Toda a gente tem uma teoria...

Publicada por José Manuel Dias


Toda a gente tem uma teoria acerca da crise financeira. As teorias vão do absurdo ao plausível: da ideia de que os democratas liberais forçaram, de algum modo, os bancos a emprestarem dinheiro aos pobres que não o mereciam (apesar de os republicanos controlarem o Congresso) à convicção de que foram os instrumentos financeiros exóticos que promoveram a confusão e a fraude. Mas o que sabemos de facto do assunto?
Paul Krugman, Economista Nobel 2008, em artigo de opinião apresenta-nos a sua leitura sobre as causas da crise. Um artigo imperdível com leitura integral no Jornal i, aqui.

Coisas que convém saber

Publicada por José Manuel Dias


A Euribor (EURopean InterBank Offered Rate) é uma taxa de juro de referência calculada pelo BCE tendo por base o valor dos contratos de cedência de crédito entre 57 bancos internacionais (entre eles a Caixa Geral de Depósitos) com uma participação muito ativa no mercado do euro. Por outras, palavras resulta do valor médio atribuído ao dinheiro pelos próprios bancos quando procuram ceder euros uns aos outros, daí designar-se de taxa interbancária. O gráfico relativo à curva de rendimentos pode ser encontrado, com atualização diária, neste endereço do Banco de Portugal.
Esta taxa é calculada diariamente para várias maturidade, ou seja, para vários períodos de cedência. A euribor a 6 meses, por exemplo, responde à pergunta: quanto custa pedir emprestado 1 euro por seis meses e é habitualmente utilizada em Portugal como referência para definir quanto os bancos pedem pelo dinheiro que emprestam aos particulares nos contratos de crédito à habitação, entre outros, sendo o preço do crédito completado por um spread adicionado à euribor.

Comprar bens penhorados pelo Estado

Publicada por José Manuel Dias


Se tiver interesse em participar num leilão do Estado pode ficar a saber como lendo esta peça do Diário Económico. Trata-se de um mini manual de como participar na compra de casas, carros, participações sociais e outros bens penhorados pelo Estado português. Deve começar por aceder a http://www.e-financas.gov.pt/vendas/, um sítio gerido em conjunto pela DGCI e pela DGITA, ambas direções gerais do Ministério das Finanças que trata da Venda Eletrónica de Bens Penhorados. Este sítio apresentam a informação fundamental sobre todos leilões previstos, contem fichas detalhadas sobre os bens alvo de penhora todos os bens, apresenta a evolução dos processos de licitação, serve de portal de registo…

Saber fazer contas

Publicada por José Manuel Dias


A sociedade portuguesa encontra-se atravessada por uma intensa batalha ideológica, e política. Encontra-se, de um lado, gente para quem despesa acima do rendimento, e consequente défice, não têm limite; ignoram o problema ou, quando se vêem confrontados com ele, acham que não é seu; odeiam contas. Encontra-se, do outro lado, gente que gosta ou se sente obrigada a fazer contas e que acha que, cedo ou tarde, há limites que têm de ser observados (restrições orçamentais, como nos ensinaram, em casa e na escola).
Alguns dos primeiros gostam de apelidar os segundos, sobretudo os mais notáveis, de contabilistas.
[.../...]
Em tempos de luta mais intensa entre os dois campos, como os que vivemos, o uso da expressão leva-nos mais longe. Quem não gosta ou se recusa a fazer contas apelida os outros de contabilistas; mais do que perante uma expressão de soberba, que só atinge quem a utiliza, encontramo-nos perante a expressão de um perigo público.
Fonte: Expresso, aqui.
O Professor Daniel Bessa alerta-nos para um perigo público: as pessoas que não sabem fazer as contas e que, ainda por cima, criticam quem as sabe fazer. Uma leitura imperdível.

Com as contas públicas não se brinca...

Publicada por José Manuel Dias


As preocupações com as contas públicas de Portugal continuam a centrar as atenções dos investidores, atirando os CDS, seguros contra o incumprimento do país, para novos recordes. A situação das contas públicas está também a pressionar as Obrigações do Tesouro, que estão novamente a subir. Os “credit default swaps” (CDS) da dívida pública portuguesa a 10 anos estão hoje novamente a subir para um novo recorde de 224,25 pontos base. Já as Obrigações do Tesouro a 10 anos estão a avançar um ponto base para os 4,732%.
Fonte: Jornal de Negócios, aqui.
Os mercados são implacáveis. Se não se vislumbra um plano que sustente de forma consistente a diminuição do défice, os investidores internacionais põem reservas à continuação dos apoios nos termos e condições que vimos usufruindo. O prémio de risco sobe e o crédito fica mais caro e, naturalmente, tenderá a ser mais escasso. É neste cenário que não se compreende a posição de alguns partidos sobre a Lei das Finanças Regionais. Dirão que o défice sobe pouco. Pois é, sobe pouco mas sobe! E o simbolismo dessa subida, para beneficiar uma das regiões mais ricas de Portugal, não pode deixar de ter leituras. A oposição é que decide onde gastar e como gastar, só não diz onde se vão buscar mais recursos financeiros para sustentar o crónico despesismo homem que trata o Presidente da República por senhor Silva.

Vêm aí tempos difíceis...

Publicada por José Manuel Dias


"Os próximos anos vão ser mais difíceis do que se esperava", disse Vítor Constâncio. Para o Governador do Banco de Portugal, atingir a meta de um défice inferior a 3% até 2013, "vai agora ser mais difícil", depois de no ano passado este ter subido para 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Constâncio admitiu que não esperava este resultado e isso reforça a necessidade de serem tomadas medidas adicionais, o que já tinha defendido anteriormente.
Fonte: Diário Económico, aqui.
Quem anda por aí e está atento aos pequenos sinais sabe que o que se vê é, em muitos casos, sustentado, apenas, pelo crédito. Muitas das pessoas habituaram-se a um nível de vida que já não é compaginável com o seu nível de rendimentos. Esta crise mundial, com impacto profundo na nossa economia, está a contribuir para que essa percepção seja mais nítida. E se alguns, com consciência deste facto, arrepiam caminho, reformulam o seu estilo de vida e elegem a poupança como necessidade prioritária, outros julgam que os rendimentos reais podem subir em resultado do barulho mediático que procuram fazer. Esquecem-se que o patrão enferma dos mesmos problemas. Tem andado a gastar mais do que o devia e, agora, também, não tem quem lhe continue a financiar os défices recorrentes e, por isso mesmo, não tem outra alternativa que não seja a de conter despesas. E é bom que o faça, sem hesitações, para bem de todos. A não ser assim, as próximas gerações não vão viver pior que as actuais, vão viver muito pior.

Nós não somos a Grécia

Publicada por José Manuel Dias



P: Não somos uma Grécia?
R: Eu não vou por comparações, isso é mais para criar ruído do que para ir à essência do problema. Não há uma iminência de default que leve a secar as fontes de financiamento. Pode é haver a percepção de que Portugal tem um risco maior e portanto o custo a pagar [por pedir emprestado] é mais elevado. Grande parte da preocupação está em evitar as incertezas e as ameaças. Essa tarefa não é fácil e da minha experiência só há uma forma de convencer os mercados. Não adianta desfazermo-nos em lágrimas pelas injustiças que nos são feitas, nem evitar opiniões contrárias. Temos de ter a capacidade de apresentar factos que enfraqueçam as opiniões que nos são desfavoráveis. Esse é o único caminho que temos de fazer e, por isso, o orçamento é importante.
P: O Orçamento é decisivo?
R: O statement mais importante para os mercados, mais do que quaisquer declarações públicas, mais do que quaisquer comunicados, vai ser aquilo que venha a ser o orçamento.
Retirado da entrevista de Vítor Bento, Presidente da SIBS, ao Jornal i, uma leitura imperdível, aqui.

Quem avisa...

Publicada por José Manuel Dias


Em declarações ao Financial Times, a Moody's deixa um aviso a Portugal: ou se tomam medidas para reduzir o défice ou haverá corte de 'rating'. O Orçamento de Estado para 2010 é visto como um teste crucial. "Se Portugal quiser evitar um 'downgrade', vai ter que tomar medidas significativas e crediveis para baixar o défice", avisa Anthony Thomas, analista sénior da Moody's, citado pelo 'Financial Times'. A agência de notação financeira está preocupada com o défice português, que deve ter atingido 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, quase o triplo do valor registado no ano anterior.
Fonte: Diário económico, aqui.
Nestas coisas da política já sabemos que não há culpados mas uma coisa podemos dizer: somos todos responsáveis. Depois não digam que não fomos avisados...

O nosso problema

Publicada por José Manuel Dias


O problema de Portugal é que gasta mais do que aquilo que ganha. Não é único - acontece o mesmo noutros países. Mas isso gera défice. Esse défice pode ser bom ou mau. Isto é, se os gastos que provocam défice forem de investimento (ou seja, apontados a gerar retorno) isso pode ser bom. Só é preciso discutir se esse investimento é certeiro. Se os gastos, pelo contrário, forem no célebre consumo intermédio - o nome pomposo para essa despesa estúpida (água, clipes, papel, luz...) - então o défice é mau. Aplique-se a lógica das famílias: se os gastos forem maiores do que o salário para financiar jantares fora ou para manter as luzes da casa todo o dia ligadas, é despesa estúpida. Se o salário não chegar para enviar os filhos estudar no estrangeiro (e se recorrer ao crédito), é despesa virtuosa.
Martim Avilez de Figueiredo, em artigo de opinião, aqui, analisa um dos problemas com que nos debatemos: gastamos acima das nossas possibilidades e dá-nos pistas para pouparmos. Uma leitura mais do que justificada.

O melhor dos últimos doze

Publicada por José Manuel Dias


A bolsa nacional fechou 2009 com a maior valorização anual dos últimos 12 anos, com muitas acções a registarem fortes ganhos, depois de terem sido bastante castigadas em 2008. O PSI-20 valorizou 33,5% desde o início do ano. Este ano foi marcado pela recuperação, com os sectores mais castigados em 2008 a corrigirem das fortes desvalorizações. É o caso da Sonae que liderou as subidas ao avançar 99,08%, depois de no ano passado ter sido a segunda cotada que mais perdeu valor.
Fonte: Jornal de Negócios,
aqui.

O valor mais baixo de sempre

Publicada por José Manuel Dias


A taxa de juro média praticada pelos bancos portugueses nos empréstimos para a compra de casa aplicada em Outubro fixou-se em 2,16%. Este é não só o valor mais baixo alguma vez cobrado em Portugal como também o menor no conjunto dos 16 países da área do euro, o que ocorre pela primeira vez, pelo menos, nos últimos sete anos. Isto porque o BCE só reúne estes indicadores desde o final de 2002. Uma das possíveis razões para esta tendência é o facto de no resto da Europa haver maior incidência de créditos de taxa fixa, o que os impede de oscilarem tanto, nas subidas e nas descidas. Uma característica confirmada pelo presidente da Sefin, António Júlio de Almeida: "Talvez por razões culturais, a prática da taxa fixa em Portugal seja muito inferior à da maioria dos mercados europeus". Por outro lado, e uma vez que a taxa de juro é igual para toda a Europa, custos mais elevados poderão significar que os bancos em causa estarão a cobrar ‘spreads' mais elevados do que as instituições nacionais.
Fonte: Diário Económico, aqui.

Protestar contra o mau tempo

Publicada por José Manuel Dias


Os sindicatos gregos do partido comunista e da esquerda radical preparam-se para uma greve geral amanhã para protestar contra o Governo socialista que anunciou a adopção de um plano de austeridade. Mais de 60 concentrações de grevistas estão previstas nas principais cidades do país para marcar um primeiro aparente teste para os socialistas, no poder desde 4 de Outubro, confrontados com uma crise financeira sem precedentes.“As novas medidas anunciadas pelo Governo em nome da luta contra a crise visam alterar completamente as regalias sociais”, afirma a ESYEA num comunicado. Pressionado pelos mercados e pelos parceiros europeus, Papandreu anunciou na segunda-feira um primeiro pacote de medidas que incluem um tratamento de austeridade para a função pública, nomeadamente uma redução de 10 por cento das despesas, o congelamento dos salários de base acima dos 2000 euros e um travão de novas contratações em 2010.
Fonte: Público, aqui.
A irresponsabilidade das estruturas sindicais gregas vai agravar o problema da Grécia. Os mercados não gostam da irresponsabilidade e o prémio de risco vai continuar a subir, como já anuncia antecipa a Standard & Poor's s ao reduzir o rating atribuido ao país para o valor mais baixo dos últimos dez anos. Melhor seria que protestassem contra o mau tempo.

É preciso mudar de vida

Publicada por José Manuel Dias


Primeiro, as dificuldades do Dubai em pagar as suas dívidas. Os mercados ficaram nervosos e ainda não recuperaram totalmente a calma. Ontem, as más notícias vieram de terras mais próximas e conhecidas. Num dos seus raides, as agências de ‘rating' aumentaram o nível de risco da Grécia e deixaram sérios avisos sobre Espanha - a Standard & Poor's reviu em baixa o ‘outlook' para a dívida espanhola. Ou seja, lançaram uma suspeita generalizada sobre a capacidade financeira destes países.
E antecipando os movimentos das agências de ‘rating', é muito provável que Portugal esteja entre os próximos. Até porque, nos maus momentos, os mercados internacionais tendem a confundir a economia portuguesa e a espanhola. Ontem, os ‘spreads' da dívida pública portuguesa relativamente à alemã subiu mais do que os da dívida espanhola: 12 pontos contra nove pontos. Os acontecimentos de ontem têm o mérito de mostrar que Portugal não pode viver com os actuais níveis de endividamento. O dinheiro do estrangeiro, que tem aguentado o insustentável nível de vida dos portugueses, vai chegar cada vez mais caro. Assim, só há um caminho: poupar mais. Todos. Empresas, famílias e, sobretudo, o Estado.
Bruno Proença, no Diário Económico, aqui.
Será que não o levam a sério?! Estou em crer que fazem mal. O futuro dirá se estou certo...

Aprender com os outros

Publicada por José Manuel Dias


A Irlanda vai adoptar um duríssimo programa de redução da despesa pública. Não, não há engano; é o mesmo país que certos analistas elegeram ultimamente como "punching bag" de estimação e que, com cortes draconianos na despesa (nomeadamente nos salários dos funcionários públicos), quer poupar seis mil milhões de euros em dois anos. Como se vê, a Irlanda não tem pejo (apesar da fragmentação política no Parlamento) em atacar o défice pela via adequada: a despesa. Agora compare-se esta atitude com o "empurra com a barriga" praticado por Portugal, Espanha e, sobretudo, Grécia.
Camilo Lourenço, em artido de opinião no Jornal de Negócios,
aqui, alerta-nos para a importância de reduzirmos a despesa pública. Um artigo imperdível.

Quem avisa...

Publicada por José Manuel Dias


O Jornal de Negócios, através da pena do Nuno Carregueiro, faz aqui uma pequena síntese das recentes recomendações do FMI que vale a pena conhecer. Se quiser saber mais pode espreitar aqui. Em síntese, Portugal tem um conjunto de problemas que exigem uma resposta ambiciosa em ordem ao cumprimento destes grandes objectivos: o governo deve reduzir o seu défice, as empresas têm que se tornar mais eficientes e o trabalho mais flexível e produtivo e as famílias devem poupar mais. Aqui se elencam algumas indicações (sugestões imperativas) a observar:
1. Os salários da função pública não devem ser aumentados ou, se o forem, devem sê-lo pelos mínimos (os aumentos deste ano foram muito elevados.)
2. A alteração à regra de actualização das pensões de reforma - por causa da inflação negativa - não devia ter ocorrido e vai ser paga a prazo - ou seja, terá de se ir buscar o poder de compra que se deu agora;
3. O défice público, a dinâmica da dívida pública associada ao baixo crescimento e a dívida da economia em geral coloca Portugal numa situação especialmente frágil caso ocorra mais um choque financeiro externo;
4. O défice público tem de ser reduzido em média 1% ao ano;
5. É preciso reduzir despesas com os salários da função públicas, com as transferências sociais e com a saúde;
6. É preciso aumentar receitas fiscais o que pode passar pela subida do IVA.
Como se pode concluir as coisas não estão fáceis para ninguém. Nem para o Governo, nem para a oposição mas podem ficar muito pior para todos nós, se esta persistir na irresponsabilidade e aquele não revelar coragem para adoptar as medidas necessárias.

O nosso dilema: congelar ou aumentar?

Publicada por José Manuel Dias


Para Eduardo Catroga, o último ministro das Finanças nos governos de Cavaco Silva, a situação das finanças públicas em Portugal é insustentável. Uma entrevista que merece ser lida com atenção por todos os que se preocupam com o futuro. Para aperitivo deixamos aqui algumas questões e as respectivas respostas:
P: Como se resolve o problema das finanças públicas?
R: Primeiro é preciso que os responsáveis políticos interiorizem, que não me parece ser o caso, que não houve consolidação orçamental. Sem o interiorizarem não há receitas milagrosas. Mas é preciso mudar de rumo porque já estamos a gastar hoje por conta do PIB futuro.
P: O que sugere em termos práticos?
R: Congelar a despesa pública total em valor absoluto durante dois ou três anos. E como governar é optar, ter-se-ia de definir prioridades. Ter-se-iam de criar envelopes sectoriais. O ministro das Finanças, com apoio do primeiro-ministro, dizia que o seu ministro A; B, ou C não têm mais do que este envelope em função das prioridades definidas. E nessas prioridades tinha de se dar mais ênfase à despesa nos sectores determinantes para a produtividade.
P: E o que fazia, por exemplo, à despesa com os funcionários públicos? É reduzível?
R: Não é reduzível, mas é congelável...
P: Deve voltar o congelamento dos salários na função pública?
R: Com certeza. Agora não quer dizer que, em função das prioridades, não se consiga, poupando noutras áreas, arranjar uma verba, por exemplo, para incentivar acréscimos de produtividade.
Entrevista a ler na íntegra, aqui, jornal Público.

Aviso à navegação

Publicada por José Manuel Dias


O Fundo Monetário Internacional recomendou hoje ao Governo que sinalize contenção salarial ao sector privado quando definir os aumentos salariais na função pública para 2010. Quanto ao aumento já decido para as pensões, o Fundo adverte que tal tem que ser “compensado” no futuro. Este ano os salários na função pública aumentaram 2,9%, uma subida que ficou acima da inflação verificada este ano.O FMI destaca a importância desta decisão a tomar pelo Governo, devido também à “necessidade de sinalizar a contenção salarial ao sector privado”. No âmbito da necessidade de reduzir o défice orçamental, o FMI salienta que “a consolidação deve concentrar-se na redução da despesa corrente primária, especialmente da massa salarial do sector público (com base nas recentes reformas da administração pública) e das transferências sociais”. Neste âmbito das transferências sociais, o FMI pede uma análise com “cuidado” aos “critérios de elegibilidade para os subsídios sociais”, bem como uma “gestão rigorosa” nos custos dos serviços de saúde.
Fonte: Jornal de Negócios, aqui.

O preço da maioria relativa

Publicada por José Manuel Dias


Os contribuintes portugueses podiam estar a pagar uma prestação mais baixa pelos milhares de milhões de euros em dívida contraída pelo Estado não fossem os avanços e recuos dos políticos nas últimas semanas e o nevoeiro denso quanto às estratégias de saída para a crise, agora que o país é governado em maioria relativa. Comparativamente à dívida alemã (obrigações a dez anos - as Bunds), Portugal está a ser penalizado, em média, com quase mais um ponto percentual. Em relação a Espanha, que tem um défice público projectado bem maior e uma dívida quase idêntica em percentagem do produto interno bruto (PIB), Portugal também sai penalizado (em 0,2 pontos percentuais). Quer num caso, quer noutro, é o preço a pagar pelo risco associado aos empréstimos concedidos ao Estado, o quarto mais elevado da zona euro.
[.../...]
Gonçalo Pascoal, economista-chefe do BCP, explica que "o diferencial face à Alemanha é uma medida do risco do país" e que "estará já a reflectir a incorporação de várias indefinições em matéria de política orçamental".
Fonte: jornal i, aqui.
Quando não se sabe se o caminho da consolidação das finanças públicas tem "pernas para andar" porque a oposição rejeita propostas do Governo, como o novo Código Contributivo, o risco é este: pagar mais pelos empréstimos (porque incorporam no preço um prémio de risco mais elevado).

Nem tudo o que Dubai é ouro

Publicada por José Manuel Dias


As bolsas europeias caíram para o nível mais baixo das últimas três semanas e as obrigações dispararam, a reagirem à tentativa do Dubai de recalendarizar o pagamento da sua dívida. Esta situação está a abalar a confiança dos investidores que têm procurado os mercados emergentes para obterem retornos mais elevados.
As agências de notação de risco Moody’s e Standard & Poor’s cortaram ontem os “ratings” das empresas estatais do Dubai, dizendo que poderão considerar o plano da Dubai World de prorrogação do reembolso da dívida como um incumprimento. Se assim for, este será o maior incumprimento soberano desde a Argentina em 2001.O Dubai, regido pelo xeque Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, contraiu empréstimos no valor de 80 mil milhões de dólares ao longo de um “boom” de quatro anos no sector da construção que reduziu a sua dependência das receitas provenientes do petróleo e deu origem ao centro turístico e financeiro do Golfo Pérsico.
Fonte: Jornal de Negócios, aqui.
Este acontecimento coloca uma questão interessante: será que os nossos activos estão bem protegidos? Será que aqueles que julgamos capazes de honrar os seus compromissos estão mesmo em condições de o fazer? Com um mundo como o de hoje, o melhor mesmo é não dar nada por certo e, assim sendo, considerar que há sempre um risco inerente que é ditado pelas incertezas que se vivem. Neste contexto, o melhor mesmo é elevar o preço, incorporando um prémio de risco mais ajustado.

Do endividamento externo

Publicada por José Manuel Dias


Numa década, o endividamento externo da economia portuguesa avaliado pela posição internacional de investimento líquida passou de 41% do produto interno bruto (PIB) para 105% no corrente ano. Esta evolução explica-se pelo acréscimo da dívida face ao exterior da Administração Pública (passou de 25% do PIB para 54% entre 2000 e 2009) e do sector financeiro (expandiu-se de 25% para 51%). O endividamento externo dos bancos materializou-se em expansão do crédito a empresas e particulares, sobretudo este. Efectivamente, o rácio de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 70% para 96% do PIB no mesmo período.A necessidade de recurso à poupança externa decorreu da queda da poupança interna e da observação de forte antecipação de consumo: incremento do consumo corrente em detrimento de futuro por parte de famílias e Estado. O recurso à poupança externa é perfeitamente justificável em países com forte crescimento e poupanças insuficientes para financiar investimento.
Para continuar a ler este artigo de Cristina Casalinho, onde se evidenciam os riscos do nosso endividamento externo, clicar aqui (Jornal de Negócios), se não for feita uma adequada alocação: aos investimentos reprodutivos que garantam taxas de rendibilidade superiores à remuneração exigida pela dívida externa.