Falsa segurança

Publicada por José Manuel Dias


Pergunta o barqueiro ao peixinho dourado:
Não entendo a tua insensatez,
sempre a nadar contra a corrente...
A resposta não pôde ser ouvida,
pelo inadvertido barqueiro
que viu o barco
mergulhar indefeso
no despenhadeiro...

Autor desconhecido

Um grande desafio

Publicada por José Manuel Dias


A qualificação dos portugueses é um dos grandes desafios para o desenvolvimento do nosso país. São vários os indicadores que atestam a gravidade do nosso problema. Apenas 20% da população adulta, entre os 25 e os 64 anos, completou o ensino secundário (a média da OCDE ronda os 70%); cerca de metade da nossa população activa não tem a escolaridade mínima obrigatória; o número médio de escolarização da nossa população é baixo, pouco ultrapassa os 8 anos; cerca de 45% dos jovens, entre os 18 e os 24 anos, abandonam os estudos sem concluir o ensino secundário.
O exposto não deixa dúvidas: estamos numa situação preocupante. Importa mudar, fazendo mais e fazendo melhor, tendo em conta as restrições orçamentais. Temos, no entanto, de ter presente que uma mudança profunda desta realidade exige a intervenção de toda a sociedade. Uma parceria de várias entidades: cidadãos, instituições públicas e privadas. Pais, professores, autarcas, buscando, em conjunto, as melhores soluções, aprendendo com os erros, próprios e alheios, e, partilhando saberes.
Que meios temos ao nosso alcance? O que faz o Ministério da Educação? Qual o papel reservado às autarquias? Os Conselhos Municipais de Educação que atribuições têm? Os Conselhos executivos das escolas que intervenção podem ter? E os professores são espectadores ou protagonistas? E aos encarregados de Educação que exigências se colocam? E os empresários ( futuros empregadores dos estudantes) não têm uma palavra a dizer? Quais são as nossas Escolas de excelência?
Da resposta a estas questões depende, em grande parte, o nosso futuro. A educação, como é consabido, é a condição base para o desenvolvimento.

Aplausos para as Novas Oportunidades

Publicada por José Manuel Dias


Mais de 250 mil adultos aderiram ao Programa Novas Oportunidades, o equivalente a cerca de 7,5% da população activa sem secundário completo, a maioria para conclusão do ensino básico, foi hoje anunciado, pelos Ministros do Trabalho e Educação.
O Programa Novas Oportunidades, apresentado a 21 de Setembro de 2005, tem como objectivo mobilizar os jovens e os adultos para a possibilidade de aumentarem as suas qualificações ao nível do 12º ano de escolaridade.
De acordo com os dados apresentados 250.774 adultos aderiram ao Novas Oportunidades, 176.176 para concluírem a sua formação ao nível do ensino básico e 74.598 para terminarem a sua formação ao nível do ensino secundário.
Do total dos adultos inscritos neste programa, 91.840 fizeram a sua inscrição durante o primeiro trimestre de 2007, a maioria dos quais para concluir a sua formação ao nível básico (50.651), o que corresponde ao cerca de 40 por cento do total de inscritos no Novas Oportunidades.
Este facto é merecedor de aplausos. Não merece uma primeira página de um qualquer jornal, não justifica um editorial, não é notícia de abertura de um telejornal, mas comprova, preto no branco, que Portugal está a mudar. São cada vez mais os portugueses a interiorizar a ideia que o futuro é mais exigente que o presente. A reconhecer que a qualificação é uma necessidade. A modernização do nosso país depende da capacidade colectiva em melhorarmos as nossas qualificações. Precisamos de acelerar a qualificação dos portugueses, tendo em vista a convergência com os países mais desenvolvidos. É o que está a ser feito, com determinação, com entusiasmo, por muitos portugueses. São merecedores dos nossos aplausos.

Os porquês...

Publicada por José Manuel Dias


Saber lidar com os porquês requer competências de comunicação que nem todos possuem mas que, havendo vontade, podem ser adquiridas. Benjamim Franklin tinha como método tomar nota de todos os porquês (a favor ou contra) de uma qualquer questão. Ponderando os dois lados tinha uma visão mais aprofundanda dos problemas e considerava, por isso, estar em melhores condições para decidir.
Uma boa resposta a uma qualquer questão formulada, pode ser bem aceite mesmo que não corresponda integralmente à pergunta. Os políticos são conhecidos por usar (e abusar) desta técnica. Perante uma qualquer questão que lhe colocam, acabam por responder apenas ao que verdadeiramente lhes interessa. Há quem diga que eles apenas o fazem por incompetência dos jornalistas que não formulam as perguntas nos termos adequados. Henry Kissinger, antigo secretário de estado americano, constumava brincar com esta situação nas conferências de imprensa, perguntando, não raras vezes, aos jornalistas : " Quais são as perguntas que têm para as minhas respostas de hoje? ".

O Relatório

Publicada por José Manuel Dias


Uma história muito contada sobre Kissinger... Winston Lord tinha sido incumbido de preparar um dado relatório e empenhara-se na sua elaboração, tendo-lhe dedicado vários dias. Depois de o entregar a Kissinger, Lord recebeu-o de volta com a anotação, « É o melhor que consegue fazer?». Lord redigiu tudo de novo e, finalmente, voltou a apresentar o relatório; lá voltou ele de novo com a mesma breve pergunta. Depois de o redigir mais uma vez - e mais uma vez receber a mesma pergunta de Kissinger - Lord exclamou « Que diabo, é sim, é o melhor que consigo fazer.» Ao que Kissinger respondeu: « Óptimo, acho que desta vez vou lê-lo».
Kissinger, Walter Isaacson, 1992

Três preciosas virtudes

Publicada por José Manuel Dias


Tenho três coisas preciosas, que conservo e aprecio. A primeira é a delicadeza; a segunda a frugalidade; a terceira a humildade, que me impede de colocar antes dos outros. Seja delicado, e poderá ser ousado; seja frugal e poderá ser liberal; evite colocar-se antes dos outros e poderá ser um líder.
Confúncio (551 - 479 a. c), pensador e teórico político chinês

Formação é prioridade total

Publicada por José Manuel Dias


«A formação tem de assumir-se como uma prioridade total do País nos próximos anos», disse o Primeiro-Ministro na apresentação da campanha de divulgação da Iniciativa novas oportunidades, em 7 de Março. José Sócrates referiu que «em matéria de melhoria da qualificação - tendo Portugal 480 mil jovens entre os 18 e os 24 anos sem o Ensino Secundário concluído - não há receitas milagrosas, nem medidas que respondam aos problemas em meia dúzia de meses». No presente globalizado qualquer cidadão «pode adquirir bens e serviços em qualquer parte do mundo e em poucos segundos»; «mas não podemos importar formação ou qualificação. O desafio da formação é com os portugueses», sublinhou. Para destacar a importância do tema, Sócrates disse que Portugal enfrenta no presente «três grandes desafios: pôr as contas públicas em ordem, aumentar o seu crescimento económico e o mais difícil de todos, porque é de carácter estrutural, qualificar os portugueses». O programa Novas Oportunidades vai qualificar um milhão de pessoas até 2010. Já se registaram alguns progressos relevantes: «Com o alargamento do leque dos cursos profissionalizantes e tecnológicos no Ensino Secundário, pela primeira vez houve em 2006 um aumento do número de alunos; foram celebrados mais de 350 acordos com empresas e associações para formação profissional; e o número de centros de novas oportunidades chegaram aos 270 no final de 2006, quando a meta prevista para 2007 era de 250».
Não podemos deixar de considerar esta preocupação como salutar. Melhorar as competências dos portugueses é vital. Temos, no entanto, de ter presente que o impacto destas acções não surgirá no imediato. Só a médio de prazo se verificarão os seus benefícios. Importa, por isso, repescar as palavras de Peter Drucker quando defendeu que o elemento humano é para as empresas " a única vantagem sustentável" em relação às concorrentes. Não desperdicemos pois esta oportunidade de melhorar o capital humno do nosso país, seguramente um factor de aceleração e multiplicação do progresso económico, social e cultural.

A oportunidade difícil de resolver

Publicada por José Manuel Dias


Causas, efeitos, consequências, problemas, oportunidades, objectivos, resultados, eficiência e eficácia são palavras, cada vez mais, usadas no quotidiano das empresas. Sucede, entretanto, que nem todos se sintonizam com o verdadeiro significado dessas palavras e, quando agem, acabam por ter comportamento diverso da nossa expectativa. Conta-se que numa dada empresa o seu director - geral reuniu todos os seus colaboradores e determinou que, a partir daquele momento, deveriam passar a assumir uma atitude mais positiva. A palavra "problema" deveria ser eliminada do seu vocabulário. O vocábulo "problema" seria substituído pela palavra "oportunidade". Os problemas deveriam ser sempre considerados oportunidades.Alguns dias depois, o director - geral foi foi interpelado por um trabalhador quando se dirigia para uma reunião com a Administração:
- Sr. Director - geral, preciso de lhe falar, disse o empregado da empresa que acrescentou " Estou a enfrentar uma oportunidade difícil de resolver!".
Uma frase simples e elucidativa. Não basta mudar as palavras para que a atitude das pessoas se modifique. Não basta comunicar intenções é preciso que as pessoas compreendam o alcance dos nossos propósitos. Existe um grande trabalho a desenvolver neste domínio se queremos mudar atitudes. Um desafio para todos.

Falas de civilização

Publicada por José Manuel Dias


Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro

O desafio e as dificuldades

Publicada por José Manuel Dias


O homem está lá desafiado pela grande porta. Com alguma dificuldade, descobre a fechadura e percebe que tem a chave na mão. Tenta, tenta, combinando as partes, e aos poucos a trave vai cedendo, a fechadura funciona e a porta abre.
Dentro há inúmeras portas, cada qual com a sua fechadura diferente. Todas devem ser abertas, mas só há uma única chave. É preciso ajustá-la às fechaduras. Para tanto o homem precisa de usar a mala de ferramentas. Lapida aqui, acrescenta ali, endireita acolá até que a resistência se dobre e a chave abra a porta.
Em cada porta, a situação repete-se, num permanente desafio. Muitas vezes a fechadura emperra, a chave não é adequada, as ferramentas não ajudam, o ambiente é sufocante e o homem desespera. A vontade é acomodar-se, mas não há outra alternativa inteligente; é vital prosseguir tentando.
É esse o grande objectivo : abrir portas, rasgar horizontes, criar novas oportunidades...

Citações

Publicada por José Manuel Dias


1. Agir como homem de pensamento e pensar como homem de acção.
H. Bergson
2. A sorte não existe. Aquilo a que chamais sorte é o cuidado com os pormenores.
Sir W. Churchil
3. Se não sabes onde ir, não inporta o caminho que te pode conduzir até lá.
Talmud
4. O ser capaz mora perto da necessidade.
Pitágoras
5. Eu respondi-lhe que se era certo que isto ia bem sem o dizer, iria melhor se o dissesse.
Talleyrand
6. Nada é permanente, salvo a mudança.
Heraclito
7. Não é o empregador que paga os salários, mas o cliente.
H. Ford
8. Age sempre de maneira a poder erigir o princípio da tua acção em máxima universal.
E. Kant




Virtudes que se podem tornar defeitos

Publicada por José Manuel Dias


Conheceis as seis virtudes e os seis defeitos nos quais pode cair aquele que quer praticar as seis virtudes sem conhecê-las bem? O defeito daquele que quer ser benfeitor e não quis aprender a sê-lo, é a falta de discernimento; o defeito daquele que ama a ciência e não ama o estudo, é o de cair em erro; o defeito daquele que gosta de cumprir promessas e não aprendeu a fazê-las, é prejudicar os outros, prometendo-lhes e dando-lhes coisas nocivas; o defeito daquele que ama a franqueza e não aprendeu a praticá-la é o de aconselhar a repreender muito livremente sem nenhuma consideração para com as pessoas; o defeito daquele que gosta de mostrar coragem e não aprendeu a saber doseá-la é perturbar a ordem; o defeito daquele que ama a firmeza de alma e não aprendeu a limitá-la é a temeridade.
Confúcio, pensador autodidacta e político chinês (551
-479 A.C.), in 'Os Anacletos'

Dupla certificação

Publicada por José Manuel Dias


A partir de agora o regime de formação profissional encaminhará o dinheiro do novo Quadro Comunitário (QREN) destinado à qualificação profissional para as empresas que garantam uma dupla certificação (profissional e escolar). O novo sistema contemplará critérios mais apertados na atribuição de Fundos Comunitários para empresas com maus resultados a nível de empregabilidade. Francisco Van Zeller, presidente da CIP, refere que "esta é uma área onde há concordância entre os parceiros sociais pois é fundamental aumentar os níveis de escolaridade do país".
Fonte : Diário Económico de 7 de Fevereiro
Precisamos de requalificar as pessoas, importa, no entanto, avaliar, com rigor, o impacto da formação profissional ao nível do reforço das competências e da melhoria da empregabilidade associada. Faz, pois, todo o sentido a preocupação expressa pelo Ministro do Trabalho e Solidariedade Social " Os cursos financiados devem ser aqueles que interessam às pessoas e às empresas".

Máximas e reflexões

Publicada por José Manuel Dias


1. O carácter é um filtro que purifica as acções dos homens.
2. A pontualidade é uma condição importante da integridade do carácter.
3. A vida de um homem de juízo é a resultante de muitas renúncias.
4. Um condição fundamental para o êxito nos negócios consiste em saber esperar, sem perder tempo.
5. A consciência humana, em geral, termina no ponto onde começa o interesse.
6. O calar nem sempre é uma virtude; há quem se cale para comer mais.
Selecção feita com base no livro" A contas com a Ética Empresarial", Moreira, José Manuel, Principia Publicações, Lda, Cascais (1999).

Vencedores e Derrotados

Publicada por José Manuel Dias


Quando um vencedor comete erros diz " Enganei-me..." e aprende com os erros.
Quando um derrotado comete erros diz "A culpa não foi minha" e responsabiliza terceiros.
Um vencedor compremete-se com a sua palavra e cumpre.
Um derrotado faz promessas, "não mete os pés a caminho" e quando falha só se justifica.
Um vencedor diz " Sou bom mas vou ser melhor ainda".
Um derrotado diz " Não sou tão mau assim, há muitos piores que eu".
Um vencedor respeita os que sabem mais e procura aprender algo com eles.
Um derrotado resiste a todos os que sabem mais e apenas se fixa nos seus defeitos.
O vencedor diz " Deve haver uma forma de fazer melhor".
O derrotado diz " Sempre o fiz assim".
O vencedor é parte da solução.
O derrotado é parte do problema.

A Visão

Publicada por José Manuel Dias


Um viajante avistou ao longe uma construção e resolveu aproximar-se. Verificou então que três pedreiros estavam a trabalhar na mesma obra e a fazer o mesmo serviço. Resolveu, então, perguntar-lhes o que estavam a fazer. Perguntou ao primeiro que lhe respondeu: "Estou a ganhar a vida". Perguntou ao segundo que, sem levantar os olhos, disse " Estou a assentar pedra" . Por fim questionou o terceiro: " E tu que estás fazer?" Estou a ajudar a construir uma catedral, respondeu-lhe prontamente.
Esta pequena história procura sublinhar a importância de, numa organização, todos saberem responder à questão central : " Para onde vamos?". Se cada um dos integrantes de uma organização não souber responder a esta questão, como saberá que o caminho que está a seguir é o adequado?
Importa, por isso, definir, antes de mais e acima de tudo, para onde queremos ir. Caberá à gestão de topo de uma organização essa definição. A escolha da Visão - a declaração sucinta do que aspira a ser...a terra prometida onde corre leite e mel - é essencial para alinhar toda a organização com a estratégia preconizada. A criação de um sistema de gestão que monitorize o desempenho é, também, uma condição necessária para garantir que as acções das diferentes áreas estão em linha com os objectivos e as metas a atingir.
E você sabe qual é a Visão da organização a que pertence?

O homem e a sua sombra

Publicada por José Manuel Dias


Era uma vez um homem original que queria apanhar a sua própria sombra. Dava um passou ou dois na sua direcção, mas ela afastava-se. Acelerava o passo mas ela fazia o mesmo. No final, começou a correr e a sombra correu também, recusando-se totalmente a entregar-se, como se fosse um tesouro. Mas repare! O nosso excêntrico amigo aproxima-se e afasta-se rapidamente da sombra. Se olha para trás, agora é ela que corre atrás dele. Senhoras, sinceramente, com frequência tenho observado (...) que a sorte nos trata de forma semelhante. Um homem tenta com todas as suas forças agarrar a deusa, e apenas desperdiça tempo e trabalho. Outro parece fugir dela; mas não: é ela que tem prazer em o perseguir.
Ivan Kriloff (1768-1844)

Instruções para a Vida

Publicada por José Manuel Dias


1. Não digas às pessoas o modo como as coisas devem ser feitas. Diz-lhes antes as coisas que há para fazer. Não imaginas as soluções criativas de que muitas pessoas são capazes.
2. Lê com atenção todas as coisas que deves assinar. Nunca te esqueças que as letras grandes prometem tudo o que as letras pequenas acabam por tirar.
3. Lembra-te que 80% do teu êxito em qualquer tipo de emprego advém da tua capacidade em lidares com as pessoas.
4. Não percas a magia do momento que passa por estares preocupado com o que há-de vir.
5. Nunca gastes despreocupadamente o tempo ou as palavras. Quer um, quer as outras, são insusceptíveis de reposição.
Seleccionado do " Pequeno Livro de Instruções para a Vida" de H. Jackson Brow, JR, Editora Gradiva. De acordo com o autor, o livro começou por ser um presente para o seu filho, Adam e agrega algumas reflexões e conselhos que representam " tudo o que aprendera sobre o modo de viver uma vida recompensadora e feliz".

Existimos em Função do Futuro

Publicada por José Manuel Dias


Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projectos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projectardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro. O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro?
Jean-Paul Sartre ( 1905/1980) , in 'Situações I', ensaio político.

Problemas e oportunidades

Publicada por José Manuel Dias



Em meados dos anos 60 algumas empresas do sector do calçado iniciaram projectos de exportação para Angola. No mesmo do dia, dois vendedores de empresas distintas, uma de Felgueiras e outra de S. João da Madeira, desembarcaram em Luanda. Tinham como propósito fazer um levantantamento das potencialidades do mercado. No final do dia, depois de terem conhecido a cidade, mandaram "telexes" (os faxes apareceriam duas décadas mais tarde) para as gerências das respectivas empresas. Um deles dizia " Senhores, cancelem o projecto de exportação para Angola. Aqui ninguém usa sapatos! ". O outro dizia " Senhores, enviem-me, desde já, três contentores de sapatos e acelerem o projecto de exportação. Aqui andam todos descalços".
A mesma situação foi interpretada de modo diferente pelos dois vendedores. Onde um viu dificuldades, o outro viu oportunidades. Tudo na vida pode ter sempre duas visões. Depende de cada um de nós transformar problemas em oportunidades.