Aprender compensa

Publicada por José Manuel Dias


Qualificar um milhão de trabalhadores portugueses até 2010 é um objectivo ambicioso deste Governo, que se encontra expresso no Programa Novas Oportunidades. A materialização deste objectivo não depende apenas da vontade dos agentes políticos, depende, em primeira linha, de todos aqueles que, por razões diversas, abandonaram o normal percurso escolar. O défice da educução é o mais problemático de todos. As estatíticas estão aí para nos recordar: 75% da população activa não tem o 12º ano de escolaridade e, entre os jovens na faixa etária de 18-24 anos, pouco mais de metade tem, no mínimo, o 12º ano, enquanto a média dos países da OCDE se cifra em 70%. Ninguém de bom senso questiona a oportunidade e a premência desta medida.
Uma das estratégias seguidas - a par do incremento dos cursos profissionalizantes - é reforçar e consolidar os Centros de Validação e Certificação de Competências (CRVCC), valorizando as capacidades adquiridas com a experiência. Notícias como esta, publicada no Diário de Aveiro de hoje, atestam que estamos no bom caminho.
"Durante a cerimónia de ontem foram entregues 97 certificados de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e 50 computadores portáteis. O ministro dos Assuntos Parlamentares aproveitou também para sublinhar a importância da formação «na vida pessoal e profissional» e relembrar a sua própria ligação à educação. Augusto Santos Silva salientou ainda o papel atribuído a este tipo de cerimónia, defendendo que estas funcionam como uma situação de compromisso, incitando os formandos a continuar a sua formação. "
A notícia desenvolvida pode ser lida aqui.

Sugestões de leitura

Publicada por José Manuel Dias

Trinta e três anos depois...

Publicada por José Manuel Dias


Portugal mudou muito desde o 25 de Abril de 1974. Mudanças que foram ocorrendo ao longo das últimas décadas sem que se tenha, em muitos casos, uma noção da sua amplitude e profundidade. Alguns dias atrás, numa roda de amigos, alguém perguntou: será que hoje se vive melhor do que se vivia antes da Revolução dos Cravos? Uma pergunta que suscitou várias respostas que entrocaram numa ideia simples. Portugal é hoje um país como os outros ( da Europa ) e não se vive melhor, vive-se muito melhor. É certo que as desigualdades são grandes, mas todas as classes sociais viram aumentar os seus níveis de conforto.
Estas conclusões podem suportar-se em dados objectivos que ainda foram recentemente tratados na série da RTP-1 "Portugal um Retrato Social", da responsabilidade do sociólogo António Barreto. Os vídeos da série podem ser vistos aqui. Um retrato da sociedade e dos portugueses na actualidade. Imperdível.
Atrevemo-nos, entretanto, a seleccionar algumas das mudanças registadas e que tão bem são apresentadas na série. António Barreto compara Portugal de hoje com o dos anos 60, e anota:
1) População: saíram 2,5 milhões mas entraram 1,5 milhão. De um país de emigração Portugal passou para um país de imigração.
2) A esperança de vida conheceu um aumento impressionante: nos homens passou de 60 anos para 74, nas mulheres de 65 para 80.
3) A mortalidade infantil caiu de 80 mortos por mil para quatro por mil. É a quarta taxa mais baixa do Mundo!
4) Há 30 anos apenas 15% das mulheres eram activas, hoje são mais de 50%.
5) A população na agricultura passou de 40% para 5%.
6) As pessoas movimentavam-se pouco. Era tudo muito longe. Com a explosão das infraestruturas, Portugal tornou-se um país pequeno em tempo e espaço.
7) Portugal passou a ter um serviço de saúde universalizado.
8) Generalizou-se o acesso à educação e reduziu-se de forma expressiva o analfabetismo.
9) Universalização da segurança social.
10) Ciclo de melhoria das infra estruturas colectivas (esgotos, água, electricidade, estradas, pontes, etc). As condições de vida melhoraram de forma espectacular.
11) Nas últimas três décadas assistiu-se a uma melhoria expressiva dos padrões de consumo, rendimento e bem estar.

Eduardo Prado Coelho

Publicada por José Manuel Dias


Faleceu hoje, na sua residência em Lisboa, Eduardo Prado Coelho. Autor de uma vasta bibliografia universitária e ensaística, onde se destacam um estudo de teoria literária «Os Universos da Crítica», vários livros de ensaios «O Reino Flutuante», «A Palavra sobre a Palavra», «A Letra Litoral», «A Mecânica dos Fluidos» e «A Noite do Mundo». Os dois volumes de um diário «Tudo o Que Não Escrevi» mereceram o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores.
Deliciei-me com muitas das suas crónicas, primeiro no extinto semanário "O Jornal" e mais tarde no "Público". Portugal ficou mais pobre, perdeu um importante vulto da sua cultura. Há cerca de um ano Eduardo Prado Coelho deu uma entrevista à revista "VIsão" que vale a pena reler, aqui.

Leituras numa tarde de férias

Publicada por José Manuel Dias

Mil Milhões

Publicada por José Manuel Dias


... é o valor de cobrança coerciva alcançado pela Administração Fiscal desde 1 de Janeiro de 2007. A melhoria verificada na eficiência fiscal é inquestionável. Se todos pagarem o que devem pagar, todos pagaremos menos. Estamos no bom caminho...já ninguém se gaba de fugir ao fisco. Mais receita, menos despesa e o défice vem diminuindo.
A notícia desenvolvida pode ser vista aqui.

22.222

Publicada por José Manuel Dias

Chegámos hoje a este número: 22.222 visitas. Ficam para trás 492 dias, 332 posts e centenas de comentários. 22.222 é um número como outro qualquer mas ganha neste espaço um significado especial. É o número que serve de pretexto para agradecer a todos os que por aqui passam.
Sem a vossa participação este espaço não seria um blogue. Seria apenas um amontoado de letras e imagens. Obrigado a todos.
Leituras antigas:

Quem disse? E quando?

Publicada por José Manuel Dias


"Não podemos continuar a pagar cada vez mais pela nossa administração pública e a receber cada vez menos.
É tempo de mudar radicalmente o modo como a administração pública funciona - passando da burocracia hierarquizada para uma administração pública empreendedora que devolva poderes aos cidadãos e às comunidades para mudar o país de alto a baixo.
Temos de recompensar as pessoas e as ideias que dão resultados e pôr de lado as que não funcionam."

Plano Tecnológico da Educação

Publicada por José Manuel Dias


Resolução do Conselho de Ministros (*) aprovou o Plano Tecnológico da Educação. O Objectivo é colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados ao nível da modernização tecnológica do ensino. Foram definidos os seguintes objectivos para o período 2007-2010:
Atingir o rácio de 2 alunos por computador com ligação à Internet;
- Garantir em todas as escolas o acesso à Internet em banda larga de alta velocidade de, pelo menos, 48Mbps;
- Cartão electrónico para todos os alunos;
- Massificar a utilização de meios de comunicação electrónicos, disponibilizando endereços de correio electrónico a 100% de alunos e docentes;
- Assegurar que 90% dos docentes vêem as suas competências TIC certificadas;
- Certificar 50% dos alunos em TIC.
Um instrumento estratégico para a modernização das escolas e para a melhoria da qualidade do ensino. Necessário mas não suficiente. O mais difícil depende das pessoas: empenho e determinação, aliado ao gosto pela profissão e à vontade de aprender. Uns saberão tirar partido destas novas oportunidades, outros, como já é habitual, lamentar-se-ão da "falta de condições" ou desvirtuarão os propósitos do Plano. É a vida, como disse o outro. Uma coisa é certa: na sociedade do futuro "só o excelente é suficiente" e os que negligenciarem este facto terão, a prazo, o mesmo destino dos dinossauros.
(*) de 16 de Agosto de 2007

Nuvens no horizonte

Publicada por José Manuel Dias


A crise que se vive desde 9 de Agosto, no mercado de crédito não pode deixar de suscitar preocupação por parte de todos nós, por ser indiciadora de alguma fragilidade do sistema financeiro internacional. Hoje ninguém sabe dizer, com rigor, qual é a amplitude dos riscos em que incorremos, tal é a teia de ligações entre os Bancos dos vários países (1). Uma coisa parece, no entanto, certa: alguns Bancos tomaram riscos que não deviam e, agora, os Bancos Centrais são chamados a intervir porque "os bancos não podem falir".
Tudo indica que esta crise conduzirá ao reforço da análise do risco dos clientes e à incorporção de um "prémio de risco" superior na definição do "pricing" do crédito. É de esperar, assim, que os 'spreads' se alarguem ajustando-se ao perfil de risco do respectivo utilizador, na linha,de resto, do preconizado por Basileia II.
Silva Lopes, antigo Governador do Banco de Portugal , é de opinião que "Esta é a maior crise financeira dos último anos". A entrevista concedida hoje ao Diário Económico pode ser lida aqui.
(1) Os efeitos do aumento do crédito malparado no segmento de 'subprime' - clientes de alto risco - nos Estados Unidos está aparentemente a desestabilizar mais o mercado do crédito na área do euro. A lista de instituições que vêm a terreiro afirmar que estão expostas ao crédito hipotecário norte-americano de alto risco não pára de crescer.

Miguel Torga

Publicada por José Manuel Dias


Assinala-se hoje o centenário do nascimento de Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia Rocha. Poeta, ensaísta, dramaturgo, romancista e contista, foi proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978).

Segredo

Sei um ninho
e o ninho tem um ovo;
e o ovo, redondinho,
tem lá dentro um passarinho novo.
Mas escusas de me tentar:
nem o tiro nem o ensino;
quero ser um bom menino,
e guardar este segredo comigo,
e ter depois um amigo
que faça o pino a voar.

Férias - tempo de praia

Publicada por José Manuel Dias





Concentração

Publicada por José Manuel Dias


Um homem, conhecido pela sua capacidade em subir às árvores, ajudava alguém a subir a uma árvore muito alta. Mandou o indivíduo cortar os ramos da copa e, nesse momento aparentemente tão perigoso, não disse nada. Foi só quando o sujeito começou a descer e chegou à altura dos beirais que o especialista gritou: «Cuidado! Veja onde põe os pés ao descer!». Eu perguntei-lhe: «Porque disse aquilo? Naquela altura podia saltar se quisesse». « É essa a questão» disse o especialista. « Quando ele estava lá em cima, a uma altura estonteante, e os ramos ameaçavam quebrar-se, o seu medo era tão grande que não disse nada. Os erros são cometidos quando as pessoas chegam aos lugares fáceis .»
Era um homem simples mas as suas palavras estavam de acordo com o ensinamento dos homens sábios.
Retirado de Ensaio sobre o ócio, Kenko, Japão, século XIV

The Simpsons

Publicada por José Manuel Dias

Os Simpsons é uma série de desenhos animados que retrata o quotidiano de uma família americana. Criada por Matt Groenning para a Fox, foi exibida pela primeira vez em 1989. Através dos protagonistas Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie, o programa faz críticas ao comportamento humano, à sociedade e ao modo de vida americano.
Esta série foi adaptada para o cinema e é já um dos maiores sucessos de bilheteira do ano. No Simpsons - o filme, Homer necessita salvar o mundo de uma catástrofe que ele próprio criou. Um filme de família, numa versão dobrada em português, que lança sérias interrogações sobre o comportamento humano e que, ao mesmo tempo,nos propicia umas boas gargalhadas.
Existe um debate em curso sobre a natureza da ideologia dos protagonistas e do seu autor. Será, como alguns dizem, uma família da direita? Uma família liberal como outros argumentam? Ou uma família de esquerda como outros alegam?
Pela minha parte, não estou suficientemente habilitado para responder mas sempre posso registar a informação da National Review (*) : «Os Simpsons personificam alguns dos melhores princípios conservadores, como o primado da família ou o cepticismo em relação à autoridade política. E em Springfield, os cidadãos vão à missa todos os domingos.» Homer Simpson não tardou em responder: «Não sou má pessoa. Trabalho no duro, amo os meus filhos… porque é que devo gastar metade do meu domingo a ouvir sermões sobre o modo como vou acabar no Inferno?»
Do filme, visto no sábado passado na companhia dos meus filhos, evidencio a denúncia da predação ecológica, a estupidez republicana, personificada por Schwarzenegger no papel de Presidente, e o traço comum a toda a série: um sentido de humor apurado. As gargalhadas não têm ideologia...
Citado pelo Expresso de 28 de Julho

Cuidados de Verão

Publicada por José Manuel Dias


Todos os dias a minha estação de rádio favorita alerta para o envelhecimento prematuro da pele, queimaduras solares e, principalmente, o cancro da pele: "deve evitar a exposição solar entre as 11,00 horas e as 16,00 horas".
Fico, por isso, surpreendido com o elevado número de pessoas que chega à praia por volta das 11,00 horas. Será que o calor em excessso as torna irresponsáveis? Será a euforia das férias? Ou será uma qualquer outra razão que não descortino? Alguém terá outra explicação que queira partilhar connosco?
É consabida a importância de se beber 1,5 a 2 litros de água por dia, para compensar a desidratação, mas o que vemos? A larga maioria das pessoas a tomar bebidas alcoólicas ou refrigerentes. Devemos dar preferência a alimentos naturais, frescos e de fácil digestão como sejam as frutas, verduras, legumes, cereais, peixe, carnes magras, leite meio gordo, iogurtes e sumos naturais mas muitos tentam-se por carnes gordas, enchidos, salsicharias, queijos frescos, bivalves, mariscos, esquecendo-se que a proliferação bacteriana é mais intensa com o calor.
Cabe aqui recordar que "saúde é um estado de bem estar físico, psíquico e social e não só o estado de ausência de doença" e que a saúde está directamente ligada ao nosso estilo de vida.
Tenham umas boas férias!

Paulo Macedo (*)

Publicada por José Manuel Dias


No final da sua comissão de serviço, Paulo Macedo afirma que a sua principal preocupação desde 2004, altura em que assumiu a responsabilidade de Director Geral de Contribuições e Impostos, foi nomear as pessoas certas.
Da entrevista publicada este sábado no Expresso, cuja leitura deve suscitar, a nosso ver, uma reflexão aprofundada, seleccionamos:
"P - A lei que limita os salários na administração pública não vai impedir a contratação de mais "Paulos Macedos"?
R - O ministro das Finanças disse que era uma queatão que devia ser analisada no futuro.
P - Mas concorda com esta lei?
R - Não. Mas estou mais preocupado com a enorme quantidade de qualidade que a administração pública tem e que frequentemente não reconhece como devia. Há uma total inversão ao nível das remunerações da administração pública: os piores ganham o que nunca ganhariam no privado e os melhores ganham muitíssimo menos do que deveriam."
(*) Licenciado em gestão, 44 anos, quadro do Millennium Bcp, 3 anos de mandato como responsável da DGCI, trabalhou com 4 Ministros das Finanças

Leituras numa tarde de Verão

Publicada por José Manuel Dias

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias


Teodora Cardoso, prestigiada economista, defende, em artigo de opinião no Jornal de Negócios desta data, que estamos a assistir em Portugal a uma " mudança estrutural" . Um texto a merecer devida reflexão e do qual seleccionamos, para aguçar o apetite pela leitura, os seguintes excertos:
" A economia portuguesa está a mudar na direcção certa, com base no seu próprio esforço de adaptação e não só no acesso a fundos externos e a endividamento, como sucedeu na década de 90. O crescimento e a diversificação das exportações, o abrandamento das importações, ...
(.../...)
Não admira, nestas condições, que a opinião pública esteja mais consciente dos aspectos negativos da evolução – exemplificados pela persistência do desemprego, pela quase estagnação do consumo, ou pela correcção das expectativas quanto à evolução da idade da reforma e do valor das pensões – do que do seu lado positivo. As reformas necessárias em áreas chave das políticas públicas, como a educação (desde o ensino básico às universidades), a formação profissional, a saúde ou a segurança social tendem a acentuar essa percepção negativa, não porque reduzam a qualidade dos serviços prestados, mas porque – exactamente para a melhorar – são obrigadas a inverter o facilitismo que caracterizou o período de abundância financeira.
(.../...)
É certo que Portugal está a tornar-se num país mais liberal. Resta reconhecer que essa é uma evolução positiva, mas que tem que impôr-se a interesses enraizados e a preconceitos ainda mais enraizados, de esquerda e de direita. "
A entrega de um exemplar deste artigo, versão integral pode ser vista aqui, a todos os sindicalistas, empresários, jornalistas, políticos e fazedores de opinião, constituiria, a nosso ver, um excelente acto de serviço público. Portugal ficaria a ganhar.

Férias repartidas

Publicada por José Manuel Dias

Fui ali e já voltei. Quatro dias de férias, longe do bulício da cidade. Sem relógio, sem telemóvel, sem jornais. O Parque da Peneda-Gerês tem paisagens de beleza impressionante, entre serras, planaltos, vales, barragens e cascatas. É considerado um verdadeiro santuário da vida selvagem. Estão referenciadas mais de 600 espécies de flora (pinheiros, castanheiros, carvalhos, etc...) e cerca de 230 de fauna (veados, cavalos selvagens, lobos, aves de rapina, etc...). Caminhadas (existem excelentes sugestões para percursos pedestres). Leituras (já programadas) à sombra de um castanheiro e com vista para a barragem. Excelente gastronomia (o cabrito assado ou a vitela barrosã assada na brasa). Artesanato (cestaria, bordados). Um encontro com a história. Momentos únicos. Fotografias para mais tarde recordar. Regresso pleno de energia e de boa disposição. Vale a pena visitar o Gerês.


Só podemos concordar...

Publicada por José Manuel Dias


... com a ideia do Governo em extinguir 1.473 carreiras na função pública, integrando os trabalhadores em apenas 3 novas carreiras criadas no âmbito da reforma da Administração Pública. Para se inteirar, com mais desenvolvimento, pode ler:
Um objectivo ambicioso que vai, ainda, fazer "correr muita tinta" e arrastar as habituais contestações. É, no entanto, de grande utilidade para concretizar uma ideia velha de décadas mas de materialização premente - Menos Estado e melhor Estado.



De tudo ficaram 3 coisas:

Publicada por José Manuel Dias


a certeza de que estamos sempre começando...
a certeza de que é preciso continuar...
a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
PORTANTO DEVEMOS
fazer da interrupção um caminho novo...
da queda um passo de dança...
do medo, uma escada...
do sonho, uma ponte...
da procura... um encontro

Fernando Pessoa (1888,1935), considerado um dos maiores poetas portugueses. Quem desejar saber mais pode espreitar aqui.

Ambição para a excelência

Publicada por José Manuel Dias


Numa Europa a 25, numa matriz estratégica onde os quadros regionais se irão impor de forma progressiva, Portugal tem de saber combater a sua periferia e as desvantagens que tendencialmente tem, e apostar nas oportunidades da sociedade de conhecimento como imagem dum território com níveis de implantação de capital social distintos.
O conhecimento será a nova marca do território português, instrumento que universidades e centros de inovação devem utilizar de modo prático, estruturado, flexível e adaptado a novas dinâmicas da evolução da economia global e da economia de proximidade, com ênfase na endogenização estratégica das TIC e na criação e alavancagem de valor. Trata-se de um processo que combina eficiência, inovação e cooperação.
Ao definir-se esta visão estratégica para o nosso país e ao identificar-se o papel do ensino superior, somos levados a concluir que chegou o momento do poder político assumir a liderança democrática através de um modelo conceptual e participativo.
Como seu motor está Declaração de Bolonha, entendida em toda a sua plenitude organizacional, científica e pedagógica, comênfase na aprendizagem.
Retirado de "Ambição para a Excelência - a oportunidade de Bolonha", José Veiga Simão, Sérgio Machado dos Santos e António Almeida Costa, Gradiva, Lisboa (2005)

O Blogue que dá dinheiro...

Publicada por José Manuel Dias



Um artigo claro e útil, de Marta Dhanis, que pode se lido aqui, onde se explica, de forma detalhada, como se pode rentabilizar um blogue. Uma nova era no domínio da comunicação foi aberta. O marketing não negligencia nenhum canal de comunicação. Estamos a assitir a uma mudança da comunicação de massas para a comunicação escolhida por cada um de nós. Os marketeers não andam distraídos... Fica, agora, ao critério de cada um explorar (ou não) esta oportunidade de negócio.

Democracia, Privilégios e Impostos

Publicada por José Manuel Dias


"No Estado democrático moderno, a política não é um confronto entre duas classes económicas polarizadas, mas antes uma luta entre numerosos grupos com interesses divergentes."
Dennis C. Mueller, Public Choice III

Quem leia este texto pode ficar com dúvidas sobre a sua aderência à nossa realidade. Será mesmo assim? Será que existem grupos que procuram disputar os privilégios propiciados pelo Estado, estruturando-se de uma forma organizada? Será que o Estado corre risco de ficar prisioneiro de determinados interesses? Se um Partido para se manter no poder precisa de votos não será melhor ceder às exigências desses grupos de pressão? Que denominador comum têm esses grupos? Se as suas vontades forem satisfeitas qual é o impacto na despesa pública? E quem suporta a despesa pública? Qual será o Governo que melhor serve os cidadãos: o que cede às exigências ou o que procura eliminar privilégios e introduzir critérios de racionalidade na despesa pública? Como se poderá diminuir os incentivos à pressão dos grupos para extrairem do Estado mais privilégios? Numa rápida busca, através do Google, identificámos um conjunto de casos que podem servir para ilustrar o nosso raciocínio. Se o Governo anuisse a tudo o que os "grupos de pressão" exigem qual seria a taxa de impostos que teríamos que suportar para fazer face ao acréscimo de despesa pública?

A corrupção e a democracia

Publicada por José Manuel Dias


Os homens são atormentados pelo pecado original dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio. Alguns homens têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm. Tem havido corrupção sob todo o sistema de governo. A corrupção sob o sistema democrático não é pior, nos casos individuais, do que a corrupção sob a autocracia. Há meramente mais, pela simples razão de que onde o governo é popular, mais gente tem oportunidade para agir corruptamente à custa do Estado do que nos países onde o governo é autocrático. Nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é compartilhado entre poucos. Nos estados democráticos há muito mais pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas. A experiência demonstrou que o governo democrático é geralmente muito mais dispendioso do que o governo por poucos.
Aldous Huxley (1894-1963), in "Sobre a Democracia e Outros Estudos"
O texto supra caracteriza, de forma muito clara, um dos maiores problemas das democracias. O Grupo de Trabalho sobre Corrupção da OCDE, no âmbito das avaliações periódicas, recomendou a Portugal que seja mais pró-activo na detecção, investigação e procedimento judicial relativo à corrupção, bem como a adopção de medidas no sentido de rejeitar e proibir as despesas não documentadas e as despesas confidenciais, de modo a reforçar a competência da administração fiscal na detecção de situações de corrupção.
Neste enquadramento o Guia de Boas práticas " Prevenir a Corrupção» editado pelo Ministério da Justiça (ver aqui), tem de ser considerado como uma iniciativa meritória por «fornecer aos cidadãos informação acessível e clara que os habilita a participar em melhores condições na luta contra a corrupção».

Ler os outros....

Publicada por José Manuel Dias

Parcerias Público-Privadas

Publicada por José Manuel Dias


PPPs (Parcerias Público Privadas) é uma palavra que entrou para o vocabulário dos agentes políticos e que muita gente usa de forma inapropriada. A pedido de um amigo, deputado municipal num concelho vizinho, tentaremos fazer, neste post, um breve enquadramento deste conceito.
O termo - Parcerias Púbico- Privadas - é, no seu sentido mais abrangente, uma qualquer forma de relação contratual, de associação ou colaboração, entre uma ou mais entidades públicas e uma ou mais entidades privadas. Neste sentido existem parcerias desde tempos imemoriais...Usado, no seu sentido mais restrito, tem, no entanto, um significado diverso: contrato entre os sectores público e privado, com objectivos partilhados, para a entrega de infra-estruturas e/ou para o provimento de serviços públicos, articulando a concepção, o projecto e a construção com o financiamento, a exploração e a manutenção. Este conceito ganha corpo doutrinário a partir dos anos 80, em particular no Reino Unido, com Major e depois com Tony Blair, em resultado da contestação ao aumento da carga fiscal para fazer face à despesa pública.
Constituem objectivos genéricos das PPP´s :
superar constrangimentos orçamentais, reduzir o peso do sector público na economia, melhorar as práticas de contratação pública, dar resposta às crescentes necessidades de investimento público e obter "Value for Money" ( ganhos de eficiência e eficácia).
Quem quiser saber mais pode ver aqui, ali e acolá.

Ética vista por...

Publicada por José Manuel Dias


A. FRANCE
A virtude está no esforço.
J. W. VON GOETHE
É fácil pensar, é difícil agir, mas agir segundo o próprio pensamento.
E. KANT
Age como se fosses cidadão e legislador ao mesmo tempo.
A. MALRAUX
Há algo maior do que o poder, que se chama justiça.
MONTESQUIEU
A liberdade é o direito de fazer as coisas que as leis permitem.
PITÁGORAS
Moderação chamo eu ao que de modo nenhum entristece.
SÉNECA
Possuir um bem, sem o partilhar, não tem qualquer atractivo.
W. ALLEN
O homem explora o homem e por vezes é o contrário.
J. J. ROUSSEAU
Ninguém quer o bem público que não está de acordo com o seu.

Só más notícias...(*)

Publicada por José Manuel Dias

Projectos, projectos, projectos...

Publicada por José Manuel Dias


Projecto é...
Qualquer coisa que tem princípio meio e fim.
A concretização de uma ideia.
Um esforço para atingir um objectivo.
Uma forma única para alcançar objectivo único.
Um esforço organizado que requer tempo, recursos e uma forma organizativa e implica um custo ou um investimento.
Ou conforme
EDI ( Economic Development Institute)
Projecto é um esforço humano, organizado e temporário no sentido de concretizar uma solução para uma necessidade previamente identificada (ou problema, ou oportunidade).
PMI (Project Management Institut)
Projecto é um esforço organizado e temporário que visa a concretização de um objectivo com carácter único e específico.

Leituras de domingo

Publicada por José Manuel Dias

Portugal é o terceiro país que mais cresce (*)

Publicada por José Manuel Dias


Até final da próxima década, a economia portuguesa vai ser uma das mais dinâmicas da zona Euro e vai convergir com os seus parceiros europeus. Estas são as conclusões de um estudo efectuado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) dos Estados Unidos que coloca Portugal como a trigésima primeira economia mais dinâmica num conjunto de 90 países.
Estes dados, elaborados por um conjunto de quatro economistas da Universidade de Harvard, reforçam o optimismo dos portugueses e estão em linha com as últimas previsões do Banco de Portugal.
(*) até 2020
Fonte: Caderno de Economia, do semanário "Expresso", desta data

O futuro dos sindicatos ou os sindicatos do futuro

Publicada por José Manuel Dias


Manuel Carvalho da Silva doutorou-se em Sociologia com louvor, distinção e unanimidade. A sua tese “Centralidade do Trabalho e Acção Colectiva – Sindicalismo em Tempo de Globalização” foi defendida, ontem, no ISCTE, perante uma assistência que incluía, entre outras personalidades, Mário Soares, Maria de Belém, Silva Peneda, João Salgueiro, Silva Lopes e Vital Moreira. A notícia em detalhe pode ser lida aqui.
"Os sindicatos estão desafiados a ter futuro" é a frase final do trabalho do actual Secretário Geral da CGTP. O papel dos sindicatos na sociedade pode ser mais relevante. Importa, no entanto, que o seu modelo de funcionamento interno e os objectivos que perseguem sejam ajustados aos novos tempos. Carvalho da Silva deu, com o seu percurso, um bom sinal para todos. O mundo está mais exigente, cada um deve procurar, ao seu nível, ser mais qualificado. A excelência deve ser perseguida e os mais capazes devem ser premiados em resultado do seu contributo para os resultados.
O futuro vai dar-nos resposta à nossa dúvida: o sindicalista doutorado vai ajudar a mudar o tipo de acção dos sindicatos ou, por força dessa intenção, vai, pelo contrário, ser mudado, deixando o seu lugar de dirigente, para que tudo fique na mesma?

John Kotter

Publicada por José Manuel Dias


John Kotter é professor de Comportamento Organizacional e Recursos Humanos, na Harvard Business School, especialista em liderança, cultura organizacional e gestão de mudança.
O livro A force for Change (1990), é uma das obras de referência, no estudo do fenómeno das lideranças. De acordo com com Kotter um líder, para produzir a mudança, deve focalizar-se em três áreas:
- estabelecer a direcção estratégica da empresa;
- comunicar essas metas aos recursos humanos;
- motivá-los e inspirá-los para que sejam cumpridas.

Boletim de Verão

Publicada por José Manuel Dias


O Banco de Portugal divulgou ontem o Relatório Anual (2006) e o Boletim Económico, este com reajustamentos na projecção de crescimento para este ano e revisão para 2008. Releva-se o cenário ligeiramente mais positivo de andamento da economia portuguesa e o relançamento do investimento. Prevê-se que a economia nacional cresça 1,8% este ano, acelerando para 2,2% em 2008. No que concerne às exportações prevê-se a continuidade de ganhos de quota de mercado em linha com a criação de um modelo produtivo mais saudável.
Nada que justifique notícia...

James S. Taylor

Publicada por José Manuel Dias


James S. Taylor, Professor Catedrático Visitante, da Universidade de Aveiro faleceu. Foi com profundo pesar que tomei conhecimento do mail que me dava nota deste facto. Ontem, depois das cerimónias fúnebres na capela do Corpo Santo em Leça da Palmeira, o corpo foi transportado para o Cemitério do Prado do Repouso para ser cremado.
Fui seu aluno na disciplina de "Gestão de Pessoas, da Mudança e Inovação". Registo a qualidade de comunicação, o tom de voz sempre sereno e pausado, a empatia estabelecida com os alunos, os desafios à nossa participação, a paciência com que nos " ouvia" e as sugestões que me deu para melhoria do "paper" .
Presto a minha homenagem ao Professor e aqui deixo o meu testemunho de profundo apreço pelo seu trabalho. Seleccionei dois dos seus pensamentos favoritos:
um, "If you think something can´t be done, stay out of my way while I do it!"; e o outro que fez questão de sublinhar "A thought to keep with you...":
“You can wait for someone else to make a difference, or you can step up and act. Someone is going to have to initiate change or our world as we know it will be in jeopardy. Innovation & change will be the decisive factors in the future.”
A Universidade de Aveiro ficou mais pobre mas o Professor James Taylor será sempre recordado, com admiração, pelo muito que nos ensinou.

Quadro de Referência Estratégico Nacional

Publicada por José Manuel Dias


Foi publicada em 3 de Julho p.p. , no DR 126 SÉRIE I de 2007-07-03, a Resolução do Conselho de Ministros de 86/2007, da Presidência do Conselho de Ministros, que aprova o Quadro de Referência Estratégico Nacional para o período 2007-2013 (QREN).
O Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) assume como grande desígnio estratégico a qualificação dos portugueses e das portuguesas, valorizando o conhecimento, a ciência, a tecnologia e a inovação, bem como a promoção de níveis elevados e sustentados de desenvolvimento económico e sócio-cultural e de qualificação territorial, num quadro de valorização da igualdade de oportunidades e, bem assim, do aumento da eficiência e qualidade das instituições públicas.
O QREN deverá permitir um investimento de 45 mil milhões de euros na economia portuguesa, repartidos entre fundos comunitários e nacionais. Mais fundos, implicará maior desenvolvimento económico e social? O futuro dirá... Os grandes objectivos estão bem enunciados, falta o mais difícil, concretizá-los.

7 Wonders of the World

Publicada por José Manuel Dias


A Grande Muralha da China, o Taj Mahal (Índia) , o Cristo Redentor (Brasil), Petra (Jordânia), a cidade inca Machu Picchu (Perú), o Coliseu de Roma (Itália) e a pirâmide de Chichén Itzá, localizada na península de Yucatán, no México, foram eleitas como as 7 Maravilhas do Mundo.
A cerimónia de atribuição dos prémios teve ontem lugar, em Lisboa, (dia 7 do mês 7 do ano 2007), e foi assistida por várias dezenas de milhares de pessoas nas bancadas e por 1,6 mil milhões de telespectadores em mais de 170 países.
Portugal foi alvo de uma homenagem com a exibição de diversos vídeos alusivos à nossa cultura. Mariza, Carlos do Carmo, Rui Veloso e Camané foram os representantes nacionais na música. Realce, também, para a participação de Dulce Pontes ao lado do tenor José Carreras no tema One World, um símbolo da aproximação entre povos.
Este evento, com grande repercussão em todo o mundo, não deixará de dar um forte contributo para o sector do turismo que, já hoje, representa cerca de 7% do nosso PIB, absorvendo quase 10% do emprego. São considerados factores-chave da atracção de Portugal como destino turístico, o agradável clima português e a beleza da sua costa marítima de 1.792 km. Acresce que a paisagem do litoral e do interior, a cultura, os monumentos e locais históricos, o ambiente hospitaleiro, as infra-estruturas para a prática de desportos náuticos e radicais, e sobretudo do golfe, bem como o nível da hotelaria são aspectos importantes na qualidade do turismo em Portugal.
As receitas de turismo têm registado acréscimos nos últimos anos, tendo chegado a 2005 com 6,4 mil milhões de euros, um incremento de 1,1% em relação ao ano anterior. O Plano Estratégico Nacional de Turismo prevê a criação de medidas para aumentar, qualificar e diversificar a procura de turismo em Portugal, no sentido de captar fluxos turísticos acima da média europeia e reforçar a receita média por turista/dia.
Portugal está em 19º lugar no "ranking" dos principais destinos turísticos, com 11,6 milhões de turistas. Iniciativas como esta contribuirão, seguramente, para a melhoria da nossa posição.
Fontes : Diário de Notícias, Diário Digital e ICEP

Diz quem sabe

Publicada por José Manuel Dias


O Relatório do FMI sobre a economia portuguesa elogia as políticas desenvolvidas pelo Governo de José Sócrates. " A economia recupera finalmente " diz o FMI mas "a situação económica subjacente continua a ser um desafio". Um desafio que não é fácil de vencer. A redução do défice público pode ajudar mas não basta. O problema é mais complicado. O FMI sintetiza:
"Embora estejam a ser realizados progressos, o crescimento da produtividade continua desafasado, a perda de competitividade não foi recuperada e ainda regride o processo de convergência do rendimento com a UE. Na sua raiz, os desafios que se colocam a Portugal resultam de níveis baixos de capital humano, de investimento em I&D e de penetração de TIC mas também de deficiências no ambiente empresarial, na concorrência insuficiente nos mercados internos e na rigidez do mercado de trabalho".
Existe muito boa gente a opinar sobre o que não sabe, seria bem melhor "fazer o trabalho de casa" e, só depois, criticar o desempenho do Governo. Faz falta uma oposição capaz de discutir estratégias e políticas. Uma oposição que não se limite ao "fait divers" e que obrigue o governo a governar melhor. Os portugueses agradecem.

Citações escolhidas

Publicada por José Manuel Dias


1. Há duas maneiras de viver a vida. Uma como se nada fosse milagre. Outra como se tudo fosse milagre.
Albert Einstein
2. Não são as coisas que nos inquietam, só as opiniões que temos delas.
Epitecto
3. Gostamos mais da luta do que do triunfo.
Alfred de Musset
4. O homem é escravo das palavras que diz e mestre das que cala.
Casamayor
5. Falar é uma necessidade. Escutar um talento.
A. Gide

5 Leituras

Publicada por José Manuel Dias


O Porfírio Silva, do Máquina Especulativa, lançou-me um desafio: dar a conhecer 5 livros a que tenha dedicado particular atenção, no passado recente. Antes de o fazer, gostaria, no entanto, de agradecer este repto, vindo de um amigo de longa data e que muito estimo. É uma oportunidade para reflectir sobre o que li e, de entre várias alternativas, escolher aqueles que, por razões diversas, justificam particular interesse.
1. A Minha Vida, de Bill Clinton, da Temas e Debates, é um livro que se vai lendo. Nas suas quase mil páginas, o antigo presidente da nação mais poderosa do mundo, conta-nos o seu percurso até à Casa Branca. Os sonhos da juventude, o encontro com a política, as batalhas eleitorais, os oitos anos da presidência, os reveses, os escândalos. A vida de um homem que marcou uma época.
2. Predadores, de Pepetela, Prémio Camões de 1997, da Dom Quixote. Um romance que se lê num "abrir e fechar de olhos" . Somos conduzidos a uma Angola pós Independência. Uma época, onde o oportunismo permite escalar os degraus da política e da finança, com o intuito de conseguir benefícios próprios e para a família.
3. O Sentimento de Si, de António Damásio, das Publicações Europa América que tenta dar resposta a questões tão simples como esta: como é que chegamos ao saber? Uma leitura fascinante.
4. O que é a Escolha Pública? De José Manuel Moreira e André Azevedo Alves, da Principia. Um livro que devia ser de leitura obrigatória para todos os políticos e candidatos a políticos. As falhas do mercado exigem novas respostas que evitem o repetir de erros do passado. Neste livro, os autores explicitam a" teoria da escolha pública" que consiste, em termos gerais, na "aplicação da análise económica à política".
5. European Dawn After the social model, de Johnny Munkhammar, Timbro Publishers. O autor deste livro, de nacionalidade sueca, relembra-nos que o estado social não tem condições para continuar a resolver os nossos problemas e alerta-nos para a necessidade urgente de promover reformas; indica-nos onde devemos intervir e porquê. Imperdível para quem pensa no futuro.
Era suposto indicar, agora, 5 bloggers para que dessem seguimento a esta corrente, onde gente que lê ( uma percentagem elevadíssima da população portuguesa, como todos sabemos...) fizesse a confissão de leituras passadas e/ou em curso. Não o vou fazer. Sou muito avesso a qualquer tipo de cadeia. Atrevo-me, no entanto, a formular um convite a todos os que nos visitam: escolham 5 livros e digam-nos porque recomendariam a sua leitura. E já agora, se não é pedir muito, deixem-nos a nota da vossa escolha. As férias estão à porta e, ainda, não fiz a escolha dos livros que vou levar.

Flexi...quê?

Publicada por José Manuel Dias


Alguns dizem flexisegurança, outros dizem flexigurança. Mas tanto uns como os outros, pelo menos no debate português sobre o tema, parecem ler apenas a primeira parte da palavra, esquecendo a segunda.
(.../...)
Face ao conceito de flexisegurança, os seus adversários devem considerar as alternativas. Eu só conheço duas alternativas viáveis. A primeira é da flexibilidade sem segurança. Podemos falar aqui de algumas práticas anglo-saxónicas: grande facilidade de despedimento, subsídios de desemprego muito baixos e de curta duração, pouco investimento nas políticas de emprego e formação profissional. A segunda alternativa é da rigidez sem segurança. Esta alternativa é a que existe em Portugal e noutros países do continente europeu. Ela diverge da anterior devido à grande rigidez das leis laborais. Mas essa rigidez é um engano. Na prática, ela subsiste com a total flexibilidade sem protecção para muita gente: para os que trabalham na economia informal, para os que têm contratos a prazo, para todos os outros que vêem as empresas em que trabalham subitamente deslocalizadas ou simplesmente encerradas por incapacidade para competir no mercado global e tecnologicamente avançado.
João Cardoso Rosas, Professor de Teoria Política, no Diário Económico desta data

Não há direitos adquiridos que nos valham...

Publicada por José Manuel Dias


A China vai manter em 2007 o rápido crescimento económico que atingirá os 10,9% até ao final do ano, previu o Centro de Informação Estatal, um instituto de pesquisa governamental, de acordo com notícia publicada nesta data no jornal financeiro oficial China Securities Journal.
A China caminha a passos largos para se tornar a maior potência económica do mundo, ultrapassando os Estados Unidos. Basta pensar nos números: a China tem um bilião e 300 milhões de habitantes, a Índia anda pelo bilião e só depois temos os Estados Unidos que não ultrapassam os 300 milhões. A China já não se contenta em produzir apenas barato, quer produzir com qualidade. Os chineses vêm apostando nas novas tecnologias e na formação. A competitividade, por via dos baixos custos de produção, e o reforço da qualidade dos produtos que produzem, a par da grande agressividade comercial que evidenciam, têm contribuido para incrementar as suas exportações.
Vivemos, hoje, num mundo que se tornou uma aldeia. A sua presença nota-se, cada vez mais, por todo o lado. Produzem barato e exportam cada vez mais. Neste enquadramento não há volta a dar: ou nos preparamos para competir, criando condições para reforçar a nossa competitividade, ou alguém, vindo de longe, se encarregará de nos mostrar que temos andado iludidos com as "conquistas irreversíveis" ou, para usar uma expressão mais actualizada, com "os direitos adquiridos".

1+1=3

Publicada por José Manuel Dias



Esta operação, aparentemente impossível, tem sido usada, de modo recorrente, para explicar o efeito sinérgico do trabalho em equipa. Tenta-se, por esta via, sublinhar que o todo pode ser maior que a soma das partes. No entanto para que para tal desiderato se concretize em termos de resultados, é necessária a observância de um conjunto de pressupostos. Desde logo que exista uma cultura na organização que aceite a partilha de poderes e confira às equipas a adequada autonomia e poder de decisão. Por outro lado, obriga a que as pessoas que integram as equipas disponham de uma adequada formação, não só a nível de competências profissionais como também comportamentais, por forma a que saibam trabalhar em conjunto e a colocar os objectivos da equipa acima dos interesses individuais. Importa, também, efectuar uma análise regular sobre o grau de concretização dos objectivos fixados, em ordem a introduzir as correcções necessárias, sempre que se identifiquem desvios entre o previsto e o realizado.
As organizações que incentivam este modelo de gestão têm, por regra, melhores resultados, pois a criatividade, o empenho e a dedicação de cada um, aceleram a concretização dos respectivos objectivos estratégicos.

Break-even point

Publicada por José Manuel Dias


Break-even point, também conhecido por ponto morto das vendas, é um modo simples e eficaz de medir a rentabilidade (ou prejuízo) de uma empresa. Permite-nos, de igual modo, efectuar simulações alterando as variáveis de cálculo. Uma análise cuidada permite definir, para uma determinada estrutura de custos fixos e um determinado peso de custos variáveis, qual o volume de negócio necessário para atingir uma dada rentabilidade. O break-even point corresponde ao valor das receitas da empresa que se equipara aos respectivos custos (fixos e variáveis). Neste ponto a empresa nem perde nem ganha dinheiro. Acima do break-even point a empresa terá lucros e abaixo dele terá prejuízos.
Quantas das nossas empresas têm uma ideia sobre o valor do respectivo break-even?

O "Presidente europeu"

Publicada por José Manuel Dias


José Sócrates é, desde as 00:00 de hoje, o novo presidente do Conselho Europeu, instância que reúne os chefes de Estado e de Governo da UE.
A escolha de um encontro com 27 jovens, um de cada país membro da UE, para abrir uma presidência europeia tem um carácter inédito, pois, por regra, arrancam com iniciativas mais formais. O tema escolhido para debate é " A tua Europa, o teu futuro" e os jovens participam actualmente no programa Erasmus da União Europeia, através do qual muitos milhares de de europeus já tiveram experiências de ensino em universidades de outros Estados da UE.
Desde hoje e até 31 de Dezembro próximo, a presidência do «bloco comunitário europeu», será assegurada por Portugal. Este grande acontecimento reforçará a visibilidade externa de Portugal durante os próximos seis meses e colocará o Governo de Portugal no centro de praticamente todas as decisões comunitárias, bem como nos mais importantes palcos de negociações internacionais. Esperamos que Portugal e os portugueses estejam à altura destas responsabilidades.

Um PRACE para as Autarquias

Publicada por José Manuel Dias


É o que se preconiza no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2005(*), para dar resposta aos problemas verificados em elevado número das autarquias portuguesas. Estão identificadas 48 autarquias em situação de ruptura financeira e com os gastos de pessoal e aquisição de bens e serviços a somar mais de 50% das despesas.
As alterações legislativas introduzidas pelo actual Governo e pelo Orçamento Geral do Estado limitaram o endividamento bancário das autarquias que passaram a recorrer mais a fornecedores para financiar as suas despesas correntes. No entanto, o saldo global das contas das autarquias locais foi positivo (141 milhões de euros) e o total dos passivos financeiros diminuiu de forma estrutural de 6,1% para 4,7% (343 milhões de euros). Apesar destes números, grande parte das autarquias precisará de efectuar uma consolidação financeira, promovendo a economia de consumo, a rentabilização de recursos e uma maior eficácia na utilização dos meios. Estruturas administrativas pesadas, encargos com aquisição de bens e serviços e despesas com pessoal, concorrem para mais de metade dos gastos das autarquias. Sem intervir nestas rubricas não se conseguirá concretizar a recuperação financeira das autarquias. Aveiro é uma das autarquias nesta situação. O executivo camarário apresentou, recentemente, um programa de recuperação financeira. A prestação de informação sobre a sua execução deve constituir preocupação prioritária. O que foi feito? Com que impactos ? São questões devem ter resposta regular. Está em causa o princípio de "Accountability" ou "prestação de contas" aos eleitores. Os dinheiros públicos que gerem (a larga maioria dos quais provenientes dos nossos impostos) reforçam essa obrigação.
(*)Da responsabilidade de João Carvalho, Maria José Fernandes, Pedro Camões e Susana Joge, docentes do ensino superior, com o patrocínio do Tribunal de Contas, CTOC, IPCA e Universidade do Minho

A arte do poder

Publicada por José Manuel Dias


Não deixe que ninguém saiba exactamente do que é capaz. O homem sábio não permite a ninguém sondar a fundo os seus conhecimentos e as suas capacidades, se quiser ser respeitado por todos. Permite que sejam conhecidos, mas não que sejam compreendidos. Ninguém deve conhecer a extensão das suas capacidades, para não se desapontar. A ninguém dá a oportunidade de as conhecer totalmente. Pois suposições e dúvidas quanto à extensão dos seus talentos evocam mais respeito do que saber precisamente até onde vão, para que sejam sempre excelentes.
Baltasar Gracián (1601-1658)

A revolução silenciosa

Publicada por José Manuel Dias



Foi anunciado pelo Primeiro Ministro, José Sócrates, o crescimento dos cursos profissionais dos ensinos básico e secundário de 3300 para 5000, na apresentação da campanha «Faz o Secundário aprendendo uma profissão», no âmbito das Novas Oportunidades. O aumento de 1700 cursos em relação a 2006/07 e de 2500 relativamente a 2005/06 faz com que os alunos da quase totalidade das escolas secundárias possa optar por um curso profissional. Tem também como finalidade que metade dos alunos venha a optar pelo ensino profissional, cumprindo, aliás, recomendações da OCDE.
Registou-se neste ano lectivo um aumento do número total de alunos - invertendo a tendência verificada nos 10 anos anteriores - graças ao regresso de muitos jovens ao ensino através destes cursos. Nos cursos profissionais a taxa de insucesso e abandono escolar é muito menor e os alunos saem da escola com uma certificação profissional que os habilita para o mercado de trabalho.
Gostaríamos de conhecer a posição dos sindicatos dos professores sobre esta importante medida que está já a contribuir para uma revolução silenciosa...Consulta-se os sites dos sindicatos e a temática é a mesma de sempre " a defesa dos direitos adquiridos" , assumindo-se como novidade a questão do concurso para Professores titulares.
O mundo está a mudar mas , uns tantos, continuam a olhar para as questões de hoje, com a lógica do passado. Não contribuem para a melhoria do ensino, nem para a valorização dos professores e tendem a fechar a porta aos candidatos a professores que aguardam a oportunidade para demonstrar que são tão bons como os melhores e que não temem as avaliações.

Citando Peter Drucker

Publicada por José Manuel Dias



Peter Ferdinand Drucker (1909,2005), considerado "o pai da administração moderna", foi analista financeiro, consultor, professor a autor de mais de três dezenas de livros. Deixou-nos ensinamentos que merecem ser relembrados. Das leituras recentes destaco estes:
1. "Keynes exagerou quando disse qe a longo prazo estamos todos mortos. Só tem futuro a longo prazo quem souber gerir, em simultâneo, o curto prazo".
2. "Não são os custos do produto que devem determinar o preço de venda. O preço que os consumidores estão dispostos a pagar é que deve determinar os custos".
3. "As organizações tradicionais apoiam-se na autoridade e no comando. As organizações do futuro apoiam-se na responsabilidade e autonomia".