um «problema» de Carlos Queirós, é um problema dos portugueses: conversa, conversa, conversa… concretizar, fazer é uma ofensa.
Tomás Vasques no Hoje há conquilhas amanhã não sabemos.