Máximas e reflexões

Publicada por José Manuel Dias


1. Nos homens, noventa por cento da satisfação, resulta da ideia que os outros homens fazem deles.
2. Algumas pessoas consideram o louvor ao mérito alheio como lesivo do mérito próprio.
3. Os trambolhões que os filhos dão na vida são muitas vezes devidos à cegueira do amor dos pais.
4. A pontualidade é uma condição importante da integridade de carácter.
5. A esperteza é a inteligência dos estúpidos.
6. A vida de um homem de juízo é a resultante de muitas renúncias.
7. Quando perderes, não percas a lição.
8. A razão para ser razão precisa de ser entendida.
9. Nunca te esqueças do ABC do êxito: competência, oportunidade, coragem.
10. Uma economia cresce quando os cidadãos produzem, não quando o governo gasta.
11. Todo o empréstimo que pede um governo, a prazo traduz-se num imposto para os cidadãos.
12. A consciência humana, em geral, termina no ponto em que principia o interesse.
Esolhidas ao acaso e com um único propósito: suscitar uma pequena reflexão sobre a vida, as atitudes os valores e os comportamentos. Fica feito o desafio.
Recolha baseada nos seguintes livros "Pequeno Livro de Instruções para a Vida". Vols I, II e III, Gradiva, Lisboa e " A contas com a Ética Empresarial", José Manuel Moreira, Principia, Cascais.

Comunicação

Publicada por José Manuel Dias


1. O que se quer dizer.
2. O que realmente se diz.
3. O que a outra pessoa ouve.
4. O que a outra pessoa ouve à luz do que quer ouvir.
5. O que a outra pessoa ouve à luz da sua experiência.
6. O que a outra pessoa diz que você disse e, depois, faz em função disso.
7. O que pensa que a outra disse - acerca do que você disse.

Novo Estatuto do gestor público - mais rigor e transparência

Publicada por José Manuel Dias



O Conselho de Ministros de 19 de Outubro aprovou, na generalidade, um diploma que institui o novo regime do Gestor Público integrado e adaptado às circunstâncias actuais, que abrange todas as empresas públicas, independentemente da respectiva forma jurídica, e que fixa sem ambiguidades o conceito de gestor público, definindo o modo de exercício da gestão no sector empresarial e as directrizes a que a mesma deve obedecer.
Relevam-se os padrões elevados de exigência, rigor, eficiência e transparência, os quais deverão ser também decorrência de uma ética de serviço público que não pode ser afastada apenas pelo modo empresarial de organização da actividade e da prossecução de finalidades públicas ou, pelo menos, com interesse público. Procede-se, de igual modo, à consagração do princípio da contratação da gestão assente em objectivos quantificados. Do cumprimento dos objectivos dependerá a remuneração dos gestores assente em rigorosa avaliação, nos termos de Resolução do Conselho de Ministros. Eliminam-se , ainda, as regalias e benefícios respeitantes a planos complementares de reforma.
A situação das contas públicas obriga a repensar o modo de funcionamento do Estado. A todos se exige, rigor e contenção, eficiência e eficácia, na gestão da "coisa pública". As gerações mais novas reclamam empenho na prossecução do desiderato perseguido : finanças públicas sãs e equilibradas.

Saber avaliar as situações

Publicada por José Manuel Dias


O que perturba os homens não são as coisas, mas os juízos que os homens formulam sobre as coisas. A morte, por exemplo, nada é de temível - e Sócrates, quando dele a morte se foi aproximando, de maneira nenhuma se apresentou a morte como algo de tremendamente terrível. Mas no juízo que fazemos da morte, considerando-a temível, é que reside o aspecto terrível da morte. Quando somos hostilizados, contrariados, perturbados, atormentados e magoados, não devemos sacar as culpas a outrem, mas a nós próprios, isto é, aos nossos juízos pessoais e mais íntimos. Acusar os outros das suas infelicidades é mera acção de um ignorante; responsabilizar-se a si próprio por todas as contrariedades é coisa de um homem que começa a instruir-se; e não culpabilizar ninguém nem tão pouco a si próprio, então, sim, então é já feito de um homem perfeitamente instruído.
Epicteto, filósofo, Roma ( 55-135) in 'Manual'

O orçamento e os números

Publicada por José Manuel Dias


O Estado para levar a cabo as suas tarefas tem que elaborar um Orçamento. Trata-se de um documento onde estão previstas todas as despesas que vai ter e onde se identificam as receitas previstas. Quando o Estado não consegue arrecadar receitas suficientes para cobrir todas as despesas a realizar, como tem sido recorrente no nosso país, tem necessidade de contrair empréstimos. Estes empréstimos, denominam-se Dívida Pública, porque são contraídos pelo Estado, entidade representativa de todos os cidadãos. Quanto maior for a Dívida Pública maior é a penalização das gerações mais jovens pois têm de amortizar dívidas que não contraíram.
Com base da proposta de Orçamento de Estado para 2007, analisemos, então, quais são as despesas previstas e como se vão financiar. Estão inscritas no Orçamento as seguintes despesas:
valores em milhões de Euros
Funções sociais ( Educação, Saúde, Segurança e Acção Sociais, Habit. e Cultura ) - 26.803,4
Funções de soberania ( Adm. Pública, Def. Nacional, Segurança e Ordem Pública) - 6.245,5
Funções económicas ( Agricult. e Pesca, Ind. e Energia, Transp. Comunicações, Com. e Turismo) - 1.754,7
Outras funções (inclui juros da Dívida Pública) - 9.859,9
O total de despesas atinge o valor de 44.699,50
De onde virão as receitas para financiar estas despesas ? Basicamente dos impostos, conforme se discrimina:
Impostos - 34.771,6
Transferências - 1.025,4
Venda de bens e serviços - 409,9
Rendimentos propriedade - 312,7
Txas e Multas - 572,0
As receitas estimadas para 2007 atingem um total de 37.129,65.
Conforme se pode verificar o Estado continua a gastar mais do que o que recebe, gerando um défice orçamental de 7.569,85 que tem de ser coberto pela Dívida Pública. Os esforços levado a cabo pelo Governo tendentes ao controlo da despesa pública traduziram-se, entretanto, numa diminuição do peso das despesas com pessoal. É possível, assim, perspectivar a redução do peso da despesa pública no PIB de 46,3% para 45,4%, a maior redução dos últimos 30 anos. O Ministro das Finanças fixou como objectivo para o défice público 3,7% do PIB. As reformas estão a dar os primeiros resultados mas ainda são muito incipientes para sossegarmos os mais novos que são, em última análise, quem vai ter de " pagar a factura", da acumulação de défices, sem poderem invocar os denominados "direitos adquiridos".

Planear o dia

Publicada por José Manuel Dias


Aquele que todas as manhãs planeia as transacções do dia e segue esse plano, dispõe de um fio condutor que o guiará através do labirinto da vida, por mais ocupada que essa seja.
A distribuição ordenada do tempo é como um raio de luz que ilumina todas as ocupações. Mas quando não se estabelece um plano, quando se deixa a distribuição do tempo apenas ao acaso, não tardará a reinar o caos.
Victor Hugo, romancista e poeta francês ( 1802-1885)

PRACE

Publicada por José Manuel Dias


A nova moldura organizativa da Administração Pública, que implica o fim de 188 serviços do Estado, merece, de acordo com notícia do Semanário Sol de sábado passado, o apoio do Presidente da República.
As 14 novas leis orgânicas dos ministérios e o diploma que define as regras de extinção, fusão e reestruturação foram promulgados na semana passada. Depois do "sim" de Cavaco Silva, os diplomas vão agora ser publicados em Diário da República.
É o passo que faltava para efectivar o Programa de Reestruturação da Administração Cental do Estado (PRACE). Quando apresentou o PRACE, em Março deste ano, o Governo anunciou que dos actuais 518 serviços da administração Pública, 246 seriam extintos, 271 seriam mantidos e seriam criados 60 novos serviços, restando assim 331. As extinções não podem levar mais de 40 dias úteis e as fusões e reestruturações não durarão mais de 60 dias úteis.
Começa agora verdadeiramente, a grande reforma da administração pública. Racionalizar estruturas. Extinguir serviços inúteis ou redundantes. Mexer nas carreiras, nas condições remuneratórias, nos vínculos. Incentivar a mobilidade. Libertar recursos excedentários. Avaliar, premiar e penalizar. Flexibilizar e motivar para agilizar. Dar mais poderes às hierarquias, responsabilizando-as pela concretização dos objectivos. Claro que todas estas mudanças serão geradoras de incómodos mas os bons funcionários ( verdadeiros servidores do público) sabem que a introdução de uma cultura de exigência e rigor, não pode deixar de premiar os mais capazes e desassossegar as mediocridades instaladas.
Estas mudanças terão natural contestação de alguns que privilegiam o imediato, com a manutenção dos "direitos adquiridos", negligenciando a segurança do futuro, mas o Governo garante que a reforma da administração pública vai ser para melhor. Todos sabemos, no entanto, que em todos os processos de mudança antes de melhorar a tendência é para piorar. O que importa, no entanto, é o resultado final. Os portugueses sabem que o que tem que ser feito, quanto mais tarde pior e perdoam o "mau sabor do remédio" pelo resultado obtido. Esperam, por isso, que o Governo faça o que tem que fazer. A bem de todos.

Ética e Negócios

Publicada por José Manuel Dias


Mas não será altura de perguntar o que é verdade? É algo real ou fictício, convencional e relativo ou absoluto? Por que razão há que "andar em verdade" nos negócios? Até que ponto se pode ocultar dados? Até que ponto a verdade se deve dizer? Terá o povo razão quando diz que "calar a verdade é enterrar o ouro" ou tão só quando previne "não digas o que sabes sem saber o que dizes"?
Será que continuam a ser verdadeiras as máximas de outros tempos?
"Para tratar de negócios com êxito é preciso ter da sinceridade apenas a aparência"; "Na vida mercantil é melhor ser esperto que inteligente"; " O queijo da riqueza é mais acessível aos ratos que às águias"; " A simpatia nas pessoas é apenas uma credencial da diplomacia psicológica",
Ou será que nos tempos que correm tais máximas devem ser substituídas por outras mais verdadeiras?
"Se não mentes e entregas o combinado a tempo, além de oferecer qualidade e preço, será difícil que fracasses numa empresa"; "Não ponhas em causa a tua honorabilidade, os princípios, a tranquilidade e o bom nome por um ganho mal feito"; "Pedir as coisas por favor e agradecer não é só cortesia, também melhora a tua economia".
Retirado do Livro "A contas com a Ética empresarial", pág. 57,58, José Manuel Moreira, Principia, Cascais (1999)
Será que os negócios podem ser éticos? Será que existe uma grande diferença entre a teoria (o que se deve fazer) e a prática (o que se faz na realidade)?. Será que todas as empresas são ética e socialmente responsáveis ?

O valor do exemplo

Publicada por José Manuel Dias



Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.
Manuel Bernardes, (1644-1710) in 'Luz e Calor'

Aplausos

Publicada por José Manuel Dias


Foram hoje formalmente assinados os protocolos que marcam a colaboração entre o Estado Português e o MIT, com um programa definido para os próximos cinco anos em quatro áreas consideradas estratégicas. Durante a cerimónia que decorreu hoje ao final da manhã no Centro Cultural de Belém, o primeiro ministro José Sócrates salientou que este é um momento de viragem para Portugal, as Universidades e a comunidade científica, marcado pela vontade de internacionalização e a aposta na ligação entre Universidades e Empresas.
O primeiro ministro sublinhou a ligação que existe entre o Plano Tecnológico e a vontade deste Governo investir no Conhecimento e na Ciência e lembrou que o Governo aumentou em 64 por cento o orçamento disponível em 2007 para a área da Ciência, apesar de estar a reduzir a despesa do Estado. José Sócrates adiantou ainda que no próximo Quadro de referência Nacional, para o período de 2007 a 2013, Portugal vai aumentar para 37 por cento a alocação de recursos financeiros provenientes da EU para a área da formação, numa subida significativa em relação aos 24 por cento alocados anteriormente. “Este é um ponto de viragem mas englobado num ambiente geral para melhorar o factor de atraso no domínio da educação conhecimento potencial cientifico”, contextualizou o primeiro ministro, salientando que a boa concretização do acordo hoje assinado já não está nas mãos dos políticos mas sim nas Universidades e na comunidade científica.

Palavras que impõem respeito

Publicada por José Manuel Dias

Várias leis foram elaboradas com o fim de combater a corrupção, várias experiências foram tentadas, várias iniciativas foram tomadas, mas a corrupção está aí, tão viva como sempre, minando a economia, corroendo os alicerces do Estado democrático.
Se é verdade que a ordem jurídica não se pode confundir com a ordem ética, a verdade é que em cada povo e em cada época tem de existir aquele mínimo de valores éticos a respeitar e subjacentes à feitura e aceitação das leis.
É, aqui, penso, que se coloca um dos pontos-chave da luta contra a corrupção em Portugal. É fundamental a criação de um juízo de censura, de um desejo de punibilidade existente na consciência moral do homem médio que por isso deve ser sensibilizado para o problema.
Fernando Pinto Monteiro, novo procurador-geral da República (PGR), discurso da tomada de posse, 9 de Outubro de 2006

O que podemos aprender com os gansos(*)

Publicada por José Manuel Dias


Quando, por exemplo, um ganso bate as asas voando numa formação em V, cria um vácuo para a ave seguinte passar, e o bando inteiro tem um desempenho setenta e um por cento melhor do que se voasse sozinho. Sempre que um ganso sai da formação, sente, subitamente, a resistência do ar, por tentar voar sozinho e, rapidamente, volta para a referida formação, aproveitando o vácuo da ave imediatemente à frente.
Quando um ganso líder se cansa, passa para trás e de pronto outro assume o seu lugar, voando para a posição da ponta.
Na formação, os gansos que estão atrás grasnam para encorajar os da frente a voar mais depressa. Se um deles adoece, dois gansos abandonam a formação e seguem o companheiro doente, para o ajudar e proteger. Ficam com ele até que esteja apto a voar de novo ou venha a morrer. Só depois disso voltam ao procedimento normal, com outra formação ou atrás de outro bando.
A lição dos gansos:
Pessoas que partilham um direcção comum e senso de comunidade podem atingir mais facilmente os objectivos que pretendem.
Para os atingir, é necessário estar junto daqueles que se dirigem para onde queremos ir, dando e aceitando ajuda.
Precisamos de assegurar que o nosso «grasnido» seja encorajador para a nossa equipa e que ajude a melhorar o seu desempenho.
(*) Título do livro, donde foi retirado este excerto, Autor Alexandre Rangel, Casa das Letras, Lisboa (2006).

Instruções para a vida

Publicada por José Manuel Dias


1. Fala devagar, mas pensa depressa.
2. Lembra-te que no preciso momento em que disseres «Desisto» haverá alguém, perante a mesma situação, dirá «Boa! Que grande oportunidade!».
3. Sê rápido a tirar proveito duma vantagem.
4. Quando estiveres a reclamar os teus direitos, não te esqueças das tuas responsabilidades.
5. Participa nas actividades da tua autarquia. Como alguém disse, «A política é demasiado importante para ser deixada a cargo dos políticos.».
6. Avalia o teu sucesso por aquilo que tiveste de prescindir para o obteres.
Seleccionado do " Pequeno Livro de Instruções para a Vida - volume II" de H. Jackson Brow, JR, Editora Gradiva, Lda, Lisboa (1997). De acordo com o autor o livro, que começou por ser um presente para o filho, agrega algumas reflexões e conselhos que representam " tudo o que aprendera sobre o modo de viver uma vida recompensadora e feliz ". Gostei . Justifica-se a partilha.

Combater a corrupção

Publicada por José Manuel Dias

"Os fenómenos de corrupção, peculato e tráfico de influências têm-se reproduzido com indesejável facilidade nas autarquias.
As autarquias são, segundo o seu estatuto legal, « formas de organização descentralizadoras de organização democrática do Estado» e visam «a prossecução dos interesses próprios das populações», aplicando, para tal, receitas provenientes dos impostos recolhidos pelo Poder Central.
O problema é que, por vezes, a concentração de poderes no autarca, aliados a um défice de uma fiscalização eficaz, tem dado origem a uma série de desvios dos objectivos autárquicos, muitas vezes através de modos de exercício corrupto do poder, com apropriação ilícita de valores, participação económica ilegal em negócio, e em estritos actos de corrupção. Aliás, não é por acaso que uma sondagem recente, feita pela empresa Marktest para o jornal Diário de Notícias. com uma amostra de 811 indivíduos, revela que 78,2 % dos inquiridos considera que « a corrupção é um mal generalizado nas autarquias portuguesas»."
Maria José Morgado, José Vegar, "O inimigo sem rosto - Fraude e corrupção em Portugal", pag. 73, Publicações D. Quixote, Lisboa (2003)
" Olhando para a República portuguesa, prestes a comemorar cem anos de existência, não poderemos deixar de notar que o comportamento ético de muito dos nossos concidadãos, incluindo alguns daqueles que são chamados a desempenhar cargos de relevo, nem sempre tem correspondido ao modelo ideal de civismo republicano."
Aníbal Cavaco Silva, discurso de 5 de Outubro de 2006
"Os autarcas foram os especiais visados do primeiro discurso de Cavaco Silva sobre o 5 de Outubro centrado no tema da corrupção. O presidente da República quis chamar a atenção "de uma forma particularmente incisiva" dos responsáveis pelo Poder Local para o papel que têm no combate à corrupção e degradação da qualidade da democracia. A corrupção foi o tema eleito pelo chefe de Estado e a interpelação dirigiu-se a "todos", mas "em primeira linha aos titulares de cargos públicos". Entre estes, Cavaco citou em particular os autarcas, sublinhando que "a transparência da vida pública deve começar precisamente onde o poder do Estado se encontra mais próximo dos cidadãos".
“Mensagem de extrema importância (...) em especial para os tribunais”, diz a magistrada Maria José Morgado. “Incentivo oportuno que não pode ser ignorado”, diz o deputado socialista João Cravinho, autor de propostas de lei anticorrupção. "
Jornal de Notícias de 6 de Outubro de 2006.

Portugal é líder mundial

Publicada por José Manuel Dias


O sector da cortiça ocupa lugar de destaque no panorama industrial português, sobretudo pelo seu valor estratégico, que é derivado, basicamente, do papel privilegiado que Portugal detém em termos de matéria - prima - o sobreiro - e da sua transformação, nomeadamente no seu principal produto que é a rolha.
O sobreiro tem uma longa vida, de 150 a 200 anos, tornando-se produtivo ao fim de 25 anos. Ao processo de extração da cortiça dá-se o nome de descortiçamento. Em média, cada sobreiro dá 16 descortiçamentos, sempre de 9 em 9 anos. Após a extração, inicia-se o processo de fabrico de diversos produtos, sendo o principal, no qual Portugal dispõe de liderança absoluta em termos de quota de mercado mundial, a rolha.
Michael Porter, no seu estudo sobre a economia portuguesa, considerou este sector como um cluster", ou seja, um dos principais pólos de competitividade da economia portuguesa.
O sector dos vinhos consome a nível mundial 13,5 mil milhões de rolhas de cortiça, refere o semanário Sol, de 30 de Setembro p.p.. A cortiça domina o mercado de vedantes para o vinho com uns expressivos 79,4%, correspondendo, no caso português, a exportaçõe de 874 milhões de euros, segundo dados a APCOR, Associação Portuguesa de Cortiça, relativos a 2004.
As rolhas de cortiça estão, no entanto, a perder terreno para outros vedantes (cápsulas de alumínio e de plástico). A Associação Portuguesa de Cortiça sentiu, por isso, a necessidade de promover o uso da rolha e, em parceria com o ICEP, contratou José Mourinho, treinador do Chelsea, para recuperar os mercados do Reino Unido. " If it´s not a real cork, take a walk" é a frase do cartaz que associa o José Mourinho a uma rolha de cortiça natural. Uma campanha com efeitos positivos e que tem ajudado a combater vedantes alternativos à rolha de cortiça. Os portugueses sabem que um bom vinho merece uma boa rolha...Têm, por isso, a reponsabilidade de "avisar toda a gente", a bem da nossa economia.

Paradoxo de Abilene

Publicada por José Manuel Dias


Trata-se de um paradoxo que foi mencionado pela primeira vez pelo psicólogo americano Jerry Harvey.
Harvey reparou que os grupos ( família, colegas de trabalho...) tomam, por vezes, decisões que os seus membros, enquanto seres individuais, considerariam insensatas.
O grupo concorda em fazer uma coisa porque cada indivíduo sabe que pode recusar qualquer responsabilidade pela iniciativa do grupo. Nas organizações, não raras vezes, são implementadas acções sob a capa do consenso que traduzem o contrário do sentir da larga maioria dos seus membros. Tomam-se decisões erradas e ineficazes porque o nível de comunicação entre os membros é ineficiente e, muitos deles, não exprimem, de modo aberto, os seus pontos de vista com receio da censura e do eventual conflito com os respectivos líderes.
Quem já não vivenciou uma situação desta natureza? Quem não conhece organizações em que estas situações ocorrem com frequência excessiva?

Unidade através da singularidade

Publicada por José Manuel Dias


Não há nenhum som nocturno mais arrepiante, lúgubre, assustador e belo de que o capricho musical de uma alcateia que uiva. (.../...)
Por causa da melodia de vozes, muitas vezes parece que estamos rodeados de muitos lobos.
Na verdade não há geralmente mais de cinco a oito lobos uivando numa alcateia. O segredo é que os lobos têm sempre o cuidado de não se sobreporem uns aos outros. Cada lobo assume uma nota única, respeitando a distinção dos outros membros da alcateia. Apesar das notas poderem mudar, como em qualquer bonita canção, um lobo não copiará a nota de outro.
O que é interessante é que este respeito pelo indivíduo só acentua a verdadeira unidade do grupo. Eles são um, mas são indivíduos, cada um contribuindo para a organização de uma forma só sua. Cada lobo tem a sua própria voz. Cada lobo respeita a voz de todos os outros lobos. (.../...)
A sinfonia dos lobos faz com que a alcateia pareça um inimigo muito maior do que se todos eles se ouvissem ao mesmo tempo. (.../...)
Assim também são mais fortes as organizações e as famílias em que a consciência de cada indivíduo é celebrada em vez de abafada. Cada pessoa assume a sua parte de responsabilidade no grupo empregando os seus talentos e forças específicas. Expressando a sua própria singularidade e respeitando e encorajando a singularidade dos outros, a unidade torna-se fortíssima.
Extraído de " A sabedoria dos lobos", Twyman L. Towery, Sinais de Fogo Publicações, Lda, Cascais (2001)

Conte até dez...

Publicada por José Manuel Dias


Quando era menino, o meu pai costumava contar até dez em voz alta, todas as vezes que ficava aborrecido comigo ou com as minhas irmãs. Era uma estratégia que ele usava (e outros pais também) para se acalmar antes de decidir o que fazer em seguida.
Eu melhorei essa estratégia ao incorporar-lhe o uso da respiração. A táctica é simples: quando sentir que está a perder o controlo, inspire profundamente e, enquanto o faz, diga »um». Em seguida, relaxe todo o corpo, ao expirar. Repita o mesmo processo com número dois, e assim por diante, até pelo menos dez. O que acontece é que está a purificar a mente com uma versão reduzida de exercício de meditação. A combinação é tão relaxante que é quase impossível continuar irritado no final. O aumento do oxigênio nos pulmões e o intervalo de tempo entre o momento que termina o exercício permite-lhe ampliar a perspectiva. Facilita a percepção de que a «tempestade», na verdade, é um «copo de água».
Extraído do livro " Não faça uma Tempestade num Copo de Água", Carlson, Richard, Temas e Debates Actividades Editoriais, Lda, Lisboa (2002)

O valor da Perseverança

Publicada por José Manuel Dias


Se há pessoas que não estudam ou que, se estudam, não aproveitam, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não interrogam os homens instruídos para esclarecer as suas dúvidas ou o que ignoram, ou que, mesmo interrogando-os, não conseguem ficar mais instruídas, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não meditam ou que, mesmo que meditem, não conseguem adquirir um conhecimento claro do princípio do bem, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não distinguem o bem do mal ou que, mesmo que distingam, não têm uma percepção clara e nítida, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não praticam o bem ou que, mesmo que o pratiquem, não podem aplicar nisso todas as suas forças, elas que não se desencorajem e não desistam; o que outros fariam numa só vez, elas o farão em dez, o que outros fariam em cem vezes, elas o farão em mil, porque aquele que seguir verdadeiramente esta regra da perseverança, por mais ignorante que seja, tornar-se-á uma pessoa esclarecida, por mais fraco que seja, tornar-se-á necessariamente forte.
Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'

Cheque fora de moda

Publicada por José Manuel Dias


O velhinho cheque está a ficar fora de moda, tendo a circulação diminuído mais de 30% nos últimos sete anos, de acordo com notícia do novel semanário SOL, de 23 de Setembro p.p..
A cada ano ano que passa , em média, 11 milhões de cheques deixaram de ser emitidos. De acordo com o Banco de Portugal em 2005 circularam 173 milhões de cheques, contra os 250 milhões de 1999.
Apesar desta quebra sensível Portugal é ainda o terceiro país da Europa que mais usa o cheque como forma de pagamento. A redução do seu uso é uma meta da APB (Associação Portuguesa de Bancos) que anunciou em Julho, o objectivo de reduzir em 50% a utilização dos cheques até 2010 e em 20% o peso do dinheiro em circulação, incrementando o uso do Cartão Multibanco, já utilizado em Portugal desde 1987.
Os consumidores portugueses que aderiram, de modo entusiástico, ao "dinheiro de plástico", via cartões de débito ou crédito, ainda têm uma grande caminho a percorrer para atingir os níveis de utilização duma Espanha (apenas 6% das transacções são liquidadas por cheque) ou duma Alemanha (apenas 1% dos pagamentos é feito através do cheque), pois, no presente, uma em cada quatro transacções comerciais ainda é assegurada por cheque.