Tratado de Lisboa e comportamento racional

Publicada por José Manuel Dias


No dia em que se vai conhecer a decisão dos irlandeses sobre o Tratado de Lisboa não deixa de ser curioso reflectir sobre os resultados de uma sondagem levada a efeito em ordem a conhecer as motivações dos eleitores para o "Sim" e para o "Não", ver aqui.
Só 8% dos eleitores afirma conhecer perfeitamente o Tratado. Dos que afirmam ir votar "Não" 30% dizem que «não sabem ou não compreendem o que estão a votar»! Faz sentido, a mudança causa sempre alguma apreensão. Se vencer o "Não" como algumas projecções indicam impõe-se a pergunta:
-E agora Europa?
Existe sempre uma saída, segundo alguns europeístas, " avançar com quem quiser ir para a frente". A Europa de mais de 500 milhões de habitantes não pode ficar refém da vontade de um país que não tem 1% da sua população. Assegurar melhores condições de eficiência na tomada de decisão e garantir algum avanço na integração política têm de ser preocupações cimeiras da União Europeia se quiser fazer face aos complexos desafios com que se confronta.

Os camiões da desordem

Publicada por José Manuel Dias


Já vimos este filme. Este ano passou na Grécia e em alguns estados dos EUA; em Dezembro foi na Itália. Os factos históricos sobre bloqueios de camionistas dizem-nos que detêm um poder de pressão desmesurado. Podem, ao jeito de exércitos medievais ou bandos de salteadores, cercar cidades, ameaçando-as com a falta de víveres e de combustível. Podem parar países e arruinar economias. Podem cortar estradas, apedrejar veículos, rasgar pneus, cortar tubos de combustível, incendiar camiões - isto só para falar de coisas que se passaram, em Portugal e Espanha, desde segunda-feira. Em Espanha, chegaram, segundo se noticiou, a assegurar ao dono de uma loja de arranjo de pneus que se continuasse a reparar pneus de camiões vandalizados "haveria consequências". Posso estar a ver mal, mas não vejo grande diferença entre o que os camionistas fizeram e o método mafioso conhecido por extorsão, ou o mais vulgar assalto à mão armada.
[...]
Por isso as últimas paralisações europeias terminaram sem ver satisfeita a "reivindicação" principal, a da baixa do preço dos combustíveis. Assim por cá. A questão principal será, pois, por que motivo os governos deixam as coisas chegar ao ponto de serem forçados a negociar sob chantagem. Parece óbvio que mal se esboça um movimento de bloqueio é necessário tornar claro que tal é inadmissível - de preferência, com o concurso da oposição, que assobiou para o ar perante os desmandos (será isso a credibilidade?). Afinal, como alguém escreveu, a democracia não é ausência de poder - é a legitimação do poder. Questão de o usar.
Os Camionistas do Apocalipse, Fernanda Câncio, no Diário de Notícias desta data, aqui.

No pelotão da frente

Publicada por José Manuel Dias


Será que algum dos nossos leitores consegue apresentar uma explicação para o facto dos portugueses terem uma das maiores médias de carro por mil habitantes?
Vejamos alguns países (dados reportados a 2004) disponibilizados pelo Eurostat :
Alemanha - 546, Espanha - 454, França - 491, Hungria - 280, Holanda - 429, Suécia - 456, Finlândia - 456, Reino Unido - 463, Suiça - 514, Polónia - 314, Grécia - 248 e França -491.
A média da União Europeia é de 472 e (pasme-se!) Portugal tem 572. Mais 100 carro por mil habitantes que a média da União Europeia. No período em análise (1990/2004) o número de carros na União Europeia aumentou 38%. No mesmo período em Portugal subiu - 135% !!
Esta realidade não se enquadra com o discurso de crise que alguns tentam fazer passar, nem se compagina com os nosso nível de rendimentos. Depois queixamo-nos que a gasolina está cara!
Somos tentados a recuperar uma frase que ouvimos, algum tempo atrás, numa conferência sobre a nossa situação económica: "os portugueses trabalham como os marroquinos mas querem gastar como os alemães", fazendo, no entanto, uma correcção "querem gastar mais do que os alemães" (pelo menos em matéria de automóveis, 572/1.000 habitantes em Portugal, contra 546/1.000 habitantes na Alemanha).
Se tiver curiosidade em conhecer toda a informação é só clicar aqui.

Aprender com os erros dos outros...

Publicada por José Manuel Dias


Um destes dias, observando o parque automóvel de Luanda dei por mim a questionar-me sobre a racionalidade económica da política de combustíveis de Angola. O parque automóvel da capital angolana é de extremos. Se são os carros velhos que predominam, os que mais impressionam são os jipes de luxo, de preferência último modelo americano com consumos que chegam a ultrapassar os 20 litros aos 100 km. Mas em Angola um carro que gaste muito não constitui problema. Apesar dos sucessivos recordes do preço do petróleo, há muito que o preço oficial da gasolina está “congelado” nos 40 kwanzas por litro, cerca de 33 cêntimos de euro, enquanto o do gasóleo não sai dos 29 kwanzas, pouco mais de 24 cêntimos de euro. A título comparativo, na Europa o preço sem impostos é cerca do dobro do de Angola, o que indicia que os preços angolanos são fortemente subsidiados.Em Angola, o que custa não é o dinheiro que se gasta a atestar o depósito, é o tempo que se demora a abastecer. Na capital escasseiam os postos de comba análise do mercado de combustíveis angolano sugere alguma irracionalidade económica. As autoridades fixam preços demasiado baixos para os combustíveis. Os preços demasiado baixos promovem um consumo desenfreado. O consumo desenfreado é controlado através de barreiras administrativas, que se traduzem, por exemplo, na enorme escassez de postos de combustíveis sendo frequentes as filas nas bombas.
Carlos Rosado de Carvalho, no Diário Económico, aqui.
A avaliar pelo que se vê por aí há muita boa gente que pensa que vive em Angola...


Palavras avisadas

Publicada por José Manuel Dias


A actual crise gerada pelos preços dos combustíveis será a primeira de muitas, não havendo problemas de abastecimento é evidente que o aumento da procura sustenta a especulação. Essa mesma procura é alimentada pelo crescimento das economias emergentes, não sendo previsível nem desejável um arrefecimento dessas mesmas economias.
Portugal não tem petróleo, mas está em excelentes condições para apostar nas economias renováveis. Mais não basta investir em energias renováveis, importa adoptar medidas imediatas e apostar a soluções a médio e longo prazo. Mais do que uma opção, estamos perante um imperativo, uma boa parte do que exportamos destina-se a pagar as importações de crude e essa factura tende a aumentar. Além disso o aumento dos preços dos combustíveis tenderá a reduzir a competitividade das nossas exportações.
O aumento dos preços não tem sido suficiente nem para que haja uma poupança significativa, nem para que os agentes económicos reequacionem as suas opções de investimento. Por isso mesmo, seria um erro grave uma redução fiscal que apenas servisse para estimular ou manter os actuais níveis e padrões de consumo, o que hoje não é economicamente viável com os actuais preços deixá-lo-á de ser mais tarde ou mais cedo. Faz mais sentido usar a política fiscal para penalizar o consumo ineficiente da energia.

A sorte dá muito trabalho

Publicada por José Manuel Dias


Portugal garantiu esta noite o primeiro lugar do Grupo A do Euro 2008, e, por isso, a presença nos quartos-de-final da prova, após a Turquia ter vencido a Suíça por 2-1. Os suíços são a primeira equipa afastada da prova.
A selecção portuguesa é, por sua vez, a primeira a garantir a presença nos quartos-de-final e já não depende do que fizer domingo, frente à Suíça (19h45). Na próxima fase, Portugal jogará no dia 19 (quinta-feira) em Basileia frente ao segundo classificado do Grupo B, que integra Alemanha, Croácia, Polónia e Áustria.
Jornal Público, aqui.

Gabriella Cilmi - Sweet About Me

Publicada por José Manuel Dias

Camiões, partidos e outras coisas mais

Publicada por José Manuel Dias


A violência organizada no espaço público para coagir os que não têm a mesma opinião que nós, contrariando direitos fundamentais protegidos pela Constituição e pelas leis, é um sinal de barbárie. É um sinal daqueles tempos em que mandam os que mais facilmente recorrem à força bruta. E os que gostam de rebanho: os que, a coberto do grupo, mesmo que sejam ovelhas se tornam lobos.O grave é que isto vem sendo tolerado há demasiado tempo. Demasiados anos. Com cumplicidades de todos. Desde os partidos dos extremos do arco parlamentar, que gostam de brincar às revoluções para tentar medrar eleitoralmente.
Porfírio Silva, no Machina Speculatrix
Manuela Ferreira Leite ainda não disse uma única palavra sobre o lock-out das empresas de transporte de mercadorias. Encarregou Jorge Costa, o braço de direito de Valentim Loureiro no Boavista, de fazer, em seu nome, umas declarações absolutamente vergonhosas.
"Há um acordo entre a ANTRAM e o Governo, na sequência de alguns meses (de negociação), porque estes dossiers que estavam em cima da mesa não foram dossiers da última semana. Desde Janeiro que os tínhamos apresentado ao Governo", congratulou-se o presidente da associação dos transportadores portugueses. No entanto, questionado pelos jornalistas sobre a criação do gasóleo profissional, principal bandeira dos camionistas e empresas que saíram para as ruas em paralisação, o presidente da ANTRAM foi claro: "Gasóleo profissional não".
Site da RTP, aqui.

10 de Junho

Publicada por José Manuel Dias

10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas.

Leituras na Rede

Publicada por José Manuel Dias

Educação ou subsídios?

Publicada por José Manuel Dias


A partir do próximo ano lectivo, as escolas abrangidas pelo Plano Tecnológico da Educação terão ligação à Internet em banda larga com velocidade de 48Mbps e um quadro interactivo por cada três salas de aula, objectivos inicialmente previstos para 2010.
"Essas eram metas para 2010, mas vão ser concretizadas já no próximo ano lectivo. Estamos a fazer um esforço considerável para antecipar o cumprimento dos objectivos", afirmou o coordenador do Plano Tecnológico da Educação (PTE), João Trocado da Mata, em entrevista à Agência Lusa.
Fonte Jornal de Notícias, aqui.
Esperemos que os subsídios na calha (para isto, aquilo e aqueloutro) não prejudiquem este propósito.

Rufus, Moby, & Sean Lennon - Across The Universe

Publicada por José Manuel Dias

Intervenções e privilégios

Publicada por José Manuel Dias


O consumidor ou é um empresário ou um proprietário dos meios de produção ou um trabalhador. Ou, como membro de uma família, é sustentado por alguns deles. Por outro lado, todo produtor é, necessariamente, um consumidor. É uma ingenuidade imaginar que uma medida ou política possa beneficiar um sem prejudicar o outro. Na realidade, o que se pode afirmar com certeza é que quase toda medida restritiva traz vantagens para um limitado grupo de pessoas, enquanto que afecta negativamente todas as outras ou, pelo menos, a grande maioria. A intervenção, portanto, pode ser considerada como um privilégio concedido a alguns em detrimento dos demais. Privilégios beneficiam os agraciados e prejudicam os outros membros do sistema. O propósito de um privilégio é beneficiar um limitado numero de pessoas à custa dos que são prejudicados. Se, por hipótese, todos fossem igualmente beneficiados, o sistema de privilégios seria um contra-senso. Na medida em que a protecção tarifária beneficia apenas alguns produtores ou diversos produtores com intensidade diferente, haverá sempre um grupo de privilegiados. Se, entretanto, todos os produtores forem igualmente protegidos, esse tipo de política torna-se auto-destrutiva. Todos perdem, ninguém ganha.

Aprender com os melhores...

Publicada por José Manuel Dias


A Patinter SA, uma das maiores transportadoras rodoviárias europeias, sedeada em Mangualde, ficou fora da acção de protesto iniciada às 00h00 de hoje, por discordar dos argumentos que levaram à sua convocação. "Os argumentos são falaciosos, porque o gasóleo é europeu. Por isso, hoje, estaremos a trabalhar normalmente, se nos deixarem", disse à Agência Lusa Júlio Fernandes, da Patinter, cuja frota ronda os 1500 camiões. A transportadora tem a sede e a sua principal plataforma logística e operacional em Mangualde e conta com delegações em Espanha, França, Alemanha e República Checa. "Nós quase não trabalhamos em Portugal, a nossa maior área de deslocação é o estrangeiro", contou.
"Poderia haver um pequeno ajustamento fiscal, mas não sou apologista de haver gasóleo profissional. Devia antes haver alterações da legislação que levassem a uma harmonização de todos os transportadores. Há uma desregulamentação em termos laborais, mas com isso ninguém se está a preocupar", lamentou.
Fonte, Jornal Público desta data, aqui.
A competitividade das empresas depende de muitos factores. O modo como os recursos são geridos e as respectivas capacidades são desenvolvidas, concorrem para a determinação das competências essenciais que viabilizam o surgimento de vantagens competitivas. As empresas de transporte de mercadorias que se lamentam do preço do gasóleo deveriam interrogar-se sobre as razões do sucesso de outros concorrentes. Aprender com os melhores é, pois, urgente e necessário.

Prioridades...

Publicada por José Manuel Dias


Portugal encontra-se entre os países que apresentam uma maior taxa de jovens como compradores de veículos novos (20 por cento).
Ao contrário da maioria dos países analisados, em Portugal jovens com idades inferiores a 30 anos vêem no carro uma prioridade. Esta situação verifica-se porque os jovens «coabitam mais tempo com os pais, o que lhes permite investir e colocarem o automóvel entre as suas prioridades de equipamento, podendo aceder mais cedo a um veículo novo».
A idade média do comprador é, deste modo, impulsionada para baixo em relação aos restantes países.
Depois queixam-se do aumento dos combustíveis...

Será desta?

Publicada por José Manuel Dias

Era impossível querer um começo de Europeu melhor. Portugal venceu o seu jogo de estreia na competição, fez uma boa exibição e ganhou sem deixar a mais pequena dúvida de que é mesmo candidato a algo. No Público de hoje. Depende de nós acreditar, depende dos jogadores conseguir. Força campeões!

Produtividade e tecnologia

Publicada por José Manuel Dias


O Multibanco permite aos portugueses poupar 190 milhões de horas em filas de espera, o equivalente a 750 milhões de euros por ano, de acordo com a Sociedade Interbancária de Serviços. A estimativa foi hoje divulgada pelo presidente da SIBS, Vítor Bento.
A ida ao multibanco para levantar dinheiro ou efectuar pagamentos - em vez do tempo gasto em filas de espera nos bancos ou noutras empresas - permite aos portugueses poupar 750 milhões de euros por ano, segundo Vítor Bento.
A rede Multibanco conta com 12.800 caixas automáticas em todo o país, tendo registado um total de quase 795 milhões de operações em 2007.
Neste número incluem-se 392 milhões de levantamentos, 255 milhões de consultas e 127 milhões de pagamentos.O Multibanco conta ainda com uma rede de 177 mil terminais de pagamento automático, que em 2007 permitiram realizar mais de 547 milhões de compras, com um preço médio por transacção de 43,9 euros.
Fonte: Semanário Expresso, aqui.
Como é consabido o sistema português da SIBS é considerado um dos mais avançados a nível mundial devido ao elevado número de funcionalidades disponibilizadas nos seus terminais. Um contributo importante para a melhoria da nossa produtividade.

A lição do futebol

Publicada por José Manuel Dias


Pepe não era obrigado a ser português para aceder aos grandes palcos do futebol europeu mas optou por o ser, não era obrigado a falar de Portugal como pátria mas optou por o fazer, não era obrigado a cantar o hino mas optou por o fazer, como defesa não era obrigado a marcar mas tudo o fez para o conseguir.
Um bom exemplo para todos. Se todos os portugueses tivessem o desempenho de Pepe, não nos confrontaríamos como muitos dos problemas que hoje nos preocupam. Fazer mais e fazer melhor exige sacrifício, empenho e determinação, ou, para usar uma linguagem futebolística, alcançar bons resultados implica, muitas vezes, "comer relva".

Robbie Williams live with Joss Stone - Angels

Publicada por José Manuel Dias

Não ceder ao facilitismo

Publicada por José Manuel Dias


"Nos anos 60, Robert Mondavi revolucionou a indústria com uma decisão simples: copiou e aplicou no Vale de Napa o que se fazia na região francesa de Pomerol, o pedaço de vinha com o hectare mais caro de França – 30 milhões de euros. A técnica usada no Pomerol dava vinhos excelentes, como o famoso Pétrus – 600 euros a garrafa. Além da ajuda da geografia, da metereologia e das castas, o Pétrus atingiu o nirvana etílico graças a uma opção de cultivo sem mistério: o espaço entre as videiras foi drasticamente reduzido. Com menos espaço, as plantas passaram a crescer mais preocupadas com a proximidade das rivais. Ficaram neuróticas. Stressadas. Inquietas. No caso das uvas isso é óptimo: uvas pressionadas fazem pela vida, dão frutos ricos e um vinho mais denso, mais encorpado. Produzem menos quantidade e melhor qualidade".
André Macedo conta-nos esta história, no Diário Económico, para tirar uma lição: a concorrência faz bem, até às uvas. E aproveita para deixar um conselho a José Sócrates " agora que pescadores, enfermeiros, funcionários públicos e muitos outros aproveitam para exigir, reclamar e criticar o Governo, Sócrates deveria pensar no exemplo do Pétrus". A vida não está fácil. Analisa depois a actual situação: "o espaço de manobra é reduzido. O período é crítico, o mais crítico deste Governo. Euro alto, petróleo no zénite, preços da comida a subir, exportações a cair, investimento directo estrangeiro a derrapar e um clima social de cortar à faca" e conclui " o momento é mau e só há uma saída: Sócrates terá de acreditar que até ao lavar dos cestos há governo. É tempo de convicções fortes, não de facilitismo".