O orçamento e os números

Publicada por José Manuel Dias


O Estado para levar a cabo as suas tarefas tem que elaborar um Orçamento. Trata-se de um documento onde estão previstas todas as despesas que vai ter e onde se identificam as receitas previstas. Quando o Estado não consegue arrecadar receitas suficientes para cobrir todas as despesas a realizar, como tem sido recorrente no nosso país, tem necessidade de contrair empréstimos. Estes empréstimos, denominam-se Dívida Pública, porque são contraídos pelo Estado, entidade representativa de todos os cidadãos. Quanto maior for a Dívida Pública maior é a penalização das gerações mais jovens pois têm de amortizar dívidas que não contraíram.
Com base da proposta de Orçamento de Estado para 2007, analisemos, então, quais são as despesas previstas e como se vão financiar. Estão inscritas no Orçamento as seguintes despesas:
valores em milhões de Euros
Funções sociais ( Educação, Saúde, Segurança e Acção Sociais, Habit. e Cultura ) - 26.803,4
Funções de soberania ( Adm. Pública, Def. Nacional, Segurança e Ordem Pública) - 6.245,5
Funções económicas ( Agricult. e Pesca, Ind. e Energia, Transp. Comunicações, Com. e Turismo) - 1.754,7
Outras funções (inclui juros da Dívida Pública) - 9.859,9
O total de despesas atinge o valor de 44.699,50
De onde virão as receitas para financiar estas despesas ? Basicamente dos impostos, conforme se discrimina:
Impostos - 34.771,6
Transferências - 1.025,4
Venda de bens e serviços - 409,9
Rendimentos propriedade - 312,7
Txas e Multas - 572,0
As receitas estimadas para 2007 atingem um total de 37.129,65.
Conforme se pode verificar o Estado continua a gastar mais do que o que recebe, gerando um défice orçamental de 7.569,85 que tem de ser coberto pela Dívida Pública. Os esforços levado a cabo pelo Governo tendentes ao controlo da despesa pública traduziram-se, entretanto, numa diminuição do peso das despesas com pessoal. É possível, assim, perspectivar a redução do peso da despesa pública no PIB de 46,3% para 45,4%, a maior redução dos últimos 30 anos. O Ministro das Finanças fixou como objectivo para o défice público 3,7% do PIB. As reformas estão a dar os primeiros resultados mas ainda são muito incipientes para sossegarmos os mais novos que são, em última análise, quem vai ter de " pagar a factura", da acumulação de défices, sem poderem invocar os denominados "direitos adquiridos".

Planear o dia

Publicada por José Manuel Dias


Aquele que todas as manhãs planeia as transacções do dia e segue esse plano, dispõe de um fio condutor que o guiará através do labirinto da vida, por mais ocupada que essa seja.
A distribuição ordenada do tempo é como um raio de luz que ilumina todas as ocupações. Mas quando não se estabelece um plano, quando se deixa a distribuição do tempo apenas ao acaso, não tardará a reinar o caos.
Victor Hugo, romancista e poeta francês ( 1802-1885)

PRACE

Publicada por José Manuel Dias


A nova moldura organizativa da Administração Pública, que implica o fim de 188 serviços do Estado, merece, de acordo com notícia do Semanário Sol de sábado passado, o apoio do Presidente da República.
As 14 novas leis orgânicas dos ministérios e o diploma que define as regras de extinção, fusão e reestruturação foram promulgados na semana passada. Depois do "sim" de Cavaco Silva, os diplomas vão agora ser publicados em Diário da República.
É o passo que faltava para efectivar o Programa de Reestruturação da Administração Cental do Estado (PRACE). Quando apresentou o PRACE, em Março deste ano, o Governo anunciou que dos actuais 518 serviços da administração Pública, 246 seriam extintos, 271 seriam mantidos e seriam criados 60 novos serviços, restando assim 331. As extinções não podem levar mais de 40 dias úteis e as fusões e reestruturações não durarão mais de 60 dias úteis.
Começa agora verdadeiramente, a grande reforma da administração pública. Racionalizar estruturas. Extinguir serviços inúteis ou redundantes. Mexer nas carreiras, nas condições remuneratórias, nos vínculos. Incentivar a mobilidade. Libertar recursos excedentários. Avaliar, premiar e penalizar. Flexibilizar e motivar para agilizar. Dar mais poderes às hierarquias, responsabilizando-as pela concretização dos objectivos. Claro que todas estas mudanças serão geradoras de incómodos mas os bons funcionários ( verdadeiros servidores do público) sabem que a introdução de uma cultura de exigência e rigor, não pode deixar de premiar os mais capazes e desassossegar as mediocridades instaladas.
Estas mudanças terão natural contestação de alguns que privilegiam o imediato, com a manutenção dos "direitos adquiridos", negligenciando a segurança do futuro, mas o Governo garante que a reforma da administração pública vai ser para melhor. Todos sabemos, no entanto, que em todos os processos de mudança antes de melhorar a tendência é para piorar. O que importa, no entanto, é o resultado final. Os portugueses sabem que o que tem que ser feito, quanto mais tarde pior e perdoam o "mau sabor do remédio" pelo resultado obtido. Esperam, por isso, que o Governo faça o que tem que fazer. A bem de todos.

Ética e Negócios

Publicada por José Manuel Dias


Mas não será altura de perguntar o que é verdade? É algo real ou fictício, convencional e relativo ou absoluto? Por que razão há que "andar em verdade" nos negócios? Até que ponto se pode ocultar dados? Até que ponto a verdade se deve dizer? Terá o povo razão quando diz que "calar a verdade é enterrar o ouro" ou tão só quando previne "não digas o que sabes sem saber o que dizes"?
Será que continuam a ser verdadeiras as máximas de outros tempos?
"Para tratar de negócios com êxito é preciso ter da sinceridade apenas a aparência"; "Na vida mercantil é melhor ser esperto que inteligente"; " O queijo da riqueza é mais acessível aos ratos que às águias"; " A simpatia nas pessoas é apenas uma credencial da diplomacia psicológica",
Ou será que nos tempos que correm tais máximas devem ser substituídas por outras mais verdadeiras?
"Se não mentes e entregas o combinado a tempo, além de oferecer qualidade e preço, será difícil que fracasses numa empresa"; "Não ponhas em causa a tua honorabilidade, os princípios, a tranquilidade e o bom nome por um ganho mal feito"; "Pedir as coisas por favor e agradecer não é só cortesia, também melhora a tua economia".
Retirado do Livro "A contas com a Ética empresarial", pág. 57,58, José Manuel Moreira, Principia, Cascais (1999)
Será que os negócios podem ser éticos? Será que existe uma grande diferença entre a teoria (o que se deve fazer) e a prática (o que se faz na realidade)?. Será que todas as empresas são ética e socialmente responsáveis ?

O valor do exemplo

Publicada por José Manuel Dias



Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.
Manuel Bernardes, (1644-1710) in 'Luz e Calor'

Aplausos

Publicada por José Manuel Dias


Foram hoje formalmente assinados os protocolos que marcam a colaboração entre o Estado Português e o MIT, com um programa definido para os próximos cinco anos em quatro áreas consideradas estratégicas. Durante a cerimónia que decorreu hoje ao final da manhã no Centro Cultural de Belém, o primeiro ministro José Sócrates salientou que este é um momento de viragem para Portugal, as Universidades e a comunidade científica, marcado pela vontade de internacionalização e a aposta na ligação entre Universidades e Empresas.
O primeiro ministro sublinhou a ligação que existe entre o Plano Tecnológico e a vontade deste Governo investir no Conhecimento e na Ciência e lembrou que o Governo aumentou em 64 por cento o orçamento disponível em 2007 para a área da Ciência, apesar de estar a reduzir a despesa do Estado. José Sócrates adiantou ainda que no próximo Quadro de referência Nacional, para o período de 2007 a 2013, Portugal vai aumentar para 37 por cento a alocação de recursos financeiros provenientes da EU para a área da formação, numa subida significativa em relação aos 24 por cento alocados anteriormente. “Este é um ponto de viragem mas englobado num ambiente geral para melhorar o factor de atraso no domínio da educação conhecimento potencial cientifico”, contextualizou o primeiro ministro, salientando que a boa concretização do acordo hoje assinado já não está nas mãos dos políticos mas sim nas Universidades e na comunidade científica.

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias

Várias leis foram elaboradas com o fim de combater a corrupção, várias experiências foram tentadas, várias iniciativas foram tomadas, mas a corrupção está aí, tão viva como sempre, minando a economia, corroendo os alicerces do Estado democrático.
Se é verdade que a ordem jurídica não se pode confundir com a ordem ética, a verdade é que em cada povo e em cada época tem de existir aquele mínimo de valores éticos a respeitar e subjacentes à feitura e aceitação das leis.
É, aqui, penso, que se coloca um dos pontos-chave da luta contra a corrupção em Portugal. É fundamental a criação de um juízo de censura, de um desejo de punibilidade existente na consciência moral do homem médio que por isso deve ser sensibilizado para o problema.
Fernando Pinto Monteiro, novo procurador-geral da República (PGR), discurso da tomada de posse, 9 de Outubro de 2006

O que podemos aprender com os gansos(*)

Publicada por José Manuel Dias


Quando, por exemplo, um ganso bate as asas voando numa formação em V, cria um vácuo para a ave seguinte passar, e o bando inteiro tem um desempenho setenta e um por cento melhor do que se voasse sozinho. Sempre que um ganso sai da formação, sente, subitamente, a resistência do ar, por tentar voar sozinho e, rapidamente, volta para a referida formação, aproveitando o vácuo da ave imediatemente à frente.
Quando um ganso líder se cansa, passa para trás e de pronto outro assume o seu lugar, voando para a posição da ponta.
Na formação, os gansos que estão atrás grasnam para encorajar os da frente a voar mais depressa. Se um deles adoece, dois gansos abandonam a formação e seguem o companheiro doente, para o ajudar e proteger. Ficam com ele até que esteja apto a voar de novo ou venha a morrer. Só depois disso voltam ao procedimento normal, com outra formação ou atrás de outro bando.
A lição dos gansos:
Pessoas que partilham um direcção comum e senso de comunidade podem atingir mais facilmente os objectivos que pretendem.
Para os atingir, é necessário estar junto daqueles que se dirigem para onde queremos ir, dando e aceitando ajuda.
Precisamos de assegurar que o nosso «grasnido» seja encorajador para a nossa equipa e que ajude a melhorar o seu desempenho.
(*) Título do livro, donde foi retirado este excerto, Autor Alexandre Rangel, Casa das Letras, Lisboa (2006).

Instruções para a vida

Publicada por José Manuel Dias


1. Fala devagar, mas pensa depressa.
2. Lembra-te que no preciso momento em que disseres «Desisto» haverá alguém, perante a mesma situação, dirá «Boa! Que grande oportunidade!».
3. Sê rápido a tirar proveito duma vantagem.
4. Quando estiveres a reclamar os teus direitos, não te esqueças das tuas responsabilidades.
5. Participa nas actividades da tua autarquia. Como alguém disse, «A política é demasiado importante para ser deixada a cargo dos políticos.».
6. Avalia o teu sucesso por aquilo que tiveste de prescindir para o obteres.
Seleccionado do " Pequeno Livro de Instruções para a Vida - volume II" de H. Jackson Brow, JR, Editora Gradiva, Lda, Lisboa (1997). De acordo com o autor o livro, que começou por ser um presente para o filho, agrega algumas reflexões e conselhos que representam " tudo o que aprendera sobre o modo de viver uma vida recompensadora e feliz ". Gostei . Justifica-se a partilha.

Combater a corrupção

Publicada por José Manuel Dias

"Os fenómenos de corrupção, peculato e tráfico de influências têm-se reproduzido com indesejável facilidade nas autarquias.
As autarquias são, segundo o seu estatuto legal, « formas de organização descentralizadoras de organização democrática do Estado» e visam «a prossecução dos interesses próprios das populações», aplicando, para tal, receitas provenientes dos impostos recolhidos pelo Poder Central.
O problema é que, por vezes, a concentração de poderes no autarca, aliados a um défice de uma fiscalização eficaz, tem dado origem a uma série de desvios dos objectivos autárquicos, muitas vezes através de modos de exercício corrupto do poder, com apropriação ilícita de valores, participação económica ilegal em negócio, e em estritos actos de corrupção. Aliás, não é por acaso que uma sondagem recente, feita pela empresa Marktest para o jornal Diário de Notícias. com uma amostra de 811 indivíduos, revela que 78,2 % dos inquiridos considera que « a corrupção é um mal generalizado nas autarquias portuguesas»."
Maria José Morgado, José Vegar, "O inimigo sem rosto - Fraude e corrupção em Portugal", pag. 73, Publicações D. Quixote, Lisboa (2003)
" Olhando para a República portuguesa, prestes a comemorar cem anos de existência, não poderemos deixar de notar que o comportamento ético de muito dos nossos concidadãos, incluindo alguns daqueles que são chamados a desempenhar cargos de relevo, nem sempre tem correspondido ao modelo ideal de civismo republicano."
Aníbal Cavaco Silva, discurso de 5 de Outubro de 2006
"Os autarcas foram os especiais visados do primeiro discurso de Cavaco Silva sobre o 5 de Outubro centrado no tema da corrupção. O presidente da República quis chamar a atenção "de uma forma particularmente incisiva" dos responsáveis pelo Poder Local para o papel que têm no combate à corrupção e degradação da qualidade da democracia. A corrupção foi o tema eleito pelo chefe de Estado e a interpelação dirigiu-se a "todos", mas "em primeira linha aos titulares de cargos públicos". Entre estes, Cavaco citou em particular os autarcas, sublinhando que "a transparência da vida pública deve começar precisamente onde o poder do Estado se encontra mais próximo dos cidadãos".
“Mensagem de extrema importância (...) em especial para os tribunais”, diz a magistrada Maria José Morgado. “Incentivo oportuno que não pode ser ignorado”, diz o deputado socialista João Cravinho, autor de propostas de lei anticorrupção. "
Jornal de Notícias de 6 de Outubro de 2006.

Portugal é líder mundial

Publicada por José Manuel Dias


O sector da cortiça ocupa lugar de destaque no panorama industrial português, sobretudo pelo seu valor estratégico, que é derivado, basicamente, do papel privilegiado que Portugal detém em termos de matéria - prima - o sobreiro - e da sua transformação, nomeadamente no seu principal produto que é a rolha.
O sobreiro tem uma longa vida, de 150 a 200 anos, tornando-se produtivo ao fim de 25 anos. Ao processo de extração da cortiça dá-se o nome de descortiçamento. Em média, cada sobreiro dá 16 descortiçamentos, sempre de 9 em 9 anos. Após a extração, inicia-se o processo de fabrico de diversos produtos, sendo o principal, no qual Portugal dispõe de liderança absoluta em termos de quota de mercado mundial, a rolha.
Michael Porter, no seu estudo sobre a economia portuguesa, considerou este sector como um cluster", ou seja, um dos principais pólos de competitividade da economia portuguesa.
O sector dos vinhos consome a nível mundial 13,5 mil milhões de rolhas de cortiça, refere o semanário Sol, de 30 de Setembro p.p.. A cortiça domina o mercado de vedantes para o vinho com uns expressivos 79,4%, correspondendo, no caso português, a exportaçõe de 874 milhões de euros, segundo dados a APCOR, Associação Portuguesa de Cortiça, relativos a 2004.
As rolhas de cortiça estão, no entanto, a perder terreno para outros vedantes (cápsulas de alumínio e de plástico). A Associação Portuguesa de Cortiça sentiu, por isso, a necessidade de promover o uso da rolha e, em parceria com o ICEP, contratou José Mourinho, treinador do Chelsea, para recuperar os mercados do Reino Unido. " If it´s not a real cork, take a walk" é a frase do cartaz que associa o José Mourinho a uma rolha de cortiça natural. Uma campanha com efeitos positivos e que tem ajudado a combater vedantes alternativos à rolha de cortiça. Os portugueses sabem que um bom vinho merece uma boa rolha...Têm, por isso, a reponsabilidade de "avisar toda a gente", a bem da nossa economia.

Paradoxo de Abilene

Publicada por José Manuel Dias


Trata-se de um paradoxo que foi mencionado pela primeira vez pelo psicólogo americano Jerry Harvey.
Harvey reparou que os grupos ( família, colegas de trabalho...) tomam, por vezes, decisões que os seus membros, enquanto seres individuais, considerariam insensatas.
O grupo concorda em fazer uma coisa porque cada indivíduo sabe que pode recusar qualquer responsabilidade pela iniciativa do grupo. Nas organizações, não raras vezes, são implementadas acções sob a capa do consenso que traduzem o contrário do sentir da larga maioria dos seus membros. Tomam-se decisões erradas e ineficazes porque o nível de comunicação entre os membros é ineficiente e, muitos deles, não exprimem, de modo aberto, os seus pontos de vista com receio da censura e do eventual conflito com os respectivos líderes.
Quem já não vivenciou uma situação desta natureza? Quem não conhece organizações em que estas situações ocorrem com frequência excessiva?

Unidade através da singularidade

Publicada por José Manuel Dias


Não há nenhum som nocturno mais arrepiante, lúgubre, assustador e belo de que o capricho musical de uma alcateia que uiva. (.../...)
Por causa da melodia de vozes, muitas vezes parece que estamos rodeados de muitos lobos.
Na verdade não há geralmente mais de cinco a oito lobos uivando numa alcateia. O segredo é que os lobos têm sempre o cuidado de não se sobreporem uns aos outros. Cada lobo assume uma nota única, respeitando a distinção dos outros membros da alcateia. Apesar das notas poderem mudar, como em qualquer bonita canção, um lobo não copiará a nota de outro.
O que é interessante é que este respeito pelo indivíduo só acentua a verdadeira unidade do grupo. Eles são um, mas são indivíduos, cada um contribuindo para a organização de uma forma só sua. Cada lobo tem a sua própria voz. Cada lobo respeita a voz de todos os outros lobos. (.../...)
A sinfonia dos lobos faz com que a alcateia pareça um inimigo muito maior do que se todos eles se ouvissem ao mesmo tempo. (.../...)
Assim também são mais fortes as organizações e as famílias em que a consciência de cada indivíduo é celebrada em vez de abafada. Cada pessoa assume a sua parte de responsabilidade no grupo empregando os seus talentos e forças específicas. Expressando a sua própria singularidade e respeitando e encorajando a singularidade dos outros, a unidade torna-se fortíssima.
Extraído de " A sabedoria dos lobos", Twyman L. Towery, Sinais de Fogo Publicações, Lda, Cascais (2001)

Conte até dez...

Publicada por José Manuel Dias


Quando era menino, o meu pai costumava contar até dez em voz alta, todas as vezes que ficava aborrecido comigo ou com as minhas irmãs. Era uma estratégia que ele usava (e outros pais também) para se acalmar antes de decidir o que fazer em seguida.
Eu melhorei essa estratégia ao incorporar-lhe o uso da respiração. A táctica é simples: quando sentir que está a perder o controlo, inspire profundamente e, enquanto o faz, diga »um». Em seguida, relaxe todo o corpo, ao expirar. Repita o mesmo processo com número dois, e assim por diante, até pelo menos dez. O que acontece é que está a purificar a mente com uma versão reduzida de exercício de meditação. A combinação é tão relaxante que é quase impossível continuar irritado no final. O aumento do oxigênio nos pulmões e o intervalo de tempo entre o momento que termina o exercício permite-lhe ampliar a perspectiva. Facilita a percepção de que a «tempestade», na verdade, é um «copo de água».
Extraído do livro " Não faça uma Tempestade num Copo de Água", Carlson, Richard, Temas e Debates Actividades Editoriais, Lda, Lisboa (2002)

O valor da Perseverança

Publicada por José Manuel Dias


Se há pessoas que não estudam ou que, se estudam, não aproveitam, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não interrogam os homens instruídos para esclarecer as suas dúvidas ou o que ignoram, ou que, mesmo interrogando-os, não conseguem ficar mais instruídas, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não meditam ou que, mesmo que meditem, não conseguem adquirir um conhecimento claro do princípio do bem, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não distinguem o bem do mal ou que, mesmo que distingam, não têm uma percepção clara e nítida, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não praticam o bem ou que, mesmo que o pratiquem, não podem aplicar nisso todas as suas forças, elas que não se desencorajem e não desistam; o que outros fariam numa só vez, elas o farão em dez, o que outros fariam em cem vezes, elas o farão em mil, porque aquele que seguir verdadeiramente esta regra da perseverança, por mais ignorante que seja, tornar-se-á uma pessoa esclarecida, por mais fraco que seja, tornar-se-á necessariamente forte.
Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'

Cheque fora de moda

Publicada por José Manuel Dias


O velhinho cheque está a ficar fora de moda, tendo a circulação diminuído mais de 30% nos últimos sete anos, de acordo com notícia do novel semanário SOL, de 23 de Setembro p.p..
A cada ano ano que passa , em média, 11 milhões de cheques deixaram de ser emitidos. De acordo com o Banco de Portugal em 2005 circularam 173 milhões de cheques, contra os 250 milhões de 1999.
Apesar desta quebra sensível Portugal é ainda o terceiro país da Europa que mais usa o cheque como forma de pagamento. A redução do seu uso é uma meta da APB (Associação Portuguesa de Bancos) que anunciou em Julho, o objectivo de reduzir em 50% a utilização dos cheques até 2010 e em 20% o peso do dinheiro em circulação, incrementando o uso do Cartão Multibanco, já utilizado em Portugal desde 1987.
Os consumidores portugueses que aderiram, de modo entusiástico, ao "dinheiro de plástico", via cartões de débito ou crédito, ainda têm uma grande caminho a percorrer para atingir os níveis de utilização duma Espanha (apenas 6% das transacções são liquidadas por cheque) ou duma Alemanha (apenas 1% dos pagamentos é feito através do cheque), pois, no presente, uma em cada quatro transacções comerciais ainda é assegurada por cheque.

Verticalidade

Publicada por José Manuel Dias


O filósofo Aristipo que adquirira un padrão de vida confortável por bajular o rei, ao deparar com o filósofo Diógenes a lavar umas lentilhas para fazer uma sopa, disse-lhe em tom zombeteiro: « Se tivesses aprendido a adular o rei, não precisarias dessa comida de pobres, como as lentilhas».
«E tu se tivesses aprendido a comer lentilhas» ripostou Diógenes com desdém -, « não precisarias de adular o rei».
James A. Thom

Dia Europeu sem carros

Publicada por José Manuel Dias


As comemorações do " Dia Europeu Sem Carros 2006” estão a decorrer hoje na cidade de Aveiro. Este ano de 2006, a zona sem tráfego automóvel é a zona do Bairro da Beira-Mar, das 08.00 de 22 de Setembro às 02.00 de amanhã. No período das 19.00 do dia 22 às 02.00 horas do dia seguinte, a Rua João Mendonça, Rua Barbosa de Magalhães, Largo do Rossio, Rua João Afonso de Aveiro e Rua Bernardino Machado são abertas ao trânsito de veículos a motor por forma a permitir o acesso aos parques de estacionamento junto ao Canal de São Roque.
Registe-se, entretanto, que a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta atribuiu à Câmara de Aveiro o Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” na categoria das Autarquias. A Federação «entendeu que o empenho da autarquia, ano após ano, na utilização da bicicleta (entre as quais o projecto BUGA) é merecedor da vertente “Autarquias” do Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” que visa reconhecer publicamente o contributo de determinadas entidades que tenham promovido a utilização da bicicleta nas suas múltiplas vertentes, através da criação ou melhoria das condições e facilidades em Portugal e/ou da divulgação de iniciativas fomentadoras do uso deste veículo não motorizado».
O nome BUGA - tem uma finalidade descritiva, pois é a sigla da Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro. As Bugas são disponibilizadas gratuitamente a todos os cidadãos, sem burocracias e com total liberdade: basta pegar, andar e largar. As Bugas pretendem ser a marca de um estilo de vida mais saudável, em permanente relação com a natureza, fazendo da cidade um local privilegiado para se viver e, claro, para visitar.

Cansamo-nos de pensar (*)

Publicada por José Manuel Dias


Cansamo-nos de tudo, excepto de compreender. O sentido da frase é por vezes difícil de atingir. Cansamo-nos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão.
Caímos então naquele estado de inércia em que o mais que queremos é compreender bem o que é exposto - uma atitude estética, pois que queremos compreender sem nos interessar, sem que nos importe que o compreendido seja ou não verdadeiro, sem que vejamos mais no que compreendemos senão a forma exacta como foi exposto, a posição de beleza racional que tem para nós.
Cansamo-nos de pensar, de ter opiniões nossas, de querer pensar para agir. Não nos cansamos, porém, de ter, ainda que transitoriamente, as opiniões alheias, para o único fim de sentir o seu influxo e não seguir o seu impulso.
(*) Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

A equação da mudança

Publicada por José Manuel Dias


O "mundo é composto de mudança...", diz o refrão, de uma cantiga bem conhecida. Sucede que a maioria de nós, é, em maior ou menor grau, avessa à mudança. Não vale a pena iludir esta realidade. A nossa educação prepara-nos, quase sempre, para quadros de estabilidade, em que o domínio da maior parte das variáveis está ao nosso alcance. O acelerar da evolução tecnológica, a crescente partilha de informação, a queda de sucessivos dogmas, deixam-nos sem o quadro de referências que durante anos suportou a nossa actuação. Ter noção desta realidade é criar condições para ultrapassar mais facilmente os constrangimentos ditados pelas mudanças.
Existe uma equação que explica o processo de mudança:
M = N - R
Em que Mudança M - Mudança, N - Necessidade e R - Resistência.
A leitura desta equação permite-nos tirar as seguintes conclusões:
a) A mudança implica a percepção da necessidade (que motiva de mudança) e tem de ser maior que a resistência ( a que corresponde o receio de perder)
b) Não haverá mudança se a resistência for igual ou maior do que a necessidade.
Existem resistências porque existe receio. Resistir tem como propósito manter a situação existente. Resistir à mudança é recear o próprio crescimento, negando a necessidade de crescer para assumir novos desafios. Resistir é procurar esconder fragilidades e limitações.
As coisas não são fáceis para quem aceita as mudanças mas são, por regra, muito piores, para quem teima em ficar como está, ignorando a necessidade de mudança. Estas pessoas penalizam-se a si próprias e, por efeito da sua inércia, acabam, também, por prejudicar aqueles que partilham o seu tempo e o seu espaço e desejam aderir às mudanças. Neste enquadramento importa focalizarmo-nos nas mudanças que desejamos efectivamente concretizar, ignorando as apreciações e julgamentos dos resistentes à mudança.
Portugal vive um tempo de muitas mudanças. A larga maioria dos portugueses está consciente da necessidade das mudanças. Temos, no entanto, alguns resistentes, em particular nos sectores em que a " zona de conforto" é mais mais expressiva, que tentam obstaculizar as mudanças. Não há, no entanto, volta a dar. As mudanças reclamadas são ditadas pela exigência de um futuro melhor para todos, ou mudam ou, então, o tempo reservar-lhes-á, o futuro que os dinossauros tiveram...

Briefing

Publicada por José Manuel Dias


Briefing é um instrumento usado para transmitir informações relevantes aos colaboradores como, por exemplo, alterações de objectivos, modos de actuação ou procedimentos. Corresponde à passagem da informação certa – da pessoa certa para a(s) pessoa(s) certa(s) – na altura certa, do modo mais ajustado e com custos reduzidos, não devendo, por isso, ultrapassar os 30 minutos.
Cuidados a observar para optimizar os resultados:
1) Escolher uma hora e local adequados, certificando-se se todos os que têm de participar o podem fazer;
2) Preparar cuidadosamente as informações a transmitir;
3) Definir as regras de participação, esclarecendo, desde início, o período em que poderão ser suscitadas questões;
4) Enunciar com clareza os propósitos do Briefing, sendo conciso e preciso;
5) Aceitar apenas as perguntas relacionadas com os assuntos versados no Briefing e clarificar todas as dúvidas que forem suscitadas e que se enquadrem nos temas apresentados;
6) Assegurar que todos ficam esclarecidos, questionando: " Mais alguma pergunta? Todos ficaram esclarecidos? "
7) Terminar a discussão fazendo um resumo e agradecendo a presença de todos.

Nada é complicado se nos prepararmos previamente

Publicada por José Manuel Dias


Se, antes de começarmos a falar, determinarmos e escolhermos, previamente, as palavras, a nossa conversa não será vacilante nem ambígua. Se em todos os nossos negócios e empresas determinarmos e planearmos, previamente, as etapas da nossa actuação, obteremos o êxito. Se determinarmos com bastante antecedência a nossa norma de conduta na vida, em nenhum momento seremos assaltados pela inquietação. Se sabemos, previamente, quais são os nossos deveres, será fácil darmos-lhes cumprimento.
Confúcio, ( 551-479 a.c.) in 'A Sabedoria de Confúcio'

Cartão de Cidadão - documento de cidadania

Publicada por José Manuel Dias


O Conselho de Ministros de 7 de Setembro p.p. aprovou a Proposta de Lei que cria o Cartão de Cidadão. Este documento vai substituir o bilhete de identidade e os cartões de contribuinte, de eleitor, de saúde e da Segurança Social, permitindo a identificação presencial e respeitando a proibição de um número único e de cruzamento de dados. Permite ainda que o titular armazene, se assim o entender, dados pessoais sobre o grupo sanguíneo, alergias ou contactos de emergência, e que o use para autenticação electrónica e assinatura electrónica. Trata-se de um documento electrónico protegido contra a fraude por dispositivos que garantem elevado nível de integridade, autenticidade e confidencialidade. Facilitará o quotidiano dos cidadãos e permitirá poupar meios e recursos à Administração Pública. Ainda durante o ano de 2006 o Governo vai escolher um público alvo, ou seja, uma ou duas regiões do país onde serão emitidos os primeiros cartões. A atribuição de Cartões a todos os cidadãos ainda não tem data fixada.

A assimetria da informação

Publicada por José Manuel Dias


A informação é uma baliza, um sinal, um varapau, um ramo de oliveira ou um dissuasor, dependendo de quem a esgrime e da forma como o faz. A informação é tão poderosa que a a assunção da informação, até mesmo se a informação realmente não existe, pode ter um efeito tranquilizador. Consideremos o caso de um carro usado estreado há um dia.
O dia em que o carro é tirado do stand é o pior dia da sua vida, nesse dia ele perde imediatamente cerca de um quarto do seu valor. Pode parecer absurdo, mas sabemos bem que é verdade. Não se consegue vender um carro novo que foi comprado por 20.000 dólares por mais do que talvez 15.000 dólares, mesmo que tenha sido comprado na véspera. Porque é razão que isto acontece? Porque, evidentemente, só quem tenha chegado à conclusão de que ele não presta é que pode querer estar a vender um carro acabado de comprar. Por isso, mesmo que o carro seja bom, qualquer comprador potencial presume que ele há-de ter qualquer problema. Presume que o vendedor tem alguma informação sobre o carro de que ele, o comprador, não dispõe - e o vendedor é penalizado por essa suposta informação.
E se o carro não presta mesmo? O vendedor faria bem em esperar um ano para o vender. Nessa altura, a suspeita de existência de qualquer problema ou de que o carro não é bom ter-se-á esbatido; com esse tempo, haverá sempre pessoas a vender os seus carros com um ano de idade, bons e em perfeito estado, e o carro mau passa despercebido no meio deles, sendo provavelmente possível vendê-lo por mais do que ele realmente vale.
É normal e frequente que, numa transacção, uma das partes interveniente esteja mais bem informada que a outra. Na linguagem dos economistas, esse fenómeno é conhecido como assimetria da informação.
Extraído de "Freakonomics - o estranho mundo da economia - O lado escondido de todas as coisas", Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, Editorial Presença, Barcarena (2005)

A definição das prioridades

Publicada por José Manuel Dias


Meus senhores:
Ao marchar para Portugal, para uma posição que domina a aproximação a Madrid e as forças francesas, os meus oficiais cumpriram diligentemente a vossa solicitação que foi enviada pelo navio de S. M. de Londres para Lisboa e, depois, por mensageiro para o nosso quartel-general.
Enumerámos as nossas selas, rédeas, tendas e estacas de tendas e todo o tipo de artigos diversos que o Governo de Sua Magestade colocou sob a minha responsabilidade. Enviei relatórios sobre a personalidade. o engenho e o humor de todos os oficiais. Foram contabilizados todos os objectos e importâncias até ao último vintém, com duas lamentáveis excepções para as quais peço a vossa indulgência. Infelizmente, a quantia de um xelim e nove dinheiros continua por contabilizar na caixa de uma batalhão de infantaria e houve uma horrível confusão quanto ao número de frascos de compota de framboesa enviados para um regimento de cavalaria durante uma tempestade de areia no Oeste de Espanha. Este provável descuido pode estar relacionado com a pressão das circunstâncias, uma vez que estamos em guerra com França, facto que pode constituir alguma supresa para os senhores, aí em Whitehall.
Isto traz-me ao meu presente objectivo que é solicitar esclarecimentos ao Governo de Sua Magestade sobre as minhas instruções, de modo a compreender a razão por que estou a arrastar um exército por estas áridas planícies. Deduzo que deva ser forçosamente uma de duas incumbências alternativas. Realizarei qualquer delas com o melhor da minha capacidade, mas não posso realizar ambas; 1. Treinar um exército de escriturários britânicos uniformizados em Portugal para bem dos contabilistas e copistas de Londes ou, eventualmente, 2. Tratar que as forças de Napoleão sejam expulsas de Portugal e de Espanha.
Vosso obedientíssimo servo,
Wellington
Carta do Duque de Wellington para Londres durante as invasões francesas
Arthur Wellesley, Duque de Wellington, comandou a coligação de tropas portuguesas e inglesas que derrotou o exército francês na Batalha do Bussaco, a 27 de Setembro de 1810.

Portugal é o mais ágil do mundo a criar empresas (*)

Publicada por José Manuel Dias


A reforma [administrativa] portuguesa [o Simplex] é um exemplo de como medidas relativamente simples, desenhadas num curto espaço de tempo e concretizadas com relativamente pouco dinheiro, podem ter um impacte muito significativo na actividade das empresas”, sublinhou ao Público Caralee McLeish, uma das co-autoras do relatório Doing Business 2007 - How to reform, ontem apresentado pelo International Finance Corporation, o braço do Banco Mundial para o sector privado. O relatório, de acordo com notícia do Diário Económico do dia de ontem, elogia simplificação de processos de criação de novas empresas e diz: “o país executou a maior reforma do mundo” a este nível. Em Aveiro, desde o início deste projecto, em Julho de 2005, até Junho passado foram criadas 974 empresas na hora, com um tempo médio de atendimento por constituição de 41 minutos.
Portugal é hoje um país que oferece melhor condições aos empresários para fazerem negócios, de acordo com notícia do Jornal de Negócios de ontem. No espaço de um ano, o país subiu cinco lugares e figura agora na 40ª posição do "ranking" do Banco Mundial que compara o ambiente regulamentar aplicável às empresas em 175 economias, logo atrás de Espanha e bem à frente de países como Itália (82º lugar) e Grécia (109º) que pertencem igualmente à Zona Euro.
(*) Título de notícia do Diário Económico de 06 de Setembro p.p.

A pedra

Publicada por José Manuel Dias

O distraído tropeçou nela;
O bruto usou-a como um projéctil;
O empreendedor, usando-a, construiu;
O camponês, cansado da lida, fez dela assento;
Para as crianças foi brinquedo;
Drummond poetizou-a;
Com ela David matou Golias;
O artista fez dela a mais bela escultura...
Em todos os casos, a diferença não era a pedra, mas sim o homem.

Autor desconhecido

Códigos Éticos de Empresa

Publicada por José Manuel Dias


Um código ético (ou uma declaração de princípios, um ideário, uma carta de intenções, etc) é um documento em que a empresa estabelece certos objectivos de carácter ético que deseja conseguir, dentro e fora da empresa, isto é, com os fornecedores de capital de risco, trabalhadores, directivos, etc..., e/ou com clientes, fornecedores, instituições financeiras, comunidade local, economia nacional, etc. (.../...)
Passemos então à apresentação das razões de ordem geral que se pode apontar para justificar a criação de um código ético:
1) Antes de mais, a necessidade que a empresa tem, como instituição de responder à nobre função de ajudar o desenvolvimento humano e profissional dos seus membros.
2) Toda a empresa que no futuro queira ter bons profissionais não pode prescindir do desenvolvimento ético dos mesmos. Um profissional tecnicamente muito preparado pode ser perigosíssimo se o seu nível ético, por desconhecimento ou má fé, é reduzido.
Há, contudo, outras razões:
a) Imperativos legais ou inclusive a necessidade de auto-regulação por parte das empresas, para evitar que a pressão da opinião pública obrigue os poderes públicos a impôr uma legislação que, sendo necessariamente mais geral, implica uma maior rigidez de actuação.
b) A credibilidade face ao meio ou à própria organização também pode justificar a elaboração de um código de conduta, tendo em vista "criar" uma imagem externa (e interna) de responsabilidade, seriedade e excelência.
c) O carácter punitivo, e portanto, dissuasor dos códigos, com o objectivo de evitar (ou pelo menos dificultar) actuações fraudulentas ou condutas indesejáveis dos membros da organização.
d) Por último, pode dizer-se que os códigos de conduta se podem revelar úteis instrumentos para a busca da identidade empresarial e para o reforço de uma determinada "cultura de empresa".
Excertos de texto de José Manuel Moreira, in Revista " Dirigir", do IEFP, publicado como separata do número 45, Setembro/Outubro de 1996
Julgo que podemos concluir que as empresas podem tirar vantagens da existência de um Código Ético na medida é um instrumento incentivador da escolha dos "melhores caminhos" na concretização dos respectivos objectivos. Ganham as empresas e ganha a sociedade.

Círculo de Qualidade

Publicada por José Manuel Dias


O Círculo de Qualidade é um sistema, concebido do Kaoru Ishikawa, professor da Universidade de Tóquio falecido em 1989, que tem como propósito envolver todos os colaboradores de uma empresa, a todos os níveis, na qualidade das tarefas executadas e na identificação de melhorias que possam conduzir a ganhos de eficiência e produtividade.
Um círculo de qualidade é, na definição do Quality Circles Handbook, um grupo de 3 a 12 pessoas que fazem o mesmo ou trabalho semelhante, reunindo-se voluntária e regularmente durante cerca de uma hora por semana em tempo remunerado, habitualmente sob a liderança do seu próprio supervisor, e preparadas para identificar, analisar e resolver alguns dos problemas do seu trabalho, apresentando soluções à administração e, quando possível, implementando soluções elas próprias.
Existem 2 preocupações essenciais num Círculo de Qualidade:
1) identificação do problema e apresentação de sugestão de soluções;
2) reforço da motivação do grupo por via das reuniões e da inerente oportunidade para discutir questões relacionadas com o trabalho.
As reuniões devem ser feitas com carácter regular e com uma ordem de trabalhos pré-definida. Devem ser elaboradas actas, com o intuito de velar pelo acompanhamento e execução das propostas aprovadas. A eficácia deste método depende muito da preparação dos participantes no processo e do apoio efectivo recebido por parte da gestão do topo.
Quem não conhece organizações que lucrariam com a aplicação deste sistema?

Sabedoria dos clássicos

Publicada por José Manuel Dias


As minhas escolhas de pensamentos clássicos que ainda hoje nos inspiram:

1. Nada perdura, senão a mudança.
Heraclito, filósofo grego
2. Somos aquilo que fazemos consistentemente. Assim a excelência não é um acto mas sim um hábito.
Aristóteles, filósofo grego
3. Os Deuses ajudam aqueles que se ajudam a eles próprios.
Esopo, fabulista grego
4. Tememos as coisas na medida em que as ignoramos.
Tito Lívio, historiador romano
5. Não é por as coisas serem difíceis que não temos ousadia. É por não termos ousadia que as coisas são difíceis.
Séneca, escritor romano
6. O nosso gasto mais dispendioso é o tempo.
Teofrasto, filósofo grego

Kaizen

Publicada por José Manuel Dias


O Kaizen é uma das muitas ideias orientais que foram adoptadas por empresas ocidentais. O Kaizen, nas palavras de Masaki Imai, antigo Presidente do Instituto Kaizen, significa uma melhoria contínua que envolve todos de igual forma, trabalhadores e gestores. O Kaizen é também conhecido por «refinamento», como um processo pelo qual um diamante é polido até se tornar uma jóia de elevada qualidade. A empresa Toyota é conhecida por aplicar os princípios do Kaisen.
O Kaizen baseia-se em três preceitos estruturantes:
1) os recursos humanos são o bem mais importante de uma empresa;
2) os processos devem desenvolver-se através de uma melhoria contínua;
3) a melhoria deve traduzir-se numa avaliação qualitativa do desempenho nos diferentes processos.
Uma analogia que ilustra estes princípios é a história do "O Tesouro de Bresa". Um pobre alfaiate compra um livro com o segredo de um tesouro. Para descobrir o segredo, ele tem que decifrar todos os idiomas escritos no livro. Com esse propósito tem de estudar e aprender os idiomas. Em resultado dos novos conhecimentos começam a surgir-lhe oportunidades. O alfaiate, lentamente e de forma segura, começa a prosperar. Depois, é preciso decifrar os cálculos matemáticos do livro. É obrigado a continuar os estudos e, por essa via, melhora as suas competências e a sua prosperidade aumenta. No final da história, não existe tesouro algum - na busca do segredo, a pessoa desenvolveu-se tanto que ela mesma passa a ser o tesouro. O processo de melhoria não deve acabar nunca, e os tesouros são conquistados com saber e trabalho. Por isso, a viagem é mais importante que o destino.

O excessivo peso da despesa pública e a ilusão da gratuitidade

Publicada por José Manuel Dias


"Em Portugal, à semelhança do que acontece na maior parte do mundo ocidental, a despesa pública tem vindo a crescer de tal forma que o Estado absorve já cerca de metade de toda a riqueza produzida. Não obstante a existência, em cada período, de diferentes ritmos de crescimento da despesa pública, ao longo das últimas décadas a tendência tem sido de franca expansão, mesmo quando o discurso político dos governantes aponta em sentido contrário.
De facto, e apesar dos avanços no sentido de devolução à iniciativa privada e à sociedade civil de alguns sectores da economia, o Estado continua a monopolizar o fornecimento de muitos bens que não podem caber em nenhuma definição de «bem público», por mais abrangente que esta seja. É o caso do fornecimento estatal de serviços como a educação, a saúde, os meios de comunicação social, os transportes e parte significativa das obras públicas , que reunem indiscutivelmente as características de rivalidade e exclusão no consumo, constituindo por isso bens privados (bens privados «puros» se preferirmos) perfeitamente passíveis de serem fornecidos pelo mercado. Ainda que se entenda que o acesso a alguns desses bens privados, como a educação ou a saúde, deve ser garantido pelo Estado, tal não é de modo algum justificativo do monopólio estatal da sua provisão. ( .../...)
O facto de os bens produzidos pelo Estado serem financiados colectivamente gera, por parte de quem deles beneficia, a ilusão de que os mesmos são gratuitos. Dado que os custos são difundidos por todos os contribuintes, esta «ilusão» torna-se, pelo menos até certo ponto, uma realidade quando os bens em causa beneficiam, como frequentemente acontece, os interesses particulares de grupos de reduzida dimensão. O problema é que, como refere Pascal Salin, cada grupo ou indivíduo tende a estar mais interessado em obter privilégios à custa do Orçamento de Estado do que em combater os privilégios concedidos aos restantes grupos ou indivíduos. "
in " O que é a Escolha Pública? Para uma análise económica da política, pág 93,94, André Azevedo Alves e José Manuel Moreira, Principia, Publicações Universitárias e Científicas, Cascais ( 2004)

+ 52.801 empregados

Publicada por José Manuel Dias


Mais 52.801 indivíduos passaram a ocupar um posto de trabalho, entre o primeiro trimestre do ano e o segundo. Este total resulta da subtracção de número de pessoas que, neste período, entraram no mercado de trabalho (139.958), pelo total de indivíduos que passaram a uma situação de desemprego ( 87.157).
Estas contas pertencem ao Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério de Economia e Inovação e foram divulgadas hoje pelo Caderno Economia do Semanário "Expresso".
Esta dinâmica, mais pessoas a conseguirem emprego do que pessoas a perderem posto de trabalho, concorreu, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, para a diminuição da taxa de desemprego ( desceu de 7,7% para 7,3% de um trimestre para outro).

10 Provérbios Chineses

Publicada por José Manuel Dias


Com ensinamentos intemporais:
1. "A quem sabe esperar o tempo abre as portas."
2. "Antes de começar o trabalho de modificar o mundo, dê três voltas dentro de sua casa."
3. "Quem quer colher rosas deve suportar os espinhos."
4. "Temos uma boca e dois ouvidos mas jamais nos comportamos proporcionalmente."
5. "Jamais desespere no meio das mais sombrias aflições da sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda."
6. "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
7. "Não há que ser forte. Há que ser flexível."
8. "Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje."
9. "Aquele que pergunta, pode ser um tolo por cinco minutos. Aquele que deixa de perguntar, será um tolo para o resto da vida."
10. "Se parares cada vez que ouvires o latir de um cão, nunca chegarás ao fim do caminho."

A liderança e os Vinte e sete artigos

Publicada por José Manuel Dias


A estratégia dos Aliados para derrotarem os alemães durante a I Grande Guerra, estava dependente do comportamento dos britânicos perante os turcos no Médio oriente. Os exércitos árabes eram decisivos no apoio ao exército de Sua Magestade. Os oficiais britânicos que falavam árabe foram destacados para o exército árabe como conselheiros. Um destes oficiais foi T.E. Lawrence. que ficou para a história como Lawrence da Arábia. O capitão Lawrence teve grande sucesso junto dos árabes devido à compreensão da sua cultura e à sua capacidade para ser bem aceite.
Em Agosto de 1917, Lawrence escreveu uma súmula das regras que utilizou para lidar com os árabes, num artigo a que deu o título de " Vinte e sete artigos" e que foi publicado no Arab Bulletin destinado aos oficiais britânicos em combate na Arábia. São regras que ainda hoje têm actualidade e das quais nos permitimos transcrever:
- Vá devagar no início. É difícil recuperar de um mau começo.
- Aprenda tudo o que puder acerca dos seus constituintes. Ganhe e mantenha a confiança dos seus constituintes. Não desencoraje as ideias, mas garanta que pode controlar o resultados dos acontecimentos.
- Mantenha-se em comunicação com os seus constituintes. Um elogio bem colocado é a forma mais eficaz de conquistar alguém. Nunca discuta nem apresente emoções negativas em público: pode degradar-se a si mesmo.
- Os líderes são como actores num palco. Para serem bem sucedidos exige-se-lhes uma atenção constante ao papel que estão a desempenhar.
-Guarde a sua vida pessoal para si. Adira aos hábitos e costumes dos seus constituintes.
- O início e o fim do segredo de liderar pessoas é estudá-las constantemente. Mantenha-se sempre em guarda; nunca diga nada desnecessariamente. O seu sucesso será proporcional à quantidade de esforço mental que você lhe devotar.

Escuta activa

Publicada por José Manuel Dias


Quem já não não cometeu erros na transcrição de números? Quem já ouviu um nome que pouco mais tarde se apagou da memória? Quem já não falou com amigos e/ou clientes e foi confrontado com a pergunta : onde é que está(s) ?!
São situações vivenciadas de modo recorrente e que podem ser tendencialmente eliminadas se conseguirmos praticar a escuta activa. Não basta ouvir, é preciso captar o significado do que o nosso interlocutor está a dizer, exigindo-se, por isso, motivação e disciplina.
Para praticar a escuta activa devemos observar os seguintes procedimentos:
1- Estar consciente de si próprio. "Ouvir" com olhos, cabeça e ouvidos, olhando o interlocutor nos olhos e inclinando-se ligeiramente para a frente, de vez em quando reforçando a atenção.
2- Centrar a atenção no interlocutor.Tentar descobrir aquilo que , de facto, pretende dizer e , por via das perguntas, clarificar a sua mensagem.
3- Repetir o que se ouve. Reformular por palavras próprias aquilo que se entendeu que foi dito, tanto no que concerne às ideias como aos sentimentos.
Estudos já realizados comprovaram que, por regra, ouvimos metade do que é dito, prestamos atenção a metade do que ouvimos e lembramo-nos apenas de metade do que prestámos atenção. De facto, temos a tendência para ouvir o que queremos ouvir e ver o que queremos ver. Em resultado deste facto, a mensagem percebida por nós é muitas vezes completamente diferente daquela que o emissor desejava transmitir. A escuta activa visa, assim, melhorar a compreensão da mensagem.

Gestão matricial

Publicada por José Manuel Dias


A gestão matricial é um sistema para gerir empresas que tenham quer uma diversidade de produtos quer uma diversidade de mercados. Numa estrutura de matriz, existe uma dupla responsabilidade, a nível de produtos e a nível de mercados. Os gestores passam, assim, a ter uma dupla informação: uma por via da direcção de produtos e outra através da direcção de mercados.
Foi a multinacional holandesa Philips quem deu início a este tipo de organização, no período pós II Grande Guerra, contudo, na década de 90, procedeu a um reajustamento total, em virtude dos resultados já não estarem em consonância com o esperado.
O problema tinha sido diagnosticado por Christopher Ballet e Sumantra Ghoshal, em artigo publicado na Harvard Business Review:
"A dupla informação levava ao conflito e à confusão; a proliferação de canais criava obstruções de informação na medida em que uma proliferação de comissões e relatórios parava a organização e a sobreposição de responsabilidades produzia lutas e perda de responsabilização".
A gestão matricial tem, no entanto, os seus entusiastas que alegam que é a melhor forma de organização nos casos em que a empresa tem de lançar novos produtos ou desenvolver um novo negócio.

e-Gov

Publicada por José Manuel Dias


Depois de ter partido em 2001 nos últimos 20 lugares do nível de governo electrónico («e-gov», na gíria) em 198 países, Portugal galgou, em 5 anos, uma centena e meia de posições, mas ainda está a uma distância considerável do pelotão da frente, conforme estudo efectuado pelo Centro de Políticas Públicas da Universidade de Brown nos meses de Junho e Julho deste ano, publicado hoje no caderno Economia do semanário "Expresso". Portugal figura em 48º lugar, atrás do nosso país irmão, Brasil, que está em 38º e muito atrás da vizinha Espanha, 10º. Na liderança do «e-gov» estão, hoje, três «tigres» asiáticos - Coreia do Sul, Taiwan e Singapura - seguindo-se os EUA, Canadá, Grá Bretanha, Irlanda, Alemanha, Japão e Espanha.
A nível de Portugal merecem particular referência a qualidade do Portal do Cidadão e o sítio da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, já utilizado por uma larga percentagem de contribuintes.
Nos último 5 anos andámos bem... mas temos de andar ainda mais depressa se queremos estar entre os melhores. Esse desiderato tem de ser conseguido com a participação de todos os utilizadores da internet e, neste domínio, a avaliar pela informação da comScore World Metrix, divulgada pelo "Expresso", nem estamos nada mal classificados. Passamos, em média, por mês, 39 h 48 m «on line» enquanto que a média mundial se situa em 31,3 horas. Os israelitas são o povo que mais tempo passa por mês a navegar na internet: 57,5 horas em média, ao passo que os brasileiros ocupam 41 h 12 m.

Os perigos de não ter rumo....

Publicada por José Manuel Dias


Era uma vez um Cavalo-Marinho que queria ser rico. Agarrou no seu "pé de meia" e partiu em busca de fortuna. Não tinha andado muito, quando encontrou uma Águia, que lhe disse:
"Bom amigo. Para onde vais?"
Vou em busca de fortuna", respondeu o Cavalo-Marinho, com muito orgulho.
"Estás com sorte", disse a Águia. "Pela metade do teu dinheiro, deixo que leves esta asa, para que possas chegar mais rápido".
"Que bom!", disse o Cavalo-Marinho. Pagou-lhe, colocou a asa e saiu como um raio. Logo encontrou uma Esponja, que lhe disse:
"Bom amigo. Para onde vais com tanta pressa?"
"Vou em busca de fortuna" respondeu o Cavalo-Marinho.
"Estás com sorte", disse a Esponja. "Vendo-te este meu propulsor por muito pouco dinheiro, para que chegues mais rápido".
Foi assim que o Cavalo-Marinho pagou o resto de seu dinheiro pelo propulsor e sulcou os mares com velocidade quintuplicada. De repente, encontrou um Tubarão, que lhe disse:
"Para onde vais, meu bom amigo?"
"Vou em busca de fortuna", respondeu o Cavalo-Marinho.
"Estás com sorte. Se tomares este atalho", disse o Tubarão, apontando para sua imensa boca, "ganharás muito tempo".
"Está bem, agradeço-lhe muito", disse o Cavalo-Marinho, e lançou-se no interior do Tubarão, sendo devorado.

Pausa

Publicada por José Manuel Dias




Até já...

Teoria e prática

Publicada por José Manuel Dias


Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em prática, e toda a prática deve obedecer a uma teoria. Só os espíritos superficiais desligam a teoria da prática, não olhando a que a teoria não é senão uma teoria da prática, e a prática não é senão a prática de uma teoria. Quem não sabe nada dum assunto, e consegue alguma coisa nele por sorte ou acaso, chama «teórico» a quem sabe mais, e, por igual acaso, consegue menos. Quem sabe, mas não sabe aplicar - isto é, quem afinal não sabe, porque não saber aplicar é uma maneira de não saber -, tem rancor a quem aplica por instinto, isto é, sem saber que realmente sabe. Mas, em ambos os casos, para o homem são de espírito e equilibrado de inteligência, há uma separação abusiva. Na vida superior a teoria e a prática completam-se. Foram feitas uma para a outra.
Fernando Pessoa, in 'Palavras iniciais da Revista de Comércio e Contabilidade'

A contas com a verdade (*)

Publicada por José Manuel Dias


Era uma vez uma menina que, para gáudio dos seus pais, se revelou, logo nos primeiros anos de escola, muito boa a Matemática. " A minha filha é muito boa nas contas", costumava gabar-se o pai.
Com o tempo e à medida que, com o andar dos estudos matemáticos, os "números" e as "letras" mais se misturavam, atrapalhando a tabuada, a boa aluna passou a ser apenas razoável. O pai, contabilista, passou então a queixar-se de como as "letras" também atrapalhavam a filha nas contas.
Muita gente, que triunfou na vida e que se debate com as dificuldades escolares dos seus filhos em fazer bem as contas, pensa que o seu desempenho melhorará à medida que os seus números se misturarem com cada vez mais cifrões...
Estou perante uma assembleia de mulheres e homens que, se não tivessem outras nobres e notáveis qualidades, teriam em comum uma experiência única e às vezes difícil: saber quanto os cifrões podem minar o acerto das contas e quanto essa dificuldade pode afectar as consciências.
(.../...)

(*) Excerto de comunicação apresentada por José Manuel Moreira na Sessão Plenária presidida pelo Professor Rogério Fernandes Ferreira, " A Ética, a Deontologia, a Pedagogia e a Didáctica", das VII Jornadas de Contabilidade e Auditoria, Coimbra, 1998.

Reengenharia

Publicada por José Manuel Dias


A ideia de reengenharia foi apresentada pela primeira fez num artigo da Harvard Business Review de Julho/Agosto de 1990, por Michael Hammer. Enunciava-se uma nova abordagem à mudança nas empresas que implicaria um redesenho radical dos processos de negócio com o objectivo de obter melhorias em três áreas: nos custos, nos serviços e no tempo.
A técnica consiste na análise dos processos centrais de uma empresa e o seu redesenho de uma forma mais eficiente. Quem faz, quem controla, quem dirige, como se faz, porque se faz, que informação se disponibiliza, que recursos são precisos, que competências são requeridas, que resultados se desejam...são questões para as quais se procura resposta com uma intenção: que ajustamentos a fazer, para termos uma organização mais simples e mais eficiente?
Hammer referia que " Num mundo em que há tanta gente desprovida, é um pecado ser-se ineficiente".
O trabalho de reengenharia tem sido adoptado por muitas empresas no nosso país, que procuram, por essa via, tornar-se mais competitivas. Eliminaram-se muitas funções, generalizaram-se as novas tecnlogias de informação, requalificaram-se colaboradores, dispensaram-se os menos capazes, redefiniram-se procedimentos, clarificaram-se objectivos...
Numa ideia simples : as empresas emagreceram e orientaram-se para os resultados. A maior parte das organizações só pode lucrar com a implementação deste método que, a ser aplicado nas autarquias locais, traria benefícios para todos nós, cidadãos contribuintes.

Marca na hora

Publicada por José Manuel Dias


Depois da criação da "Empresa na hora", lançada há um ano , com grande êxito, a avaliar pelas 8.500 sociedades já criadas , foi recentemente apresentada a "Marca na hora".
Existe, a partir de agora, a possibilidade de criar uma empresa e, de imediato, obter uma "marca", encurtando um processo que, no passado, se estendia por mais de um ano. Não será , no entanto, possível criar uma "Marca na hora", sem que primeiro se tenha constituído uma "Empresa na hora", mas a dependência entre a empresa e a marca só existirá no acto da constituição, uma vez que a mesma empresa pode adquir mais do que uma marca associando-a a diversos tipos de produtos e serviços. Esta medida, que já se encontrava contemplada no programa Simplex, vai estar em regime experimental durante os próximos 4 meses, de acordo com declarações do Secretário Estado da Justiça, efectuando-se, no termo desse prazo, um balanço efectivo e os ajustamentos que a experiência, entretanto recolhida, recomendar.
Aplausos para esta Medida que cria condições de atractividade para o investimento e melhora a competitividade da nossa economia.
Registe-se, entretanto, o balanço da aplicação da "Empresa na hora" ( divulgado pelo Ministério da Justiça) :
- início de aplicação : 14 de Julho de 2005
- poupança para empresários : 1,1 Milhões de euros
- eliminação de 230.000 dias de trabalho em deslocações a Conservatórias
- 19.500 postos de trabalho criados
- 93 Milhões de euros de investimento gerado.
- constituem-se em média 5o "Empresas na hora" por dia.
Quem pode condenar o "Simplex" por reduzir a burocracia? Só mesmo os burocratas, como me dizia um amigo que recentemente constituiu uma "Empresa na hora", no Centro de Formalidades de Empresas, em Aveiro.

Subida de juros incentiva portugueses a poupar (*)

Publicada por José Manuel Dias


O Banco dos doze, que reúne hoje, deverá subir o preço do dinheiro em 0,25 pontos para 3%. A taxa de referência deverá continuar a subir, terminando 2006, nos 3,5%, asseguram os analistas. Este movimento pesa negativamente na carteira dos endividados, sejam eles famílias, empresas ou Estado, mas no médio e longo prazo promove os comportamentos prudenciais dos agentes económicos, levando-os a agir de forma mais consentânea com as suas possibilidades reais de rendimento. O potencial é limitado e levará anos a melhorar, tendo em conta o contexto de crise/estaganação económica que advém da falta de competitividade da economia.
(*) Artigo de Luis Reis Ribeiro, no Diário Económico de hoje.
Uma "ajuda externa" para esse desiderato em que estamos todos empenhados. Poupar é preciso e o exemplo, como diz o povo, tem de " vir de cima"...

Um dia vou construir um castelo...

Publicada por José Manuel Dias



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tonar autor da sua própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É falar de si mesmo.
É ter coragem de ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa, poeta português ( 1888-1935)

Caminho Crítico

Publicada por José Manuel Dias


A análise do caminho crítico é um método simples de analisar uma tarefa complexa. Analisa-se o processo, divide-se a tarefa em subtarefas e procuram identificar-se as interdependências. Que subtarefas devem ter lugar primeiro, quais é que poderão executadas em paralelo e que subtarefas é que só terão lugar depois de outras concluídas. Importa saber, de igual modo, quanto tempo demora a executar cada uma. A reunião de toda esta informação permite-nos calcular os recursos necessários para a concretização da tarefa, estabelecer a prioridade de cada subtarefa, definindo, assim, a sua sequência.
A análise do caminho crítico surge habitualmente sob a forma de um gráfico de Gantt (atribui-se a Henry Gantt a sua invenção) que mostra as diferentes subtarefas sob a forma de barras horizontais. O eixo horizontal é o tempo tomado. O comprimento de cada barra representa assim o tempo tomado por uma subtarefa específica. As barras sobrepostas representam as tarefas que podem ser feitas paralelamente.
Este método é seguramente uma ferramenta de grande utilidade na tomada de decisões que envolvam diversas subtarefas pois permite optmizar os recursos e evita erros primários. A fazer fé na leitura dos jornais da nossa terra existe muito boa gente a precisar de conhecer este método...

Corrupção e Plano Tecnológico

Publicada por José Manuel Dias


«A corrupção é um crime muito difícil de detectar e de fazer prova. Entre corruptor e corrompido sela-se um pacto de silêncio. Não se deve olhar para o fenómeno apenas sob a perspectiva da punição e perseguição. Em vez de estarmos no campo desagradável da suspeição, poderíamos actuar no campo da objectividade.
Pode chegar-se à conclusão de que 80% das prescrições se verificam num determinado sector. E aí seria interessante investigar porque razão isso acontece. Não devemos tratar a corrupção de forma cega. Por exemplo, na contratação pública há truques que são conhecidos e essa informação deve ser tida em conta na altura de analisar as propostas dos concorrentes.
O Estado aposta muito no aspecto processual da contratação, mas depois descura o seu acompanhamento. É preferível que se aligeirem as exigências iniciais e se invista mais no controlo do serviço prestado pelo vencedor do concurso. É indispensável obrigar a justificar todas as despesas adicionais - que muitas vezes são aprovadas não por quem adjudicou mas por outras pessoas.
Não tendo sido criado com o objectivo de combater este tipo de crime, o Plano Tecnológico será um instrumento muito importante para a sua diminuição, já que vai atacar a burocracia - um terreno fértil para a proliferação de favores.
O efeito mais pernicioso da corrupção é destruir a competitividade de uma economia, travando a sua capacidade de modernização».
Paulo Morgado, administrador -delegado da Capgemini e autor do livro " Contos de Colarinho branco" em declarações ao "Expresso" de 29 de Julho de 2006, caderno de Economia

Gestão por objectivos - caso prático

Publicada por José Manuel Dias


Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome: António Silva. Um era padre e o outro, taxista. Quis o destino que morressem no mesmo dia. Quando chegaram ao céu, São Pedro esperava-os. - O teu nome ? - António Silva. És o padre ? - Não, sou o taxista, responde. São Pedro consulta os seus apontamentos e diz: - Bem, ganhaste o paraíso. Levas esta túnica com fios de ouro e este ceptro de platina com incrustações de diamantes. Podes entrar. S. Pedro dirige-se depois ao outro homem - O teu nome ? - António Silva. - És o padre ? - Sou, sou sim senhor. - Muito bem, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e este ceptro de ferro. O padre diz: - Desculpe, mas tem de haver engano. Eu sou o António Silva, o padre! - Sim, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e... - Não pode ser! Eu conheço o outro senhor. Era taxista, vivia na minha aldeia e era um desastre! Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas, dos pedidos das pessoas e das repreensões da polícia. E eu passei 50 anos a pregar todos os domingos na paróquia. Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu.....isto ?! - Não é nenhum engano - diz São Pedro. Aqui no céu, adoptámos uma gestão mais profissional, como a que vocês fazem lá na Terra. - Não entendo!. - Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos. É assim: durante os últimos anos, cada vez que tu pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar. Resultados!! Percebeste?! Gestão por Objectivos!

Gestão por objectivos

Publicada por José Manuel Dias


Gestão por Objectivos ( Management by Objectives), conceito desenvolvido por Peter Drucker nos anos 50, é caracterizada como um método de planeamento e avaliação, baseado em factores quantitativos, pelo qual superiores e subordinados elegem áreas prioritárias, estabelecem resultados a serem alcançados, dimensionam as respectivas contribuições e procedem ao sistemático acompanhamento do desempenho.
No livro " The Practice of Management", publicado em 1954, Drucker apresentou uma lista de prioridades para a gestão do futuro, a primeira das quais era a «gestão por objectivos». Muitas vezes, de acordo com a sua perspectiva, os gestores perdem a noção dos seus objectivos devido à «armadilha da actividade». Andam atarefados no seu quotidiano mas não têm uma noção clara sobre a verdadeira situação das respectivas empresas. Importava, assim, no seu entender, definir novos princípios de gestão: primeiro, determinar os objectivos de negócio; depois estabelecer o plano para alcançar esses objectivos de forma eficiente; e, por fim, implementar o plano.
O Governo anunciou em Maio passado a intenção de trazer para o sector empresarial público "o que de melhor se faz no sector privado e nos outros países". De acordo com informação veiculada pela imprensa a maioria dos 30 organismos, empresas e institutos públicos tutelados pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações vão passar a ser geridos por objectivos, até ao final de 2006. Os gestores públicos passarão a ter " cartas de missão para os respectivos mandatos" e "prémios indexados ao desempenho - medido através de relatórios mensais, trimestrais e anuais".
Esperemos que no futuro se premeie os bons gestores públicos e se penalize os maus, avaliados de acordo com critérios objectivos num quadro bem definido de relacionamento com o accionista (o Estado).

Formar para o emprego

Publicada por José Manuel Dias


O caderno "Emprego" do semanário "Expresso" de 22 Julho p.p., escolhe este título para encabeçar uma pequena notícia que pode justificar adequada reflexão. São conhecidas as dificuldades de integração no mercado de trabalho por parte dos jovens licenciados. Aveiro tem, no entanto, uma escola - Instituto Superior de Contabilidade e Administração - em que a taxa de empregabilidade é muito satisfatória. De acordo com declarações da Professora Fátima Pinho, Presidente do Conselho Directivo, ao referido semanário " o último inquérito à inserção de recém-licenciados - já desactualizado - revelava que 90% dos diplomados da Universidade de Aveiro conseguiram emprego em menos de seis meses após a conclusão do curso".
Ficamos ainda a saber que o ISCA tem prevista a promoção de vários cursos de formação pós secundária não superior. Já tem em funcionamento o curso de "Organização e Planificação do Trabalho" e aguarda a autorização para os cursos de " Banca e Seguros", "Gestão e Técnicas de Turismo" e "Contabilidade Pública". Para estes cursos de especialização tecnológica o ISCA estabelece protocolos de cooperação com várias empresas da região, que têm acesso aos respectivos programas e segundo declarações de Fátima Pinho ao Expresso " há já várias empresas que nos procuraram, mostrando interesse em recrutar alunos".
Um boa ligação entre Escola e empresas é, como se pode concluir, geradora de uma maior empregabilidade. Registe-se, de igual modo a aceitação dos cursos de especialização tecnológica - CETs - que procuram responder a necessidades efectivas do tecido sócio-económico em termos de quadros intermédios, garantindo, assim, com forte probabilidade, uma rápida inserção no mercado de trabalho dos futuros diplomados.