Citações

Publicada por José Manuel Dias


1. Agir como homem de pensamento e pensar como homem de acção.
H. Bergson
2. A sorte não existe. Aquilo a que chamais sorte é o cuidado com os pormenores.
Sir W. Churchil
3. Se não sabes onde ir, não inporta o caminho que te pode conduzir até lá.
Talmud
4. O ser capaz mora perto da necessidade.
Pitágoras
5. Eu respondi-lhe que se era certo que isto ia bem sem o dizer, iria melhor se o dissesse.
Talleyrand
6. Nada é permanente, salvo a mudança.
Heraclito
7. Não é o empregador que paga os salários, mas o cliente.
H. Ford
8. Age sempre de maneira a poder erigir o princípio da tua acção em máxima universal.
E. Kant




Virtudes que se podem tornar defeitos

Publicada por José Manuel Dias


Conheceis as seis virtudes e os seis defeitos nos quais pode cair aquele que quer praticar as seis virtudes sem conhecê-las bem? O defeito daquele que quer ser benfeitor e não quis aprender a sê-lo, é a falta de discernimento; o defeito daquele que ama a ciência e não ama o estudo, é o de cair em erro; o defeito daquele que gosta de cumprir promessas e não aprendeu a fazê-las, é prejudicar os outros, prometendo-lhes e dando-lhes coisas nocivas; o defeito daquele que ama a franqueza e não aprendeu a praticá-la é o de aconselhar a repreender muito livremente sem nenhuma consideração para com as pessoas; o defeito daquele que gosta de mostrar coragem e não aprendeu a saber doseá-la é perturbar a ordem; o defeito daquele que ama a firmeza de alma e não aprendeu a limitá-la é a temeridade.
Confúcio, pensador autodidacta e político chinês (551
-479 A.C.), in 'Os Anacletos'

Euro

Publicada por José Manuel Dias


Não deixa de ser curioso observar que o significado do símbolo do euro, com que todos nós convivemos no nosso quotidiano, é desconhecido de muitos portugueses. Hoje, mesmo, numa das aulas de Crédito, suscitei essa pergunta. Pois bem, na turma, com mais de duas dezenas de alunos, todos maiores de 18 anos, não houve um sequer que soubesse dar uma resposta adequada.
A proximidade nem sempre justifica a curiosidade é certo...mas procurar saber mais, é um hábito que deve ser incutido em todos nós. Aqui fica, então, a explicação para o símbolo €. Foi inspirado na letra grega "épsilon", invocando a Grécia, berço da civilização Europeia, representa a primeira letra da palavra "Europa". As linhas paralelas procuram simbolizar a estabilidade interna da moeda.

Dupla certificação

Publicada por José Manuel Dias


A partir de agora o regime de formação profissional encaminhará o dinheiro do novo Quadro Comunitário (QREN) destinado à qualificação profissional para as empresas que garantam uma dupla certificação (profissional e escolar). O novo sistema contemplará critérios mais apertados na atribuição de Fundos Comunitários para empresas com maus resultados a nível de empregabilidade. Francisco Van Zeller, presidente da CIP, refere que "esta é uma área onde há concordância entre os parceiros sociais pois é fundamental aumentar os níveis de escolaridade do país".
Fonte : Diário Económico de 7 de Fevereiro
Precisamos de requalificar as pessoas, importa, no entanto, avaliar, com rigor, o impacto da formação profissional ao nível do reforço das competências e da melhoria da empregabilidade associada. Faz, pois, todo o sentido a preocupação expressa pelo Ministro do Trabalho e Solidariedade Social " Os cursos financiados devem ser aqueles que interessam às pessoas e às empresas".

O lado escondido de todas as coisas

Publicada por José Manuel Dias



Como a célebre borboleta que agita as asas num continente e acaba por provocar um furacão do outro lado do mundo, Norma McCorvey alterou espectacularmente o curso dos acontecimentos sem o querer. Tudo o que ela queria era fazer um aborto. Era uma mulher de vinte e dois anos, pobre, sem educação, sem qualificações, alcoólica, toxicodependente e já tinha dado dois filhos para adopção e, nessa altura, em 1970, ficava novamente grávida. Porém, no Texas, como em todos os estados naquela época, o aborto era ilegal. A causa de McCorvey foi adoptada por pessoas mais poderosas do que ela. Essas pessoas fizerem dela a litigante principal numa acção judicial que pretendia legalizar o aborto. O réu era Henry Wade, procurador do Distrito de Dallas. O caso acabou por chegar ao Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos, tendo por essa altura o nome de McCorvey sido escondido sob o pseudónimo de Jane Roe.
No dia 22 de Janeiro de 1973, o tribunal decidiu a favor de Roe, permitindo que o aborto fosse considerado legal em todo o país.
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Mas como é que este processo desencadeou uma geração depois, a maior queda de criminalidade registada na história?
No que diz respeito ao crime, acontece que nem todas as crianças nascem iguais. Nem sequer parecidas. Décadas de estudos mostram que uma criança nascida num ambiente familiar adverso tem mais probabilidades do que outras crianças de vir a tornar-se um criminoso. E os milhões de de mulheres com maiores probabilidades de abortar na sequência do processo Roe contra Wade - mães pobres, solteiras e adolescentes para quem os abortos ilegais eram, antes, demasiado caros ou muito difíceis de conseguir - eram, em geral, modelos de adversidade. Eram as mesmas cujos filhos, se tivessem nascido, teriam muito mais probabilidades que a média de se tornarem criminosos.
In "Freakonomics - O estranho Mundo da Economia", Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, Editorial Presença, Lisboa ( 2006)

Missão China

Publicada por José Manuel Dias

O primeiro-ministro, José Sócrates, aproveitou o exemplo de expansão da empresa nacional Ydreams no mercado chinês para sublinhar que Portugal está presente nos sectores de actividade e nas cidades mundiais mais competitivas do mundo.
"Queremos mostrar o Portugal moderno na China, que também tem de ser mais conhecida no nosso país", afirmou José Sócrates, após a apresentação dos produtos tecnológicos para telemóveis da Ymeng - empresa participada pela Ydreams no mercado chinês -, durante uma sessão em Xangai.
Na cerimónia, presidida pelo primeiro-ministro, a Ymeng assinou nove contratos com empresas chinesas e multinacionais para o desenvolvimento de aplicações tecnológicas em telemóveis em áreas como os jogos e a publicidade.
Um dos novos produtos da Ymeng é um jogo para telemóveis em que o futebolista da selecção nacional Cristiano Ronaldo tem que driblar monstros para meter golos, com o qual a empresa luso-chinesa espera facturar cerca de três milhões de euros.
Este é um bom exemplo do modo como se pode tirar partido da notoriedade deste futebolista português que dentro de pouco tempo será eleito como o " Melhor do Mundo". Um contributo importante para a afirmação da nossa economia em terras do oriente.
No final, o primeiro-ministro deixou um presente a representantes das autoridades chinesas que estiveram na sessão: uma camisola da selecção nacional de Cristiano Ronaldo, com o número 17.
Num país em que abunda a contrafacção, o chefe do Governo português fez questão de deixar uma explicação complementar: "é claro que esta camisola está mesmo assinada pelo próprio Cristiano Ronaldo".
Fonte: Jornal de negócios

Universidade: os canudos de Bolonha

Publicada por José Manuel Dias


Recentemente a comunicação social fez saber que 40.000 licenciados estão no desemprego. Curiosamente, foi mais uma notícia que não afectou a Universidade. Será que a Universidade não se interroga perante estas situações? Será que continua paulatinamente a colocar mais no mercado mais desempregados? Cada Universidade tem que passar a acompanhar os seus licenciados e deveria ser financiada em função dos resultados, avaliados pela capacidade de criar valor. Não é possível continuar a fabricar licenciados para o desemprego e doutorados de copy past.
A reinvenção das universidades já está a acontecer em muitas escolas que sabem perfeitamente "onde estão", para "onde querem ir" e "como querem lá chegar". Os recentes protocolos assinados com o MIT e a aproximação a mundo empresarial levando a realidade das organizações para dentro das escolas com vista a ultrapassar o "fosso da morte", provam que há escolas no caminho da excelência.
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Bolonha exige mudança de mentalidades e rupturas com o status quo, o que significa avaliação de desempenhos anuais na base do emprego criado e ajudado a criar, do empreendorismo concretizado, da investigação traduzida em valor acrescentado e dos doutoramentos inovadores traduzidos igualmente em criação de valor.
José Vicente Ferreira, Gestor e Docente Universitário, in Revista "Dirigir", nº 96, Out-Nov-Dez.

Máximas e reflexões

Publicada por José Manuel Dias


1. O carácter é um filtro que purifica as acções dos homens.
2. A pontualidade é uma condição importante da integridade do carácter.
3. A vida de um homem de juízo é a resultante de muitas renúncias.
4. Um condição fundamental para o êxito nos negócios consiste em saber esperar, sem perder tempo.
5. A consciência humana, em geral, termina no ponto onde começa o interesse.
6. O calar nem sempre é uma virtude; há quem se cale para comer mais.
Selecção feita com base no livro" A contas com a Ética Empresarial", Moreira, José Manuel, Principia Publicações, Lda, Cascais (1999).

Obesidade : doença ou maus hábitos?

Publicada por José Manuel Dias



Ocupar 2 lugares nos transportes públicos, procurar roupa numa loja de pronto a vestir sem encontrar o número, pedir ajuda para se calçar, sentir-se discriminado na escola ou no trabalho, são apenas alguns dos problemas com que os obesos se confrontam.
Estima-se que a obesidade tenha um custo anual para o nosso país superior a 550 milhões de Euros, entre custos directos e indirectos. Entre estes enumeram-se horas de trabalho perdidas, comparticipações em medicamentos e subsídios de doença. Uma factura com tendência para crescer porque estamos a ficar mais gordos de ano para ano. Os números falam por si: 58% da população tem excesso de peso e 15% é obesa. Calcula-se, ainda, que anualmente morram 1.500 pessoas em resultado da chamada obesidade mórbida.
Os estilos de vida, por um lado, e a falta de consciência por outro, estão na origem deste problema cuja solução não se vislumbra. De acordo com o Presidente da ADEXO (Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal) " Somos responsáveis pela primeira geração de miúdos obesos que pode morrer antes dos pais".
O Governo tem noção deste problema e lançou um conjunto de acções preventivas nas escolas , integradas no Programa de Combate à Obesidade Infantil. Procura-se alterar hábitos alimentares, de modo evitar o aparecimento mais tarde de complicações resultantes da obesidade, (diabetes, doenças vesiculares, coronárias, cardíacas, hipertensão, para citar apenas algumas).
Para "abrir as hostilidades" permito-me lançar as seguintes questões:
Será que cada um não tem o direito a comer o que mais gosta? Não deverá ser lançado um "imposto sobre a gordura" de modo a desincentivar o consumo de gorduras? Deve o estado suportar os custos dos tratamentos dos obesos? Não terão os obesos direito a uma discriminação positiva? A campanha de combate à obesidade deve ser encarada como um custo ou como um investimento? Não haverá obesos que são doentes ? E estes não deverão ter um apoio especial? Será que somos pré- obesos sem o saber?
A resposta a esta última questão pode ser obtida calculando o índice da massa corporal (divide-se o peso, em quilos, pelo quadrado da altura, em metros). Se é entre 25-29 somos considerados pré obesos, se se situar entre 30 e 35 seremos obesos e teremos obesidade mórbida, caso o índice seja igual ou superior a 36. A normalidade situa-se entre 20 e 24.

Fonte : Jornal de Negócios de 26 de Janeiro

Vencedores e Derrotados

Publicada por José Manuel Dias


Quando um vencedor comete erros diz " Enganei-me..." e aprende com os erros.
Quando um derrotado comete erros diz "A culpa não foi minha" e responsabiliza terceiros.
Um vencedor compremete-se com a sua palavra e cumpre.
Um derrotado faz promessas, "não mete os pés a caminho" e quando falha só se justifica.
Um vencedor diz " Sou bom mas vou ser melhor ainda".
Um derrotado diz " Não sou tão mau assim, há muitos piores que eu".
Um vencedor respeita os que sabem mais e procura aprender algo com eles.
Um derrotado resiste a todos os que sabem mais e apenas se fixa nos seus defeitos.
O vencedor diz " Deve haver uma forma de fazer melhor".
O derrotado diz " Sempre o fiz assim".
O vencedor é parte da solução.
O derrotado é parte do problema.

Défice Público (*)

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O défice público do ano transacto ficou cerca de 600 milhões de euros abaixo do esperado, beneficiando de uma cobrança de receitas que ultrapassou o previsto e de uma evolução das despesas em linha com o orçamentado, afirmou hoje o ministro das Finanças.
Em conferência de imprensa para a apresentação da execução orçamental do subsector Estado até Dezembro, Fernando Teixeira do Santos disse que o saldo das contas públicas totalizou cerca de 7400 milhões de euros negativos, menos 1740 milhões do que em 2005 e 593 milhões abaixo do orçamentado.
As receitas públicas subiram 8,3 por cento, para 35 mil milhões de euros, perto de 600 milhões de euros acima do orçamentado, num ano em que as receitas fiscais cresceram, 7,2 por cento. Despesas com pessoal caíram 2,0 por cento. Do lado das despesas o crescimento foi de 2,4 por cento face ao ano anterior, em linha com o previsto, totalizando 43 mil milhões de euros. O Estado conseguiu limitar a evolução dos gastos com os funcionários públicos, com as despesas com o pessoal a caírem 2,0 por cento. Só as remunerações certas e permanentes (salários) baixaram 1,5 por cento. O valor final do défice público, que inclui, para além do subsector Estado, as autarquias, as regiões autónomas, os fundos e serviços autónomos e a Segurança Social, só será conhecido depois do apuramento destes subsectores, ainda durante este trimestre.
Fonte : Jornal Público de 23 de Janeiro
(*) O Défice Público (ou Défice Orçamental) corresponde ao saldo negativo das Contas Públicas, ou seja, à diferença entre as despesas do Estado e as suas receitas durante um determinado período de tempo (geralmente considera-se o período um ano).

Business Excellence Model - BEM

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O Business Excellence Model (EFQM) foi desenvolvido para o European Quality Award, com o objectivo de disponibilizar aos gestores de topo de uma organização uma ferramenta que lhes permita participar e medir o desempenho da sua organização quando comparada com outra organização do mesmo ou de outro sector de actividade. A figura explicita o modelo que fundamenta o Prémio Europeu de Qualidade (EFQM). A satisfação dos clientes, dos colaboradores e o impacto sobre sobre a sociedade são obtidos através da liderança que impulsiona a política e a estratégia, a gestão das pessoas, os recursos e os processos, que podem levar à excelência dos resultados.
O BEM tem sido adoptado por organizações de diversos países, como instrumento de medição de performance. De igual modo diversas empresas utilizam o BEM com o intuito de melhorar a sua eficiência e alterar o modo de funcionamento interno.
São apontados, geralmente, como Benefícios da aplicação deste modelo:
- A metodologia estruturada para melhorar o desempenho da Empresa;
- Os resultados baseados em factos e não na percepção de cada um;
- A construção de consensos, a nível superior, da estratégia a seguir pela organização.
- A formação de recursos humanos capazes de aplicar os princípios fundamentais da Gestão pela Qualidade Total;
- A inovação e aprendizagem contínua contribuem para a melhoria do deempenho;
- O reforço da motivação dos colaboradores da empresa no sentido de alcançar a excelência ao nível da estrutura organizacional e do rspectivo negócio;
- Medir, de forma objectiva e consistente, os resultados alcançados ao longo do tempo;
- A criação de condições para o incremento do Benchmarking a nível interno, uma vez que dispômos dos resultados obtidos por outras Unidades da Organização.

Criatividade e inovação - o método dos seis chapéus

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O método dos seis chapéus criado por Edward de Bono é um modelo de raciocínio utilizado para explorar diferentes perspectivas para delinear uma estratégia numa situação complexa. Utiliza-se em situações de discussões em grupo : uma pessoa apresenta os factos do caso (chapéu branco, visão neutra), outra gera ideias sobre o modo como o caso pode ser tratado ( chapéu verde, pensamento criativo), enquanto a seguir uma outra lista as vantagens (chapéu amarelo, optimista) e uma outra lista as desvantagens (chapéu preto, o advogado do diabo).
Depois deste processo, há um elemento que sumariza as tendência de opinião sobre as várias alternativas em análise (chapeu vermelho, conciliação) e, finalmente, o último membro sistematiza a discussão e encerra a reunião (chapéu azul, consenso).
Técnica especialmente aconselhada para sessões de criatividade. Uma vez que todos os membros têm um papel definido a discussão pode ser franca e aberta, anulando-se a tendência para a personalização das críticas.
Quem pretender aprofundar este tema pode consultar o sítio do seu criador : http://www.edwdebono.com/ .

A Visão

Publicada por José Manuel Dias


Um viajante avistou ao longe uma construção e resolveu aproximar-se. Verificou então que três pedreiros estavam a trabalhar na mesma obra e a fazer o mesmo serviço. Resolveu, então, perguntar-lhes o que estavam a fazer. Perguntou ao primeiro que lhe respondeu: "Estou a ganhar a vida". Perguntou ao segundo que, sem levantar os olhos, disse " Estou a assentar pedra" . Por fim questionou o terceiro: " E tu que estás fazer?" Estou a ajudar a construir uma catedral, respondeu-lhe prontamente.
Esta pequena história procura sublinhar a importância de, numa organização, todos saberem responder à questão central : " Para onde vamos?". Se cada um dos integrantes de uma organização não souber responder a esta questão, como saberá que o caminho que está a seguir é o adequado?
Importa, por isso, definir, antes de mais e acima de tudo, para onde queremos ir. Caberá à gestão de topo de uma organização essa definição. A escolha da Visão - a declaração sucinta do que aspira a ser...a terra prometida onde corre leite e mel - é essencial para alinhar toda a organização com a estratégia preconizada. A criação de um sistema de gestão que monitorize o desempenho é, também, uma condição necessária para garantir que as acções das diferentes áreas estão em linha com os objectivos e as metas a atingir.
E você sabe qual é a Visão da organização a que pertence?

Quadro de Referência Estratégico Nacional

Publicada por José Manuel Dias


O Primeiro-Ministro presidiu ontem à apresentação do Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007-2013 (QREN), que prevê um investimento global de 44,7 mil milhões de euros, sendo 21,5 provenientes dos fundos da União Europeia, e o restante do Estado e de privados portugueses.
Os fundos organizam-se em três Agendas - Potencial Humano, Factores de Competitividade e Valorização do Território - e sete Programas Operacionais Regionais. O PM situou em «três domínios as insuficiências, estratégicas e de concretização, da absorção dos fundos comunitários»: défice na «qualificação dos nossos activos» e a «fragilidade da nossa cultura técnica e científica»; falta de «selectividade no apoio ao investimento verdadeiramente modernizador e com potencial de multiplicação»; e falta de «melhoria dos factores envolventes do sucesso competitivo», os custos de contexto.
Não desperdicemos esta excelente oportunidade para melhorar a qualificação dos portugueses, promovendo um modelo de crescimento económico sustentável e uma maior coesão social.

Aveiro é a quinta...

Publicada por José Manuel Dias


Aveiro é quinta melhor cidade para se viver em 2007, de um universo de meia centena de cidades do Continente e dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. O "ranking" foi divulgado no âmbito de um estudo efectuado e publicado pela revista " Única" do semanário Expresso.
Depois de Lisboa (1º), Guimarães, Évora e Porto, Aveiro surge como a cidade que, dentro de um conjunto de vinte critérios, apresenta melhores condições para se viver. Dos critérios tidos em conta, o destaque (a nível nacional) reside na "Relação com a água e a paisagem" que é considerada uma das suas principais mais valias.

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias


Reformar é fazer diferente, é ser capaz de adaptar as acções novas circunstâncias e, por isso, não há reformas sem roturas, não necessariamente com os objectivos, mas com os meios e os modos de os alcançar.
Ora a dúvida sobre a recondução do director geral dos Impostos é uma total incoerência com um espírito de reforma.
Com efeito, está-se perante alguém do sector privado que manteve esse estatuto, mas que se dispôs a prestar um serviço público, introduzindo-lhe uma dinâmica própria.
Foi uma experiência de sucesso inquestionável pelo que se esperaria que servisse de exemplo para se repetir em um ou outro caso que se justificasse. Engano!
Para os que duvidam da continuidade da experiência, o que está em causa não é o desempenho, mas o nível de vencimento, isto é, ainda não se libertaram do conceito de que "serviço público" é prestado por servidores do Estado - funcionários públicos - com salários mais baixos do que os que vigoram no mercado, facto este compensado por "segurança no emprego".
Daí a existência de um "estatuto remuneratório", isto é, remuneração de acordo com o estatuto e não com o mérito e, portanto, a categoria igual deverá corresponder salário igual, independentemente dos resultados alcançados. Só a invocação de um "estatuto remuneratório" prova que se está a raciocinar em termos ultrapassados.
Para reformar é preciso romper com hábitos, ensair novas fórmulas e, acima de tudo, libertarmo-nos de preconceitos.
Manuela Ferreira Leite, " Ponto sem nó", caderno Economia, semanário Expresso de 13 de Janeiro de 2007

Somos todos empresários

Publicada por José Manuel Dias


Para os austríacos, num sentido geral ou amplo, a função empresarial coincide com a própria acção humana. Neste sentido poder-se-ia afirmar que exerce a função empresarial qualquer pessoa que actua para modificar o presente e conseguir os seus objectivos no futuro. Ainnda que esta definição possa à primeira vista parecer demasiado ampla e em desacordo com os usos linguísticos actuais, há que ter em conta que a mesma está em conformidade com o original significado etimológico do termo empresa. De facto, tanto as expressões espanhola e portuguesa empresa como as acepções francesa e inglesa entrepreneur procedem etimologicamente do verbo latino in prehendo-endi-ensum que significa descobrir, ver, perceber, dar-se conta de, capturar; e a expressão latina in prehensa comporta claramente a ideia de acção, no sentido de tomar, agarrar.
.../...
A função empresarial, em sentido estrito, consiste basicamente em descobrir e avaliar (prehendo) as oportunidades de alcançar um fim ou, se preferirmos, de conseguir algum lucro ou benefício, tendo em conta as circunstâncias envolventes e agindo de modo a aproveitá-las.
In " Escola Austríaca - mercado e criatividade empresarial", Jesús Huerta de Soto, O Espírito das Leis Editora, Lda, Lisboa ( 2006)

Balança Comercial

Publicada por José Manuel Dias


De Janeiro a Outubro de 2006, as exportações portuguesas cresceram 12,6% e as importações 8,5%. As exportações para a União Europeia cresceram 8,6% e para os países terceiros aumentaram quase 30% (28,6%). As importações cresceram 7,1% e 12,8% respectivamente.
A taxa de cobertura ( percentagem das nossas importações que podemos considerar pagas com o valor das exportações), passou de 62,5 % em 2005 para 64, 8% no ano em curso. Dito de outro modo, apesar da melhoria continuamos a depender muito do exterior.
A melhoria destes indicadores não poderá dissociar-se da necessária competitividade e inovação das empresas portuguesas condições essenciais para a conquista de novos mercados. A consolidação e reforço da marca Portugal pode, também, dar um impulso nesse sentido, bem como a "cooperação estratégica" entre Governo e Presidente, espelhada, uma vez mais, na visita presidencial à Índia. Ministros e empresários aproveitam a "boleia" e procuram descobrir "novos caminhos para a Índia".
Fonte: Banco de Portugal

Quando está frio

Publicada por José Manuel Dias


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável, Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno
- Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar
— No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade. Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

Alberto Caeiro

Boas notícias!

Publicada por José Manuel Dias


O número de estudantes do pré-escolar ao secundário aumentou em Portugal, com as escolas a receberam mais 21 mil alunos, anunciou o Ministério da Educação. De acordo com o recenseamento escolar divulgado esta segunda-feira à Agência Lusa pelo Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (GIASE) do Ministério da Educação, o número de alunos matriculados no ano lectivo de 2006/2007 passou de 1.648.278 para 1.669.470.
A informação estatística relativa apenas a Portugal Continental mostra que o aumento da população estudantil foi geral, desde o pré-escolar ao ensino secundário, mas com especial incidência no 3º ciclo do ensino básico (7º e 9º anos) e no secundário (10º e 12º ano).
De acordo com os dados, a educação pré-escolar teve um acréscimo de alunos de 1.488, passando de 245.738 para um total de 247.224, o ensino básico um aumento de 8.440, passando de 1.076.360 para 1.084.800 estudantes e o secundário cresceu 11.264, passando de 326.182 para 337.446 alunos.
O crescimento do número de alunos no 3º ciclo, acrescenta a informação do Ministério, resulta do aumento dos matriculados em cursos profissionalizantes com certificação escolar e profissional, destinados a combater o insucesso e abandono escolares. Este crescimento, refere a nota do Ministério, decorre do reforço da oferta do ensino público, que atraiu mais 10.509 alunos do que no ano anterior. No ensino secundário, a expansão deve-se ao aumento dos matriculados em cursos profissionais, que passaram de 33.341 para 44.466 alunos. Noventa e três por cento destes novos alunos estão matriculados em estabelecimentos de ensino públicos.
Fonte : Portugal Diário

O homem e a sua sombra

Publicada por José Manuel Dias


Era uma vez um homem original que queria apanhar a sua própria sombra. Dava um passou ou dois na sua direcção, mas ela afastava-se. Acelerava o passo mas ela fazia o mesmo. No final, começou a correr e a sombra correu também, recusando-se totalmente a entregar-se, como se fosse um tesouro. Mas repare! O nosso excêntrico amigo aproxima-se e afasta-se rapidamente da sombra. Se olha para trás, agora é ela que corre atrás dele. Senhoras, sinceramente, com frequência tenho observado (...) que a sorte nos trata de forma semelhante. Um homem tenta com todas as suas forças agarrar a deusa, e apenas desperdiça tempo e trabalho. Outro parece fugir dela; mas não: é ela que tem prazer em o perseguir.
Ivan Kriloff (1768-1844)

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias


Cavaco Silva falou ao país de esperança, resumindo: é cada povo que faz o seu destino. Para que se cumpra o de Portugal, o Presidente quer resultados na educação, no crescimento económico e na justiça. Dito de outra forma, exige melhor educação, uma justiça mais rápida e a economia a crescer. Conversa do costume ? Não!
(...)
Cavaco parece considerar que parte dos portugueses se habituaram a esperar resultados - não a batalhar por eles. Quando repisa que o país precisa de todos, esta a pedir menos passividade no contacto com a má moeda. Quer união de interesses. Crítica óbvia: isso todos dizem. É verdade. Mas o Presidente da República foi claro: identificou três áreas e comprometeu-se a avaliar se as reformas (essas três reformas) surgem já em 2007. Cavaco não estava a lançar avisos a Sócrates: estava a tentar motivar o país.
(.../...)
O recado de Cavaco é para os empresários ( que precisam de copiar mais o investimento em inovação), como é para os alunos (a quem se exige que estudem mais) ou para os juízes que, sendo muito mais numerosos em Portugal do que Inglaterra (por habitante) são tremendamente menos eficazes. Numa frase, é um recado a um país de gente que se demitiu de fazer, esperando que alguém faça por si.
Martim Avillez de Figueiredo
Editorial do Diário Económico de 3 de janeiro de 2007

Direito à saúde

Publicada por José Manuel Dias


A saúde, tal como hoje se entende, ou é saúde comportamental ou não é nada; do mesmo modo que em outros tempos, a enfermidade ou era lesão orgância, ou não era nada. Se antes se definiu a enfermidade em função da patologia, agora a saúde define-se em função da conduta. Assume-se, de certa forma, que ainda que a conduta não seja a razão última de explicar a saúde, é, sem dúvida alguma a penúltima e, por isso, há que forçosamente apelar a ela. Não podia ser de outro modo, dado que (...) os hábitos pessoais e o peculiar estilo de vida - os hábitos comportamentais - constituem o principal substracto em que fundam as suas raízes a maioria dos factores de risco que, crescendo, acabam por fazer aparecer as principais enfermidades responsáveis na actualidade pela morte das pessoas.
Aquilino Polaino-Lorente
Doutor em Medicina e Filosofia, Especialista em Psiquiatria, Catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense

Instruções para a Vida

Publicada por José Manuel Dias


1. Não digas às pessoas o modo como as coisas devem ser feitas. Diz-lhes antes as coisas que há para fazer. Não imaginas as soluções criativas de que muitas pessoas são capazes.
2. Lê com atenção todas as coisas que deves assinar. Nunca te esqueças que as letras grandes prometem tudo o que as letras pequenas acabam por tirar.
3. Lembra-te que 80% do teu êxito em qualquer tipo de emprego advém da tua capacidade em lidares com as pessoas.
4. Não percas a magia do momento que passa por estares preocupado com o que há-de vir.
5. Nunca gastes despreocupadamente o tempo ou as palavras. Quer um, quer as outras, são insusceptíveis de reposição.
Seleccionado do " Pequeno Livro de Instruções para a Vida" de H. Jackson Brow, JR, Editora Gradiva. De acordo com o autor, o livro começou por ser um presente para o seu filho, Adam e agrega algumas reflexões e conselhos que representam " tudo o que aprendera sobre o modo de viver uma vida recompensadora e feliz".

Boas entradas

Publicada por José Manuel Dias


Aproxima-se 2007.
Todos nós temos de escolher a moeda com que vamos contruir o nosso futuro. Desenvolvimento e prosperidade ou atraso e pobreza. Quatro faces de duas moedas que cada vez mais se excluem e cujo curso nos determina o futuro.
Escolher a boa moeda depende da nossa atitude. Ser solidário é, seguramente, uma grande ajuda para que a a boa moeda possa expulsar a má.
A todos os que nos visitam apresentamos votos de Bom Ano Novo.

Ensino Superior : avaliação da OCDE

Publicada por José Manuel Dias


O relatório de avaliação do sistema do ensino superior em Portugal preparado pela Divisão de Educação da OCDE foi recentemente apresentado ao Governo Português. O relatório ressalta os aspectos positivos registados nas últimas décadas em Portugal, nomeadamente em termos de números de inscrições no ensino superior ( de cerca de 30.000 em 1960 para 400.000 em 2000) e identifica os actuais desafios, assim como as principais reformas que deverão ser introduzidas em Portugal.
As recomendações da OCDE organizam-se em seis grandes tópicos, como resumido seguidamente, com referência aos parágrafos específicos do relatório da OCDE : 1) coordenação e gestão do sistema; 2) governação e estatuto legal; 3) financiamento e eficiência do sistema; 4) acesso e equidade; 5) qualidade e excelência nos sistemas de ensino superior e de ciência e tecnologia; 6) abertura das instituições à sociedade.
De entre estes pontos, destacamos :
- O actual sistema de governação das instituições de ensino superior é considerado como esgotado face aos desafios que emergem e deverá ser aberto à sociedade;
- O sistema actual manifesta inúmeras ineficiências, nomeadamente ao nível da duplicação de cursos e programas de estudo com baixa atractividade e de uma insuficiente cooperação e colaboração entr instituições de forma a permitir uma maior mobilidade de estudantes;
- Mais de 15% dos alunos em Portugal não termina o 9º ano e 60% não termina o 12º ano, adicionalmente perto de 40% dos alunos do ensino superior não terminam o seu curso;
- As instituições do ensino superior encontram-se de forma geral excessivamente fechadas e pouco ligadas às necessidades da sociedade e às exigências do mercado de trabalho e manifestam uma insularidade que urge ultrapassar.
O relatório é uma avaliação extensiva, independente e objectiva de acordo com critéros internacionais, visando melhorar e orientar a reoganização e racionalização do sistema de acordo com as melhores práticas internacionais. Temos, pois, um grande caminho pela frente, na procura de uma melhor gestão dos dinheiros públicos, que o mesmo é dizer dos nossos impostos, e na melhoria do ensino, a bem do nosso país.

Existimos em Função do Futuro

Publicada por José Manuel Dias


Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projectos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projectardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro. O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro?
Jean-Paul Sartre ( 1905/1980) , in 'Situações I', ensaio político.

Boas festas

Publicada por José Manuel Dias


Mais um ano que se aproxima do seu término. Ocasião para renovadamente alimentarmos o desejo de um tempo e um espaço onde "cada homem viva como um homem". Ocasião para reiterarmos as nossas convicções e afirmarmos que um dia será possível:
" habitar uma terra onde não se cortem as árvores só para que não façam sombra aos arbustos";
" viver num mundo onde não se cuide mais do fato que da consciência, da bolsa que da alma".
Votos de um Feliz Natal e um Excelente Ano de 2007 a todos que nos visitam.
Na imagem a maior árvore de Natal da Europa- a árvore do MilenniumBcp - instalada na Praça do Comércio, em Lisboa. Tem 75 metros de altura, um peso de 280 toneladas, 2,35 milhões de micro-lâmpadas, 26 mil metros de mangueira luminosa e 410 metros de néon.

Lições para Portugal

Publicada por José Manuel Dias



1. A reestruturação da economia finlandesa só foi possível com uma aposta clara na qualificação e requalificação dos recurosos humanos. Readaptção e versatilidade são palavra-chaves num país cuja estratégia nacional assenta na inovação. Por isso, a formação contínua ao longo da vida dos indivíduos é, há vários anos, uma prioridade clara para as autoridades finlandesas.
2. Os espanhóis, através da marca Zara, do grupo Inditex, estão presente nas maiores cidades do Mundo ( Aveiro é uma delas...), o Santander é um dos maiores bancos mundiais e a Telefónica não pára de crescer. Uma imagem de marca forte, agressividade comercial e serviços inovadores explicam este sucesso.
3. O espírito combativo dos finlandeses e a grande perseverança explicam o sucesso do país dos "mil lagos". Trabalho, mérito, poupança, paciência e sacrifício são valores dominantes na Finlândia e que se reflectem nas suas organizações.
4. A Irlanda até meados da década de 90 produzia bens tradicionais com baixo valor acrescentado. A aposta na educação, a redução de impostos, a reforma da administração pública e a concertação social, concorreram para o grande influxo de investimento estrangeiro registado. Bom capital humano e elevado investimento directo estrangeiro permitiram à economia inovar e crescer.
Adaptado da Revista "Exame", Edição Especial 2006

O espaço público

Publicada por José Manuel Dias


Vê-se que o espaço público falta cruelmente em Portugal. Quando há diálogo, nunca ou raramente ultrapassa as «opiniões» dos dois sujeitos bem personalizados (cara, nome, estatuto social) que se criticam mutuamente através das crónicas nos jornais respectivos (ou no mesmo jornal).O «debate» é necessariamente «fulanizado», o que significa que a personalidade social dos interlocutores entra como uma mais-valia de sentido e de verdade no seu discurso. É uma espécie de argumento de autoridade invisível que pesa na discussão: se é X que o diz, com a sua inteligência, a sua cultura, o seu prestígio (de economista, de sociólogo, de catedrático, etc.), então as suas palavras enchem-se de uma força que não teriam se tivessem sido escritas por um x qualquer, desconhecido de todos. Mais: a condição de legitimação de um discurso é a sua passagem pelo plano do prestígio mediático - que, longe de dissolver o sujeito, o reforça e o enquista numa imagem «em carne e osso», subjectivando-o como o melhor, o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo.
In " Portugal, Hoje. O Medo de Existir", GIL, José (2004), Relógio d´Água, Lisboa

Problemas e oportunidades

Publicada por José Manuel Dias



Em meados dos anos 60 algumas empresas do sector do calçado iniciaram projectos de exportação para Angola. No mesmo do dia, dois vendedores de empresas distintas, uma de Felgueiras e outra de S. João da Madeira, desembarcaram em Luanda. Tinham como propósito fazer um levantantamento das potencialidades do mercado. No final do dia, depois de terem conhecido a cidade, mandaram "telexes" (os faxes apareceriam duas décadas mais tarde) para as gerências das respectivas empresas. Um deles dizia " Senhores, cancelem o projecto de exportação para Angola. Aqui ninguém usa sapatos! ". O outro dizia " Senhores, enviem-me, desde já, três contentores de sapatos e acelerem o projecto de exportação. Aqui andam todos descalços".
A mesma situação foi interpretada de modo diferente pelos dois vendedores. Onde um viu dificuldades, o outro viu oportunidades. Tudo na vida pode ter sempre duas visões. Depende de cada um de nós transformar problemas em oportunidades.

Portugal é dos melhores

Publicada por José Manuel Dias

Portugal é o 13º país, em 180, com mais baixa taxa de mortalidade infantil. De 1990 até 2005, a taxa passou de 14 mortes por cada mil crianças para apenas cinco, de acordo com o relatório Situação da Infância em 2007 divulgado pela UNICEF.
Portugal é, também, um dos países do mundo com esperança média de vida mais elevada, 78 anos. Só dez países no mundo têm uma taxa superior à portuguesa a este nível.

Aprender compensa

Publicada por José Manuel Dias


Que mensagem usaria para convencer os trabalhadores e empresas a aderir à formação profissional?

A mensagem que importa sublinhar é que aprender compensa, existe uma relação clara entre os níveis de qualificação e os ganhos económicos e sociais.
Aos trabalhadores será útil dizer que uma qualificação de base mais elevada facilita o acesso a melhores empregos, mais interessantes e com melhores salários. Para as empresas, investir em qualificação é, também, condição fundamental de sucesso. Trabalhadores mais qualificados garantem melhores níveis de produtividade, maior capacidade de inovação, asseguram a realização de actividades mais exigentes em conhecimento e contribuem para reforçar a capacidade competitiva das empresas.
Resposta de Fernando Medina, Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, ao JN, Suplemento as 1.000 + rentáveis 2006

A lista...

Publicada por José Manuel Dias


A partir de Janeiro do próximo ano, o Fisco vai alargar os critérios de publicitação da lista dos devedores ao Estado, passando a divulgar as dívidas a partir dos 25 mil euros para as pessoas singulares e as de 50 mil para as colectivas. De acordo com notícia veiculada, nesta data, pelo jornal " Público" as Finanças pretendem com essa medida expor um maior número de contribuintes com dívidas ao Estado e acelerar o processo de regularizações. Desde o início da divulgação desta lista, em Julho, foram regularizados 1716 processos de dívidas, no valor de 40 milhões de euros. Parece poder concluir-se que a decisão do Governo, inicialmente contestada por uns tantos, é afinal eficaz. Existe muito " boa gente" que deveria pagar os seus impostos mas não o faz e, uma vez que não é titular de património penhorável, o Fisco não consegue fazer a respectiva cobrança.
A divulgação da lista tem efeitos positivos pois permite identificar os riscos de crédito dessas entidades. Ninguém quererá ter relações comerciais com quem não cumpre as suas obrigações fiscais, uma vez que " quem faz um cesto faz um cento...". Trata-se de uma informação relevante, dadas as dificuldades existentes na determinação do risco de crédito na maioria das nossas empresas e a morosidade na cobrança judicial das dívidas . Por outro lado, e não menos negligenciável, passa a existir uma censura social a quem se furta ao cumprimento das suas responsabilidades fiscais lesando o Estado que o mesmo é dizer todos nós.

Bons Professores

Publicada por José Manuel Dias


Os bons professores usam a memória como armazém de informação, os professores fascinantes usam a memória como suporte da criatividade. Os bons professores cumprem o conteúdo programático das aulas, os professores fascinantes também cumprem o conteúdo programático das aulas, mas o seu objectivo fundamental é ensinar os alunos a serem pensadores e não repetidores de informação.
In Pais brilhantes, Professores Fascinantes, CURY, Augusto (2003), Editora Pergaminho, Cascais

Consumismo cego

Publicada por José Manuel Dias


A nossa vida é influenciada em grande medida pelos jornais. A publicidade é feita unicamente no interesse dos produtores e nunca dos consumidores. Por exemplo, convenceu-se o público de que o pão branco é superior ao pão escuro. A farinha, cada vez mais finamente peneirada, foi privada dos seus princípios mais úteis. Mas conserva-se melhor e o pão faz-se mais facilmente. Os moleiros e os padeiros ganham mais dinheiro. Os consumidores comem, sem o saber, um produto inferior. E em todos os países em que o pão é a parte principal da alimentação, as populações degeneram. Gastam-se enormes quantias na publicidade comercial. Assim, imensos produtos alimentares e farmacêuticos inúteis, e muitas vezes prejudiciais, tornaram-se uma necessidade para os homens civilizados. Deste modo, a avidez dos indivíduos suficientemente hábeis para orientar o gosto das massas populares para os produtos à venda desempenha um papel capital na nossa civilização.
Alexis Carrel (1873, 1944) , in "O Homem esse Desconhecido"

«Empresa na Hora» vence prémio europeu

Publicada por José Manuel Dias


O projecto português «Empresa na Hora» foi, ontem, distinguido em Bruxelas com o prémio europeu de iniciativa empresarial na categoria de «redução da burocracia», num evento apoiado pela Comissão Europeia.
Estes prémios, lançados em 2005, visam reconhecer e recompensar iniciativas tomadas por autoridades locais para apoiar o espírito empresarial a nível regional, tendo aderido à competição mais de 400 autoridades locais e regionais de todos os países da União Europeia (UE), dos futuros Estados-membros Bulgária e Roménia, e ainda da Islândia e Noruega.
Das centenas de propostas foram escolhidas 13 finalistas, entre as quais o projecto «Empresa na Hora», o regime especial de constituição de sociedades que torna possível estabelecer empresas em menos de uma hora e com custos muito mais reduzidos, perante um único controlo administrativo.

O SIADAP e o fim da história

Publicada por José Manuel Dias


O SIADAP (Sistema integrado de avaliação de desempenho da administração pública) é um modelo de avaliação global que permite implementar uma cultura de gestão pública, baseada na responsabilização de dirigentes e outros trabalhadores relativamente à prossecução dos objectivos fixados, mediante a avaliação dos resultados. Está ser objecto de implementação em toda a Administração Pública e assenta em três componentes:
1) objectivos individuais - tendo em vista os objectivos do Serviço;
2) competências comportamentais - tendo em vista avaliar as características pessoais que diferenciam os níveis de desempenho numa função;
3) atitude pessoal - tendo em vista avaliar o empenho pessoal para alcançar níveis superiores de desempenho ( esforço, interesse e motivação).
A sua concretização está suscitar naturais dificuldades e algumas críticas, oriundas dos sectores que não estavam habituados a prestar contas do seu desempenho. As mudanças exigem sempre esforços adicionais e uma cultura de exigência e rigor ainda não é característica da nossa Administração Pública. Este sistema foi aprovado durante o Governo de Durão Barroso - Lei nº 10/2004, de 22 de Março - mas só, agora, por iniciativa do actual executivo, está a ser materializado. Quem está identificado com as práticas do sector privado e conhece as empresas mais competitivas sabe que a avaliação de desempenho é um instrumento essencial para termos profissioanis mais qualificados e serviços com a mais qualidade. Anda, pois, bem o Governo, ao fazer, o que está a fazer. Estamos no bom caminho. Histórias, como a que referimos infra, vão deixar de ter aderência à realidade da nossa Administração Pública.
Era uma vez quatro pessoas que se chamavam toda a gente, alguém, qualquer um e ninguém. Havia um importante trabalho que tinha que ser feito e toda a gente acreditava que alguém é que o iria executar.
Qualquer um poderia fazê-lo, mas ninguém o fez. Alguém ficou aborrecido com isso, porque entendia que a execução do trabalho era responsabilidade de toda a gente. Este pensou que qualquer um o poderia fazer, mas ninguém imaginou que toda a gente não o faria. Toda a gente culpou alguém, quando ninguém fez o que qualquer um poderia ter feito!

Desemprego continua a baixar

Publicada por José Manuel Dias


Em Setembro de 2006, o número de desempregados registados no distrito de Aveiro era de 31.818, um decréscimo de 4,35 por cento comparando com o mesmo mês do ano passado.
Aveiro, continua a ser o quinto distrito com mais desemprego registado. O número de desempregados registados representa 8,9% da população activa do distrito.
As mulheres continuam a ser mais afectadas: são 20.064 em Setembro 2006, 63% dos desempregados registados e os de longa duração atingem 14.251 trabalhadores, 44,8% do desemprego do distrito.
O desemprego registado dos jovens com idade inferior a 35 anos, é de 12.240, 38,5% do desemprego registado no distrito e o registado na faixa etária dos 35 aos 54 anos, é de 13.360, 42% do desemprego registado no distrito.

Philip Kotler

Publicada por José Manuel Dias


O autor de Marketing Management esteve mais uma vez em Portugal. Doutorado em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology, leccionou Marketing Internacional na Kellog Graduate School of Management, da Northwestern University, uma das mais prestigiadas escolas de pós-graduação em Gestão do mundo. No Fórum Mundial de Marketing e Vendas 2006, realizado em Lisboa, Kotler proferiu uma lição sobre o Marketing orientado para os resultados. Iniciou a sua intervenção com a seguinte questão: " O que é que um Chief Marketing Officer ( CMO) deve fazer?". Segundo Kotler, o marketing tem de trabalhar para as vendas, é um impulsionador. " O novo mercado é implacável", lembra.
"A grande aposta hoje é a comodotização: temos de ser diferentes, de qualquer maneira, na proposta de valor; fazer melhor não é estratégia operacional, como dizia Porter. Copiar não chega".
De acordo com Phillip Kotler as cincos aptidões mais importantes do CMO são:
1. Recolher informações mais aprofundadas sobre os clientes;
2. Posicionar melhor a sua marca;
3. Encontrar novas ideias para produtos e serviços inovadores;
4. Comunicar com mais impacto.
5. Avaliar o seu impacto financeiro e conseguir maior alavancagem e respeito pelo marketing no interior da sua organização.

A defesa do Estado Social

Publicada por José Manuel Dias


Façamos uma leitura desapaixonada da realidade portuguesa, focalizando nas duas últimas décadas (números de Medina Carreira, fiscalista e ex- Ministro das Finanças de um Governo PS):
A economia cresceu 80%; as arrecadações fiscais, 155%; a despesa total, 170%; os salários, as pensões e os subsídios, 209% .
O peso das despesas públicas subiu assim mais de 50% entre 1980 e 2000 (30,9% do PIB em 1980 e 46,6% em 2000), com o crescimento económico sempre em desaceleração (7,5% em média anual nos anos 60, 4,5% nos anos 80, 2,7% nos 90 e, provavelmente, não mais que 1,5% entre 2000 e 2010).
Entre 1980 e 2000 a carga fiscal portuguesa aproximou-se muito da média da UE dos 15. O número de funcionários públicos e de pensionistas (SS+CGA) era de 560.000 funcionários e 1.780.000 pensionistas, em 1980 e cresceu para 747.000 funcionários e 2.907.000 pensionistas, em 2000. Nesse período a população terá crescido entre 5% a 10%.
A expansão da carga fiscal foi dupla da criação de riqueza (PIB), mas apesar do bom comportamento financeiro dos impostos, entre 1980 e 2000, regista-se um enfraquecimento acelerado da capacidade fiscal para suportar as despesas.
O actual Governo tem noção desta realidade e, pela primeira vez na história da nossa jovem democracia, o orçamento reflecte uma diminuição do peso da despesa pública relativamente ao PIB.
Os políticos da oposição têm sugerido mezinhas para resolver problemas de fundo ou tentam, irresponsavelmente, manter tudo como está, pensando que é com manifestações e acções de rua que se conseguem "garantir os direitos". Ignoram uma realidade incontornável, se a economia não providenciar os fundos necessários, o Estado Social não funcionará ou funcionará de forma deficiente.
Modernizar a economia, qualificar a mão de obra, incentivar a melhorar do desempenho nas empresas privadas, reformar a administração pública, desburocratizar o seu funcionamento, requalificar o seu pessoal e implementar uma avaliação eficaz do seu desempenho, combater a fraude e a evasão fiscais, são, pois, condições essenciais à melhoria da nossa competitividade e, por essa via, ao dinamismo da nossa economia.
O modelo do Estado Social, nos moldes em que tem funcionado, está em discussão em toda a Europa. Sem modificações sérias e profundas está comprometido. Quem quer que o Estado Social permaneça - assistindo aos que temporariamente ou por circunstâncias adversas se encontram impossibilitados de se valerem a si próprios - deve ter noção que as mudanças são necessárias e urgentes. Se não formos bem sucedidos nesses propósitos as maiores vítimas serão os mais desfavorecidos da nossa geração e serão as gerações seguintes que pagarão o preço do nosso egoísmo e da nossa irresponsabilidade.

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias


A crescente importância das instituições intermédias na implementação de políticas públicas exige que elas se afirmem como entidades complementares, e não como barreiras ao desenvolvimento. O que implica perceber que as suas independência e liberdade de iniciativa passam mais pelo reforço do mercado e da liberdade individual do que pelas boas graças e pelos subsídios do Governos; pelas políticas públicas de acordo com as quais os serviços privados, estatais e sociais contribuem para uma sã concorrência e uma cultura de responsabilização; por uma cultura menos assente no saque dos dinheiros públicos e mais dependente da organização, da busca de novas e mais criativas soluções para os problemas públicos. As universidades são talvez um bom exemplo de uma certa dificuldade em superar as incapacidades próprias, não através de um reforço do corporativismo, mas pela distinção pela qualidade do serviço oferecido, ou seja, dando respostas mais adequadas às novas exigências e ao potencial de um «mercado» em busca de um novo enquadramento legal e de novos desenhos organizativos.
Sabemos bem que a missão destas organizações se situa quase sempre no longo prazo, mas isso não as dispensa de resultados. Muito menos de justificar todos os dias a sua existência em função dos resultados. Tais instituições, a começar pelas que se assumem sem fins lucrativos, devem ser avaliadas pelas intenções e motivações mas principalmente pelos resultados. É por isso que, de forma permanente, os seus responsáveis se devem interrogar sobre a adequação entre esforços e resultados e se não seria possível utilizar melhor os seus recursos. O que implica um exame e uma avaliação contínuos dos seus programas e projectos no sentido de saber se estão a evitar desperdício ms também se estão a dar «lucros» efectivos, medidos em termos do chamado capitalismo cívico.
MOREIRA, José Manuel ( 2002), Ética, Democracia e Estado, Cascais, Principia

Os números não enganam...

Publicada por José Manuel Dias


Os números são reveladores : há já vários anos que a despesa anual em Educação é em Portugal equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB, a riqueza produzida pelo país). O esforço financeiro é grande, quando a referência é o resto da União Europeia, mas os resultados não têm sido proporcionais.
Portugal regista, de acordo com o Eurostat, a mais elevada percentagem de abandono escolar precoce da Europa dos 15, com um valor de 42,6%. Segue-se a Espanha com 29,9%, enquanto a Finlândia, com 8,9%, a Suécia com 7,7% e a República Checa com 5,5% evidenciam a melhor performance do conjunto dos 15.
No que concerne à população entre os 25 e os 64 anos que completou o ensino secundário, Portugal tem, também, o pior desempenho - apenas 26,2%, seguindo-se a Espanha com 48,4%. Figuram no topo países como República Checa, Estónia ou Lituânia, com valores próximos dos 90%. Suécia, Finlândia e a Alemanha, registam valores superiores a 80%.
Estima-se que o PIB português poderia ter crescido mais 1,2 pontos percentuais cada ano, entre as décadas de 1970 e 1990, se os nossos níveis de escolaridade estivessem equiparados à média dos países da OCDE. De acordo com Ján Figel, comissário Europeu para para Formação e Educação:
" Não se pode ter um ensino superior de qualidade sem ensinos pré-primário, primário e secundário de qualidade. Os melhores resultados ao nível europeu, foram conseguidos à custa de abordagens para o longo prazo e graças a uma ligação horizontal entre educação/formação e muitas outras áreas conexas. Uma perspectiva oposta a uma concepção por vezes ainda prevalecente de um distanciamento elistista face à realidade social e industrial. Sei que este ano lectivo, foi adoptada ( em Portugal) alguma legislação para o processo de Bolonha. Demorará o seu tempo, levá-la do Parlamento ao mundo real, mas Portugal está a mexer e na boa direcção".
Fonte : JN de 30 de Novembro, suplemento
Temos pela frente grandes desafios, as gerações mais novas não nos perdoarão se não soubermos agarrar esta oportunidade para fazermos as mudanças necessárias.

A vida custa a todos...

Publicada por José Manuel Dias


Quem assistiu ontem ao Programa "Prós e Contras", da RTP1, teve uma excelente oportunidade para tomar conhecimento dos "reais" problemas das Universidades e dos desafios que se colocam ao Ensino Superior. As dificuldades vivenciadas por Portugal obrigaram o Governo a reduzir em 6,2% o valor das transferências para as Universidades, a exemplo, de resto, do que está a acontecer nos mais variados sectores. Esta quebra de transferências põe em risco, no entender de alguns senhores Reitores, o salário dos respectivos professores.
Sucede, entretanto, que as Universidades públicas têm mais de 1.000 (!!!) licenciaturas, algumas das quais com menos de duas dezenas de candidatos ao 1º ano, e parte delas, com reduzido grau de empregabilidade por desajustamento dos curricula às efectivas necessidades do tecido empresarial. Cursos e licenciaturas decididos pelas respectivas Universidades ou, melhor dizendo, por alguns dos seus professores.
O Governo solicitou, assim, uma avaliação externa a uma entidade internacional de modo a aferir da qualidade do ensino superior ministrado em Portugal e deu um prazo às Universidades para implementarem o Acordo de Bolonha, na linha, de resto, do observado na maioria dos países da OCDE. Um estudante do ensino superior público custa em média, a cada contribuinte, cerca de € 5.000,00 ano, enquanto o mesmo estudante no ensino superior privado fica por metade do valor.
São, pois, muitos os desafios que se colocam ao ensino superior público. Desde logo, procurando melhorar a qualidade do ensino, gerindo com eficiência e eficácia, procurando obter recursos adicionais, uma vez que as Universidades podem conseguir receitas próprias pela prestação de serviços. Por outro lado, e uma vez que o reforço do orçamento para a Ciência foi de 250 milhões de euros, dos quais 170 milhões destinados às Universidades, poderão captar mais recursos desde que apresentem projectos concretos através dos seus Centros de Investigação. O discurso dos Reitores não aponta, no entanto, nesse sentido e, pelo contrário, enfatizam a necessidade de "terem mais dinheiro", como se houvesse uma qualquer varinha de Harry Potter capaz de transformar os desejos em realidade. Combater o desperdício, eliminar as ineficiências, coordenar esforços inter escolas, concretizar parcerias, desenvolver projectos com empresas, são palavras ainda pouco comuns na linguagem dos académicos mas que a necessidade, ditada pela escassez dos recursos, vai obrigar a trazer para o seu quotidiano.
A Universidade é "uma borboleta que tem de sair do casulo e tem de aprender a voar" para usar as palavras do Professor Luis Moniz Pereira, um dos participante no Painel, que defendeu as mudanças propostas pelo Governo. Acrescentou, ainda, que os reitores deviam ser mais pró-activos em ordem a pugnar pela melhoria crescente da qualidade do ensino da respectiva escola, assegurando uma gestão mais eficiente dos recursos.
Vivemos uma época de grandes mudanças e, a todos os níveis, é preciso fazer mais e melhor, com menos dinheiro. São estas situações que exigem líderes transformacionais que desenvolvam e projectem uma visão do futuro e encorajem os outros a contribuirem nessa direcção. Ontem, os magníficos reitores com o seu discurso não assumiram essa postura, limitando-se a exprimir a vontade de continuar a "gerir com normalidade", solicitando mais verbas do OGE ( dinheiro de todos nós) para manter a situação existente. O Ministro da Ciência e do Ensino Superior que explicou, de modo detalhado as razões que presidiram ao respectivos cortes, afirmou-se convicto que as Universidades saberiam agir em conformidade com estes constrangimentos, impostos pela situação vivenciada pelo país, procurando optimizar a gestão dos recursos. Diz o ditado: a necessidade aguça o engenho...ou, dizemos nós, a vida custa a todos.

Síndrome de Estocolmo

Publicada por José Manuel Dias


A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico desenvolvido por pessoas que são vítimas de sequestro ou por pessoas detidas contra sua vontade – os prisioneiros desenvolvem um relacionamento afectivo com os seu(s) captor(es). Essa solidariedade pode algumas vezes assumir foros de cumplicidade, com os presos a ajudar os captores a alcançar seus objectivos ou a fugir da polícia.
A síndrome desenvolve-se a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do sequestrador.
A síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto ao Kreditbanken em Norrmalmstor, Estocolmo que durou de 23 de Agosto a 28 de Agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus captores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Duas das vítimas acabaram por se casar com os sequestadores após o término do processo. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e se referiu à síndrome durante uma reportagem. Ele foi então adoptado por muitos psicólogos no mundo todo.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Recentemente, um ex-deputado de um partido da oposição trouxe para o léxico político este termo, procurando criticar o comportamento do respectivo líder que se recusa a fazer oposição ao Presidente da República apesar de não apreciar a " cooperação estratégica do PR com o Governo".

Microcrédito

Publicada por José Manuel Dias


O conceito nasceu há 30 anos, no Bangladesh, quando em plena "maré de fome", Muhammad Yunus percebeu que o acesso a 27 dólares, era o suficiente para que 40 mulheres pudessem fugir das garras dos agiotas, que as mantinham permanentemente endividadas. Foi assim que nasceu o Grameen Bank, cuja regra é dar crédito a quem tem a ideia de um pequeno negócio de subsistência, mas não tem acesso à Banca tradicional, porque é pobre e não tem garantias.
A atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2006 a Muhammad Yunus e ao Grameen Bank releva a importância que o combate à exclusão social tem para a construção da paz e premeia um homem que não se ficou por dar aulas de Economia na Universidade de Chittagong e criou uma instituição original, um banco que empresta dinheiro aos mais pobres, o Grammen Bank, permitindo-lhes criar iniciativas empresariais.
Vale a pena registar as palavras de Muhammad Yunus : " A minha posição é que os seres humanos são todos basicamente empreendedores. Esse espírito não está limitado a um grupo de pessoas ou a um grupo de países. É o fundamento dos seres humanos, somos uma espécie empreendedora".
Em muitos países os governos não se envolvem no microcrédito; em Portugal mereceu especial atenção, como forma de combater o desemprego e a economia paralela, contando com a colaboração da generalidade das instituiçõe bancárias.

Desempenho que merece aplausos

Publicada por José Manuel Dias


A organização e racionalização dos processos produtivos é fundamental na eficiência e produtividade de qualquer organização e a DGCI não é excepção. É essencial a aposta e o esforço de concretização destes vectores a todos os níveis da organização e envolvendo todos os colaboradores. A procura de novas formas de melhorar processos deve ser um esforço conjunto de que a qualidade da organização como um todo só poderá beneficiar.
E, nesta óptica, a desburocratização e a simplificação assumem para a DGCI particular relevância, uma vez que induzem a:
- maior transperência;
- redução de custos de contexto;
- aumento dos níveis de eficiência e eficácia;
- aumento dos níveis de cumprimento voluntário;
- redução dos níveis de evasão e fraude fiscais.
Paulo Macedo, Director Geral de Contribuições e Impostos, in Revista Dirigir, nº 95
De acordo, com informação do Ministério das Finanças, estão a ser consideradas, entre outras, como prioridades :
a) controlo de imputação de lucros das sociedades off-shore;
b) sectores de elevado risco ( Vg. sucata e construção civil);
c) relações entre os clubes, as SAD, os respectivos membros dos órgãos sociais e as sociedades detidas por estes membros;
d) mais valias imobiliárias e mobiliárias, rendimentos de capital obtidos no exterior, remunerações em espécie, sinais exteriores de riqueza evidenciados.
Depois da penhora de carros topo de gama a contribuintes relapsos, a Direcção-Geral dos Impostos (DGCI), de acordo com notícia avançada hoje pelo Jornal de Negócios, tem em curso, desde a passada sexta-feira, uma acção maciça de penhora de certificados de aforro a contribuintes com dívidas ao fisco. A acção atingirá, nesta fase, cerca de 1.500 devedores.
Todas estas acções têm concorrido para a melhoria da eficiência fiscal com que todos nos congratulamos. Existe, ainda, como propósito da Administração Fiscal para este ano, o reforço do combate à economia paralela ( estimada, pelo Fisco, em valor superior a um quinto do PIB). A generalização da consciência social do imposto é, cada vez mais, uma necessidade. Estamos, por isso, no bom caminho e a nossa Administração Fiscal merece aplausos.

Sabedoria dos clássicos II

Publicada por José Manuel Dias


1. Nada é permanente, salvo a mudança.

Heraclito
2. Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.
Sócrates
3. O convidado é melhor juíz de uma refeição que o cozinheiro.
Aristóteles
4. O ser capaz mora perto da necessidade.
Pitágoras
5. A utilidade mede a necessidade: e como avalias o supérfluo?
Séneca
6. Eles podem porque pensam que podem.
Virgílio

Pontualidade

Publicada por José Manuel Dias


De acordo com um estudo realizado pela AESE - Escola de Direcção e Negócios, no âmbito do projecto de pontualidade, 95% dos portugueses declara-se como " não pontual" , revelou ontem Diário Económico.
O estudo considera o "panorama geral desolador" o que reforça a necessidade de se levar a efeito uma campanha tendente a alterar este pernicioso comportamento.
A utilização de uma agenda bem organizada e realista é ainda uma prática pouco observada. A maioria das pessoas acaba por agendar mais tarefas do que aquelas que efectivamente pode realizar. Esta situação concorre para o facto de metade das reuniões não cumprir os objectivos para que foram convocadas. Apenas um terço das reuniões começa à hora agendada. As empresas que mais cumprem os horários e os prazos são filiais de empresas estrangeiras. O estudo conclui que a forma como lidamos com a pontualidade marca " a irresponsabilidade social e profissional com impactos na performance do nosso país".
Este fenómeno tem, como todos sabemos, consequências negativas quer no plano individual quer no plano das organizações e tem custos muito elevados. Que fazer então para inverter esta situação?
Podemos, e devemos, generalizar hábitos saudáveis. Horas são horas e uma reunião marcada deve começar a horas, independentemente do número de participantes. Os retardatários compreenderão que o silêncio que se faz à sua entrada, traduz uma censura, ainda que de forma diplomática, e tenderão a cumprir os horários numa próxima vez. Claro que uma das formas de transmissão de valores é o exemplo e, assim, quem tem mais reponsabilidades deve cumprir com o definido e sublinhar o valor do tempo.
Portugal precisa de andar a horas...Será que pode dar algum contributo para que a mudança se concretize?

Alvin Tofler

Publicada por José Manuel Dias


Alvin Toffler é um dos principais analistas de tendências, cenários e previsões. Depois de se ter formado em Letras na Universidade de Nova Iorque, foi escritor e jornalista, tendo chegado a editor adjunto da revista Fortune. A sua primeira obra de relevo, Choque do Futuro (1970), previa que as empresas se iriam transformar repetidamente através da redução dos níveis hierárquicos e da burocracia — um fenómeno que Toffler designa ad hocracia. A visão futura de Toffler era muito diferente da dos principais pensadores dos anos 70, que previam um futuro de ócio, após décadas de criação de riqueza e de padrões de vida elevados. Toffler previu um futuro de insegurança e humildade, no qual a tecnologia iria transformar os métodos de trabalho, em vez de acabar com o trabalho humano.
No início deste século tivemos oportunidade de assistir a uma brilhante Conferência deste guru da gestão na nossa cidade de Aveiro. Do que ouvimos na altura, passámos ao papel um conjunto de ideias que nos pareceram mais marcantes. De entre estas, seleccionámos uma, a propósito da gestão de conflitos: " Diversidade de entendimentos pode propiciar leituras diferentes sobre a mesma realidade. A tensão gerada conduz, na maioria das vezes, a novas e imaginativas soluções. Neste sentido o conflito na sociedade não é só necessário como, em certos limites, desejável".
Livros : Choque do Futuro. A Terceira Vaga. Os Novos Poderes. Criando uma Nova Civilização, em parceria com a sua esposa Heidi Tofler.