São números, senhores

Publicada por José Manuel Dias


Em termos comparados, a rigidez do emprego coloca o nosso país na 99ª posição de um ‘ranking’ com 127 países, a par do México, Lituânia, Finlândia e Argélia, enquanto as práticas de contratação e despedimento atiram-nos para a 125ª posição e os custos com despedimentos nos colocam no 113º lugar do ‘ranking’ mundial, a par da Turquia. Curiosamente, o mesmo relatório classifica os trabalhadores portugueses na 44ª posição em relação ao pagamento e à produtividade, à frente de países como a Índia, Azerbaijão, Arménia ou o Quénia. Os índices internacionais há muito que colocam Portugal nos piores lugares da Europa em relação à legislação laboral, mas vários especialistas têm garantido que, com o novo Código de Trabalho, o país ficaria muito bem apetrechado, em termos de flexibilidade da sua legislação laboral, para melhorar a posição relativa nos ‘rankings’ internacionais. A única coisa que ainda ficaria a divergir dos padrões internacionais seria, segundo esses especialistas, a dificuldade nos despedimentos individuais, apesar de se simplificar a burocracia nesses processos que continuarão a ter como obrigatoriedade a justa causa. O chumbo do Tribunal Constitucional à norma que estabelecia em 180 dias o período experimental para a generalidade dos trabalhadores – devem manter-se os 90 dias – vem enfraquecer um Código de Trabalho que se pretendia desse outra imagem do país.
Francisco Ferreira da Silva, no Diário Económico, aqui.
Para que uns tenham todos os direitos, outros acabam por não ter direitos nenhuns. Manter a situação, agrada aos instalados. Mudar as leis - mesmo a fundamental - parece ser uma necessidade se queremos competir num mundo cada vez mais global. Se um dos propósitos é garantir o direito ao trabalho, não será importante criar empregos?

Aviso à navegação

Publicada por José Manuel Dias


As conversas que escuto à minha volta levam-me a crer que a esmagadora maioria das pessoas ainda não percebeu bem a situação em que estamos metidos. Só assim se compreende o espaço que continuamos a conceder a inanidades sem significado.
João Pinto e Castro, aqui.

Concertação de estratégias?

Publicada por José Manuel Dias


Presidente eleito norte-americano, Barack Obama, disse hoje que o seu plano para criar, pelo menos, 2,5 milhões de novos empregos inclui o maior investimento em infra-estruturas desde os anos 50 do século passado e um grande esforço para reduzir o consumo de energia do Governo norte-americano.Os Estados Unidos vão ainda promover a expansão do acesso à Internet de alta velocidade e a modernização dos edifícios escolares por todo o país, disse Obama.“Precisamos de acção e acção agora”, disse Obama no programa de rádio semanal do Partido Democrata.
Milhões de empregos poderão vir ainda do “novo investimento em infra-estruturas nacionais”, adiantou Obama, sem precisar montantes. No âmbito deste plano, que prometeu explicar melhor nas próximas semanas, prevê-se a construção ou reparação de estradas e pontes, a modernização das escolas e a sua maior eficiência energética e informática, pondo novos computadores nas salas de aula. Obama quer ligar mais escolas e bibliotecas à Internet e garantir que os hospitais norte-americanas estejam ligados entre si electronicamente.
Fonte: Público, aqui.
O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu esta quarta-feira que o investimento público é "absolutamente essencial" nesta altura de crise financeira internacional e destacou as energias renováveis como uma das principais apostas do Governo.
"Esta é uma daquelas crises que apenas se vive uma vez na vida", afirmou Sócrates, sublinhando que o seu impacto e a sua dimensão "obrigam a tomar medidas de emergência".
"Uma dessas medidas é reforçar o investimento público", acrescentou.
Fonte: Jornal de Notícias, aqui.

Avaliações

Publicada por José Manuel Dias


Havia, pois, uma possibilidade de o PS ter ficado ferido nesta história da avaliação dos professores. No Parlamento, o CDS apresentou um projecto que propunha a suspensão da avaliação. Como se esperava que poderia haver alguns deputados socialistas que não alinhariam com o seu próprio partido (e, de facto, houve: seis que votaram a favor do adversário, uma que se absteve e 13 que faltaram), compreende-se que a oposição se tenha preparado para a votação: "A bancada foi toda mobilizada", disse dos seus Paulo Rangel, chefe dos deputados do PSD. Porém, a moção da oposição perdeu. E lá se gorou uma oportunidade de se beliscar o Governo... E que sucedeu, o que foi? 30 em 75 deputados (40%, um quinhão enorme!) do PSD faltaram ao rebate. Cito Rangel, outra vez: "A bancada foi mobilizada. Depois, cada um assume a sua responsabilidade." Está aí o busílis: a auto-avaliação não funciona. E o que fez a líder do PSD, o que foi? Chamou Paulo Rangel para lhe pedir explicações. Isto é, fez exactamente aquilo que é preciso nas escolas: pedir explicações aos directores quando os professores não funcionam.
Ferreira Fernandes, No Diário de Notícias, aqui.

Coisas imorais

Publicada por José Manuel Dias


O pano de fundo um caso real explica-se em poucas linhas: um sindicato de profissionais de educação é réu numa acção. Como testemunhas, o sindicato arrola dez pessoas. Em audiência, as testemunhas são, todas elas, impugnadas pela parte contrária, por pertencerem à direcção do mesmo sindicato e, nessa medida, se encontrarem impedidas de depor enquanto tal.
Para decidir o incidente, o tribunal ordena a junção aos autos de cópia dos estatutos do sindicato e do elenco da sua direcção.Juntos estes elementos, apura-se que a direcção é o órgão executivo máximo do sindicato, sendo composta por 667 membros efectivos (2,9 vezes o número de deputados à Assembleia da República) e oito suplentes!
[.../...]
A história, evidentemente imoral, não acaba aqui.
Ou seja, na prática, dos 667 funcionários do Estado que integram formalmente a direcção do sindicato, só uma meia-dúzia é que efectivamente exerce as funções executivas necessárias à governação. Os restantes limitam-se a dar o nome e a ceder os seus créditos para que os primeiros possam dedicar-se em permanência à sua nobre missão sindical, mas continuando o Estado – ou seja, eu, o leitor, todos nós – a pagar o seu ordenado, todos os meses, ano após ano.Não é ilegal, pelo contrário. Mas nem por isso deixa de ser escandaloso. E parece que a história não acaba aqui…
Filipe Fraústo da Silva, Jornal de Negócios, aqui.

Reitores não são Gestores?

Publicada por José Manuel Dias


Mariano Gago parece ter-se fartado das queixas das universidades em relação ao corte de verbas, acusando alguns reitores de serem maus gestores. Como se isso não bastasse, ainda avisou os prevaricadores que poderão ser substituídos. O presidente do conselho de reitores não gostou e veio prontamente lembrar que os reitores não são gestores.
Mariano Gago não é conhecido por decisões difíceis nem por afrontar interesses estabelecidos. Como o "lobby" dos reitores. É por isso que as suas declarações surpreendem. Mas o mínimo que se pode pedir ao ministro é que tome mais atitudes como esta. Porque no caso do financiamento das universidades tem razão. As universidades portuguesas precisam de perceber que o modelo que seguiram nas últimas décadas está obsoleto: não só os recursos públicos são escassos, como o país está a passar por uma profunda transformação sócio-económica que obriga a procurar alternativas. Desde a obtenção de outras fontes de receitas, até à reestruturação dos cursos que ministram (alguns não servem para nada). Desculpabilizar os erros de gestão nas universidades alegando que os reitores não são gestores é a confirmação de que os reitores não percebem o que lhes está a cair em cima. Porque têm mesmo de ser reitores (mesmo que não o sejam por formação). E se não o conseguem ser, que dêem o lugar a outros. O contribuinte é que não tem de continuar a pagar as suas ineficiências.
Camilo Lourenço, no Diário Económico, aqui.
Quando os recursos são escassos importa saber gerir, avaliando o custo-benefício das decisões que se tomam. Reclamar, pedindo mais recursos, já foi "chão que deu uvas". Há que mudar ou, então, dar a vez a outros.

Bons exemplos

Publicada por José Manuel Dias


Manuel Madaíl, empresário e ex-autarca, está a construir um lar de idosos para oferecer à população de Aradas, uma freguesia de Aveiro. O apoio deverá estender-se aos estudantes e às mães solteiras.
Um empresário de Aveiro vai oferecer um lar da terceira idade à população de Aradas, a freguesia onde nasceu e onde foi presidente da Junta de Freguesia, entre 1976 e 2001. Manuel Madaíl, 75 anos, o mecenas de que falamos, está a investir 1,5 milhões de euros num equipamento inexistente em Aradas. Quarenta idosos vão beneficiar da nova infra-estrutura, dotada de lar, centro de dia e apoio domiciliário, já visível junto ao cemitério de Aradas.
Estaria a ser egoísta se nada fizesse pelos outros tendo para isso possibilidades", justifica. Manuel Madaíl vai entregar a gestão do lar à "paróquia". A única coisa que exige é que haja "justiça nas admissões".
Manuel Madaíl gosta de trabalhar no anonimato (recusou ser fotografado) e raramente aparece em acontecimentos públicos apesar de ser um dos mais respeitados e cotados empresários de Aveiro.
Fonte: Jornal de Notícias aqui.
A sociedade civil pode ter um papel mais relevante do que aquele tem tido, constituindo-se como o vértice de um triângulo que tem o Estado e o Mercado como parceiros. Importa, no entanto, que casos como o deste empresário frutifiquem. Valores e princípios podem ter tradução prática.

Barak Obama

Publicada por José Manuel Dias


O novo Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, fez hoje um discurso de aceitação intenso e inspirado perante uma multidão de vários milhares de pessoas reunidas em Grant Park, Chicago. "Esta é a vossa vitória", declarou o senador, recordando as mudanças ocorridas no país durante as últimas décadas sob o ponto de vista de uma eleitora que, aos 106 anos, votou hoje em Obama, Ann Nixon Cooper. "Yes, we can", repetiu Obama várias vezes, num discurso que pareceu coreografado até à perfeição.Obama começou o seu discurso por recordar que a sua vitória nas eleições desta madrugada - que venceu por uma esmagadora maioria de 338 votos - põe em evidência que tudo é possível através do poder da democracia."Se ainda há alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta"."Há muito que se anuncia, mas hoje, por causa do que fizémos esta noite, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança está a chegar à América".
Fonte: Jornal Público, aqui.
A eleição do 44º presidente dos USA interessa a todo o Mundo. A sua eleição dá ainda mais valor à democracia. O "Yes, we can" teve tradução prática e, por isso, a "mudança está a chegar à América" e, esperemos, ao Mundo.

Election results

Publicada por José Manuel Dias


Nos próximos dias estas vão ser as palavras mais procuradas pelos eleitores americanos nas suas pesquisas na net. Muitos dos portugueses vão, também, querer saber o que se está a passar nas terras do Tio Sam. Para esses, deixo aqui alguns sites:
Obama ou McCain? O voto dos americanos dirá. Sondagens revelam que se Obama fosse português ganharia com mais de 90% dos votos expressos. Nos USA é diferente, a margem que que as sondagens lhe dão não é de molde a a garantir a respectiva eleição. De resto, nem seria inédito que o candidato com mais votos não fosse eleito Presidente, dado o tipo de sistema eleitoral em vigor. Uma coisa é, no entanto certa, George W. Bush dia 4 é o seu último dia. Vai deixar poucas saudades ao mundo e, presumo, aos americanos.

O novo sonho americano

Publicada por José Manuel Dias


El día que Ted Kennedy mostró su apoyo público a Barack Obama recordó cómo su hermano John retó a Estados Unidos a atravesar una Nueva Frontera. El joven candidato católico tuvo que soportar las críticas del anterior presidente demócrata, Harry Truman, que pedía paciencia y exigía a alguien con más experiencia, pero John Fitzgerald respondió: "El mundo está cambiando. Las viejas fórmulas ya no sirven". En el Estados Unidos post Bush, Obama ha hecho suyas esas palabras del presidente asesinado para simbolizar el hambre de cambio y radiar un efecto de esperanza que ya no se recordaba en las bases demócratas.
Fonte: El País, aqui.
Faltam apenas 5 (longos) dias para Bush se despedir...

A irresponsabilidade sindical

Publicada por José Manuel Dias


Quem ouve os dirigentes sindicais falar só pode tirar uma de duas conclusões: ou estão loucos, autistas, incapazes de apresentar propostas sensatas e lúcidas, ou são demasiado estúpidos, inconscientes, e não dispõem de nenhuma informação exacta sobre o que se passa no País, na Europa e no Mundo.
É que os dirigentes sindicais comportam-se como se fossem os maiores inimigos dos trabalhadores portugueses. Dizem e repetem as maiores enormidades, fazem reivindicações salariais como se vivêssemos no melhor dos mundos e mostram-se incapazes de pensar, raciocinar, tendo por base soluções com um mínimo de razoabilidade, no contexto da monumental catástrofe económica.
[...]
Pois então os dirigentes sindicais têm a suprema ousadia de aparecerem a propor 5, 6 e 7% de aumento mínimo de salários para a Função Pública, 'porque 2,9% não dá para recuperar o poder de compra perdido nos últimos anos'. Não há ninguém que explique a estes parolos que o que está em causa é segurar os postos de trabalho quando são anunciados em todo o Mundo despedimentos e mais despedimentos?
Se o Governo aceitasse aumentos deste valor lançava Portugal num buraco-negro sem fim à vista. Os trabalhadores portugueses não podem deixar os seus interesses vitais nas mãos de dirigentes sindicais que vivem longe da realidade.
Emídio Rangel, em artigo de opinião no Correio da Manhã, aqui.

Aplausos para a Medida

Publicada por José Manuel Dias


As gasolineiras vão passar a fornecer à página electrónica da Direcção-Geral de Energia e Geologia os dados relativos ao preço de venda dos combustíveis que estão a praticar nos postos de abastecimento.
A medida, aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros, insere-se no programa de simplificação administrativa Simplex, e destina-se a todos os consumidores interessados.
«Desta forma, será possível conhecer via internet o preço de combustíveis praticado em qualquer posto de abastecimento do continente. Para além do preço dos combustíveis, será, também, disponibilizada aos consumidores informação sobre a localização, horário de funcionamento e serviços existentes em cada posto de abastecimento», esclarece o documento do Conselho de Ministro.
Fonte: Agência Financeira, aqui.

Xutos e Pontapés - A minha casinha

Publicada por José Manuel Dias



Esta música não tem nada a ver com a forma como ao longo de décadas se atribuiram "casinhas" em Lisboa (seria só em Lisboa?). Aplaude-se, no entanto, a intenção do actual Presidente em divulgar a lista dos beneficiários do património camarário disperso (ou seja, património fora da lógica dos bairros sociais). Quem não deve, não teme...

Subsídios para a história da criminalidade

Publicada por José Manuel Dias


O salazarismo transfigurou a violência da sociedade em violência do Estado. Desde então, os crimes contra o património (e, durante a ditadura, os crimes contra a ordem pública) passaram a dominar as estatísticas, superando o homicídio e os demais crimes violentos. Mas ainda em 1994 se registava mais de 400 homicídios dolosos por ano (mais de um por dia) e até 2000 o número não desceu abaixo de 300. Até 2004 o número excedeu sempre 200, começando, nos anos seguintes, a situar-se em menos de 200 – tendência que hoje persiste.
[.../...]
Todavia, o crime em períodos anteriores interessava mais à Imprensa especializada, desprezada pelas elites. As ameaças terroristas suscitaram uma situação de insegurança mundial. A corrupção, o branqueamento e os tráficos tornaram--se temas políticos por excelência. Também os maus tratos e a violência doméstica aumentaram a partir do momento em que a lei os tornou públicos (não dependentes de queixa) em 1998, alterando a natureza que lhes fora ainda atribuída em 1995. Mas os homicídios de todo o género e os roubos violentos, incluindo o ‘esticão’, foram persistindo.
A inovação criminosa da sociedade de segurança e tecnológica foi o carjacking. A visibilidade mediática deste crime sugere-nos uma violência que não existia. A vantagem das notícias é a intolerância para com a violência. O seu maior defeito é criar um passado idílico e fazer eco – sem razão – de relações erradas, como a que se pretende estabelecer entre a restrição dos crimes sujeitos a prisão preventiva e a criminalidade violenta, à qual nunca deixou de ser aplicável tal medida. Devemos enfrentar o crime violento e atacar as suas raízes para melhorar o Mundo e não para obter ganhos partidários ou sindicais.
Fernanda Palma, no Correio da Manhã, aqui.

Somos os melhores

Publicada por José Manuel Dias


Somos um povo que anda sempre a encontrar domínios em que somos os melhores, por exemplo, somos os melhore a pronunciar línguas estrangeiras mas só falamos português, somos os melhores a encontrar soluções de improviso mas passamos a vida enrascados, somos os emigrantes mais trabalhadores mas por cá cheira a cera que tresanda. Somos os melhores em quase tudo, eu diria mesmo que somos os melhores em tudo menos naquilo em que há competição, seja a economia ou os jogos olímpicos.
A verdade é que apesar de sermos um povo que beneficia ao máximo de um bom clima ainda há por aí uns atletas que não se queixam de não terem condições, de não terem sido fruto de uma política desportiva nas escolas, que não foram bafejados pelas medidas de um responsável político competentíssimo, e apesar de tudo isso conseguem medalhas.
Apesar de tudo ainda conseguimos ganhar medalhas, ou melhor, temos atletas que se esforçam em ganhar medalhas já que não fui eu que dei o litro durante quatro anos, não me sujeitei a nenhuma dieta rigorosa nem dediquei cinco horas por dia a treinos intensos. Quem o fez foi Vanessa Fernandes, que vive no mesmo país dos falhados, a medalha é dela e não minha mais dos muitos outros que fazem um povo que se fosse um atleta não ganharia medalha nenhuma.
Com a devida vénia ao blogue O Jumento, com leitura integral aqui.

E a cenoura?

Publicada por José Manuel Dias


É muito. Está acima da média da OCDE. É demais para um país que se quer desenvolvido. Não estão em causa apenas os esquemas de fuga ao fisco ou à Segurança Social, é mais do que isso. São todos os estratagemas usados para fintar as regras de funcionamento da economia, nos licenciamentos, na protecção do ambiente, na segurança no trabalho. É o pior do ‘nacional porreirismo’. Esta é uma das principais causas do atraso do país relativamente às médias internacionais, uma vez que permite a sobrevivência de empresas sem futuro nem razão de existir. Como conseguem escapar às obrigações com o Estado e a sociedade, estas empresas têm custos inferiores e continuam a operar, apesar de mal geridas e de muitas vezes não serem competitivas. Ainda assim, acabam por roubar clientes aos cumpridores, que são penalizados por seguirem as regras. As consequências são óbvias. Primeiro, há um nivelamento por baixo, o que resulta numa evolução da produtividade abaixo do que é necessário para a expansão da economia. Segundo, há a questão moral: nenhuma sociedade pode ter um futuro risonho se tolerar níveis elevados de desrespeito pelas leis. Portanto, a questão é: como se resolve a chaga da economia informal? Com muito pau e cenoura.
Bruno Proença no Diário Económico desta data, aqui.
A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) vai colocar inspectores tributários e funcionários dos serviços de Finanças a visitar pessoalmente contribuintes com dívidas em processos de execução de forma a identificar o património que estes possuam e que pode ser penhorado. Se não existir património, no caso das empresas, é iniciado um processo de reversão, passando as dívidas a ser exigidas aos responsáveis das empresas devedoras.
Jornal Público, aqui.
Simplificar processos, reforçar o controlo, penalizar os incumpridores são medidas necessárias à diminuição da economia paralel. Convirá, no entanto, perguntar: e a cenoura onde está?

O Mantorras resolve

Publicada por José Manuel Dias


A crer no comportamento dos portugueses diria mesmo que o combustível está a preços de saldo, são muito poucos os que conduzem de forma a minimizar o seu consumo. Este comportamento faz-me lembrar a velha convição dos Benfiquistas, quando a equipa está em apuros dizem logo que “Mantorras” resolve, a equipa pode jogar mal que o Angolano vai lá e desfaz o adversário. Aliás, a generalidade das equipas tem o seu resolvedor de problemas, no estádio do Sporting são sempre visíveis os cartazes a dizer que “Liedson resolve”.
Enquanto portugueses comportamo-nos como os adeptos de equipas em apuros, encontramos sempre quem nos resolve o problema,em regra é o governo, se este for mal sucedido recorremos ao presidente, se nem assim a coisa vai pedimos que entre a líder da oposição e quando tudo falha há sempre alguém que assegurar que se Salazar (no Benfica seria o Eusébio) fosse vivo haveria de encontrar uma solução.
Para quê preocuparmo-nos ou empenharmo-nos na solução dos nossos problemas? O Mantorras resolve.
Com a devida vénia do blogue O Jumento, leitura integral aqui.

O absentismo dos Deputados

Publicada por José Manuel Dias


Os 230 deputados da Assembleia da República deram mais de 1500 faltas nas 109 reuniões plenárias da terceira sessão legislativa, das quais só 10 foram injustificadas. Manuel Alegre, PS, e Carlos Gonçalves, PSD, são os recordistas, com 39 faltas.
Os deputados do PSD foram os mais faltosos, com 675 faltas, uma média de nove faltas por deputado e de seis faltas por sessão.
Logo a seguir, a bancada socialista registou 593 faltas, uma média de cinco por deputado e por sessão.
Seis deputados foram obrigados a descontar parte do ordenado mas nenhum perdeu o mandato - o que acontece com mais do que quatro faltas injustificadas.
Houve vinte e três deputados nunca faltaram nos dez meses da sessão legislativa: 15 são do PS, quatro do PSD, dois do CDS-PP, um do PCP e outro do PEV.
Fonte: Jornal de Notícias, aqui.
Ao que nos dizem, desde que José Sócrates é Primeiro Ministro o absentismo dos parlamentares reduziu. É bom que assim seja. O exemplo deve "vir de cima"...

O trabalho, os pobres e a gandulice

Publicada por José Manuel Dias


Alguém consegue convencer um jovem que nunca teve que estudar ou trabalhar a carregar um balde de cimento ou a apanhar amêndoas aos 20 anos? Duvido muito, com essa idade quem nunca fez nada na vida descobre que em Portugal o melhor estatuto é o de gandulo, até porque graças às preocupações dos sociólogos, governantes e estatísticos são uma espécie protegida.
Uma boa parte dos nossos apoios sociais não são outra coisa senão o financiamento da gandulice, mas isso é coisa que os nossos cientistas sociais nunca perceberão, eles nunca souberam o que é ser pobre. Não percebem que enquanto vão ficando felizes com os resultados estatísticos do seu trabalho vai germinando entre os portugueses uma profunda revolta contra toda esta hipocrisia, porque há muita boa gente que nunca precisou de roubar e superou a pobreza trabalhando e sem quaisquer apoios sociais.
Há um profundo divórcio entre a abordagem de elites bem pensantes e com complexos de culpa e o povo que nunca lhe passou outra coisa senão trabalhar para ganhar a vida, as elites fazem estudos bem pagos para explicar a pobreza e acabam por confundir pobreza com outros fenómenos bem diferentes, ainda que convergentes nos resultados. Não conseguem perceber o mais elementar e confundem o pobre que ganha pouco ou está no desemprego com aquele que é pobre porque não quer trabalhar.
Transcrito do blogue O Jumento, a ler na íntegra aqui.

Barak Obama in Berlin

Publicada por José Manuel Dias