
Reformar é fazer diferente, é ser capaz de adaptar as acções novas circunstâncias e, por isso, não há reformas sem roturas, não necessariamente com os objectivos, mas com os meios e os modos de os alcançar.
Ora a dúvida sobre a recondução do director geral dos Impostos é uma total incoerência com um espírito de reforma.
Com efeito, está-se perante alguém do sector privado que manteve esse estatuto, mas que se dispôs a prestar um serviço público, introduzindo-lhe uma dinâmica própria.
Foi uma experiência de sucesso inquestionável pelo que se esperaria que servisse de exemplo para se repetir em um ou outro caso que se justificasse. Engano!
Para os que duvidam da continuidade da experiência, o que está em causa não é o desempenho, mas o nível de vencimento, isto é, ainda não se libertaram do conceito de que "serviço público" é prestado por servidores do Estado - funcionários públicos - com salários mais baixos do que os que vigoram no mercado, facto este compensado por "segurança no emprego".
Daí a existência de um "estatuto remuneratório", isto é, remuneração de acordo com o estatuto e não com o mérito e, portanto, a categoria igual deverá corresponder salário igual, independentemente dos resultados alcançados. Só a invocação de um "estatuto remuneratório" prova que se está a raciocinar em termos ultrapassados.
Para reformar é preciso romper com hábitos, ensair novas fórmulas e, acima de tudo, libertarmo-nos de preconceitos.
Manuela Ferreira Leite, " Ponto sem nó", caderno Economia, semanário Expresso de 13 de Janeiro de 2007