O verdadeiro e o falso

Publicada por José Manuel Dias


A primeira diligência do espírito é a de distinguir o que é verdadeiro do que é falso. No entanto, logo que o pensamento reflecte sobre si próprio, o que primeiro descobre é uma contradição. Seria ocioso procurar, neste ponto, ser-se convincente. Ninguém, há séculos, deu uma demonstração mais clara e mais elegante do caso do que Aristóteles: 'A consequência, muitas vezes ridicularizada, dessas opiniões é que elas se destroem a si próprias. Porque, se afirmarmos que tudo é verdadeiro afirmamos a verdade da afirmação oposta, e, em consequência, a falsidade da nossa própria tese (porque a afirmação oposta não admite que ela possa ser verdadeira). E, se dissermos que tudo é falso, essa afirmação também é falsa. Se declararmos que só é falsa a afirmação oposta à nossa, ou então que só a nossa e que não é falsa, somos, todavia, obrigados a admitir um número infinito de juízos verdadeiros ou falsos. Porque aquele que anuncia uma afirmação verdadeira, pronuncia ao mesmo tempo o juízo de que ela é verdadeira, e assim sucessivamente, até ao infinito.
Albert Camus (1913-1960), in 'O Mito de Sísifo'

Learning organizations

Publicada por José Manuel Dias


A ideia de uma organização, como entidade viva, foi apresentada pela primeira vez por Chris Argyris e Donald Schon, em 1978. Estes autores defendiam que a aprendizagem das pessoas numa organização, transformava a própria organização. O reforço de formação dos colaboradores concorria para a melhoria do desempenho da própria organização. Partiam do pressuposto que o envolvimento de todas as pessoas reforçava a criação de uma cultura de aprendizagem colectiva em que os conceitos de partilha e colaboração seriam a materializados no crescimento individual, dos grupos e das organizações.
Estas "novas empresas" suscitavam a exigência de novas capacidades e competências aos respectivos gestores. O perfil do "novo" gestor alarga-se para além do tradicional papel desempenhado controlando, motivando e avaliando pessoas, o gestor precisa de saber ouvir, apreciando diferentes perspectivas em ordem a conciliar o que é melhor para a empresa com o que é melhor para os seus membros.
Uma organização em aprendizagem é, nas palavras de Peter Senge, autor do livro The Fifth Discipline, que disseminou o conceito, " uma organização que expande constantemente a capacidade de criar o seu futuro".
Se as nossas empresas fossem organizações aprendentes Portugal seria hoje, por certo, um país mais competitivo...

No bom caminho...

Publicada por José Manuel Dias


Foi hoje aprovada em Conselho de Ministros uma Proposta de Lei de autorização legislativa que visa dotar o sector empresarial do Estado de maior racionalidade e eficiência, na sequência da revisão do Código das Sociedades Comerciais e da recente aprovação na generalidade do novo Estatuto do Gestor Público.
Procede-se a um conjunto de alterações, das quais se destacam: (i) a classificação de empresas públicas através de resolução do Conselho de Ministros, com base na respectiva dimensão, que releva, designadamente, para efeitos de estrutura orgânica e regras de governo empresarial a adoptar e definição de regime remuneratório dos gestores; (ii) a distinção das orientações de gestão em três graus (orientações estratégicas, gerais e específicas), a ter em conta na avaliação de desempenho dos gestores; (iii) e a previsão de uma estrutura orgânica típica a adoptar pelas empresas de maior dimensão ou complexidade; (iv) a exigência de contratos de gestão com base em objectivos; (v) o reforço dos mecanismos de controlo financeiro e dos deveres de informação relativos a investimentos e fontes de financiamento e ao controlo do endividamento; (vi) o reforço do controlo da constituição de empresas públicas ou de aquisições de participações exigindo demonstração do interesse e viabilidade da operação.

Falta de estudo

Publicada por José Manuel Dias


Se um homem ama a honestidade e não ama o estudo, a sua falta será uma tendência para desperdiçar ou transtornar as coisas. Se um homem adora a simplicidade, mas não adora o estudo, a sua falta será puro prosseguimento na rotina. Se um homem aprecia a coragem, e não aprecia o estudo, a sua falta será turbulência ou violência. Se um homem elogia a decisão de carácter e não elogia o estudo, a sua falta será obstinação ou teimosa crença em si mesmo.
Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias

Decidi levar o meu neto Guilherme ao "Monster Jam". Como será a geração dele pagar muito do que egoisticamente gastamos a consumir, tenho de me penitenciar enquanto vivo, para que não me esqueça nas suas orações, quando me for entregue o bilhete para a viagem que todo efectuaremos.
António Almeida, economista, na coluna "Sem ambiguidades", Caderno de Economia, semanário Expresso de 4 de Novembro de 2006

Formação ao longo da vida e Plano Tecnológico

Publicada por José Manuel Dias


Portugal é, num grupo de 13 países da União Europeia (UE), o que menos tem investido nas pessoas. De acordo com um estudo publicado pelo "think tank" Lisbon Council, com sede em Bruxelas, a aposta nas qualificações ao longo da vida ( educação na família, escola, universidade, formação de adultos, aprendizagem/formsação laboral, etc) foi apenas 69,6 euros por português, em 2005. Menos 11% do que a vizinha Espanha e menos que metade face ao líder Suécia. O artigo da responsabilidade de Peer Ederer, economista da Universidade de Zeppelin, na Alemanha, sublinha as consequências das práticas seguidas por Portugal. A economia portuguesa tende a especializar-se em sectores de mão de obra barata e de baixo valor acrescentado.
Baseado em notícia do Diário Económico de 2 de Novembro de 2006
Esta realidade reforça a importância do Plano Tecnológico que, entre outras metas, reconhece a necessidade de qualificar os portugueses e estimular a inovação e modernização tecnológica, em ordem a aumentar de modo sustentado da nossa produtividade. O Plano Tecnológico está estruturado em três eixos de acção:
1 - Conhecimento - qualificar os portugueses para a sociedade de conhecimento;
2 - Vencer o atraso científico e tecnológico;
3 - Inovação - Imprimir um novo impulso à inovação.
Iniciativas como : a generalização do ensino de Inglês no 1º Ciclo, fazer do 12º ano o referencial mínimo de formação para todos, aumentar para 50% a percentagem de jovens que frequentam o ensino tecnológico, triplicar o número de patentes registadas, criação de um Cluster nas áreas das energias renováveis, criação da Marca na Hora e Empresa na hora, adopção da factura electrónica para todos os serviços do Estado, requalificação de um milhão de portugueses com a iniciativa Novas Oportunidades são apenas algumas dos objectivos/metas preconizadas pelo Plano Tecnológico e que têm como horizonte de realização plena o ano de 2010.
Temos metas ambiciosas que exigem esforço, motivação e empenho de todos nós. O futuro não é de facilitismos. Temos agora uma estratégia e a necessidade da sua materialização começa a ser óbvia até para os mais distraídos...

Foco no cliente

Publicada por José Manuel Dias


1. Um vendedor, qualquer que seja, não é mais que um servidor do público, ou de um público;
2. E recebe uma paga, a que chama o seu lucro, pela prestação desse serviço;
3. Ora toda a gente que serve deve, parece-nos, querer agradar a quem serve;
4. Para isso é preciso estudar a quem se serve, mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações;
5. Partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós, mas do princípo que, se queremos servir os outros, nós é que devemos pensar como eles;
6. O que temos que ver é como eles efectivamente pensam e, não com seria agradável ou conveniente que eles pensassem.
Palavras escritas pela primeira vez no final dos anos 20 do século passado por um português que nos dá uma notável lição de marketing. Qualquer estratégia de qualquer empresa não pode negligenciar o cliente, razão primeira da sua existência, como ilustra, de modo exemplar, este talentoso "correspondente estrangeiro em casas comerciais", para usar a definição do próprio. O autor desta lição é Fernando Pessoa. Nascido em Lisboa a 13 de Junho de 1888, faleceu prematuramente em 30 de Novembro de 1935.

O Economicismo

Publicada por José Manuel Dias


Entre nós, a palavra economicismo ficou popular. Entrou pelo Dicionário da Academia das Ciências como "sobrevalorização dos aspectos económicos". Está conotada com o desdem do social. Contribui para a imagem dos economistas que vem da sombra do passado, como desmancha-prazeres das políticas públicas, porque vivem obcecados com os seus custos.
Entretanto, veio uma novidade. Quando os custos excessivos tornam inevitável a mudança, um economista é estimado, precisamente devido à fixação dos custos que lhe é imputada. É a continuação da vulgata economicista por outros meios.
Há bem mais do que isto. A economia é uma ciência das escolhas. Sugere como critério de mudança política que dela resulte um ganho líquido para a sociedade, que os benefícios que gera sejam superior aos custos que impõe. Sem excluir a análise de quem ganha e de quem perde.
(.../...)
Esta contribuição metodológica é actual. Um culto da mudança tem atravessado a nossa sociedade. A Economia recorda-nos que mudar só por mudar é pouco ou nada. Que é a análise sistémica dos custos e benefícios de diferentes opções que podemos esperar melhorar a qualidade do debate político e conseguir melhores políticas públicas.
João Confraria, Professor da FCEE, Univ. Católica in Expresso de 28 de Outubro de 2006
Um artigo oportuníssimo para quem comenta as mudanças, o possa fazer com mais rigor e com noção que o gasto público não é gasto alheio mas próprio (dos cidadãos contribuintes).

UA entra na parceria internacional com a Universidade Carnegie Mellon

Publicada por José Manuel Dias


Teve lugar ontem, no Parque de Exposições de Aveiro, a cerimónia de lançamento do programa de colaboração entre o Estado português e a Carnegie Mellon University (CMU), assim como a assinatura dos respectivos contratos e acordos de colaboração com a Universidade de Aveiro, outras universidades e centros de I&D nacionais. Presidida pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates, a cerimónia contou com a participação do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago. Pela CMU estiveram presentes, o Presidente Jared Cohon, e o Director da Escola de Engenharia da Universidade norte-americana, Pradeep K. Khosla.
A Universidade de Carnegie Mellon (CMU), situada em Pittsburg, nos EUA, tem vindo a ser considerada ao longo dos anos uma das melhores escolas do mundo em áreas como a Informação e Gestão de Tecnologia, Sistemas de Informação, Informática (Ciência de Computadores), Engenharia de Computadores e em Electrotecnia.
A parceria entre a Carnegie Mellon University (CMU) e o Governo português na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) vai compreender o desenvolvimento de um instituto internacional de natureza virtual a designar por Information and Communication Technologies Institute.
O programa de acção do Instituto será centrado em temas de processamento e redes de informação, incluindo engenharia de software, redes de informação, segurança de informação e tratamento computacional da língua, mas envolvendo componentes aplicacionais de redes e tecnologias de sensores e gestão de infra-estruturas críticas, assim como de análise de políticas de informação e gestão do processo de mudança tecnológica, envolvendo, ainda, a área de investigação matemática.
O Programa CMU-Portugal insere-se no conjunto de acções que o Governo está a desenvolver para o fortalecimento da cooperação científica e tecnológica com instituições de reconhecido mérito internacional, de uma forma que venha potenciar projectos inovadores que contribuam efectivamente para reforçar a capacidade científica e de formação avançada em Portugal.
A nossa Universidade vê reconhecida a sua importância ao ter sido uma das escolhidas para esta parceria. O futuro está nas nossas mãos...Não desperdicemos, pois, estas oportunidades.

OE 2007

Publicada por José Manuel Dias


A tradição organizacional portuguesa deu sempre menos atenção ao desafio da produtividade, quer no sector privado, quer no sector público.
No primeiro, a preferência pela ausência de concorrência, desde os bens aos serviços, deu maior prioridade à captação de subsídios ou de licenças do Estado e no segundo conhece-se mal o próprio conceito de custo, especialmente nas empresas públicas cujos orçamentos acabam por ser supridos pelo Estado, aumentando a dívida pública.
Compreende-se, assim, que os indicadores actuais de produtividade do nosso país estejam próximos de apenas 60% da média comunitária.
A proposta de Orçamento de Estado para 2007, ao reduzir a despesa pública em 2,4% do PIB de 2005 para 2007 ( 47,8% para 45,4% ) insere-se no plano traçado e permitirá melhorar a qualidade de serviços prestados pelo sector público desde que se estabeleçam os necessários programas de melhoria da eficiência dos organismos e dos processos actuais.
Luis Valadares Tavares
Presidente do Instituto Nacional de Administração
in Diário Económico de 25 de Outubro de 2006

Máximas e reflexões

Publicada por José Manuel Dias


1. Nos homens, noventa por cento da satisfação, resulta da ideia que os outros homens fazem deles.
2. Algumas pessoas consideram o louvor ao mérito alheio como lesivo do mérito próprio.
3. Os trambolhões que os filhos dão na vida são muitas vezes devidos à cegueira do amor dos pais.
4. A pontualidade é uma condição importante da integridade de carácter.
5. A esperteza é a inteligência dos estúpidos.
6. A vida de um homem de juízo é a resultante de muitas renúncias.
7. Quando perderes, não percas a lição.
8. A razão para ser razão precisa de ser entendida.
9. Nunca te esqueças do ABC do êxito: competência, oportunidade, coragem.
10. Uma economia cresce quando os cidadãos produzem, não quando o governo gasta.
11. Todo o empréstimo que pede um governo, a prazo traduz-se num imposto para os cidadãos.
12. A consciência humana, em geral, termina no ponto em que principia o interesse.
Esolhidas ao acaso e com um único propósito: suscitar uma pequena reflexão sobre a vida, as atitudes os valores e os comportamentos. Fica feito o desafio.
Recolha baseada nos seguintes livros "Pequeno Livro de Instruções para a Vida". Vols I, II e III, Gradiva, Lisboa e " A contas com a Ética Empresarial", José Manuel Moreira, Principia, Cascais.

Comunicação

Publicada por José Manuel Dias


1. O que se quer dizer.
2. O que realmente se diz.
3. O que a outra pessoa ouve.
4. O que a outra pessoa ouve à luz do que quer ouvir.
5. O que a outra pessoa ouve à luz da sua experiência.
6. O que a outra pessoa diz que você disse e, depois, faz em função disso.
7. O que pensa que a outra disse - acerca do que você disse.

Novo Estatuto do gestor público - mais rigor e transparência

Publicada por José Manuel Dias



O Conselho de Ministros de 19 de Outubro aprovou, na generalidade, um diploma que institui o novo regime do Gestor Público integrado e adaptado às circunstâncias actuais, que abrange todas as empresas públicas, independentemente da respectiva forma jurídica, e que fixa sem ambiguidades o conceito de gestor público, definindo o modo de exercício da gestão no sector empresarial e as directrizes a que a mesma deve obedecer.
Relevam-se os padrões elevados de exigência, rigor, eficiência e transparência, os quais deverão ser também decorrência de uma ética de serviço público que não pode ser afastada apenas pelo modo empresarial de organização da actividade e da prossecução de finalidades públicas ou, pelo menos, com interesse público. Procede-se, de igual modo, à consagração do princípio da contratação da gestão assente em objectivos quantificados. Do cumprimento dos objectivos dependerá a remuneração dos gestores assente em rigorosa avaliação, nos termos de Resolução do Conselho de Ministros. Eliminam-se , ainda, as regalias e benefícios respeitantes a planos complementares de reforma.
A situação das contas públicas obriga a repensar o modo de funcionamento do Estado. A todos se exige, rigor e contenção, eficiência e eficácia, na gestão da "coisa pública". As gerações mais novas reclamam empenho na prossecução do desiderato perseguido : finanças públicas sãs e equilibradas.

Saber avaliar as situações

Publicada por José Manuel Dias


O que perturba os homens não são as coisas, mas os juízos que os homens formulam sobre as coisas. A morte, por exemplo, nada é de temível - e Sócrates, quando dele a morte se foi aproximando, de maneira nenhuma se apresentou a morte como algo de tremendamente terrível. Mas no juízo que fazemos da morte, considerando-a temível, é que reside o aspecto terrível da morte. Quando somos hostilizados, contrariados, perturbados, atormentados e magoados, não devemos sacar as culpas a outrem, mas a nós próprios, isto é, aos nossos juízos pessoais e mais íntimos. Acusar os outros das suas infelicidades é mera acção de um ignorante; responsabilizar-se a si próprio por todas as contrariedades é coisa de um homem que começa a instruir-se; e não culpabilizar ninguém nem tão pouco a si próprio, então, sim, então é já feito de um homem perfeitamente instruído.
Epicteto, filósofo, Roma ( 55-135) in 'Manual'

O orçamento e os números

Publicada por José Manuel Dias


O Estado para levar a cabo as suas tarefas tem que elaborar um Orçamento. Trata-se de um documento onde estão previstas todas as despesas que vai ter e onde se identificam as receitas previstas. Quando o Estado não consegue arrecadar receitas suficientes para cobrir todas as despesas a realizar, como tem sido recorrente no nosso país, tem necessidade de contrair empréstimos. Estes empréstimos, denominam-se Dívida Pública, porque são contraídos pelo Estado, entidade representativa de todos os cidadãos. Quanto maior for a Dívida Pública maior é a penalização das gerações mais jovens pois têm de amortizar dívidas que não contraíram.
Com base da proposta de Orçamento de Estado para 2007, analisemos, então, quais são as despesas previstas e como se vão financiar. Estão inscritas no Orçamento as seguintes despesas:
valores em milhões de Euros
Funções sociais ( Educação, Saúde, Segurança e Acção Sociais, Habit. e Cultura ) - 26.803,4
Funções de soberania ( Adm. Pública, Def. Nacional, Segurança e Ordem Pública) - 6.245,5
Funções económicas ( Agricult. e Pesca, Ind. e Energia, Transp. Comunicações, Com. e Turismo) - 1.754,7
Outras funções (inclui juros da Dívida Pública) - 9.859,9
O total de despesas atinge o valor de 44.699,50
De onde virão as receitas para financiar estas despesas ? Basicamente dos impostos, conforme se discrimina:
Impostos - 34.771,6
Transferências - 1.025,4
Venda de bens e serviços - 409,9
Rendimentos propriedade - 312,7
Txas e Multas - 572,0
As receitas estimadas para 2007 atingem um total de 37.129,65.
Conforme se pode verificar o Estado continua a gastar mais do que o que recebe, gerando um défice orçamental de 7.569,85 que tem de ser coberto pela Dívida Pública. Os esforços levado a cabo pelo Governo tendentes ao controlo da despesa pública traduziram-se, entretanto, numa diminuição do peso das despesas com pessoal. É possível, assim, perspectivar a redução do peso da despesa pública no PIB de 46,3% para 45,4%, a maior redução dos últimos 30 anos. O Ministro das Finanças fixou como objectivo para o défice público 3,7% do PIB. As reformas estão a dar os primeiros resultados mas ainda são muito incipientes para sossegarmos os mais novos que são, em última análise, quem vai ter de " pagar a factura", da acumulação de défices, sem poderem invocar os denominados "direitos adquiridos".

Planear o dia

Publicada por José Manuel Dias


Aquele que todas as manhãs planeia as transacções do dia e segue esse plano, dispõe de um fio condutor que o guiará através do labirinto da vida, por mais ocupada que essa seja.
A distribuição ordenada do tempo é como um raio de luz que ilumina todas as ocupações. Mas quando não se estabelece um plano, quando se deixa a distribuição do tempo apenas ao acaso, não tardará a reinar o caos.
Victor Hugo, romancista e poeta francês ( 1802-1885)

PRACE

Publicada por José Manuel Dias


A nova moldura organizativa da Administração Pública, que implica o fim de 188 serviços do Estado, merece, de acordo com notícia do Semanário Sol de sábado passado, o apoio do Presidente da República.
As 14 novas leis orgânicas dos ministérios e o diploma que define as regras de extinção, fusão e reestruturação foram promulgados na semana passada. Depois do "sim" de Cavaco Silva, os diplomas vão agora ser publicados em Diário da República.
É o passo que faltava para efectivar o Programa de Reestruturação da Administração Cental do Estado (PRACE). Quando apresentou o PRACE, em Março deste ano, o Governo anunciou que dos actuais 518 serviços da administração Pública, 246 seriam extintos, 271 seriam mantidos e seriam criados 60 novos serviços, restando assim 331. As extinções não podem levar mais de 40 dias úteis e as fusões e reestruturações não durarão mais de 60 dias úteis.
Começa agora verdadeiramente, a grande reforma da administração pública. Racionalizar estruturas. Extinguir serviços inúteis ou redundantes. Mexer nas carreiras, nas condições remuneratórias, nos vínculos. Incentivar a mobilidade. Libertar recursos excedentários. Avaliar, premiar e penalizar. Flexibilizar e motivar para agilizar. Dar mais poderes às hierarquias, responsabilizando-as pela concretização dos objectivos. Claro que todas estas mudanças serão geradoras de incómodos mas os bons funcionários ( verdadeiros servidores do público) sabem que a introdução de uma cultura de exigência e rigor, não pode deixar de premiar os mais capazes e desassossegar as mediocridades instaladas.
Estas mudanças terão natural contestação de alguns que privilegiam o imediato, com a manutenção dos "direitos adquiridos", negligenciando a segurança do futuro, mas o Governo garante que a reforma da administração pública vai ser para melhor. Todos sabemos, no entanto, que em todos os processos de mudança antes de melhorar a tendência é para piorar. O que importa, no entanto, é o resultado final. Os portugueses sabem que o que tem que ser feito, quanto mais tarde pior e perdoam o "mau sabor do remédio" pelo resultado obtido. Esperam, por isso, que o Governo faça o que tem que fazer. A bem de todos.

Ética e Negócios

Publicada por José Manuel Dias


Mas não será altura de perguntar o que é verdade? É algo real ou fictício, convencional e relativo ou absoluto? Por que razão há que "andar em verdade" nos negócios? Até que ponto se pode ocultar dados? Até que ponto a verdade se deve dizer? Terá o povo razão quando diz que "calar a verdade é enterrar o ouro" ou tão só quando previne "não digas o que sabes sem saber o que dizes"?
Será que continuam a ser verdadeiras as máximas de outros tempos?
"Para tratar de negócios com êxito é preciso ter da sinceridade apenas a aparência"; "Na vida mercantil é melhor ser esperto que inteligente"; " O queijo da riqueza é mais acessível aos ratos que às águias"; " A simpatia nas pessoas é apenas uma credencial da diplomacia psicológica",
Ou será que nos tempos que correm tais máximas devem ser substituídas por outras mais verdadeiras?
"Se não mentes e entregas o combinado a tempo, além de oferecer qualidade e preço, será difícil que fracasses numa empresa"; "Não ponhas em causa a tua honorabilidade, os princípios, a tranquilidade e o bom nome por um ganho mal feito"; "Pedir as coisas por favor e agradecer não é só cortesia, também melhora a tua economia".
Retirado do Livro "A contas com a Ética empresarial", pág. 57,58, José Manuel Moreira, Principia, Cascais (1999)
Será que os negócios podem ser éticos? Será que existe uma grande diferença entre a teoria (o que se deve fazer) e a prática (o que se faz na realidade)?. Será que todas as empresas são ética e socialmente responsáveis ?

O valor do exemplo

Publicada por José Manuel Dias



Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.
Manuel Bernardes, (1644-1710) in 'Luz e Calor'

Aplausos

Publicada por José Manuel Dias


Foram hoje formalmente assinados os protocolos que marcam a colaboração entre o Estado Português e o MIT, com um programa definido para os próximos cinco anos em quatro áreas consideradas estratégicas. Durante a cerimónia que decorreu hoje ao final da manhã no Centro Cultural de Belém, o primeiro ministro José Sócrates salientou que este é um momento de viragem para Portugal, as Universidades e a comunidade científica, marcado pela vontade de internacionalização e a aposta na ligação entre Universidades e Empresas.
O primeiro ministro sublinhou a ligação que existe entre o Plano Tecnológico e a vontade deste Governo investir no Conhecimento e na Ciência e lembrou que o Governo aumentou em 64 por cento o orçamento disponível em 2007 para a área da Ciência, apesar de estar a reduzir a despesa do Estado. José Sócrates adiantou ainda que no próximo Quadro de referência Nacional, para o período de 2007 a 2013, Portugal vai aumentar para 37 por cento a alocação de recursos financeiros provenientes da EU para a área da formação, numa subida significativa em relação aos 24 por cento alocados anteriormente. “Este é um ponto de viragem mas englobado num ambiente geral para melhorar o factor de atraso no domínio da educação conhecimento potencial cientifico”, contextualizou o primeiro ministro, salientando que a boa concretização do acordo hoje assinado já não está nas mãos dos políticos mas sim nas Universidades e na comunidade científica.