Quem avisa...

Publicada por José Manuel Dias


O Banco de Portugal avisou, ontem, para o risco potencial que representa o elevado endividamento das famílias portuguesas para a actividade dos bancos nacionais, que continua a crescer muito à custa do crédito aos particulares.
Numa altura em que se aguarda um novo aumento das taxas de juro na Zona Euro, o relatório sobre a estabilidade do sistema financeiro português, elaborado pelo Banco de Portugal, alerta para as consequências e riscos que a banca pode enfrentar. A instituição liderada por Vítor Constâncio explica que o forte endividamento do sector privado português levou a banca a recorrer a financiamentos nos mercados internacionais, situação que torna os bancos sensíveis a alterações de sentimento nos mercados financeiros. O endividamento das famílias portuguesesas aumentou 6 pontos percentuais o ano passado, tendo passado de 86% em 2000 para 124%, em 2006.
Continuamos, pois, a viver acima das nossas possibilidades. Gasta-se o que se tem e o que não se tem. Só revendo este comportamento consumista podemos encarar o futuro com mais optimismo. Depois não digam que não foram avisados.

500.000

Publicada por José Manuel Dias



É o número de portugueses que vão passar a ter acesso a um computador ligado à banda larga, já a partir de Setembro. O desenvolvimento da sociedade de informação é um dos muitos objectivos do Plano Tecnológico. Com esta iniciativa o Governo garante que estudantes, professores e trabalhadore em formação, tenham um melhor e mais qualificado acesso, quer ao uso do computador, quer da banda larga. Uma economia competitiva tem que acompanhar os avanços tecnológicos. Esta iniciativa tem de ser considerada como um passo no sentido de melhorarmos colectivamente o nosso desempenho. O financiamento desta medida é assegurado pelas contrapartidas que o Estado contratualizou com os operadores no licenciamento das comunicações móveis de terceira geração. Os alunos do 10º ano e os professores já vão ter a possibilidade de ter um PC a partir de Setembro...
Dos jornais
Sem quereremos pôr em causa a bondade da iniciativa, gostaríamos, no entanto, de deixar um alerta: as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são um instrumento, o que é verdadeiramente importante é saber que uso se faz das mesmas e com que propósito. Os futuros utilizadores vão ter a palavra...

Portugal seguro

Publicada por José Manuel Dias



Portugal foi considerado o nono país mais pacífico do mundo, de acordo com o ranking realizado pela revista britânica The Economist, que incidiu sobre 121 países. O «Global Peace Índex» refere que as mais de 391 mil participações criminais registadas em território nacional em 2006 são «quase irrisórias», revelando que, dos dez países mais seguros do mundo, sete são da Europa.
O primeiro lugar da lista mundial é ocupado pela Noruega, seguida da Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda, Japão, Finlândia, Suécia, Canadá, Portugal e Áustria.
No topo das nações mais perigosas encontra-se o Iraque, assolado por dezenas de mortes diárias, o Sudão, onde grassam a fome e os conflitos armados internos, seguidos por Israel, Rússia, Nigéria, Colômbia, Paquistão, Líbano, Costa do Marfim e Angola.
Fonte: Público de 31 de Maio
Esta notícia tem, desde já, o mérito de silenciar aqueles que injustificamente reclamam contra a "insegurança em que vivemos". Temos vivido "no céu" e, alguns, por razões pouco claras, tentam fazer-nos crer que é "o inferno que nos envolve". Poupem-nos a tais disparates.

O desemprego e a formação

Publicada por José Manuel Dias


A taxa de desemprego na Zona Euro e nos 27 Estados-membros da União Europeia em Abril foi de 7,1%, uma quebra de 0,1 pontos percentuais em relação a Março, revelou hoje, em Bruxelas, o Eurostat.
Portugal registou em Abril último uma taxa de desemprego de 8%, sendo que a Holanda é o que regista a percentagem mais baixa (3,3), seguida da Dinamarca (3,4) e da Irlanda (4%). No fundo da tabela estão a Polónia (11,2), a Eslováquia (10,5), a França e Grécia (ambas com 8,6%).
Dos Jornais
As notícias sobre a evolução do desemprego não devem deixar de nos preocupar mas, se reflectirmos um pouco, poderemos concluir que é uma inevitabilidade dum crescimento económico que se suporta em padrões de maior exigência. Prevê-se para Portugal um crescimento do PIB na ordem dos 2%. Sucede, entretanto, que a modernização do tecido produtivo continuará a ser acompanhada pelo aumento de desemprego dos menos qualificados ( as empresas que apostam nos custos de mão de obra mais baixos vão continuar a deslocalizar-se) e pelo aumento do investimento em novas tecnologias, acompanhado pela contratação de trabalhadores mais habilitados. Este balanceamento é, por ora, desfavorável ao crescimento do emprego mas é condição essencial para num futuro próximo recuperarmos novos empregos, em indústrias e sectores, onde se possa ser competitivo de modo sustentável. Importa, entretanto, que se sublinhe em todos os lados a importância de se investir na formação. Melhorar competências está na ordem do dia. Uma responsabilidade de todos e de cada um.

Os portugueses e as TIC

Publicada por José Manuel Dias


Este ano, até dia 29 de Maio e no conjunto das duas fases, foram entregues mais 112 mil declarações Modelo 3 do IRS do que em igual período do ano anterior. Uma subida justificada, em grande parte, pelo sucessivo aumento que se tem vindo a registar nos níveis de cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes.
Em 2007, o número de declarações Modelo 3 entregues pela Internet superou, pela primeira vez, o das entregas em papel. Verifica-se assim que, no conjunto das duas fases, o número de declarações entregues pela Internet aumentou 27,3% em relação ao ano anterior – mais 569 mil declarações – atingindo a percentagem histórica de 60%, o que constitui um valor de excelência em termos internacionais, bastante superior à média registada nos Estados membros da União Europeia.
Dos jornais
Estamos todos de acordo que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) podem constituir um factor de excelência no desenvolvimento da economia de um país, contribuindo para a criação de valor, partilha de conhecimento e aumento de produtividade. Portugal tem dado passos decisivos nesse sentido, em ordem à criação de uma Administração Pública mais eficiente, mais eficaz, mais célere e mais transparente. Os cidadãos, a avaliar por estes dados, têm correspondido. Temos níveis de utilização deste serviço superior à media da União Europeia. Um contributo importante para o reforço da nossa competitividade. Bem precisamos!

Imagem enovoada

Publicada por José Manuel Dias


Paradoxo: por um lado, a televisão fabrica-me representações de um mundo longínquo; por outro, esse é o mundo adequado ao meu mundo. É o que me convém: se as imagens do mundo não me dizem respeito, ou me dizem só longinquamente respeito, então está tudo bem assim, porque a minha imagem também só enevoada me diz respeito. Eu nem me apercebo do «longe», do «afastamento», da «ausência de mim a mim». Não há paradoxo, porque não há consciência dele. Não há sobressalto de pensamento. Tudo se mistura, talvez.
José Gil, in 'Portugal Hoje - O Medo de Existir'

No bom caminho...

Publicada por José Manuel Dias



Pela primeira vez, ao fim de cinco anos, o crescimento económico ultrapassa os 2%, o que representa um factor de confiança e um número que espelha com clareza a recuperação da nossa economia. Esta é a leitura possível das estimativas do Instituto Nacional de Estatística, que mostram um crescimento do Produto Interno Bruto de 2,1%, no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2006. Comparativamente com o 1º trimestre de 2006, o valor das exportações cresceu 11,2%, enquanto o das importações subiu 1,1%. Dados que comprovam que estamos no bom caminho...Pouco dirão alguns. Mais que no passado recente, dirão outros. Uma coisa é certa : é o maior crescimento dos últimos 5 anos mas quando o nosso atraso, em relação às restantes economias europeias é grande, importa crescer mais depressa.
Confiança no futuro, orientação para os resultados, combate ao desperdício, melhoria da produtividade, eliminação de privilégios injustificados, redução do absentismo, adopção das melhores práticas de gestão, reforço de competências, prémio para os mais competentes, têm, cada vez mais, de ter aderência à nossa realidade se queremos ter futuro.

Dia da Universidade de Aveiro

Publicada por José Manuel Dias



As comemorações do Dia da Universidade realizam-se hoje, a partir das 10h00, com a cerimónia de entrega de diplomas aos alunos da Universidade de Aveiro que concluíram os seus estudos no ano lectivo 2005/2006. Aos 1093 licenciados, juntam-se 194 bacharéis, 38 detentores de complemento de formação, 278 mestres, 86 doutores e 11 doutores com agregação, num total de 1700 diplomados. É também nesta cerimónia, presidida pela Reitora, que são distinguidos os alunos do ano lectivo 2005/2006 que mostraram um aproveitamento escolar excepcional. Este ano, vão, assim, ser entregues 21 bolsas de mérito.

Quem tem medo do lobo mau?

Publicada por José Manuel Dias


Existem muitas explicações para o medo quase paranóico que os seres humanos foram sentindo através dos tempos em relação aos lobos. Uma das hipóteses é que o cordeiro é o símbolo de Cristo e, como os cordeiros são um belo jantar para os lobos, é fácil pintar o lobo como demoníaco. O lobo, visto como inimigo do cordeiro, tornou-se um simbolismo negativo na civilização ocidental.
O medo dos lobos está também perpetuado nos contos de fadas. Por exemplo o conto do Capuchinho Vermelho foi interpretado por alguns como sendo um aviso de natureza sexual para as meninas adolescentes. Ao falar com o lobo, o Capuchinho Vermelho deu o primeiro passo para a sua desgraça. O lobo era o símbolo do Mal, representava talvez o Diabo, que ali estava apenas para tentar as pessoas.
Hoje em dia esses mitos começam a desvanecer-se e podemos começar a ver o lobo como o viam os índios americanos, que o respeitavam pela sua coragem, inteligência e enormes capacidades. Estes povos envergavam frequentemente cabeças e peles de lobo, na esperança que a magia dos lobos entrasse nos seus corpos e mentes e assim pedissem herdar a sua perícia e capacidades.
Hoje, sabemos que não precisamos de uma pele de lobo - podemos optar por simplesmente deixar que as lições da alcateia guiem o nosso comportamento para com os outros.
Extraído de " A sabedoria dos lobos", Twyman L. Towery, Editora Sinais de Fogo, Cascais (1995)

Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

Publicada por José Manuel Dias


Desde o dia 3 de Maio, desapareceram, além de Madeleine McCann, mais de 800 crianças e jovens, só no Reino Unido. A informação foi veiculada por responsáveis da linha de apoio National Missing Persons, que chamaram à atenção para a diferença, a nível de mediatização, entre esses casos e o da menina desaparecida no Algarve.
Existe em curso um debate, no Reino Unido, em torno de Maddie que não se resume ao tema central que é o desaparecimento da criança, envolvendo também a cobertura mediática do caso. No domínio da internet, a página criada no início do mês para ajudar a encontrar a menina inglesa já teve mais de 100 milhões de acessos, reunindo milhares de mensagens de apoio, provenientes de todo o Mundo. Resta saber se este caso está a ser tratado da melhor forma. É, no entanto, um caso paradigmático. Será que a divulgação em massa de fotografias de uma criança desaparecida pode ter efeitos perversos? Será que o raptor não será levado a desfazer-se da criança ou a escondê-la com mais cuidado? Será que são mobilizados recursos idênticos para todas as crianças desaparecidas? A gratificação prometida para quem facultar informações relevantes não conduzirá ao aparecimento de inúmeros testemunhos que desviarão os investigadores das pistas mais consistentes para localização da criança? Questões que merecem reflexão numa época, em que muitos pais se demitem das suas responsabilidades ou, por vicissitudes diversas, não lhes conseguem propiciar as condições para um desenvolvimento salutar.
Amanhã assinala-se o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas. Uma palavra de solidariedade para todos os que vivenciam situações desta natureza e um voto de esperança na capacidade dos homens em construir um mundo melhor.
Adaptado dos Jornais

Aplausos para a IES

Publicada por José Manuel Dias


A solução Informação Empresarial Simplificada (IES) já entrou em vigor e permite, através de um formulário electrónico, unificar quatro obrigações empresariais numa operação que vai abranger as 400 mil empresas que operam no país.
Esta medida, inserida no Programa Simplex 2007, vai evitar a apresentação da declaração anual de informação contabilística e fiscal, o registo de prestação de contas e a prestação de informação para efeitos estatísticos ao Instituto Nacional de Estatística (INE) e ao Banco de Portugal (BdP).
Os Técnicos Oficiais de Contas devem enviar um formulário electrónico único, a partir do site do IES ou das Declarações Electrónicas do Ministério das Finanças. Com a submissão electrónica do IES, as empresas podem ter acesso aos documentos de prestação de contas e ao registo de prestação de contas, sendo que este último é a única obrigação sujeita a pagamento de 85 euros (em papel tinha o preço de 126 euros).
Em colaboração com entidades como a Direcção-Geral dos Registos e Notariado, o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal, o programa aplica-se a mais de 98 por cento das empresas nacionais. Longe das primeiras páginas dos jornais, das notícias de abertura de telejornais, das polémicas estéreis sobre questões menores, Portugal está a mudar...Só assim, com medidas com esta, com impacto nos custos de contexto, se conseguira reforçar a nossa competitividade.

Absentismo

Publicada por José Manuel Dias


Absentismo é e expressão usada para designar a falta do empregado ao trabalho. São muitas e variadas as causas que podem conduzir ao absentismo. Desde doença comprovada (ou não), razões de carácter familiar e faltas por motivos diversos. O absentismo pode ser calculado tendo em conta o número de horas/ homem perdidas a dividir pelo nº de dias de trabalho efectivo. Um elevado absentismo - superior a 5% - deve ser convenientemente explicado. Todos sabemos que o absentismo é um factor de grande incerteza numa organização, constituindo, por isso, motivo de grande preocupação para as respectivas lideranças. Não podemos por isso, deixar de condenar aqueles que, "sãos como pêros", se deliciam com os calores da Primavera usufruindo da "Baixa por doença". O Estado gasta anualmente 500 milhões de euros em Subsídios por doença. O Governo promoveu, no início deste ano, uma inspecção destes casos e detectou que cerca de 1/3 correspondia a baixas fraudulentas. Uma acção meritória que deve ser prosseguida. Está em causa o nosso dinheiro, o dinheiro dos nossos impostos. Escusado será dizer que o elevado absentismo concorre para baixa produtividade, designadamente nos serviços públicos. Existe um grande trabalho pela frente...

A vantagem do saber

Publicada por José Manuel Dias


Não existe ocupação tão agradável como o saber; o saber é o meio de nos dar a conhecer, ainda neste mundo, o infinito da matéria, a imensa grandeza da Natureza, os céus, as terras e os mares. O saber ensinou-nos a piedade, a moderação, a grandeza do coração; tira-nos as nossas almas das trevas e mostra-nos todas as coisas, o alto e o baixo, o primeiro, o último e tudo aquilo que se encontra no meio; o saber dá-nos os meios de viver bem e felizmente; ensina-nos a passar as nossas vidas sem descontentamento e sem vexames.
Marcus Cícero, in 'Disputas Tusculanas'

Nicholas Negroponte

Publicada por José Manuel Dias


Nicholas Negroponte foi fundador e Director do Media Laboratory, do Massachussets Institute Of Techology (MIT) que estuda e experimenta novas formas de comunicação humana na área do multimédia. Autor do livro Being Digital, guia essencial para a compreensão da importância das "novas auto-estradas da informação". Ser digital, no seu entender, é libertar-se dos actuais limites de comunicação. Uma cultura de procura vai substituir a cultura da oferta: cada um de nós vai escolher os seus programas, personalizando-os a seu gosto, consumindo-os onde e quando quiser. Negroponte também nos alerta para os riscos desta evolução, designadamente pela exposição da vida privada mas, no balanço que faz, acredita que os prós superam os contras.

Máximas de autores desconhecidos

Publicada por José Manuel Dias


1. Hoje é o amanhã que tantos nos preocupava ontem.
2. Falta de tempo é a desculpa dos que perdem tempo por falta de método.
3. Uma pessoa pode falhar muitas vezes mas apenas se torna num falhado quando começa a culpa outro.
4. Não desperdicemos o tempo presente. Ele é o único em que podemos reparar o passado e construir o futuro.
5. A vida é como uma cana: só dá açúcar depos de passar por grandes apertos.

PME Líder

Publicada por José Manuel Dias


O IAPMEI contratou recentemente, em Lisboa, parcerias instititucionais com os principais Bancos portugueses, no âmbito do programa FINCRESCE. Esses Bancos estão a convidar as melhores empresas nacionais a aderirem ao estatuto PME Líder.
PME Líder, são empresas que pelas suas qualidades de desempenho e perfil de risco se posicionem como motor da economia nacional em diferentes sectores de actividade, prosseguindo estratégias de crescimento e liderança competitiva.
Do universo das PME Líder, identificar-se-á o grupo das PME Excelência, empresas que se distingam pelo seu nível superior, bem como as que manifestem predisposição para protocolar, no âmbito do Programa, a implementação de um plano de intervenção formatado à medida das suas necessidades, no sentido de colmatar fragilidades e melhorar o posicionamento no mercado.
O IAPMEI pretende com esta iniciativa valorizar exemplos de bom desempenho e incentivar dinâmicas empresariais que contribuam de forma relevante para o desenvolvimento da Economia portuguesa.

Falsa segurança

Publicada por José Manuel Dias


Pergunta o barqueiro ao peixinho dourado:
Não entendo a tua insensatez,
sempre a nadar contra a corrente...
A resposta não pôde ser ouvida,
pelo inadvertido barqueiro
que viu o barco
mergulhar indefeso
no despenhadeiro...

Autor desconhecido

Top Ten

Publicada por José Manuel Dias

Portugal está em décimo lugar na lista dos maiores défices de balança corrente, de acordo com dados disponibilizados pelo FMI. USA, Espanha, Reino Unido, França, Itália , Austrália, Turquia, Grécia e Índia estão nos lugares à nossa frente. O elevado endividamento espelha, no entanto, diferentes realidades. O caso português traduz, essencialmente, falta de competitividade das empresas exportadoras, a elevada dependência face ao petróleo, a corrida ao crédito das famílias portuguesas e a dívida pública assumida pelo Estado para suportar os níveis altíssimos de despesa públicas ( mais de 50% do PIB).
Quanto mais os portugueses recorrem ao crédito, mais os bancos têm necessidade de se financiar no exterior para suprir a procura de crédito. A escalada do endividamento externo " tenderá a traduzir-se num aumento do pagamento de juros, o que, na ausência de uma aceleração da produtividade, implicará um menor contributo da procura interna para o crescimento do PIB no futuro". Os encargos decorrentes da dívida vão custar por ano, de acordo com o Banco central, cerca de 3% do PIB.
Fonte: Diário Económico, de 14 de Maio
Bem podem dizer alguns que não têm culpa mas, a avaliar pelo relatório do FMI, somos "todos responsáveis": Estado, Empresas e Famílias. Todos gastam mais do que podem e quem nos financia é "o estrangeiro". Ou se arrepia caminho ou a factura será bem dolorosa.

Os preços e a estratégia

Publicada por José Manuel Dias


Se é tudo tão igual como é que me vou decidir pela escolha? Que critério vou usar? Sou um consumidor racional. O critério decisivo vai ser o preço. Se as empresas não conseguem diferenciar os produtos, furtando-se à questão do preço, têm os dias contados. A globalização tem muitas vantagens, visto da óptica dos consumidores, mas, por outro lado, obriga as empresas a competirem pelo preço, numa luta complicada com outras sedeadas em países onde o factor trabalho é muito mais barato ou onde a produtividade é muito superior. Este combate, para ser bem sucedido, exige uma reflexão estratégica. Não podemos ser bons em tudo, nem responder a todos. Temos de definir os nossos segmentos-alvo. Quem queremos servir? Como o vamos fazer? Que actividades concorrem para esses propósitos?
Parar para reflectir estratégicamente não é perder tempo, é construir o futuro.

Um grande desafio

Publicada por José Manuel Dias


A qualificação dos portugueses é um dos grandes desafios para o desenvolvimento do nosso país. São vários os indicadores que atestam a gravidade do nosso problema. Apenas 20% da população adulta, entre os 25 e os 64 anos, completou o ensino secundário (a média da OCDE ronda os 70%); cerca de metade da nossa população activa não tem a escolaridade mínima obrigatória; o número médio de escolarização da nossa população é baixo, pouco ultrapassa os 8 anos; cerca de 45% dos jovens, entre os 18 e os 24 anos, abandonam os estudos sem concluir o ensino secundário.
O exposto não deixa dúvidas: estamos numa situação preocupante. Importa mudar, fazendo mais e fazendo melhor, tendo em conta as restrições orçamentais. Temos, no entanto, de ter presente que uma mudança profunda desta realidade exige a intervenção de toda a sociedade. Uma parceria de várias entidades: cidadãos, instituições públicas e privadas. Pais, professores, autarcas, buscando, em conjunto, as melhores soluções, aprendendo com os erros, próprios e alheios, e, partilhando saberes.
Que meios temos ao nosso alcance? O que faz o Ministério da Educação? Qual o papel reservado às autarquias? Os Conselhos Municipais de Educação que atribuições têm? Os Conselhos executivos das escolas que intervenção podem ter? E os professores são espectadores ou protagonistas? E aos encarregados de Educação que exigências se colocam? E os empresários ( futuros empregadores dos estudantes) não têm uma palavra a dizer? Quais são as nossas Escolas de excelência?
Da resposta a estas questões depende, em grande parte, o nosso futuro. A educação, como é consabido, é a condição base para o desenvolvimento.