Diz quem sabe

Publicada por José Manuel Dias


O Relatório do FMI sobre a economia portuguesa elogia as políticas desenvolvidas pelo Governo de José Sócrates. " A economia recupera finalmente " diz o FMI mas "a situação económica subjacente continua a ser um desafio". Um desafio que não é fácil de vencer. A redução do défice público pode ajudar mas não basta. O problema é mais complicado. O FMI sintetiza:
"Embora estejam a ser realizados progressos, o crescimento da produtividade continua desafasado, a perda de competitividade não foi recuperada e ainda regride o processo de convergência do rendimento com a UE. Na sua raiz, os desafios que se colocam a Portugal resultam de níveis baixos de capital humano, de investimento em I&D e de penetração de TIC mas também de deficiências no ambiente empresarial, na concorrência insuficiente nos mercados internos e na rigidez do mercado de trabalho".
Existe muito boa gente a opinar sobre o que não sabe, seria bem melhor "fazer o trabalho de casa" e, só depois, criticar o desempenho do Governo. Faz falta uma oposição capaz de discutir estratégias e políticas. Uma oposição que não se limite ao "fait divers" e que obrigue o governo a governar melhor. Os portugueses agradecem.

Citações escolhidas

Publicada por José Manuel Dias


1. Há duas maneiras de viver a vida. Uma como se nada fosse milagre. Outra como se tudo fosse milagre.
Albert Einstein
2. Não são as coisas que nos inquietam, só as opiniões que temos delas.
Epitecto
3. Gostamos mais da luta do que do triunfo.
Alfred de Musset
4. O homem é escravo das palavras que diz e mestre das que cala.
Casamayor
5. Falar é uma necessidade. Escutar um talento.
A. Gide

5 Leituras

Publicada por José Manuel Dias


O Porfírio Silva, do Máquina Especulativa, lançou-me um desafio: dar a conhecer 5 livros a que tenha dedicado particular atenção, no passado recente. Antes de o fazer, gostaria, no entanto, de agradecer este repto, vindo de um amigo de longa data e que muito estimo. É uma oportunidade para reflectir sobre o que li e, de entre várias alternativas, escolher aqueles que, por razões diversas, justificam particular interesse.
1. A Minha Vida, de Bill Clinton, da Temas e Debates, é um livro que se vai lendo. Nas suas quase mil páginas, o antigo presidente da nação mais poderosa do mundo, conta-nos o seu percurso até à Casa Branca. Os sonhos da juventude, o encontro com a política, as batalhas eleitorais, os oitos anos da presidência, os reveses, os escândalos. A vida de um homem que marcou uma época.
2. Predadores, de Pepetela, Prémio Camões de 1997, da Dom Quixote. Um romance que se lê num "abrir e fechar de olhos" . Somos conduzidos a uma Angola pós Independência. Uma época, onde o oportunismo permite escalar os degraus da política e da finança, com o intuito de conseguir benefícios próprios e para a família.
3. O Sentimento de Si, de António Damásio, das Publicações Europa América que tenta dar resposta a questões tão simples como esta: como é que chegamos ao saber? Uma leitura fascinante.
4. O que é a Escolha Pública? De José Manuel Moreira e André Azevedo Alves, da Principia. Um livro que devia ser de leitura obrigatória para todos os políticos e candidatos a políticos. As falhas do mercado exigem novas respostas que evitem o repetir de erros do passado. Neste livro, os autores explicitam a" teoria da escolha pública" que consiste, em termos gerais, na "aplicação da análise económica à política".
5. European Dawn After the social model, de Johnny Munkhammar, Timbro Publishers. O autor deste livro, de nacionalidade sueca, relembra-nos que o estado social não tem condições para continuar a resolver os nossos problemas e alerta-nos para a necessidade urgente de promover reformas; indica-nos onde devemos intervir e porquê. Imperdível para quem pensa no futuro.
Era suposto indicar, agora, 5 bloggers para que dessem seguimento a esta corrente, onde gente que lê ( uma percentagem elevadíssima da população portuguesa, como todos sabemos...) fizesse a confissão de leituras passadas e/ou em curso. Não o vou fazer. Sou muito avesso a qualquer tipo de cadeia. Atrevo-me, no entanto, a formular um convite a todos os que nos visitam: escolham 5 livros e digam-nos porque recomendariam a sua leitura. E já agora, se não é pedir muito, deixem-nos a nota da vossa escolha. As férias estão à porta e, ainda, não fiz a escolha dos livros que vou levar.

Flexi...quê?

Publicada por José Manuel Dias


Alguns dizem flexisegurança, outros dizem flexigurança. Mas tanto uns como os outros, pelo menos no debate português sobre o tema, parecem ler apenas a primeira parte da palavra, esquecendo a segunda.
(.../...)
Face ao conceito de flexisegurança, os seus adversários devem considerar as alternativas. Eu só conheço duas alternativas viáveis. A primeira é da flexibilidade sem segurança. Podemos falar aqui de algumas práticas anglo-saxónicas: grande facilidade de despedimento, subsídios de desemprego muito baixos e de curta duração, pouco investimento nas políticas de emprego e formação profissional. A segunda alternativa é da rigidez sem segurança. Esta alternativa é a que existe em Portugal e noutros países do continente europeu. Ela diverge da anterior devido à grande rigidez das leis laborais. Mas essa rigidez é um engano. Na prática, ela subsiste com a total flexibilidade sem protecção para muita gente: para os que trabalham na economia informal, para os que têm contratos a prazo, para todos os outros que vêem as empresas em que trabalham subitamente deslocalizadas ou simplesmente encerradas por incapacidade para competir no mercado global e tecnologicamente avançado.
João Cardoso Rosas, Professor de Teoria Política, no Diário Económico desta data

Não há direitos adquiridos que nos valham...

Publicada por José Manuel Dias


A China vai manter em 2007 o rápido crescimento económico que atingirá os 10,9% até ao final do ano, previu o Centro de Informação Estatal, um instituto de pesquisa governamental, de acordo com notícia publicada nesta data no jornal financeiro oficial China Securities Journal.
A China caminha a passos largos para se tornar a maior potência económica do mundo, ultrapassando os Estados Unidos. Basta pensar nos números: a China tem um bilião e 300 milhões de habitantes, a Índia anda pelo bilião e só depois temos os Estados Unidos que não ultrapassam os 300 milhões. A China já não se contenta em produzir apenas barato, quer produzir com qualidade. Os chineses vêm apostando nas novas tecnologias e na formação. A competitividade, por via dos baixos custos de produção, e o reforço da qualidade dos produtos que produzem, a par da grande agressividade comercial que evidenciam, têm contribuido para incrementar as suas exportações.
Vivemos, hoje, num mundo que se tornou uma aldeia. A sua presença nota-se, cada vez mais, por todo o lado. Produzem barato e exportam cada vez mais. Neste enquadramento não há volta a dar: ou nos preparamos para competir, criando condições para reforçar a nossa competitividade, ou alguém, vindo de longe, se encarregará de nos mostrar que temos andado iludidos com as "conquistas irreversíveis" ou, para usar uma expressão mais actualizada, com "os direitos adquiridos".

1+1=3

Publicada por José Manuel Dias



Esta operação, aparentemente impossível, tem sido usada, de modo recorrente, para explicar o efeito sinérgico do trabalho em equipa. Tenta-se, por esta via, sublinhar que o todo pode ser maior que a soma das partes. No entanto para que para tal desiderato se concretize em termos de resultados, é necessária a observância de um conjunto de pressupostos. Desde logo que exista uma cultura na organização que aceite a partilha de poderes e confira às equipas a adequada autonomia e poder de decisão. Por outro lado, obriga a que as pessoas que integram as equipas disponham de uma adequada formação, não só a nível de competências profissionais como também comportamentais, por forma a que saibam trabalhar em conjunto e a colocar os objectivos da equipa acima dos interesses individuais. Importa, também, efectuar uma análise regular sobre o grau de concretização dos objectivos fixados, em ordem a introduzir as correcções necessárias, sempre que se identifiquem desvios entre o previsto e o realizado.
As organizações que incentivam este modelo de gestão têm, por regra, melhores resultados, pois a criatividade, o empenho e a dedicação de cada um, aceleram a concretização dos respectivos objectivos estratégicos.

Break-even point

Publicada por José Manuel Dias


Break-even point, também conhecido por ponto morto das vendas, é um modo simples e eficaz de medir a rentabilidade (ou prejuízo) de uma empresa. Permite-nos, de igual modo, efectuar simulações alterando as variáveis de cálculo. Uma análise cuidada permite definir, para uma determinada estrutura de custos fixos e um determinado peso de custos variáveis, qual o volume de negócio necessário para atingir uma dada rentabilidade. O break-even point corresponde ao valor das receitas da empresa que se equipara aos respectivos custos (fixos e variáveis). Neste ponto a empresa nem perde nem ganha dinheiro. Acima do break-even point a empresa terá lucros e abaixo dele terá prejuízos.
Quantas das nossas empresas têm uma ideia sobre o valor do respectivo break-even?

O "Presidente europeu"

Publicada por José Manuel Dias


José Sócrates é, desde as 00:00 de hoje, o novo presidente do Conselho Europeu, instância que reúne os chefes de Estado e de Governo da UE.
A escolha de um encontro com 27 jovens, um de cada país membro da UE, para abrir uma presidência europeia tem um carácter inédito, pois, por regra, arrancam com iniciativas mais formais. O tema escolhido para debate é " A tua Europa, o teu futuro" e os jovens participam actualmente no programa Erasmus da União Europeia, através do qual muitos milhares de de europeus já tiveram experiências de ensino em universidades de outros Estados da UE.
Desde hoje e até 31 de Dezembro próximo, a presidência do «bloco comunitário europeu», será assegurada por Portugal. Este grande acontecimento reforçará a visibilidade externa de Portugal durante os próximos seis meses e colocará o Governo de Portugal no centro de praticamente todas as decisões comunitárias, bem como nos mais importantes palcos de negociações internacionais. Esperamos que Portugal e os portugueses estejam à altura destas responsabilidades.

Um PRACE para as Autarquias

Publicada por José Manuel Dias


É o que se preconiza no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2005(*), para dar resposta aos problemas verificados em elevado número das autarquias portuguesas. Estão identificadas 48 autarquias em situação de ruptura financeira e com os gastos de pessoal e aquisição de bens e serviços a somar mais de 50% das despesas.
As alterações legislativas introduzidas pelo actual Governo e pelo Orçamento Geral do Estado limitaram o endividamento bancário das autarquias que passaram a recorrer mais a fornecedores para financiar as suas despesas correntes. No entanto, o saldo global das contas das autarquias locais foi positivo (141 milhões de euros) e o total dos passivos financeiros diminuiu de forma estrutural de 6,1% para 4,7% (343 milhões de euros). Apesar destes números, grande parte das autarquias precisará de efectuar uma consolidação financeira, promovendo a economia de consumo, a rentabilização de recursos e uma maior eficácia na utilização dos meios. Estruturas administrativas pesadas, encargos com aquisição de bens e serviços e despesas com pessoal, concorrem para mais de metade dos gastos das autarquias. Sem intervir nestas rubricas não se conseguirá concretizar a recuperação financeira das autarquias. Aveiro é uma das autarquias nesta situação. O executivo camarário apresentou, recentemente, um programa de recuperação financeira. A prestação de informação sobre a sua execução deve constituir preocupação prioritária. O que foi feito? Com que impactos ? São questões devem ter resposta regular. Está em causa o princípio de "Accountability" ou "prestação de contas" aos eleitores. Os dinheiros públicos que gerem (a larga maioria dos quais provenientes dos nossos impostos) reforçam essa obrigação.
(*)Da responsabilidade de João Carvalho, Maria José Fernandes, Pedro Camões e Susana Joge, docentes do ensino superior, com o patrocínio do Tribunal de Contas, CTOC, IPCA e Universidade do Minho

A arte do poder

Publicada por José Manuel Dias


Não deixe que ninguém saiba exactamente do que é capaz. O homem sábio não permite a ninguém sondar a fundo os seus conhecimentos e as suas capacidades, se quiser ser respeitado por todos. Permite que sejam conhecidos, mas não que sejam compreendidos. Ninguém deve conhecer a extensão das suas capacidades, para não se desapontar. A ninguém dá a oportunidade de as conhecer totalmente. Pois suposições e dúvidas quanto à extensão dos seus talentos evocam mais respeito do que saber precisamente até onde vão, para que sejam sempre excelentes.
Baltasar Gracián (1601-1658)

A revolução silenciosa

Publicada por José Manuel Dias



Foi anunciado pelo Primeiro Ministro, José Sócrates, o crescimento dos cursos profissionais dos ensinos básico e secundário de 3300 para 5000, na apresentação da campanha «Faz o Secundário aprendendo uma profissão», no âmbito das Novas Oportunidades. O aumento de 1700 cursos em relação a 2006/07 e de 2500 relativamente a 2005/06 faz com que os alunos da quase totalidade das escolas secundárias possa optar por um curso profissional. Tem também como finalidade que metade dos alunos venha a optar pelo ensino profissional, cumprindo, aliás, recomendações da OCDE.
Registou-se neste ano lectivo um aumento do número total de alunos - invertendo a tendência verificada nos 10 anos anteriores - graças ao regresso de muitos jovens ao ensino através destes cursos. Nos cursos profissionais a taxa de insucesso e abandono escolar é muito menor e os alunos saem da escola com uma certificação profissional que os habilita para o mercado de trabalho.
Gostaríamos de conhecer a posição dos sindicatos dos professores sobre esta importante medida que está já a contribuir para uma revolução silenciosa...Consulta-se os sites dos sindicatos e a temática é a mesma de sempre " a defesa dos direitos adquiridos" , assumindo-se como novidade a questão do concurso para Professores titulares.
O mundo está a mudar mas , uns tantos, continuam a olhar para as questões de hoje, com a lógica do passado. Não contribuem para a melhoria do ensino, nem para a valorização dos professores e tendem a fechar a porta aos candidatos a professores que aguardam a oportunidade para demonstrar que são tão bons como os melhores e que não temem as avaliações.

Citando Peter Drucker

Publicada por José Manuel Dias



Peter Ferdinand Drucker (1909,2005), considerado "o pai da administração moderna", foi analista financeiro, consultor, professor a autor de mais de três dezenas de livros. Deixou-nos ensinamentos que merecem ser relembrados. Das leituras recentes destaco estes:
1. "Keynes exagerou quando disse qe a longo prazo estamos todos mortos. Só tem futuro a longo prazo quem souber gerir, em simultâneo, o curto prazo".
2. "Não são os custos do produto que devem determinar o preço de venda. O preço que os consumidores estão dispostos a pagar é que deve determinar os custos".
3. "As organizações tradicionais apoiam-se na autoridade e no comando. As organizações do futuro apoiam-se na responsabilidade e autonomia".

A evolução da despesa pública

Publicada por José Manuel Dias


Em 1974, ano em que tomou posse o primeiro de seis governos provisórios, a despesa pública em função do PIB fixava-se nuns modestos 23,1%. Era o peso do Estado num país sem nada, claro. Mas desse ano em diante, este indicador foi subindo com uma particularidade impressionante – nenhum Governo desde 1980 foi capaz de entregar este indicador em valores abaixo daquilo que recebeu. Melhor dito: dos 13 Executivos constitucionais que governaram Portugal desde 1980, nenhum foi capaz de terminar o seu legado com uma diminuição do peso do Estado na economia. Os números impressionam: em 1980, no I Governo de Sá Carneiro, o peso do Estado na economia valia 33,5%. Um ano mais tarde, Pinto Balsemão assumiu o poder até 1983, entregando o país ao executivo do Bloco Central com o Estado a pesar 36,5% do PIB. E por ai em diante: Cavaco recebeu o Governo em 1985 com 38,8% do PIB e saiu em 1995 com uma despesa pública em função do PIB fixada em 42,8%. Guterres manteve-se até 2002 e passou uma despesa a Durão Barroso contabilizada em 44,4% do PIB. Durão arrancou para Bruxelas deixando o registo de 45,8%, e Santana elevou a fasquia aos 46,4%.
Será Sócrates (que fechou 2005 com uma despesa de 47,8%) capaz de chegar às eleições de 2009 com um valor inferior? Isso sim seria inédito, e louvável. Na verdade, as expectativas em relação a este Governo são tão altas que não se pode pedir outra coisa a Sócrates que não inverter esta tendência suicida. Porque estes números revelam um Estado que se considera essencial ao processo económico, e por isso suga-lhe a dinâmica. Não pode ser. O Portugal moderno que se exige tem um Estado que não pesa na economia, repensado, requalificado e capaz de arbitrar à distância um jogo que deve ser livre. O desafio, como mostram os números, não é simples. Mas é o único possível.
Martim Avilez Figueiredo, Diário Económico desta data

Notícias que não são notícia (*)

Publicada por José Manuel Dias

1. De Janeiro a Abril, as exportações registaram um aumento de 20,6% e importações um decréscimo de 4,2%, determinado uma redução do défice da balança comercial de 31,6%. ( Fonte INE)
2. Em Abril de 2007, as novas encomendas recebidas pelas empresas industriais aumentaram 9,9% em termos homólogos. (Fonte INE)
3. De acordo com o Boletim Mensal da Direcção Geral do Orçamento de Maio deste ano, a receita fiscal do Estado registou um crescimento homólogo de 8,9% nos primeiros cinco meses do ano, acelerando face aos 6,2% verificados no período compreendido entre Janeiro a Abril deste ano.
4. O desemprego registado no Continente e Regiões Autónomas nos centros de emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) abrangeu, em Maio último, 397.482 pessoas, o que corresponde a uma queda de 13% face ao período homólogo de 2006, anunciou o IEFP. Comparativamente com o mês anterior, registou-se uma descida de 5,5% no número de desempregados registados.
5. Portugal está a corrigir o défice externo mais rapidamente que o previsto. Fonte: Banco de Portugal.
6. As indicações mais recentes sobre a envolvente externa continuaram a apresentar-se globalmente favoráveis. No plano interno, o indicador de clima económico melhorou em Maio, o que sucede pelo quarto mês consecutivo, registando o valor máximo desde Julho de 2002. Fonte: INE
(*) com o relevo merecido, em alguma da imprensa dita de referência

Manuel Castells e os excluídos digitais

Publicada por José Manuel Dias


Manuel Castells é um conhecido sociólogo espanhol, nascido em 1942, professor na Universidade de Paris, na Universidade de Berkeley, Califórnia, autor de vários livros que têm marcado a nossa agenda recente, e dos quais se releva " A era da Informação". As suas obras anunciavam já os "novos tempos" de uma sociedade globalizada, em rede, na qual a informação é um dos principais elementos. No seu entender, as tecnologias de informação são o equivalente histórico do que foi a electricidade. A internet pode, em sua opinião, ser comparada a rede eléctrica e o motor eléctrico, dada a sua capacidade para distribuir o poder da informação por todos os âmbitos da actividade humana.
O que é ser um "Excluído Digital"? Manuel Castells responde:
Um "excluído digital" tem três grandes formas de ser excluído. Primeiro, não tem acesso à rede de computadores. Segundo, tem acesso ao sistema de comunicação, mas com uma capacidade técnica muito baixa. Terceiro, (para mim é a mais importante forma de ser excluído e da que menos se fala) é estar conectado à rede e não saber qual o acesso que deve usar, qual a informação que deve pesquisar, como combinar uma informação com outra e como a utilizar para a vida. Esta é a mais grave porque amplia, aprofunda a exclusão mais séria de toda a História; é a exclusão da educação e da cultura porque o mundo digital se incrementa extraordinariamente.

O Estado social

Publicada por José Manuel Dias


Apesar de estarmos hoje melhor do que nunca – nunca tantos viveram tão bem –, a nossa economia não cresceu em bases sustentáveis e enferma de problemas diversos que, naturalmente, se agravam à medida que a globalização avança e a nossa competitividade é confrontada com outras economias, outros mercados.
Se é verdade que temos dificuldades decorrentes dos nossos condicionalismos – justificação muito discutível – e sobretudo de erros exclusivos da nossa acção (ou inacção), é simultaneamente verdade que padecemos de uma doença social grave, comum à maioria dos países membros da União Europeia: um Estado que sofre de obesidade mórbida.
Este Estado, que cresceu para nos cobrir paternalmente com a manta do bem-estar colectivo, acabou por se tornar naquele monstro dos pesadelos de infância que nos asfixia durante a noite quando dormimos. Ele, visto pela maioria como uma entidade abstracta e gratuita – o conto de fadas que nos contaram para adormecermos –, afirmou-se como gigantesco e ineficiente, na maioria dos casos, prestador de serviços, enorme empregador, abrigo de amigos, compadre de clientelas políticas, culturais e económicas, capataz económico e, naturalmente, um insaciável sorvedor de recursos.
Transcrito do trabalho sobre o modelo social europeu, apresentado em co-autoria com Ângelo Ferreira e Miguel Oliveira, no âmbito da Cadeira de Políticas Públicas do Mestrado em Gestão Pública da Universidade de Aveiro

As reformas necessárias

Publicada por José Manuel Dias


O Conselho de Ministros concluiu, em 14 de Junho, o procedimento legislativo, a nível do Governo, para reformas de modernização do País: reforma da Administração Pública, reforma do Ensino Superior, reforma do sistema de gestão do território e de licenciamento e reforma do modelo de gestão e financiamento do sector rodoviário. O Governo aprovou ainda outros diplomas em matéria de gestão do Quadro de Referência Estratégico Nacional e em matéria de educação.
A decisão do Governo em adiar por seis meses a decisão sobre a localização do novo aeroporto foi considerada por alguns como um recuo, enquanto outros a consideraram um "avanço". Apareceram mesmo uns quantos que vaticinaram o fim do "ímpeto reformista" do Governo de José Sócrates.
Ora aí está o devido esclarecimento, a ser publicado em Diário da República. As reformas avançam e em sectores que estão bem carenciados de alterações. Como alguém já referiu no passado " O governo deve apenas fazer o que as pessoas, por si só, não conseguem" e ainda " a abordagem pelos deveres proporciona um horizonte mais amplo que a abordagem a partir dos direitos". Impõe-se, por isso, uma nova lógica de organização do Estado e o repensar de quais são as suas funções. O Estado prestador deve dar lugar, sempre que possível, ao Estado regulador. A missão do Estado " não deve ser remar mas segurar o leme".
Somos cidadãos-contribuintes temos, por isso, o direito e o dever de exigir de todos os serviços públicos a prestação de contas (accountablity) de modo a verificar se funcionam de acordo com princípios de eficiência, economia e eficácia, reclamando os ajustamentos que se justificarem. As reformas materializando estas preocupações são necessárias e merecem, por isso, os nossos aplausos.

De que nos queixamos?

Publicada por José Manuel Dias


Sempre me fez impressão a influência que a França, em detrimento da Inglaterra (e do mundo anglo-saxónico) tem sobre Portugal. Com eles partilhamos o pior: o modelo da Administração Pública, o papel do Estado, a incapacidade para fazer rupturas (excepto com revoluções), etc.
Esta semana, os franceses deram mais uma prova de como somos tão parecidos. O primeiro-ministro de Sarkozy disse que pondera aumentar o IVA em cinco pontos para substituir as contribuições sociais que as empresas entregam ao Estado.
O que é que isto significa? Que os consumidores se substituirão às empresas no financiamento do Estado social. Reduzir o ónus sobre as empresas, dando-lhes mais condições para investir, é boa ideia. Transferir esse ónus para os consumidores é um disparate.
Porque o que está mal não é o modelo de financiamento. É o próprio Estado social. Se Sarkozy quer libertar as empresas das contribuições sociais, reduza as (generosas) prestações sociais do Estado francês. Essas é que tolhem a criação de emprego.
O disparate de Fillon, a poucos dias das legislativas, confirma o que se suspeitava: Sarkozy não é um revolucionário. Os leitores mais cínicos dirão que não pode haver revolucionários num país onde esquerda e direita partilham tantos dogmas. É verdade, mas o que me preocupa não é isso: é pensar que, por cá, um dia destes alguém copia a ideia.
Camilo Lourenço, Jornal de Negócios de 15 de Junho

Provérbio árabe

Publicada por José Manuel Dias



Aquele que não sabe e não sabe que não sabe, é um tolo - evite-o.
Aquele que não sabe e sabe que não sabe, é um estudioso - instrua-o.
Aquele que sabe e não sabe que sabe, é um simples - acorde-o.
Aquele que sabe e sabe que não sabe, é um sensato - siga-o.

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Publicada por José Manuel Dias



Os portugueses espalhados pelo mundo comemoram ao longo deste fim-de-semana o 10 de Junho com exposições, provas desportivas, cerimónias oficiais e várias festas. Estima-se que existam espalhados por todo o Mundo cerca de 5 milhões de portugueses e luso-descendentes. Mas o que é a Pátria?
João Bénard da Costa, cineasta, combatente pela liberdade durante a dituadura, da esquerda católica que combateu Salazar responde: "Pátria é uma ideia de família. De lar, da nossa casa, com os nossos pais, com a nossa história. É uma ideia de passado mas também uma ideia de futuro - as famílias também se renovam". E aqui onde entram dias como o 10 de Junho? "São rituais, são símbolos importantes, nas famílias também existem rituais, como os almoços de Natal.
Viriato Soromenho Marques, filósofo, ex-presidente da Quercus: "As pátrias implicam uma construção. São uma obra de arte e não uma obra da natureza. E sempre em permanente renovação: para uma pátria não há idade de reforma. Existe, no entanto, uma certa apatia cívicaporque há muito que Portugal tem mais de memória do que de futuro.Falta um projecto: discutir a Pátria é discutir a Europa, Portugal na Europa. Portugal é um país que parece só conseguir imaginar-se fora das suas fronteiras."
José Mourinho, treinador do Chelsea, defende que a ideia de prática se cria de fora para dentro: " Estar aqui [em Portugal] faz- me diluir a ideia de pátria. É lá fora que penso mais nisso."
Fonte: Diário de Notícias desta data