O espaço público

Publicada por José Manuel Dias


Vê-se que o espaço público falta cruelmente em Portugal. Quando há diálogo, nunca ou raramente ultrapassa as «opiniões» dos dois sujeitos bem personalizados (cara, nome, estatuto social) que se criticam mutuamente através das crónicas nos jornais respectivos (ou no mesmo jornal).O «debate» é necessariamente «fulanizado», o que significa que a personalidade social dos interlocutores entra como uma mais-valia de sentido e de verdade no seu discurso. É uma espécie de argumento de autoridade invisível que pesa na discussão: se é X que o diz, com a sua inteligência, a sua cultura, o seu prestígio (de economista, de sociólogo, de catedrático, etc.), então as suas palavras enchem-se de uma força que não teriam se tivessem sido escritas por um x qualquer, desconhecido de todos. Mais: a condição de legitimação de um discurso é a sua passagem pelo plano do prestígio mediático - que, longe de dissolver o sujeito, o reforça e o enquista numa imagem «em carne e osso», subjectivando-o como o melhor, o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo.
In " Portugal, Hoje. O Medo de Existir", GIL, José (2004), Relógio d´Água, Lisboa

Problemas e oportunidades

Publicada por José Manuel Dias



Em meados dos anos 60 algumas empresas do sector do calçado iniciaram projectos de exportação para Angola. No mesmo do dia, dois vendedores de empresas distintas, uma de Felgueiras e outra de S. João da Madeira, desembarcaram em Luanda. Tinham como propósito fazer um levantantamento das potencialidades do mercado. No final do dia, depois de terem conhecido a cidade, mandaram "telexes" (os faxes apareceriam duas décadas mais tarde) para as gerências das respectivas empresas. Um deles dizia " Senhores, cancelem o projecto de exportação para Angola. Aqui ninguém usa sapatos! ". O outro dizia " Senhores, enviem-me, desde já, três contentores de sapatos e acelerem o projecto de exportação. Aqui andam todos descalços".
A mesma situação foi interpretada de modo diferente pelos dois vendedores. Onde um viu dificuldades, o outro viu oportunidades. Tudo na vida pode ter sempre duas visões. Depende de cada um de nós transformar problemas em oportunidades.

Portugal é dos melhores

Publicada por José Manuel Dias

Portugal é o 13º país, em 180, com mais baixa taxa de mortalidade infantil. De 1990 até 2005, a taxa passou de 14 mortes por cada mil crianças para apenas cinco, de acordo com o relatório Situação da Infância em 2007 divulgado pela UNICEF.
Portugal é, também, um dos países do mundo com esperança média de vida mais elevada, 78 anos. Só dez países no mundo têm uma taxa superior à portuguesa a este nível.

Aprender compensa

Publicada por José Manuel Dias


Que mensagem usaria para convencer os trabalhadores e empresas a aderir à formação profissional?

A mensagem que importa sublinhar é que aprender compensa, existe uma relação clara entre os níveis de qualificação e os ganhos económicos e sociais.
Aos trabalhadores será útil dizer que uma qualificação de base mais elevada facilita o acesso a melhores empregos, mais interessantes e com melhores salários. Para as empresas, investir em qualificação é, também, condição fundamental de sucesso. Trabalhadores mais qualificados garantem melhores níveis de produtividade, maior capacidade de inovação, asseguram a realização de actividades mais exigentes em conhecimento e contribuem para reforçar a capacidade competitiva das empresas.
Resposta de Fernando Medina, Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, ao JN, Suplemento as 1.000 + rentáveis 2006

A lista...

Publicada por José Manuel Dias


A partir de Janeiro do próximo ano, o Fisco vai alargar os critérios de publicitação da lista dos devedores ao Estado, passando a divulgar as dívidas a partir dos 25 mil euros para as pessoas singulares e as de 50 mil para as colectivas. De acordo com notícia veiculada, nesta data, pelo jornal " Público" as Finanças pretendem com essa medida expor um maior número de contribuintes com dívidas ao Estado e acelerar o processo de regularizações. Desde o início da divulgação desta lista, em Julho, foram regularizados 1716 processos de dívidas, no valor de 40 milhões de euros. Parece poder concluir-se que a decisão do Governo, inicialmente contestada por uns tantos, é afinal eficaz. Existe muito " boa gente" que deveria pagar os seus impostos mas não o faz e, uma vez que não é titular de património penhorável, o Fisco não consegue fazer a respectiva cobrança.
A divulgação da lista tem efeitos positivos pois permite identificar os riscos de crédito dessas entidades. Ninguém quererá ter relações comerciais com quem não cumpre as suas obrigações fiscais, uma vez que " quem faz um cesto faz um cento...". Trata-se de uma informação relevante, dadas as dificuldades existentes na determinação do risco de crédito na maioria das nossas empresas e a morosidade na cobrança judicial das dívidas . Por outro lado, e não menos negligenciável, passa a existir uma censura social a quem se furta ao cumprimento das suas responsabilidades fiscais lesando o Estado que o mesmo é dizer todos nós.

Bons Professores

Publicada por José Manuel Dias


Os bons professores usam a memória como armazém de informação, os professores fascinantes usam a memória como suporte da criatividade. Os bons professores cumprem o conteúdo programático das aulas, os professores fascinantes também cumprem o conteúdo programático das aulas, mas o seu objectivo fundamental é ensinar os alunos a serem pensadores e não repetidores de informação.
In Pais brilhantes, Professores Fascinantes, CURY, Augusto (2003), Editora Pergaminho, Cascais

Consumismo cego

Publicada por José Manuel Dias


A nossa vida é influenciada em grande medida pelos jornais. A publicidade é feita unicamente no interesse dos produtores e nunca dos consumidores. Por exemplo, convenceu-se o público de que o pão branco é superior ao pão escuro. A farinha, cada vez mais finamente peneirada, foi privada dos seus princípios mais úteis. Mas conserva-se melhor e o pão faz-se mais facilmente. Os moleiros e os padeiros ganham mais dinheiro. Os consumidores comem, sem o saber, um produto inferior. E em todos os países em que o pão é a parte principal da alimentação, as populações degeneram. Gastam-se enormes quantias na publicidade comercial. Assim, imensos produtos alimentares e farmacêuticos inúteis, e muitas vezes prejudiciais, tornaram-se uma necessidade para os homens civilizados. Deste modo, a avidez dos indivíduos suficientemente hábeis para orientar o gosto das massas populares para os produtos à venda desempenha um papel capital na nossa civilização.
Alexis Carrel (1873, 1944) , in "O Homem esse Desconhecido"

«Empresa na Hora» vence prémio europeu

Publicada por José Manuel Dias


O projecto português «Empresa na Hora» foi, ontem, distinguido em Bruxelas com o prémio europeu de iniciativa empresarial na categoria de «redução da burocracia», num evento apoiado pela Comissão Europeia.
Estes prémios, lançados em 2005, visam reconhecer e recompensar iniciativas tomadas por autoridades locais para apoiar o espírito empresarial a nível regional, tendo aderido à competição mais de 400 autoridades locais e regionais de todos os países da União Europeia (UE), dos futuros Estados-membros Bulgária e Roménia, e ainda da Islândia e Noruega.
Das centenas de propostas foram escolhidas 13 finalistas, entre as quais o projecto «Empresa na Hora», o regime especial de constituição de sociedades que torna possível estabelecer empresas em menos de uma hora e com custos muito mais reduzidos, perante um único controlo administrativo.

O SIADAP e o fim da história

Publicada por José Manuel Dias


O SIADAP (Sistema integrado de avaliação de desempenho da administração pública) é um modelo de avaliação global que permite implementar uma cultura de gestão pública, baseada na responsabilização de dirigentes e outros trabalhadores relativamente à prossecução dos objectivos fixados, mediante a avaliação dos resultados. Está ser objecto de implementação em toda a Administração Pública e assenta em três componentes:
1) objectivos individuais - tendo em vista os objectivos do Serviço;
2) competências comportamentais - tendo em vista avaliar as características pessoais que diferenciam os níveis de desempenho numa função;
3) atitude pessoal - tendo em vista avaliar o empenho pessoal para alcançar níveis superiores de desempenho ( esforço, interesse e motivação).
A sua concretização está suscitar naturais dificuldades e algumas críticas, oriundas dos sectores que não estavam habituados a prestar contas do seu desempenho. As mudanças exigem sempre esforços adicionais e uma cultura de exigência e rigor ainda não é característica da nossa Administração Pública. Este sistema foi aprovado durante o Governo de Durão Barroso - Lei nº 10/2004, de 22 de Março - mas só, agora, por iniciativa do actual executivo, está a ser materializado. Quem está identificado com as práticas do sector privado e conhece as empresas mais competitivas sabe que a avaliação de desempenho é um instrumento essencial para termos profissioanis mais qualificados e serviços com a mais qualidade. Anda, pois, bem o Governo, ao fazer, o que está a fazer. Estamos no bom caminho. Histórias, como a que referimos infra, vão deixar de ter aderência à realidade da nossa Administração Pública.
Era uma vez quatro pessoas que se chamavam toda a gente, alguém, qualquer um e ninguém. Havia um importante trabalho que tinha que ser feito e toda a gente acreditava que alguém é que o iria executar.
Qualquer um poderia fazê-lo, mas ninguém o fez. Alguém ficou aborrecido com isso, porque entendia que a execução do trabalho era responsabilidade de toda a gente. Este pensou que qualquer um o poderia fazer, mas ninguém imaginou que toda a gente não o faria. Toda a gente culpou alguém, quando ninguém fez o que qualquer um poderia ter feito!

Desemprego continua a baixar

Publicada por José Manuel Dias


Em Setembro de 2006, o número de desempregados registados no distrito de Aveiro era de 31.818, um decréscimo de 4,35 por cento comparando com o mesmo mês do ano passado.
Aveiro, continua a ser o quinto distrito com mais desemprego registado. O número de desempregados registados representa 8,9% da população activa do distrito.
As mulheres continuam a ser mais afectadas: são 20.064 em Setembro 2006, 63% dos desempregados registados e os de longa duração atingem 14.251 trabalhadores, 44,8% do desemprego do distrito.
O desemprego registado dos jovens com idade inferior a 35 anos, é de 12.240, 38,5% do desemprego registado no distrito e o registado na faixa etária dos 35 aos 54 anos, é de 13.360, 42% do desemprego registado no distrito.

Philip Kotler

Publicada por José Manuel Dias


O autor de Marketing Management esteve mais uma vez em Portugal. Doutorado em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology, leccionou Marketing Internacional na Kellog Graduate School of Management, da Northwestern University, uma das mais prestigiadas escolas de pós-graduação em Gestão do mundo. No Fórum Mundial de Marketing e Vendas 2006, realizado em Lisboa, Kotler proferiu uma lição sobre o Marketing orientado para os resultados. Iniciou a sua intervenção com a seguinte questão: " O que é que um Chief Marketing Officer ( CMO) deve fazer?". Segundo Kotler, o marketing tem de trabalhar para as vendas, é um impulsionador. " O novo mercado é implacável", lembra.
"A grande aposta hoje é a comodotização: temos de ser diferentes, de qualquer maneira, na proposta de valor; fazer melhor não é estratégia operacional, como dizia Porter. Copiar não chega".
De acordo com Phillip Kotler as cincos aptidões mais importantes do CMO são:
1. Recolher informações mais aprofundadas sobre os clientes;
2. Posicionar melhor a sua marca;
3. Encontrar novas ideias para produtos e serviços inovadores;
4. Comunicar com mais impacto.
5. Avaliar o seu impacto financeiro e conseguir maior alavancagem e respeito pelo marketing no interior da sua organização.

A defesa do Estado Social

Publicada por José Manuel Dias


Façamos uma leitura desapaixonada da realidade portuguesa, focalizando nas duas últimas décadas (números de Medina Carreira, fiscalista e ex- Ministro das Finanças de um Governo PS):
A economia cresceu 80%; as arrecadações fiscais, 155%; a despesa total, 170%; os salários, as pensões e os subsídios, 209% .
O peso das despesas públicas subiu assim mais de 50% entre 1980 e 2000 (30,9% do PIB em 1980 e 46,6% em 2000), com o crescimento económico sempre em desaceleração (7,5% em média anual nos anos 60, 4,5% nos anos 80, 2,7% nos 90 e, provavelmente, não mais que 1,5% entre 2000 e 2010).
Entre 1980 e 2000 a carga fiscal portuguesa aproximou-se muito da média da UE dos 15. O número de funcionários públicos e de pensionistas (SS+CGA) era de 560.000 funcionários e 1.780.000 pensionistas, em 1980 e cresceu para 747.000 funcionários e 2.907.000 pensionistas, em 2000. Nesse período a população terá crescido entre 5% a 10%.
A expansão da carga fiscal foi dupla da criação de riqueza (PIB), mas apesar do bom comportamento financeiro dos impostos, entre 1980 e 2000, regista-se um enfraquecimento acelerado da capacidade fiscal para suportar as despesas.
O actual Governo tem noção desta realidade e, pela primeira vez na história da nossa jovem democracia, o orçamento reflecte uma diminuição do peso da despesa pública relativamente ao PIB.
Os políticos da oposição têm sugerido mezinhas para resolver problemas de fundo ou tentam, irresponsavelmente, manter tudo como está, pensando que é com manifestações e acções de rua que se conseguem "garantir os direitos". Ignoram uma realidade incontornável, se a economia não providenciar os fundos necessários, o Estado Social não funcionará ou funcionará de forma deficiente.
Modernizar a economia, qualificar a mão de obra, incentivar a melhorar do desempenho nas empresas privadas, reformar a administração pública, desburocratizar o seu funcionamento, requalificar o seu pessoal e implementar uma avaliação eficaz do seu desempenho, combater a fraude e a evasão fiscais, são, pois, condições essenciais à melhoria da nossa competitividade e, por essa via, ao dinamismo da nossa economia.
O modelo do Estado Social, nos moldes em que tem funcionado, está em discussão em toda a Europa. Sem modificações sérias e profundas está comprometido. Quem quer que o Estado Social permaneça - assistindo aos que temporariamente ou por circunstâncias adversas se encontram impossibilitados de se valerem a si próprios - deve ter noção que as mudanças são necessárias e urgentes. Se não formos bem sucedidos nesses propósitos as maiores vítimas serão os mais desfavorecidos da nossa geração e serão as gerações seguintes que pagarão o preço do nosso egoísmo e da nossa irresponsabilidade.

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias


A crescente importância das instituições intermédias na implementação de políticas públicas exige que elas se afirmem como entidades complementares, e não como barreiras ao desenvolvimento. O que implica perceber que as suas independência e liberdade de iniciativa passam mais pelo reforço do mercado e da liberdade individual do que pelas boas graças e pelos subsídios do Governos; pelas políticas públicas de acordo com as quais os serviços privados, estatais e sociais contribuem para uma sã concorrência e uma cultura de responsabilização; por uma cultura menos assente no saque dos dinheiros públicos e mais dependente da organização, da busca de novas e mais criativas soluções para os problemas públicos. As universidades são talvez um bom exemplo de uma certa dificuldade em superar as incapacidades próprias, não através de um reforço do corporativismo, mas pela distinção pela qualidade do serviço oferecido, ou seja, dando respostas mais adequadas às novas exigências e ao potencial de um «mercado» em busca de um novo enquadramento legal e de novos desenhos organizativos.
Sabemos bem que a missão destas organizações se situa quase sempre no longo prazo, mas isso não as dispensa de resultados. Muito menos de justificar todos os dias a sua existência em função dos resultados. Tais instituições, a começar pelas que se assumem sem fins lucrativos, devem ser avaliadas pelas intenções e motivações mas principalmente pelos resultados. É por isso que, de forma permanente, os seus responsáveis se devem interrogar sobre a adequação entre esforços e resultados e se não seria possível utilizar melhor os seus recursos. O que implica um exame e uma avaliação contínuos dos seus programas e projectos no sentido de saber se estão a evitar desperdício ms também se estão a dar «lucros» efectivos, medidos em termos do chamado capitalismo cívico.
MOREIRA, José Manuel ( 2002), Ética, Democracia e Estado, Cascais, Principia

Os números não enganam...

Publicada por José Manuel Dias


Os números são reveladores : há já vários anos que a despesa anual em Educação é em Portugal equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB, a riqueza produzida pelo país). O esforço financeiro é grande, quando a referência é o resto da União Europeia, mas os resultados não têm sido proporcionais.
Portugal regista, de acordo com o Eurostat, a mais elevada percentagem de abandono escolar precoce da Europa dos 15, com um valor de 42,6%. Segue-se a Espanha com 29,9%, enquanto a Finlândia, com 8,9%, a Suécia com 7,7% e a República Checa com 5,5% evidenciam a melhor performance do conjunto dos 15.
No que concerne à população entre os 25 e os 64 anos que completou o ensino secundário, Portugal tem, também, o pior desempenho - apenas 26,2%, seguindo-se a Espanha com 48,4%. Figuram no topo países como República Checa, Estónia ou Lituânia, com valores próximos dos 90%. Suécia, Finlândia e a Alemanha, registam valores superiores a 80%.
Estima-se que o PIB português poderia ter crescido mais 1,2 pontos percentuais cada ano, entre as décadas de 1970 e 1990, se os nossos níveis de escolaridade estivessem equiparados à média dos países da OCDE. De acordo com Ján Figel, comissário Europeu para para Formação e Educação:
" Não se pode ter um ensino superior de qualidade sem ensinos pré-primário, primário e secundário de qualidade. Os melhores resultados ao nível europeu, foram conseguidos à custa de abordagens para o longo prazo e graças a uma ligação horizontal entre educação/formação e muitas outras áreas conexas. Uma perspectiva oposta a uma concepção por vezes ainda prevalecente de um distanciamento elistista face à realidade social e industrial. Sei que este ano lectivo, foi adoptada ( em Portugal) alguma legislação para o processo de Bolonha. Demorará o seu tempo, levá-la do Parlamento ao mundo real, mas Portugal está a mexer e na boa direcção".
Fonte : JN de 30 de Novembro, suplemento
Temos pela frente grandes desafios, as gerações mais novas não nos perdoarão se não soubermos agarrar esta oportunidade para fazermos as mudanças necessárias.

A vida custa a todos...

Publicada por José Manuel Dias


Quem assistiu ontem ao Programa "Prós e Contras", da RTP1, teve uma excelente oportunidade para tomar conhecimento dos "reais" problemas das Universidades e dos desafios que se colocam ao Ensino Superior. As dificuldades vivenciadas por Portugal obrigaram o Governo a reduzir em 6,2% o valor das transferências para as Universidades, a exemplo, de resto, do que está a acontecer nos mais variados sectores. Esta quebra de transferências põe em risco, no entender de alguns senhores Reitores, o salário dos respectivos professores.
Sucede, entretanto, que as Universidades públicas têm mais de 1.000 (!!!) licenciaturas, algumas das quais com menos de duas dezenas de candidatos ao 1º ano, e parte delas, com reduzido grau de empregabilidade por desajustamento dos curricula às efectivas necessidades do tecido empresarial. Cursos e licenciaturas decididos pelas respectivas Universidades ou, melhor dizendo, por alguns dos seus professores.
O Governo solicitou, assim, uma avaliação externa a uma entidade internacional de modo a aferir da qualidade do ensino superior ministrado em Portugal e deu um prazo às Universidades para implementarem o Acordo de Bolonha, na linha, de resto, do observado na maioria dos países da OCDE. Um estudante do ensino superior público custa em média, a cada contribuinte, cerca de € 5.000,00 ano, enquanto o mesmo estudante no ensino superior privado fica por metade do valor.
São, pois, muitos os desafios que se colocam ao ensino superior público. Desde logo, procurando melhorar a qualidade do ensino, gerindo com eficiência e eficácia, procurando obter recursos adicionais, uma vez que as Universidades podem conseguir receitas próprias pela prestação de serviços. Por outro lado, e uma vez que o reforço do orçamento para a Ciência foi de 250 milhões de euros, dos quais 170 milhões destinados às Universidades, poderão captar mais recursos desde que apresentem projectos concretos através dos seus Centros de Investigação. O discurso dos Reitores não aponta, no entanto, nesse sentido e, pelo contrário, enfatizam a necessidade de "terem mais dinheiro", como se houvesse uma qualquer varinha de Harry Potter capaz de transformar os desejos em realidade. Combater o desperdício, eliminar as ineficiências, coordenar esforços inter escolas, concretizar parcerias, desenvolver projectos com empresas, são palavras ainda pouco comuns na linguagem dos académicos mas que a necessidade, ditada pela escassez dos recursos, vai obrigar a trazer para o seu quotidiano.
A Universidade é "uma borboleta que tem de sair do casulo e tem de aprender a voar" para usar as palavras do Professor Luis Moniz Pereira, um dos participante no Painel, que defendeu as mudanças propostas pelo Governo. Acrescentou, ainda, que os reitores deviam ser mais pró-activos em ordem a pugnar pela melhoria crescente da qualidade do ensino da respectiva escola, assegurando uma gestão mais eficiente dos recursos.
Vivemos uma época de grandes mudanças e, a todos os níveis, é preciso fazer mais e melhor, com menos dinheiro. São estas situações que exigem líderes transformacionais que desenvolvam e projectem uma visão do futuro e encorajem os outros a contribuirem nessa direcção. Ontem, os magníficos reitores com o seu discurso não assumiram essa postura, limitando-se a exprimir a vontade de continuar a "gerir com normalidade", solicitando mais verbas do OGE ( dinheiro de todos nós) para manter a situação existente. O Ministro da Ciência e do Ensino Superior que explicou, de modo detalhado as razões que presidiram ao respectivos cortes, afirmou-se convicto que as Universidades saberiam agir em conformidade com estes constrangimentos, impostos pela situação vivenciada pelo país, procurando optimizar a gestão dos recursos. Diz o ditado: a necessidade aguça o engenho...ou, dizemos nós, a vida custa a todos.

Síndrome de Estocolmo

Publicada por José Manuel Dias


A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico desenvolvido por pessoas que são vítimas de sequestro ou por pessoas detidas contra sua vontade – os prisioneiros desenvolvem um relacionamento afectivo com os seu(s) captor(es). Essa solidariedade pode algumas vezes assumir foros de cumplicidade, com os presos a ajudar os captores a alcançar seus objectivos ou a fugir da polícia.
A síndrome desenvolve-se a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do sequestrador.
A síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto ao Kreditbanken em Norrmalmstor, Estocolmo que durou de 23 de Agosto a 28 de Agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus captores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Duas das vítimas acabaram por se casar com os sequestadores após o término do processo. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e se referiu à síndrome durante uma reportagem. Ele foi então adoptado por muitos psicólogos no mundo todo.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Recentemente, um ex-deputado de um partido da oposição trouxe para o léxico político este termo, procurando criticar o comportamento do respectivo líder que se recusa a fazer oposição ao Presidente da República apesar de não apreciar a " cooperação estratégica do PR com o Governo".

Microcrédito

Publicada por José Manuel Dias


O conceito nasceu há 30 anos, no Bangladesh, quando em plena "maré de fome", Muhammad Yunus percebeu que o acesso a 27 dólares, era o suficiente para que 40 mulheres pudessem fugir das garras dos agiotas, que as mantinham permanentemente endividadas. Foi assim que nasceu o Grameen Bank, cuja regra é dar crédito a quem tem a ideia de um pequeno negócio de subsistência, mas não tem acesso à Banca tradicional, porque é pobre e não tem garantias.
A atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2006 a Muhammad Yunus e ao Grameen Bank releva a importância que o combate à exclusão social tem para a construção da paz e premeia um homem que não se ficou por dar aulas de Economia na Universidade de Chittagong e criou uma instituição original, um banco que empresta dinheiro aos mais pobres, o Grammen Bank, permitindo-lhes criar iniciativas empresariais.
Vale a pena registar as palavras de Muhammad Yunus : " A minha posição é que os seres humanos são todos basicamente empreendedores. Esse espírito não está limitado a um grupo de pessoas ou a um grupo de países. É o fundamento dos seres humanos, somos uma espécie empreendedora".
Em muitos países os governos não se envolvem no microcrédito; em Portugal mereceu especial atenção, como forma de combater o desemprego e a economia paralela, contando com a colaboração da generalidade das instituiçõe bancárias.

Desempenho que merece aplausos

Publicada por José Manuel Dias


A organização e racionalização dos processos produtivos é fundamental na eficiência e produtividade de qualquer organização e a DGCI não é excepção. É essencial a aposta e o esforço de concretização destes vectores a todos os níveis da organização e envolvendo todos os colaboradores. A procura de novas formas de melhorar processos deve ser um esforço conjunto de que a qualidade da organização como um todo só poderá beneficiar.
E, nesta óptica, a desburocratização e a simplificação assumem para a DGCI particular relevância, uma vez que induzem a:
- maior transperência;
- redução de custos de contexto;
- aumento dos níveis de eficiência e eficácia;
- aumento dos níveis de cumprimento voluntário;
- redução dos níveis de evasão e fraude fiscais.
Paulo Macedo, Director Geral de Contribuições e Impostos, in Revista Dirigir, nº 95
De acordo, com informação do Ministério das Finanças, estão a ser consideradas, entre outras, como prioridades :
a) controlo de imputação de lucros das sociedades off-shore;
b) sectores de elevado risco ( Vg. sucata e construção civil);
c) relações entre os clubes, as SAD, os respectivos membros dos órgãos sociais e as sociedades detidas por estes membros;
d) mais valias imobiliárias e mobiliárias, rendimentos de capital obtidos no exterior, remunerações em espécie, sinais exteriores de riqueza evidenciados.
Depois da penhora de carros topo de gama a contribuintes relapsos, a Direcção-Geral dos Impostos (DGCI), de acordo com notícia avançada hoje pelo Jornal de Negócios, tem em curso, desde a passada sexta-feira, uma acção maciça de penhora de certificados de aforro a contribuintes com dívidas ao fisco. A acção atingirá, nesta fase, cerca de 1.500 devedores.
Todas estas acções têm concorrido para a melhoria da eficiência fiscal com que todos nos congratulamos. Existe, ainda, como propósito da Administração Fiscal para este ano, o reforço do combate à economia paralela ( estimada, pelo Fisco, em valor superior a um quinto do PIB). A generalização da consciência social do imposto é, cada vez mais, uma necessidade. Estamos, por isso, no bom caminho e a nossa Administração Fiscal merece aplausos.

Sabedoria dos clássicos II

Publicada por José Manuel Dias


1. Nada é permanente, salvo a mudança.

Heraclito
2. Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.
Sócrates
3. O convidado é melhor juíz de uma refeição que o cozinheiro.
Aristóteles
4. O ser capaz mora perto da necessidade.
Pitágoras
5. A utilidade mede a necessidade: e como avalias o supérfluo?
Séneca
6. Eles podem porque pensam que podem.
Virgílio

Pontualidade

Publicada por José Manuel Dias


De acordo com um estudo realizado pela AESE - Escola de Direcção e Negócios, no âmbito do projecto de pontualidade, 95% dos portugueses declara-se como " não pontual" , revelou ontem Diário Económico.
O estudo considera o "panorama geral desolador" o que reforça a necessidade de se levar a efeito uma campanha tendente a alterar este pernicioso comportamento.
A utilização de uma agenda bem organizada e realista é ainda uma prática pouco observada. A maioria das pessoas acaba por agendar mais tarefas do que aquelas que efectivamente pode realizar. Esta situação concorre para o facto de metade das reuniões não cumprir os objectivos para que foram convocadas. Apenas um terço das reuniões começa à hora agendada. As empresas que mais cumprem os horários e os prazos são filiais de empresas estrangeiras. O estudo conclui que a forma como lidamos com a pontualidade marca " a irresponsabilidade social e profissional com impactos na performance do nosso país".
Este fenómeno tem, como todos sabemos, consequências negativas quer no plano individual quer no plano das organizações e tem custos muito elevados. Que fazer então para inverter esta situação?
Podemos, e devemos, generalizar hábitos saudáveis. Horas são horas e uma reunião marcada deve começar a horas, independentemente do número de participantes. Os retardatários compreenderão que o silêncio que se faz à sua entrada, traduz uma censura, ainda que de forma diplomática, e tenderão a cumprir os horários numa próxima vez. Claro que uma das formas de transmissão de valores é o exemplo e, assim, quem tem mais reponsabilidades deve cumprir com o definido e sublinhar o valor do tempo.
Portugal precisa de andar a horas...Será que pode dar algum contributo para que a mudança se concretize?