O ano do boi e o consumo correcto

Publicada por José Manuel Dias


Felizmente, para os chineses - um quinto da população mundial - o Ano do Boi que agora se inicia apresenta-se desde já auspicioso. Será mais calmo e estável do que o anterior e, segundo a mitologia, será também um ano produtivo porque o Boi é um bom amigo do homem, é trabalhador e traz alimentação às pessoas. Esperemos que tenham razão.Entretanto, perante a crise, os chineses acautelam-se e discutem se o acto de consumir será ou não antipatriótico. A minha amiga Yi Lin, por exemplo, assaltada por um súbito desejo de poupar, ficou na dúvida depois de um familiar lhe ter assegurado que ele próprio acabara de contribuir para a economia do país ao comprar um telefone móvel e nada menos do que duas máquinas fotográficas - tudo pago com um recém-adquirido cartão de crédito. Estaria ele a cumprir o seu dever enquanto consumidor para ajudar as empresas afectadas pela contracção da procura? Seria esta uma lógica patriótica para ajudar o país em tempo de crise? Yi Lin confidenciou-me que, em sua opinião, as pessoas não devem consumir para além da sua capacidade económica e introduziu o conceito de "consumo correcto", isto é, aquele que não envolve nem excesso de poupança, nem excesso de consumo.
Virgínia Trigo, no Jornal de Negócios, com leitura integral aqui.

Exportações sobem 6% (*)...

Publicada por José Manuel Dias


É o que nos diz o registo de dados do último trimestre do comércio extra-comunitário divulgado pelo INE. Um dos melhores dos últimos tempos. Convém, no entanto, notar que o comércio externo extra-comunitário corresponde a cerca de um quarto do total do comércio internacional português. Na realidade, se incluirmos o comércio intra-comunitário - onde baixámos as exportações em cerca de 20% - o ano não terá sido encerrado com nota positiva. Em Novembro, os valores de exportação apontavam, ainda, para um crescimento de 1,8% mas com os 5 principais destinos a perderem importância. Registe-se, entretanto, o crescimento registado com Angola, desde a visita do Primeiro- Ministro, cerca de 35% . Compreende-se a preocupação de todos: mais desemprego, trará menos consumo, arrefecendo, ainda mais, a economia da Eurolândia. Justifica-se, por isso, o apelos dos Ministros das Finanças da UE às empresas para evitarem os despedimentos colectivos e a optarem, em alternativa, pelo desemprego parcial acompanhado de acções de formação.
Os dados do INE podem ser vistos aqui:
(... e importações caiem 9,5%)

O outro lado da crise

Publicada por José Manuel Dias


A crise económica, que atinge todo o sector automóvel, está a beneficiar as empresas de transportes públicos, que têm cada vez mais passageiros.Os stands têm menos procura - as vendas de automóveis caíram mais de 40% - o comércio de usados, sobretudo de viaturas importadas, está a perder clientes, o negócio de pneus e oficinas familiares está ameaçado e as transportadoras de mercadorias têm milhares de camiões parados.Um dos sectores que parece estar a escapar à crise é o das empresas de transportes públicos, uma vez que os portugueses estão a recorrer mais a estas: o Metro do Porto recebeu mais 7% de passageiros em 2008 e a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) conquistou mais 2% de utilizadores.
Fonte: Diário de Notícias, aqui.
A crise repercute-se em ameaças para uns e oportunidades para outros. Permite, também, reformular padrões de comportamento. Estamos, ao que parece, a ser mais amigos do ambiente.

Deste, gosto mesmo

Publicada por José Manuel Dias



A Cleopatra, do Cleopatra Moon, veio dar-me nota que gosta mesmo deste blog. Fico feliz por saber. A sua atenção é disputada por muita gente e continuar a merecê-la é, pois, um privilégio. Tenho, agora, a responsabilidade de nomear 15 outros blogues. Não é fácil. São muitos os passíveis de nomeação. Veremos se consigo fazê-lo num dos próximos dias... Será que posso indicar mais, para não cometer a injustiça de não nomear blogues de que gosto mesmo?

Crise, encolheste os Bancos

Publicada por José Manuel Dias


Numa análise feita pela JP Morgan aos maiores bancos cotados, verifica-se que a 20 de Janeiro de 2009, o Royal Bank of Scotland (RBS) valia 26 vezes menos do que no segundo semestre de 2007, tendo passado de uma capitalização bolsista de 120 para 4,6 mil milhões de dólares. Também o Citigroup perdera 13,4 vezes do seu valor, passando de uma capitalização bolsista de 255 para 19 mil milhões de dólares. A melhor performance era então a do Santander, que perdera apenas 44,8% do seu valor. Grandes bancos portugueses perdem 2/3 do valor em Bolsa
Em dois anos, os três grandes portugueses cotados em Bolsa perderam cerca de dois terços da sua capitalização bolsista. O que mais caiu em valor foi o BPI que hoje vale menos 70,9%, enquanto o BES perdeu 65,9% e o BCP, 60,5%.
Fonte: Expresso, com gráfico animado, aqui. Experimente ver quanto encolheram o Deutsche Bank, o RBS, o Barclays ou o Citigroup. Faça o cotejo com os nossos Millennium BCP, BES ou BPI. Perderam valor mas têm resistido bem.

Um Banco na América

Publicada por José Manuel Dias

Uma atitude avisada

Publicada por José Manuel Dias


O receio de ficar sem trabalho está a aumentar a subscrição de seguros de protecção de crédito, que têm crescido 20% ao ano. A dificuldade em pagar as prestações está também a aumentar os pedidos de ajuda - só em Janeiro, a Deco foi contactada por mais de mil famílias em dificuldades.
"O aumento da taxa de desemprego tem aumentado a necessidade dos portugueses em assegurar a sua estabilidade financeira familiar, pelo que se tem verificado um crescimento acentuado na aquisição do seguro de protecção ao crédito", explicou ao DN Luís Marques, director-geral da Genworth Financial.
Fonte: Diário de Notícias, aqui.

Judy Collins & Leonard Cohen - Suzanne

Publicada por José Manuel Dias

O valor das marcas Bancárias

Publicada por José Manuel Dias


O valor das 500 marcas bancárias mundiais mais valorizadas caiu com a crise financeira. O HSBC mantém a liderança e cinco das dez marcas mais valorizadas são bancos norte-americanos. Dois bancos chineses estão em os dez maiores. Em Portugal as marcas mais valiosas são: CGD, Millennium BCP, BES, BPI e Banif.
A análise é feita pela consultora Brand Finance em colaboração com a “The Banker Magazine”, que anualmente elaboram este índice de avaliação do valor e da forças das marcas do sector bancário. Para saber mais clicar aqui.

Fernão Mendes Pinto do Século XXI

Publicada por José Manuel Dias


A atribulada vida de Nuno Belmar da Costa, que até se dedicar à compra e venda de remédios trabalhou numa fábrica de luvas, foi tradutor numa base aérea em Israel, fez negócios do outro lado da Cortina de Ferro, levou para o Zaire peixe seco da Namíbia, e tentou vender aviões da Embraer a Belmiro de Azevedo.
A vocação de Nuno para línguas e culturas diferentes revelou-se no liceu quando decidiu estudar para guia turístico, ambição adiada pela chamada da Pátria para a Escola Prática de Artilharia, onde foi oficial de tiro.O primeiro dinheiro já o ganhara, ainda moço, logo a seguir ao 25 de Abril, como tradutor na Guantex, uma fábrica em Alcoitão que exportava luvas e funcionava mais ou menos em autogestão. "Era o único homem entre 70 e tal mulheres", recorda Nuno, que nunca se atrapalhou na presença do belo sexo. A sua peregrinação começou quando o exército o passou à peluda e ele tropeçou numa bela oportunidade.
Para continuar a ler este artigo de Jorge Fiel, publicado no Diário de Notícias de hoje, clicar aqui.

Quem me avisa...

Publicada por José Manuel Dias


Alguns países da área do euro chegaram a este período de crise económica grave com elevados défices públicos (do Estado) e externos (dos residentes no seu conjunto). A crise tem vindo a agravar estes défices; e os credores mostram-se cada vez mais relutantes em continuar a financiá-los. Em todos estes países, torna-se absolutamente necessário reduzir despesa interna - a começar pela pública (mesmo se não é o melhor momento para o fazer). Na ausência de uma cultura de poupança, a redução da despesa privada só pode ser conseguida pelo congelamento ou mesmo pela eventual redução dos rendimentos da população em geral.
Se este caminho não for percorrido, restam duas alternativas: uma gestão controlada pelos credores ou a saída da área do euro. A primeira é seguramente a menos má. A segunda produziria o mesmo resultado (redução do rendimento e da despesa interna) através de uma desvalorização da moeda que viesse a ser introduzida, no mínimo de uns 20% ou 30%; inflação e taxas de juro subiriam de imediato. A questão é cada vez mais discutida, sobretudo pelos credores, que escrutinam à lupa os sinais transmitidos tanto pela agenda política interna como pela população em geral (o que diz e o que reclama nas ruas).
Daniel Bessa, em artigo de opinião no Expresso, aqui.

Crédito mais difícil

Publicada por José Manuel Dias


Os bancos agravaram as condições de acesso ao crédito às empresas e às famílias no quarto trimestre de 2008, uma tendência que se deve manter nos próximos três meses, segundo o Banco de Portugal. "De acordo com os resultados do inquérito realizado em Janeiro de 2009, os cinco grupos bancários portugueses (...) indicaram um aumento da restritividade nos critérios de concessão de empréstimos ao sector privado não financeiro no decurso do último trimestre de 2008", lê-se no inquérito aos bancos realizado pelo Banco de Portugal.
Fonte: Público, aqui.
Os juros dos empréstimos representam parte expressiva dos proveitos dos Bancos. Se os bancos têm mais dificuldades na captação de fundos, se o risco de crédito se agrava, em consequência da deterioração da situação económica, faz todo o sentido reforçar a selectividade no crédito. De entre os que precisam de crédito - e são muitos - escolher os melhores, aqueles que, em princípio, estão em melhores condições para garantir uma boa aplicação dos fundos de molde a ressarcirem o Banco nas datas acordadas. Princípios que não são de hoje, e que a avaliar pelo crédito vencido existente, nem sempre mereceram a atenção requerida, lembrando um ditado antigo " os maus créditos surgem nos bons tempos".

Apoio ao emprego

Publicada por José Manuel Dias


O desemprego vai continuar a ser um dos nossos principais problemas. Em Dezembro p.p. chegou ao 7,9%, menos uma décmia que na Zona Euro, onde chegou aos 8%. Os próximos tempos não vão ser nada bons, em todo o mundo o desmprego cresce, e em Portugal não vai ser diferente. O Governo está preocupado com a situação e reculamentou um conjunto de apoios para defender e promover o emprego que passam fundamentalmente pela redução, temporária, dos custos das empresas com os trabalhadores. O Jormnal de Negócios organizou m dossier onde sistematiza as medidas de apoio ao emprego patrocinadas pelo Governo para os próximos meses. Nesta época em que somos inundados por informação estas iniciativas de reunir a informação básica em pastas, são de aplaudir.

Aguardemos por Março

Publicada por José Manuel Dias


O presidente do Banco Central Europeu (BCE) sublinhou esta quinta-feira que o valor de 2 por cento nas taxas de referência não é o limite, em matéria de descidas.
«Confirmamos que os 2 por cento não são o nível mais baixo (a que podem estar as taxas de juro)», disse em conferência de imprensa, realçando, no entanto, que «não considero apropriado manter as taxas de juro nos 0% neste momento».
Apesar do BCE
ter decidido manter as taxas de juros nos 2% , Jean-Claude Trichet seguiu o esperado e admitiu que pode vir aí novo corte no próximo mês. Mas ainda não há certezas: «Veremos o que vamos fazer na próxima reunião. Teremos muito mais informação e dados novos», sublinhou.
Fonte: Agência Financeira, aqui.

Quanto vale uma empresa?

Publicada por José Manuel Dias


Quando, nos primeiros anos da sua vida profissional, trabalhava numa sociedade de investimento londrina, Peter Drucker tinha um colega que se ocupava exclusivamente na compra e venda de acções da General Motors. Um dia, Drucker deixou-lhe em cima da secretária um recorte de um artigo sobre o futuro da indústria automóvel. "Por que é que me puseste isto aqui?", perguntou-lhe o outro na manhã seguinte. E foi então que Drucker descobriu que ele ignorava que a General Motors era uma empresa automóvel.Suponho que esta situação seria hoje impensável, mas constato que, amiúde, muitos traders pouco sabem sobre as empresas cuja compra ou venda recomendam. Esta ignorância revelou-se de forma evidente na actual crise financeira, quando empresas há escasso tempo incensadas como casos de sucesso revelaram, afinal, uma espantosa fragilidade. Quanto vale de facto uma empresa, e o que é preciso saber sobre ela para avaliá-la com rigor?
João Pinto e Castro responde-nos aqui, Jornal de Negócios desta data. Uma leitura imperdível.

What Can I Say - Brandi Carlile

Publicada por José Manuel Dias

Será mau?!

Publicada por José Manuel Dias


As vendas do sector automóvel caíram 47,8 por cento, em Janeiro deste ano comparando com igual período de 2008, segundo os dados da Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA). As vendas nos ligeiros de passageiros registaram uma queda de 51,3 por cento e as dos comerciais ligeiros 35,6 por cento, revela o comunicado divulgado hoje por esta associação, que representa 3.850 empresas do sector.
Fonte: Público, aqui.
10494 automóveis ligeiros vendidos em Janeiro. Apesar de parte da queda poder ser explicada com a antecipação de compras feita em Dezembro, potenciada por razões fiscais, o número não deixa de ser impressionante. Em 2009, venderam-se metade dos automóveis vendidos em 2208. Será mau? Talvez não seja. Não será importante reduzir as importações e aumentar as poupanças? Não devemos nós deixar de viver acima das nossas possibilidades? Se não podemos comprar um carro topo de gama, compremos um carro da gama média. Se estamos habituados a trocar de carro cada 4 anos, porque não prolongamos a vida de útil para 6 ou 7? Será que já estamos a alterar os nossos comportamentos?
Claro que ninguém questiona a importância do sector e do seu contributo para o emprego. Justifica-se, por isso, que o Governo tenha uma "linha de crédito para a produção automóvel" em ordem a tentar responder a essas preocupações e à necessidade de manter activo seu potencial de exportação. Se os outros (no estrangeiro) podem comprar carros novos, preparemo-nos, pois, para os montar.

Um completo disparate

Publicada por José Manuel Dias


Sejamos claros. A economia portuguesa enfrenta um problema gravíssimo de competitividade. E, a essa luz, o que deveríamos estar aqui a discutir era um eventual corte nos salários, que "comem" metade da produção. Mas nenhum governo faria isso, ademais em período de eleições. A solução é aguentar. Ainda há dias a UE recordava o óbvio: os países onde os custos salariais unitários mais têm subido são a Grécia, a Irlanda, a Itália e Portugal. Pois...
Foi a pensar em tudo isto que, aquando do orçamento para 2009, me insurgi contra os 2,9% de aumento salarial para a Função Pública, que me pareceram irrealistas. Recordo que a inflação esperada era então de 2,5%. Mas os factos estão a desenrolar-se a uma velocidade vertiginosa e a inflação esperada é agora de apenas 1%. Resultado: sem quaisquer melhorias de produtividade que o justifiquem, estamos a oferecer um acréscimo de quase 2% de salários... (ir)reais. É um completo disparate.
Daniel Amaral, em artigo de opinião, com leitura integral no Diário Económico, aqui.

Salários

Publicada por José Manuel Dias



Sem dúvida que aumentar os salários em alturas de crise é bem mais complicado, mas conseguir escrever este artigo sem, em momento algum, deixar escapar a ideia que não são necessários aumentos nominais tão altos como no ano passado para que os salários reais ainda assim aumentem (devido à menor taxa de inflação) é perceber muito pouco do que se escreve.
Pedro Bom, no A pente Fino, aqui.

Cortar nos custos

Publicada por José Manuel Dias


O diário Los Angeles Times anunciou que vai despedir 300 trabalhadores, dos quais 70 jornalistas, devido à diminuição de receitas publicitárias.
O jornal está integrado no grupo Tribune que, em Dezembro, anunciou colocar-se sob a protecção da lei das falências, vai também suprimir o caderno «Califórnia», integrando as notícias nas páginas de informação nacional,avança a Lusa.
Com estes novos cortes, o número de elementos da equipa editorial passa a menos de 600 pessoas, contra 1.200 em 2001.
Fonte: Agência Financeira, aqui.
As receitas diminuiram lá e também, logo há que tomar medidas para evitar o avolumar das dificuldades: cortar nos custos ou e/ou tentar aumentar as receitas.