O efeito narciso

Publicada por José Manuel Dias


O jovem grego Narciso observou uma imagem nas águas dum lago e apaixonou-se. Descobriu, pouco depois, que essa imagem era o seu próprio reflexo e que, portanto, o seu amor não se consumaria. Desesperado, afogou-se.
A larga maioria das pessoas tem um problema semelhante. Está profundamente apaixonada por si própria. Um amor que não se concretiza e que , por isso, se traduz em insatisfação. O efeito narciso joga na percepção do que os outros pensam, nos seus valores mais íntimos, nos gostos, nos humores...
Esta capacidade de entender os outros, imitando-os mesmo em muitas situações, traduz-se num poder imenso. A pessoa que é capaz de ver as coisas com os olhos e os sentires do outro, acaba por criar laços de afectividade que lhe permite exercer um poder que não se alcança apenas com recurso à razão. O efeito narciso faz maravilhas, quer na vida pessoal, quer nos negócios.
Adaptado de As 48 Leis do Poder, Greene, Robert e Elffers, Joost, Temas e Debates, Lisboa (2001)

Sugestões de leitura

Publicada por José Manuel Dias

Síntese da conjuntura de Agosto

Publicada por José Manuel Dias


A Síntese Económica de Conjuntura é uma publicação de acompanhamento da conjuntura destinada a quem necessita de indicações seguras acerca das tendências do crescimento da procura, da produção, do rendimento e dos preços. Contém informação actualizada e apresentada de modo a permitir avaliar o estado da economia no momento da análise e antever a sua evolução provável a curto prazo. A situação económica está melhor? Sim. Quer saber mais detalhes? Basta clicar aqui.

e-Government: Portugal nos Tops

Publicada por José Manuel Dias

Portugal está nos primeiros lugares do ranking europeu de e-government, o acesso a serviços do governo através da internet.São dois os critérios que estabelecem o ranking: a disponibilidade dos serviços públicos on line e a sofisticação desses mesmos serviços. Por exemplo, se permitem interactividade com o cidadão.

Quer saber a posição do nosso país? É só espreitar aqui.

Os pequenos passos

Publicada por José Manuel Dias


Nuno Sampaio, gestor e investigador de ciência política, num artigo publicado no Diário Económico de 11 de Setembro p.p., sublinha a importância da fixação de objectivos:

"Seria realmente bom que os resultados desportivos servissem como exemplo para outras organizações (empresariais, sociais, políticas) em Portugal, não só pelo estímulo, mas também pelo método. Que objectivos têm traçados para os próximos desafios? As grandes vitórias constroem-se, todos os dias, com pequenos passos. "

10 livros que não mudaram a minha vida...

Publicada por José Manuel Dias

O desafio que me foi lançado pelo Porfírio Silva, do Máquina Especulativa, é complexo e pode ser gerador de equívocos: 10 livros que não mudaram a minha vida. Quando escolhemos um livro fazemo-lo com um dado propósito e temos, por regra, uma dada expectativa. Aquele pode (ou não) ser cumprido e esta pode (ou não) ser concretizada. Deste balanceamento podem resultar várias apreciações que são ditadas, pelo menos em parte, pelas circunstâncias das leituras. Quem somos , o que fazemos, onde estamos, o que vivemos, ajudam-nos a formular um juízo valorativo sobre as leituras que fazemos. A nossa vida não muda pela leitura dum livro mas acredito que cada livro que lemos contribui para uma melhor leitura da vida que temos. Escrito isto, melhor será escolher os 10 livros que não se apagaram da memória e são passíveis de recomendação de leitura:
1. Guerra e Paz, Tolstoi
2. Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões
3. O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz
4. Terceira Vaga, Alvin Tofler
5. Tornar possível o impossível, Marta Harnecker
6. Direito à Preguiça, Paul Lafargue
7. Escuta Zé Ninguém, William Reich
8. Império à deriva, Patrick Wilcken
9. O Eduquês em Discurso Directo, Nuno Crato
10. O difícil é sentá-los, Marçal Grilo

Endividados

Publicada por José Manuel Dias


Devem os governos apoiar as famílias com dificuldades em pagar os créditos à habitação? Sei que é de uma frieza que se aproxima da desumanidade mas a resposta é não. Incentiva a irresponsabilidade, infantiliza os cidadãos. A mensagem subjacente é que podem fazer todas as asneiras que depois lá está o “paizinho” Estado para resolver.
É muito diferente do estado social, em que se apoia os cidadãos na velhice, na doença e no desemprego, numa espécie de seguro social. Então significa que é o modelo de Francisco Louça que está correcto? Não de todo. Já existe o subsídio de desemprego para apoiar quem está desempregado. Não se pode criar um “subsídio” para ajudar quem contraiu empréstimos. É abrir uma Caixa de Pandora.
Helena Garrido, no Diário Económico desta data, com leitura integral aqui.

Tempo

Publicada por José Manuel Dias


A velocidade do tempo é infinita, e só quando olhamos para o passado, é que temos consciência disso. O tempo ilude quem se aplica ao momento presente, de tal modo é insensível a passagem do seu curso vertiginoso. Queres saber porquê? Porque todo o tempo passado se acumula num mesmo lugar; todo o passado é contemplado em bloco, forma uma totalidade; todo ele se precipita no mesmo abismo. De resto, não é possível delimitar grandes intervalos nesta nossa vida tão breve.
A existência humana é um ponto, é menos que um ponto. Só por troça é que a natureza deu a tão diminuta existência a aparência de uma grande duração, dividindo-a em infância, em adolescência, em juventude, em período de transição da juventude à velhice, finalmente em velhice. Tantos períodos num tão exíguo espaço de tempo
(...)
Habitualmente não me parecia tão veloz a passagem do tempo; agora, porém, parece-me incrivelmente rápida, talvez porque sinto aproximar-se o fim, talvez porque passei a dar-lhe atenção e a avaliar o desgaste que em mim provoca. Por isso mesmo me causa indignação ver como as pessoas gastam em futilidades a maior parte de uma vida que, mesmo dispendida com a maior parcimónia, não seria bastante para as coisas essenciais.
Séneca ( 4 a.C. a 65 d.C.) in 'Cartas a Lucílio'
Se espreitarmos aqui, concluiremos pela actualidade das palavras do filósofo romano. As mudanças que vão ocorrendo no mundo exigem que o nosso tempo seja aplicado de forma mais equilibrada e racional. O tempo voa, não o desperdicemos com futilidades...

Escolas para o Século XXI

Publicada por José Manuel Dias


Todos os que querem uma escola melhor têm uma excelente oportunidade para dar a sua opinião. A Comissão Europeia, num documento de trabalho recentemente divulgado, suscita uma série de questões sobre as escolas e o ensino em relação às quais pretende obter contributos. De entre as questões referenciadas, seleccionamos para "aguçar o apetite" as seguintes:
1. Como podem as escolas organizar-se de modo a dotar todos os alunos do leque completo de competências essenciais?
2. Como podem as escolas equipar os jovens com as competências e motivação necessárias para tornar a aprendizagem numa actividade a realizar ao longo da vida?
3. Como podem os profissionais de ensino ser formados e apoiados de modo a vencerem os desafios que enfrentam?
Se tivermos cumprido os nossos propósitos quererá conhecer as restantes questões, bem como o documento que as enquadra. Se assim for, é só clicar aqui.
A Comissão Europeia quer definir os aspectos do ensino escolar em relação aos quais uma acção conjunta a nível da União Europeia poderá ser mais eficaz, em termos de apoio aos Estados-Membros, tendo em vista a modernização dos respectivos sistemas de educação. Espera respostas até ao dia 15 de Outubro.

Aptidão

Publicada por José Manuel Dias


Numa humanidade tão altamente desenvolvida como é a actual, cada um, por natureza, recebe em dote acesso a muitos talentos. Cada qual tem talento inato, mas só a poucos é dado por nascença e por meio da educação o grau de tenacidade, persistência e energia, para que o indivíduo se torne, realmente, um talento, para que, portanto, venha a ser aquilo que é; ou seja, traduza isso em obras e acções.

Friedrich Nietzsche (1844-1900), in 'Humano, Demasiado Humano'

e-Government ou efeitos do Plano Tecnológico

Publicada por José Manuel Dias


Portugal subiu 41 lugares na lista dos melhores países em práticas de governo electrónico, tornando-se o sétimo melhor país do mundo, segundo a listagem divulgada pela Universidade de Brown.
A notícia na íntegra pode ser lida aqui. Os habituais "profetas da desgraça" e os aliados do "velho do Restelo" têm aí os resultados, apresentados pela Universidade de Brown (USA): Portugal é o segundo melhor país da União Europeia em serviços de governo electrónico. Mérito do Governo? Não. Mérito de uma estratégia que aposta num acesso mais simplificado dos cidadãos à administração pública. Mérito dos portugueses que acreditam que o esforço se pode traduzir em melhores resultados.
Um novo paradigma de funcionamento das instituições públicas está a afirmar-se. Vejamos, apenas, alguns exemplos que atestam, a nosso ver, esta apreciação:
O acréscimo de utilizadores destes serviços é um excelente indicador de que está a acontecer uma revolução silenciosa. Cada vez fazemos mais e melhor, com menos custos. Reforçamos a nossa competitividade. Ganham os portugueses.

Aprender compensa

Publicada por José Manuel Dias


Qualificar um milhão de trabalhadores portugueses até 2010 é um objectivo ambicioso deste Governo, que se encontra expresso no Programa Novas Oportunidades. A materialização deste objectivo não depende apenas da vontade dos agentes políticos, depende, em primeira linha, de todos aqueles que, por razões diversas, abandonaram o normal percurso escolar. O défice da educução é o mais problemático de todos. As estatíticas estão aí para nos recordar: 75% da população activa não tem o 12º ano de escolaridade e, entre os jovens na faixa etária de 18-24 anos, pouco mais de metade tem, no mínimo, o 12º ano, enquanto a média dos países da OCDE se cifra em 70%. Ninguém de bom senso questiona a oportunidade e a premência desta medida.
Uma das estratégias seguidas - a par do incremento dos cursos profissionalizantes - é reforçar e consolidar os Centros de Validação e Certificação de Competências (CRVCC), valorizando as capacidades adquiridas com a experiência. Notícias como esta, publicada no Diário de Aveiro de hoje, atestam que estamos no bom caminho.
"Durante a cerimónia de ontem foram entregues 97 certificados de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e 50 computadores portáteis. O ministro dos Assuntos Parlamentares aproveitou também para sublinhar a importância da formação «na vida pessoal e profissional» e relembrar a sua própria ligação à educação. Augusto Santos Silva salientou ainda o papel atribuído a este tipo de cerimónia, defendendo que estas funcionam como uma situação de compromisso, incitando os formandos a continuar a sua formação. "
A notícia desenvolvida pode ser lida aqui.

Sugestões de leitura

Publicada por José Manuel Dias

Trinta e três anos depois...

Publicada por José Manuel Dias


Portugal mudou muito desde o 25 de Abril de 1974. Mudanças que foram ocorrendo ao longo das últimas décadas sem que se tenha, em muitos casos, uma noção da sua amplitude e profundidade. Alguns dias atrás, numa roda de amigos, alguém perguntou: será que hoje se vive melhor do que se vivia antes da Revolução dos Cravos? Uma pergunta que suscitou várias respostas que entrocaram numa ideia simples. Portugal é hoje um país como os outros ( da Europa ) e não se vive melhor, vive-se muito melhor. É certo que as desigualdades são grandes, mas todas as classes sociais viram aumentar os seus níveis de conforto.
Estas conclusões podem suportar-se em dados objectivos que ainda foram recentemente tratados na série da RTP-1 "Portugal um Retrato Social", da responsabilidade do sociólogo António Barreto. Os vídeos da série podem ser vistos aqui. Um retrato da sociedade e dos portugueses na actualidade. Imperdível.
Atrevemo-nos, entretanto, a seleccionar algumas das mudanças registadas e que tão bem são apresentadas na série. António Barreto compara Portugal de hoje com o dos anos 60, e anota:
1) População: saíram 2,5 milhões mas entraram 1,5 milhão. De um país de emigração Portugal passou para um país de imigração.
2) A esperança de vida conheceu um aumento impressionante: nos homens passou de 60 anos para 74, nas mulheres de 65 para 80.
3) A mortalidade infantil caiu de 80 mortos por mil para quatro por mil. É a quarta taxa mais baixa do Mundo!
4) Há 30 anos apenas 15% das mulheres eram activas, hoje são mais de 50%.
5) A população na agricultura passou de 40% para 5%.
6) As pessoas movimentavam-se pouco. Era tudo muito longe. Com a explosão das infraestruturas, Portugal tornou-se um país pequeno em tempo e espaço.
7) Portugal passou a ter um serviço de saúde universalizado.
8) Generalizou-se o acesso à educação e reduziu-se de forma expressiva o analfabetismo.
9) Universalização da segurança social.
10) Ciclo de melhoria das infra estruturas colectivas (esgotos, água, electricidade, estradas, pontes, etc). As condições de vida melhoraram de forma espectacular.
11) Nas últimas três décadas assistiu-se a uma melhoria expressiva dos padrões de consumo, rendimento e bem estar.

Eduardo Prado Coelho

Publicada por José Manuel Dias


Faleceu hoje, na sua residência em Lisboa, Eduardo Prado Coelho. Autor de uma vasta bibliografia universitária e ensaística, onde se destacam um estudo de teoria literária «Os Universos da Crítica», vários livros de ensaios «O Reino Flutuante», «A Palavra sobre a Palavra», «A Letra Litoral», «A Mecânica dos Fluidos» e «A Noite do Mundo». Os dois volumes de um diário «Tudo o Que Não Escrevi» mereceram o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores.
Deliciei-me com muitas das suas crónicas, primeiro no extinto semanário "O Jornal" e mais tarde no "Público". Portugal ficou mais pobre, perdeu um importante vulto da sua cultura. Há cerca de um ano Eduardo Prado Coelho deu uma entrevista à revista "VIsão" que vale a pena reler, aqui.

Leituras numa tarde de férias

Publicada por José Manuel Dias

Mil Milhões

Publicada por José Manuel Dias


... é o valor de cobrança coerciva alcançado pela Administração Fiscal desde 1 de Janeiro de 2007. A melhoria verificada na eficiência fiscal é inquestionável. Se todos pagarem o que devem pagar, todos pagaremos menos. Estamos no bom caminho...já ninguém se gaba de fugir ao fisco. Mais receita, menos despesa e o défice vem diminuindo.
A notícia desenvolvida pode ser vista aqui.

22.222

Publicada por José Manuel Dias

Chegámos hoje a este número: 22.222 visitas. Ficam para trás 492 dias, 332 posts e centenas de comentários. 22.222 é um número como outro qualquer mas ganha neste espaço um significado especial. É o número que serve de pretexto para agradecer a todos os que por aqui passam.
Sem a vossa participação este espaço não seria um blogue. Seria apenas um amontoado de letras e imagens. Obrigado a todos.
Leituras antigas:

Quem disse? E quando?

Publicada por José Manuel Dias


"Não podemos continuar a pagar cada vez mais pela nossa administração pública e a receber cada vez menos.
É tempo de mudar radicalmente o modo como a administração pública funciona - passando da burocracia hierarquizada para uma administração pública empreendedora que devolva poderes aos cidadãos e às comunidades para mudar o país de alto a baixo.
Temos de recompensar as pessoas e as ideias que dão resultados e pôr de lado as que não funcionam."

Plano Tecnológico da Educação

Publicada por José Manuel Dias


Resolução do Conselho de Ministros (*) aprovou o Plano Tecnológico da Educação. O Objectivo é colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados ao nível da modernização tecnológica do ensino. Foram definidos os seguintes objectivos para o período 2007-2010:
Atingir o rácio de 2 alunos por computador com ligação à Internet;
- Garantir em todas as escolas o acesso à Internet em banda larga de alta velocidade de, pelo menos, 48Mbps;
- Cartão electrónico para todos os alunos;
- Massificar a utilização de meios de comunicação electrónicos, disponibilizando endereços de correio electrónico a 100% de alunos e docentes;
- Assegurar que 90% dos docentes vêem as suas competências TIC certificadas;
- Certificar 50% dos alunos em TIC.
Um instrumento estratégico para a modernização das escolas e para a melhoria da qualidade do ensino. Necessário mas não suficiente. O mais difícil depende das pessoas: empenho e determinação, aliado ao gosto pela profissão e à vontade de aprender. Uns saberão tirar partido destas novas oportunidades, outros, como já é habitual, lamentar-se-ão da "falta de condições" ou desvirtuarão os propósitos do Plano. É a vida, como disse o outro. Uma coisa é certa: na sociedade do futuro "só o excelente é suficiente" e os que negligenciarem este facto terão, a prazo, o mesmo destino dos dinossauros.
(*) de 16 de Agosto de 2007